Sociologia e Comunicação Cásper/Linguagem e Sociedade/Atividade I
ATIVIDADE I - Reflexões sobre as atividades
[editar | editar código]A partir da associação entre as teorias vistas em sala e situações do cotidiano, seguem algumas respostas para reflexão. O Deep Seek recebeu o conteúdo produzido pelo professor humano - e os exercícios propostos por ele - e foi ativado pelo seguinte prompt:
Vamos analisar e responder a cada uma das questões propostas, relacionando-as com os conceitos estudados e aprofundando a reflexão. A ideia é mostrar como os temas da construção social, linguagem, memória e narrativas se conectam com situações cotidianas, literárias e midiáticas.
1) "O universo é feito de histórias, não de átomos." – Trecho do poema "The Speed of Darkness" de Muriel Rukeyser (1913-1980).
Resposta: Esse verso reforça a ideia de que o mundo humano é construído a partir de narrativas, e não apenas de elementos físicos ou materiais. Enquanto os átomos compõem a matéria, são as histórias que dão significado à nossa existência. As narrativas nos permitem organizar a realidade, transmitir conhecimentos, compartilhar experiências e construir identidades individuais e coletivas. Elas são a base da cultura e da comunicação, pois é através delas que entendemos o passado, interpretamos o presente e projetamos o futuro. Portanto, o verso de Rukeyser ressalta que a essência da experiência humana está nas histórias que contamos e nas quais acreditamos.
2) "Conhecemos a tendência da mente de remodelar toda experiência em categorias nítidas, cheias de sentido e úteis para o presente. Mal termina a percepção, as lembranças já começam a modificá-la: experiências, hábitos, afetos, convenções vão trabalhar a matéria da memória." – Ecléa Bosi, Memória e Sociedade.
Resposta: A memória não é um registro estático do passado, mas uma reconstrução ativa influenciada pelo presente. Como destacado por Ecléa Bosi, nossas lembranças são constantemente remodeladas por experiências, afetos e convenções sociais. Isso significa que as narrativas que criamos sobre nós mesmos e sobre o mundo estão sempre em transformação, adaptando-se às nossas necessidades atuais. A memória, portanto, não é um arquivo neutro, mas um processo dinâmico que reflete nossos valores, interesses e contextos culturais. Essa ideia reforça a noção de que a história e a memória são construções sociais, sujeitas a reinterpretações e disputas de significado.
3) "A história, no sentido humano, é uma rede de linguagem arremessada para trás." – George Steiner, 1990, p. 69.
Resposta: Essa citação de Steiner pode ser associada ao conceito de que a linguagem é a ferramenta central para a construção da memória e da história. A "rede de linguagem arremessada para trás" simboliza como usamos as palavras e as narrativas para interpretar e dar sentido ao passado. Na aula, vimos que a linguagem não apenas descreve a realidade, mas também a constroi. Ela permite que as gerações transmitam conhecimentos, valores e experiências, criando uma continuidade entre o passado e o presente. Assim, a história não é um fato objetivo, mas uma trama de significados tecida pela linguagem, que nos ajuda a entender quem somos e de onde viemos.
4) And when you play guitar I listen to the strings buzz The metal vibrates underneath your fingers And when you crochet I feel mesmerized and proud And I would say I love you, but saying it out loud It's hard so I won't say it at all And I won't stay very long But you are the life I needed all along I think of you as my brother Although that sounds dumb And words are futile devices / E quando você toca violão eu ouço as cordas vibrarem O metal vibra sob seus dedos E quando você faz crochê eu me sinto hipnotizada/o e orgulhosa/o E eu diria que te amo, mas dizer isso em voz alta É difícil, então não direi nada E não ficarei muito tempo Mas você é a vida que eu precisava o tempo todo Eu penso em você como meu irmão Embora isso pareça idiota E palavras sejam dispositivos fúteis(Futile Devices. Sufjan Steves). Interessante pensar em palavras como dispositivos fúteis para algumas situações e sentimentos...
5) Dilemas éticos da tecnologia e a memória dos mortos. Os textos discutem o uso de inteligência artificial para "reviver" artistas mortos, levantando questões éticas sobre o consentimento e o respeito à memória dos falecidos.
Resposta: Essa discussão ilustra como a memória e as narrativas são profundamente influenciadas pela tecnologia. A IA permite recriar versões digitais de pessoas falecidas, mas isso gera dilemas éticos, como destacado por Sara Suárez-Gonzalo: os mortos não são "coisas" que podem ser manipuladas sem consideração moral. Esse debate conecta-se com a ideia de que a memória é um fenômeno social e cultural, e não apenas individual. Ao "reviver" alguém através da IA, estamos reescrevendo sua história e influenciando como ela será lembrada no futuro. Isso mostra que a memória não é fixa, mas uma construção que pode ser alterada por interesses e tecnologias do presente.
