Tecnopolíticas: ciência e tecnologia na produção do comum

Fonte: Wikiversidade
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa

Local[editar | editar código-fonte]

Disciplina eletiva do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de São Paulo

Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Guarulhos-SP, Bairro dos Pimentas, Estrada do Caminho Velho, 333.

Professor Responsável: Prof. Dr. Henrique Zoqui Martins Parra.

contato: henrique [arroba] pimentalab.net

Período e Carga Horária[editar | editar código-fonte]

Local: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas

Quando: 2° semestre de 2018, 12 sessões (agosto a novembro) às quintas-feiras, 9:30 às 13:30hs.

Carga horária total: 90 horas, 6 créditos

Ementa[editar | editar código-fonte]

O programa do curso promove um diálogo teórico entre os estudos sociais em ciência e tecnologia e a sociologia política, tendo como fio condutor as relações entre o desenvolvimento de arranjos sociotécnicos e as dinâmicas de reprodução e mudança social. As composições entre tecnologia e política - tecnopolítica - são aqui compreendidas sob uma dupla articulação: tecnologias enquanto o resultado de uma construção política, mas também como portadoras de modos específicos de associação e de configurações de mundo. Esta problemática será desdobrada em três movimentos. Na primeira parte do curso apresentamos um debate teórico sobre a sociologia da tecnologia e das relações tecnicamente mediadas. No segundo bloco aprofundamos a investigação tecnopolítica em 4 dimensões: cidade e infraestruturas; informatização e tecnologias digitais de comunicação; corpo; modos de conhecer e ciência. Em cada uma dessas dimensões pretendemos contrastar as relações de saber-poder instituídas através de arranjos sociotécnicos face a emergência de composições tecnopolíticas alternativas. A parte final do curso problematiza as formas de conhecimento e os arranjos sociotécnicos implicados na criação tecnopolítica em relação ao "comum" e ao "transindividual".

Objetivos[editar | editar código-fonte]

  • Apresentar o debate dos estudos sociais em ciência e tecnologia em torno da construção social da tecnologia e dos modos de associação e agência relativos à mediação técnica.
  • Problematizar aspectos tecnopolíticos na construção dos regimes de conhecimento, no exercício do poder e nos modos de subjetivação.
  • Problematizar a relação entre práticas e modos de conhecer, as tecnologias digitais e a emergência do Comum e do Transindividual.
  • Investigar experiências de produção tecnopolítica alternativas.


Conteúdo Programático[editar | editar código-fonte]

  • Sociologia da tecnologia e das relações tecnicamente mediadas.
  • Investigações tecnopolíticas: cidade e infraestruturas; informatização e tecnologias digitais de comunicação; corpo; modos de conhecer.
  • Laboratório do Comum e Transindividual

Metodologia de Ensino[editar | editar código-fonte]

  • Seminários
  • Aulas expositivas
  • Análise de experiências empíricas
  • Produção de documentação colaborativa em plataformas online.

Avaliação[editar | editar código-fonte]

  • Seminários
  • Trabalho final em temas selecionados;
  • Frequência (mínima 75%).


Coleção Txts Inspirações[editar | editar código-fonte]

FERNÁNDEZ-SAVATER, Amador. A revolução como problema técnico. De Curzio Malaparte ao Comité Invisível. 2016. http://www.revistapunkto.com/2016/02/a-revolucao-como-problema-tecnico.html

LAFUENTE, Antonio. Hay que prototipar dispositivos de escucha para incorporar la complejidad (entrevista a Antonio Lafuente). http://bloginteligenciacolectiva.com/prototipar-dispositivos-escucha-incorporar-la-complejidad-entrevista-antonio-lafuente/

LAMA, José Pérez de. Revisitando a Iván Illich: convivencialidad, tecnologías, instituciones. 2015. https://arquitecturacontable.wordpress.com/2018/07/06/revisitando-a-ivan-illich-convivencialidad-tecnologias-instituciones/

MEDINA, Eden. A Revolução Cybersyn. Cinco lições de um projeto de computação socialista no Chile de Salvador Allende. https://ominhocario.wordpress.com/2017/03/31/a-revolucao-cybersyn/ Txt original de 2015 disponível em inglês https://www.jacobinmag.com/2015/04/allende-chile-beer-medina-cybersyn/

ROLNIK, Suely. A hora da micropolítica. https://www.goethe.de/ins/br/pt/m/kul/fok/rul/20790860.html

STENGERS, Isabelle. A proposição cosmopolítica. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 69, p. 442-464, abr. 2018. http://dx.doi.org/10.11606/issn.2316-901X.v0i69p442-464

Cronograma Aulas[editar | editar código-fonte]

Aula 1: 30 de agosto - Apresentação e Organização do Curso[editar | editar código-fonte]

  • apresentação do curso
  • apresentação dos participantes
  • distribuição dos seminários: https://etherpad.wikimedia.org/p/distribuicaoseminarios
  • projeto trabalho final
  • documentação do percurso da disciplina
  • infraestrutura digital de comunicação e documentação: lista de email; grupo no zap/telegram.

