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Sociologia e Comunicação Cásper/Linguagem e Sociedade/Atividade II

De Wikiversidade

ATIVIDADE II

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Estabeleça uma relação entre as citações acima e as ideias de Becker sobre as representações.


1.) O personagem Riobaldo está refletindo sobre aquilo que viveu enquanto conta sua história para o personagem "Doutor". Relacione dois elementos das representações que aparecem neste trecho.

”A lembrança da vida da gente se guarda em trechos diversos, cada um com seu signo e sentimento, uns com os outros acho que nem se misturam. Contar seguido, alinhavado, só mesmo sendo as coisas de rasa importância. De cada vivimento que eu real tive, de alegria forte ou de pesar, cada vez daquela hoje vejo que eu era como se fosse diferente pessoa. Sucedido desgovernado. Assim eu acho, assim é que eu conto.”(Grande Sertãoː Veredas. Guimarães Rosa)


Texto a negrito 2) Os 4 elementos analisados na aula podem ser vistos nesta foto.

Altar doméstico com imagens de anjos, santos e santas (catolicismo) Autoria: Liráucio Girardi Jr


3) A partir da reflexão sobre as "representações", o que há em comum entre a música e a foto?

"Mais uma vez, só pra constar que nada consta/ O flagrante se encontra pairando na mente/ Ao ver o neguinho no toque da nave: Encosta!/Nossa evolução deixa eles descontente/ Mão na cabeça e dedos entrelaçados/ Tá vindo ou vai pra onde? Blá, blá, blá, blá, blá/ Documento ok, eu tô habilitado/ Mais um motivo pra ver eles bravajarVou nem falar que eu canto e vivo do funk/ O cheiro do kunk presente na X6/ Tudo é motivo pra eles armar levante/ Sigo na contramão, um preto japo.../As 4 porta aberta, tudo revirado/ Eles pergunta: Dá pra acompanhar daí?/ Tô no modo alerta, claro, preocupado/ Vários amigos meus forjados vi cair/ Mexe nas duas placa, fuça até o motor/ Não acha nada, vão ter que me liberar/ Aí eu puxo o bonde: Até mais, doutor!/ Ligo o som e abro o teto solar (lembrei)Aquele do massa, bolado/ Entocado na meia, eles nem se ligaram/ Afastei uns 40 metros e puf!Botei pra fumaçar/A brisa de leve ameniza/ A navera desliza, a sonzeira no talo/ Direcionei pro bailão, que/ Hoje o bicho vai pegarAquele do massa, boladoEntocado na meia, eles nem se ligaram/ Afastei uns 40 metros e puf!Botei pra fumaçar/ A brisa de leve ameniza/ A navera desliza, a sonzeira no talo/ Direcionei pro bailão, que/ Hoje o bicho vai pegar/Direcionei pro bailão, que/ Hoje o bicho vai pegar" (40 metros -MC PP da VS)

Experimente responder este exercício com o Chat GPT ou o Mistral AI ou o Deep Seek.

O Chat GPT deu a seguinte resposta (precisei reorientá-lo com relação à noção de "tradução")


Análise Sociológica da Música 40 Metros de PP (VS) com Base na Teoria de Howard S. Becker

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A música 40 Metros de PP, do artista VS, ilustra como as representações culturais moldam percepções sobre a sociedade. Dentro da perspectiva de Howard S. Becker, podemos analisar como a música opera como uma forma de representação social, seguindo os quatro elementos fundamentais da construção de narrativas: seleção, tradução, arranjo e processo interpretativo.

1. O Funk Como Representação Social

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Howard S. Becker argumenta que toda representação é uma escolha parcial da realidade, e no funk essa seleção frequentemente foca em vivências urbanas, desigualdade social e identidade periférica.

Na música 40 Metros de PP, VS descreve uma abordagem policial, uma experiência recorrente para jovens negros em bairros periféricos, evidenciando dinâmicas de racismo estrutural, violência de Estado e resistência cultural.

A questão central é: como essa vivência é representada na música e quais estratégias narrativas são utilizadas para construir essa realidade?

2. Aplicação dos Quatro Elementos da Representação (Becker)

2.1. Seleção: O que entra e o que fica de fora? Toda representação implica excluir e incluir elementos, definindo o que será enfatizado na narrativa.

Elementos incluídos na música:

A abordagem policial de um jovem negro em um carro de luxo. A hostilidade e a tensão durante a revista. O alívio ao ser liberado e sua reafirmação através do funk e do baile.

Elementos deixados de fora:

A perspectiva dos policiais sobre a abordagem. Outras possíveis dimensões da vida do personagem (trabalho, família, relações sociais). O contexto jurídico ou político do racismo policial. A ênfase na experiência direta do jovem negro direciona o significado da música, gerando empatia e denúncia, enquanto omite outras perspectivas da situação.