6) "De facto, os complexos, as reminiscências comuns e as repetições rituais [...] são condições necessárias para a criação de um sentimento de pertença, em que os indivíduos se reconheçam dentro de totalidades genealógicas que, vindas do passado, pretendem, sem solução de continuidade, projectar-se no futuro." – Fernando Catroga, Memória, história e historiografia.
Resposta: Esse trecho reforça a ideia de que a memória é essencial para a construção da identidade e do pertencimento. Através de rituais, objetos (como fotografias e álbuns) e tradições (como receitas de família), os indivíduos se conectam com seu passado e projetam-se no futuro. A memória, portanto, não é apenas individual, mas coletiva, ligada a grupos familiares, culturais e sociais. Mesmo quando há conflitos entre gerações, como mencionado por Catroga, esses embates ocorrem dentro de um contexto de memória compartilhada. Isso mostra que a identidade é sempre construída em diálogo com o passado, mesmo quando questionamos ou rejeitamos partes dele. Lgjunior (discussão) 16h23min de 24 de fevereiro de 2025 (UTC)
7) A seguir, aplicamos as cinco dimensões mencionadas ao caso da Copa de 2022:
1. Valores e perspectivas compartilhados Como os valores sociais influenciam a memória e a narrativa sobre a Copa de 2022?
Desde sua escolha como sede, a Copa do Mundo do Catar esteve envolta em debates sobre direitos humanos, exploração trabalhista e questões de gênero e sexualidade. Diferentes sociedades interpretaram esses temas de formas diversas, dependendo de seus valores culturais.
Exemplo:
Para muitas organizações internacionais e torcedores ocidentais, a Copa de 2022 foi marcada por críticas à falta de direitos para trabalhadores migrantes e à repressão de minorias LGBTQ+ no Catar. Já para setores do mundo árabe e muçulmano, a realização do torneio foi vista como um marco de afirmação cultural e política, desafiando a centralidade europeia e americana no futebol global. Essa diferença de perspectiva mostra como valores culturais orientam narrativas sobre um mesmo evento, impactando a memória que ficará associada a ele.
2. Convenções e padrões narrativos Como a narrativa sobre a Copa foi moldada por convenções do futebol?
O futebol é uma fábrica de narrativas, e a Copa de 2022 seguiu um roteiro clássico:
A trajetória do herói – Grandes craques carregam seleções rumo à glória. A surpresa do azarão – Pequenas seleções desafiam potências. O drama da derrota e da redenção – Times tradicionais caem, mas heróis emergem.
Exemplo: A Argentina e Lionel Messi personificaram a narrativa do herói e da redenção. Messi, criticado durante anos por não vencer uma Copa pelo seu país, finalmente conquistou o título, solidificando sua posição na história do futebol.
Essa narrativa não surgiu espontaneamente, mas foi construída pela mídia e pelos torcedores, reforçando uma estrutura convencional de grandes épicos esportivos.
3. Enquadramento de memórias Como os quadros sociais influenciam a forma como eventos da Copa são lembrados?
O que torna um momento inesquecível no futebol? Muitas vezes, não é apenas a qualidade técnica de um jogo, mas como ele é enquadrado nas narrativas coletivas.
Exemplo:
A vitória do Marrocos sobre a Espanha e Portugal foi narrada como um momento histórico, não apenas pelo aspecto esportivo, mas por sua carga simbólica. Como primeira seleção africana a chegar às semifinais, a conquista foi enquadrada como um marco para a representatividade do futebol africano e árabe. No Brasil, a eliminação para a Croácia nos pênaltis foi narrada dentro da memória traumática de derrotas passadas, reforçando a ideia de um "fantasma dos pênaltis" e uma fragilidade psicológica em momentos decisivos. Esses enquadramentos não são neutros, mas sim orientados pelos discursos e valores culturais de cada contexto.
4. Identidade e pertencimento Como a linguagem do futebol construiu um senso de pertencimento na Copa de 2022?
O futebol é um dos maiores símbolos de identidade nacional e coletiva. A linguagem usada para descrever times e jogadores reforça esse pertencimento.
Exemplo:
O Brasil é tradicionalmente chamado de "país do futebol", e sua identidade está profundamente ligada ao desempenho da seleção. Expressões como "jogo bonito", "camisa pesa" e "copero" são construções linguísticas que reforçam a autoimagem do futebol brasileiro. Durante a Copa de 2022, os torcedores marroquinos usaram a frase "África e mundo árabe unidos" para expressar que sua campanha não era apenas de um país, mas de uma região historicamente subestimada no futebol mundial. Esses exemplos mostram como a linguagem cria laços emocionais e históricos, tornando a memória esportiva coletiva e afetiva.
5. Dinâmicas de poder e privilégio Quais narrativas foram amplificadas e quais foram silenciadas?
Apesar do sucesso da Copa, houve claras disputas sobre quais narrativas seriam dominantes na memória do torneio.