Materiais apresentados na primeira aula:

  • Slides sobre história e contexto que levaram à criação deste curso (imagem do arquivo ao lado)

Aula 2: 13 de setembro - Tecnologia, artefatos e política[editar | editar código-fonte]

Leituras Complementares:

  • SANTOS, Laymert Garcia. Desregulagens. São Paulo: Brasiliense, 1981.
  • FEENBERG. The technocracy thesis revisited: On the critique of power. Inquiry, 37, 85-102, 1994
  • FEENBERG, Marcuse e Habermas: duas críticas da tecnologia.
  • HABERMAS, Ciência, Tecnologia e Ideologia.
  • MARCUSE, Implicações Sociais da Tecnologia Moderna.

Aula 3: 20 de setembro - Sociologia das relações tecnicamente mediadas[editar | editar código-fonte]

  • LATOUR, Bruno. La tecnologia es la sociedad hecha para que dure. IN. M. DOMÈNECH y F.J.TIRADO (comps.) Sociología simétrica. Ensayos sobre ciencia, tecnología y sociedad (Barcelona, Gedisa Editorial, 1998. Disponível: http://www.bruno-latour.fr/node/263
  • LATOUR, Bruno. De la mediación técnica: filosofia, sociologia, genealogia. IN. M. DOMÈNECH y F.J.TIRADO (comps.) Sociología simétrica. Ensayos sobre ciencia, tecnología y sociedad (Barcelona, Gedisa Editorial, 1998.

Complementar:

  • LATOUR, B. Where are the missing masses? The sociology of a few mundane objects. In. Wiebe Bijker and John Law, eds., Shaping Technology (Cambridge, MA, MIT Press, 1992), 225-258.
  • BIJKER, Wiebe; PINCH, Trevor. “The Social construction of facts and artifacts: or how the Sociology of Science and the Sociology of Technology Might benefit each other” (pp. 11-44), in: BIJKER, Wiebe; HUGHES, Thomas; PINCH, Trevor (orgs.). The Social Contruction of Technological Systems: new directions in the Sociology and History of Technology. The MIT Press, Cambridge & London (2012).

Aula 4: 27 de setembro - Tecnologias Digitais, Governamentalidade e Infraestruturas[editar | editar código-fonte]

Complementar:


Projetos:

Aula 5: 4 de outubro - Infraestruturas, Cidades e Soberania Tecnológica[editar | editar código-fonte]

Leituras:


Complementar:

Projetos

Aula 6: 11 de outubro - Feminismo e Estudos Sociais em Ciência e Tecnologia[editar | editar código-fonte]

  • HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pago, n.5, p.7-41, 1995.
  • PRECIADO, Beatriz. Tecnologias do sexo. In: _______. Manifesto contrassexual. São Paulo: n-1 edições, 2014. pp. 147-168.

Complementar:

http://www.lancaster.ac.uk/fass/resources/sociology-online-papers/papers/suchman-agenciestechnodesign.pdf

  • BELLACASA, Maria Puig de la. Matters of care in technoscience: Assembling neglected things. Social Studies of Science, 41(1) 85–106. DOI: 10.1177/0306312710380301
  • HARAWAY, Donna. Manifesto Ciborgue. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
  • LAW, John. ‘Networks, Relations, Cyborgs: on the Social Study of Technology’, published by the Centre for Science Studies, Lancaster University, Lancaster LA1 4YN, UK, at http://www.comp.lancs.ac.uk/sociology/papers/Law-Networks-Relations-Cyborgs.pdf

Projetos:

Aula 7: 18 de outubro - Corpo, Saúde e Tecnologia[editar | editar código-fonte]

Complementar:

  • BENEVIDES, Regina & PASSOS, Eduardo. A humanização como dimensão pública das políticas de saúde. Ciência e Saúde Coletiva, DOI: 10(3):561-571.2005
  • HARAWAY, Donna. Manifesto Ciborgue. Belo Horizonte: Autêntica, 2010.
  • COSTA, Beatriz & PHILIP, Kavita. Tactical biopolitics : art, activism, and technoscience.
  • LAW, John. ‘Networks, Relations, Cyborgs: on the Social Study of Technology’, published by the Centre for Science Studies, Lancaster University, Lancaster LA1 4YN, UK, at http://www.comp.lancs.ac.uk/sociology/papers/Law-Networks-Relations-Cyborgs.pdf