2.2. Tradução: Como a experiência foi convertida em música?

A tradução, segundo Becker, é a transposição de uma experiência para um meio específico de expressão. No caso de 40 Metros de PP, a vivência foi traduzida para a música, mas poderia ter sido um poema, um documentário ou uma reportagem.

Como o funk pode construir essa representação?

O ritmo e a cadência da música criam um tom de tensão e alívio, reforçando a narrativa da abordagem policial seguida pela liberdade no baile. O uso de gírias e expressões da periferia torna a experiência mais autêntica para o público-alvo. O formato narrativo musical permite que a mensagem seja experimentada de maneira sensorial e emocional, diferentemente de uma notícia ou um artigo acadêmico. Se essa experiência fosse traduzida para um documentário, por exemplo, poderia incluir entrevistas, dados estatísticos e um aprofundamento sociopolítico da questão. Já um romance poderia explorar o impacto emocional e psicológico da abordagem.

Como essa experiência seria diferente se fosse representada em outro formato, como um videoclipe, um podcast ou um livro?

2.3. Arranjo: Como a narrativa foi estruturada na música?

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Toda representação exige organização da narrativa. Em 40 Metros de PP, a estrutura linear conduz o ouvinte por um percurso de tensão e libertação.

Estrutura narrativa da música:

Início: O personagem é parado pela polícia e passa pelo procedimento de abordagem. Clímax: A tensão aumenta conforme os policiais fazem a revista e tentam encontrar algo ilícito. Conclusão: Ele é liberado, liga o som e segue para o baile, reafirmando sua identidade e resistência. O arranjo reforça o contraste entre opressão e liberdade, utilizando o baile como um espaço simbólico de reconquista do prazer e da autonomia.

Como a sequência dos acontecimentos influencia a forma como interpretamos a música? Se a história fosse contada de trás para frente, seu impacto seria diferente?

2.4. Processo Interpretativo: Como o público constrói significado a partir da música?

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Nenhuma representação tem um significado fixo – o público interpreta e ressignifica a música conforme seu repertório cultural.

Possíveis interpretações da música:

Para jovens periféricos, a música pode ser um relato realista do racismo policial e um símbolo de resistência. Para ouvintes de outras classes sociais, pode ser percebida como um retrato exótico da periferia ou até mesmo como apologia ao crime, dependendo do preconceito do público. Para estudiosos da cultura, pode ser vista como um exemplo de narrativa marginal que desafia as versões hegemônicas sobre segurança pública. Essa diversidade interpretativa demonstra como o significado da música não está apenas no que é dito, mas na forma como é recebido.


3. O Funk e a Disputa de Representações: Quem Controla a Narrativa? Becker argumenta que toda representação não é neutra – ela reflete disputas de poder e controle simbólico. No caso do funk, existe uma disputa entre diferentes comunidades interpretativas sobre seu significado.

Para os jovens das periferias: O funk é expressão cultural legítima, meio de resistência e ferramenta de denúncia social.

Para a grande mídia e elites culturais: O funk muitas vezes é reduzido a estereótipos de criminalidade e vulgaridade.

Para o mercado da indústria musical: O funk é um produto lucrativo, mas frequentemente despolitizado para maior aceitação comercial.


4. Conclusão: O Funk Como Espaço de Memória e Representação A análise de 40 Metros de PP sob a ótica de Howard S. Becker revela que a música não apenas descreve uma realidade, mas constrói uma visão específica sobre ela.

A seleção destaca o ponto de vista do jovem negro na abordagem policial. A tradução transforma a experiência em uma música, escolhendo um gênero (o funk) como meio de expressão. O arranjo organiza a narrativa para enfatizar tensão e alívio. O processo interpretativo mostra que o significado da música depende, também. do público que a escuta. No contexto mais amplo, o funk se insere como uma disputa de representações sobre a periferia, a juventude negra e as forças de segurança, uma visão sobre a "marginalidade" e a "ordem".

presentação x representação

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Por que "Presentação" é um Termo Pertinente para Computadores? (com apoio do Deep Seek) A ideia está destacando que computadores:

Não têm intencionalidade: Eles exibem dados, mas não "querem" dizer algo com eles.

Ex.: Um modelo de IA gera texto estatisticamente plausível, mas não compreende o que diz.

Falta de hierarquização afetiva: Para um HD, uma foto de um aniversário e um arquivo de log têm o mesmo peso.

Incapacidade de abstração contextual: Um sistema pode identificar padrões (ex.: "gato" em imagens), mas não associa a conceitos como "infância" ou "saudade".