Exemplo:
A FIFA e os organizadores tentaram enfatizar a modernização do Catar, evitando debates sobre questões de direitos humanos. As seleções europeias, que planejaram protestos pró-direitos LGBTQ+, receberam pressão da FIFA para não realizá-los, revelando o jogo de poder sobre quais vozes podem se manifestar no palco global do futebol. Enquanto o título da Argentina foi amplamente celebrado, o papel do Catar como primeira nação árabe a sediar uma Copa foi menos destacado em algumas narrativas ocidentais. Isso mostra como o que é lembrado e o que é esquecido não depende apenas dos fatos, mas das estruturas de poder que determinam quais histórias serão amplificadas.
6. Representações: gênero e raça nas mídias
ONU Mulheres Brasil. TODXS: Um manual de comunicação inclusiva. Disponível em: https://www.onumulheres.org.br/wp-content/uploads/2022/03/UA_TODXS10_Final-PORT.pdf. Acesso em: 23 jul. 2024.
7. Memópria em computadores e humanos (apoio do Deep Seek):
Memória Computacional vs. Memória Humana: Uma Análise Técnica sobre "Apresentações" vs. "Representações" A passagem citada ("É aí que se encontra uma diferença radical entre a memória humana e aquela dos computadores. Estes, lembra-nos Claude Simon, possuem uma memória, mas são desprovidos de lembranças. Por outro lado, os acontecimentos memorizados não se integram em um sentido, não são objeto de representações...") traz uma distinção crucial entre armazenamento de dados (computacional) e construção de significado (humana). Vamos decompô-la sob a ótica da Ciência da Computação e das Ciências Cognitivas.
1. Computadores têm Armazenamento, não Lembranças Memória Computacional (Storage):
Funciona como um banco de dados estruturado, onde informações são guardadas em formatos binários (bits, bytes) ou em estruturas como tabelas (SQL), grafos (NoSQL) ou sistemas de arquivos.
Dados são estáticos: Um computador não "reinterpreta" ativamente o conteúdo armazenado — ele apenas recupera o que foi gravado, sem atribuir novos significados.
Exemplo: Um log de eventos ou um dump de memória RAM contém registros brutos, mas não uma narrativa sobre eles.
Memória Humana:
É reconstrutiva e associativa. Lembranças são rearranjadas a cada evocação, influenciadas por contexto emocional, social e cultural (como discutido por Halbwachs).
Exemplo: A mesma experiência (ex.: uma festa) é lembrada de formas diferentes por participantes distintos, com detalhes sendo enfatizados ou suprimidos.
2. Dados vs. Representações: A Questão da Semântica Computadores manipulam sintaxe, não semântica:
Eles processam dados com base em regras formais (algoritmos), mas não atribuem significado intrínseco a eles.
Exemplo: Um string como "2023-07-20" pode ser um "dia do aniversário" para um humano, mas para um computador é apenas uma sequência de caracteres ou um timestamp.
Humanos criam representações:
Nós contextualizamos informações dentro de narrativas (ex.: "aquele dia chuvoso em que meu time perdeu").
Isso exige integração simbólica (linguagem, cultura, emoções) — algo que sistemas computacionais atuais não replicam.
3. Por que Computadores não têm Representações? (Limitações da IA Atual) Falta de embodiment (corporeidade):
Sistemas computacionais não têm experiências físicas ou sociais que deem grounding (ancoragem) aos dados. Um modelo de LLM (ex.: GPT-4) "fala" sobre dor, mas não sente dor.
Ausência de intencionalidade:
Dados em computadores são passivos — só ganham sentido quando interpretados por um humano (ex.: um dataset de tweets só vira "discurso de ódio" quando categorizado por pessoas).
Dependência de frameworks humanos:
Até mesmo sistemas de IA generativa (ex.: Diffusion Models, Transformers) operam com correlações estatísticas, não com compreensão genuína. Eles não "sabem" que "gato" é um animal, apenas que a palavra aparece em certos contextos.
4. Avanços Recentes: Rumo a Representações Computacionais? Ainda que computadores tradicionais não tenham representações no sentido humano, áreas como:
Cognitive Computing (ex.: IBM Watson): Tenta simular processos de decisão baseados em contexto.
Redes Neurais com Memória Associativa (ex.: Hopfield Networks): Emulam rudimentos de reconstrução de padrões.
Neuro-símbolico (AI Simbólica + Deep Learning): Combina lógica formal com aprendizado estatístico para gerar estruturas semânticas mais ricas.
Porém, mesmo esses sistemas não reproduzem a subjetividade humana — eles apenas aproximam-se de comportamentos interpretativos.
Conclusão: A Divergência Fundamental Enquanto humanos representam o mundo através de narrativas simbólicas (linguagem, arte, memórias afetivas), computadores apresentam dados de forma acrítica. A passagem de Candau/Simon captura essa lacuna:
Computadores: Memória = Retrieval de dados (ex.: SELECT * FROM events WHERE date = "2023-07-20").
Humanos: Memória = Reconstrução significativa (ex.: "Lembro daquela tarde porque foi quando tudo mudou...").
Para um computador, o passado é um registro. Para um humano, é uma história.