Aula 8: 25 de outubro - Design e Tecnologia Social[editar | editar código-fonte]

  • EHN, P., Farías, I., & Sánchez Criado, T. (2018). La posibilidad de que cosas del diseño puedan ser socialistas-democráticas: Entrevista a Pelle Ehn. Entrevistadores: I. Farías & T. Sánchez Criado. Diseña, (12), 52-69. Doi: 10.7764/disena.12.52-69
  • OTTO, Ton & SMITH, Rachel Charlotte Smith. Design Anthropology: A Distinct Style of Knowing. In. Design Anthropology, Theory and Practice. Edited by Wendy Gunn, Ton Otto and Rachel Charlotte Smith. London: Bloomsbury Academic, 2013.
  • SMITH, Adrian; FRESSOLI, Mariano; ABROL, Dinesh; AROND, Elisa and ELY, Adrian (2016) Grassroots innovation movements. Pathways to sustainability . Routledge, London. ISBN 9781138901216.
  • SMITH, Adrian. Translating Sustainabilities between Green Niches and Socio-Technical Regimes. Technology Analysis & Strategic Management Vol. 19, No. 4, 427–450, July 2007. DOI: 10.1080/09537320701403334

Caso:

Aula 9: 1 de novembro - Individuação, transindividual e reticulação[editar | editar código-fonte]

  • FERREIRA, Pedro. Reticulações: ação-rede em Latour e Simondon. Revista EcoPos, v. 20, n. 1 (2017):

https://revistas.ufrj.br/index.php/eco_pos/article/view/10406/7900

Complementar:

  • COMBES, Muriel. Simondon. Individu et collectivité. Pour une philosophie du transindividuel.
  • SIMONDON, G. La individuación a la luz de las nociones de forma y de información, Editorial Cactus, Buenos Aires, 2015, 2ª edición.
  • SIMONDON. Do de existência dos objetos técnicos (trechos traduzidos):

(1)Introdução: https://cteme.wordpress.com/publicacoes/do-modo-de-existencia-dos-objetos-tecnicos-simondon-1958/introducao/ (2) Objeto técnico abstrato e objeto técnico concreto: https://cteme.wordpress.com/publicacoes/do-modo-de-existencia-dos-objetos-tecnicos-simondon-1958/i-objeto-tecnico-abstrato-e-objeto-tecnico-concreto/ (3) Essência da tecnicidade: https://cteme.wordpress.com/publicacoes/do-modo-de-existencia-dos-objetos-tecnicos-simondon-1958/essencia-da-tecnicidade/

Aula 10: 8 de novembro - Ciência Aberta, Comunidades de Prática e Epistêmicas[editar | editar código-fonte]

Complementar

  • KAPCZYNSKI, Amy. Access to knowledge: a conceptual genealogy. In. KRIKORIAN, Gaëlle and KAPCZYNSKI, Amy (eds.). Access to knowledge in the age of intellectual property. Zone Books/MIT Press. 2010.
  • ALBAGLI, Sarita. Ciência abeta em questão. In. ALBAGLI, S.; MACIEL, Maria Lucia; ABDO, Alexandre Hannud. (Org.). Open Sciences, open issues. 1ed.Rio de Janeiro: , 2015, v. 1, p. 121-142. Disponivel em: http://http/livroaberto.ibict.br/handle/1/1061 Acesso em 10/07/2017.
  • AKRICH, Madeleine. From communities of Practice to Epistemic Communities: Health Mobilizations on the Internet. Engaging Science, Technology, and Society. n.15 (2), 2010.

Aula 11: 22 de novembro - Laboratórios do Comum[editar | editar código-fonte]


Complementar:

  • CORSÍN Jiménez, Alberto & ESTALELLA, Adolfo. Ethnography: a prototype.Ethnos, online first, DOI: 10.1080/00141844.2015.1133688. Special Issue, Obstruction and Intervention, edited by Rane Willerslev, Lotte Meinert and George Marcus, 2016.
  • LAFUENTE, Antonio & ALONSO, Andoni. Taller de prototipado: la hospitalidad como cultura y como tecnología. In. Lynda E. Avendaño (ed.), Silencio y política. Aproximaciones desde el arte, la filosofía, el psicoanálisis y el procomún, Madrid: UAM, 2013, pp. 43-48, Dec 2013 https://www.academia.edu/5324108/Taller_de_prototipado_la_hospitalidad_como_cultura_y_como_tecnolog%C3%ADa
  • PARRA, H. Z. M.; FRESSOLI, Mariano. ; LAFUENTE, Antonio. (Org.). Dossie: Ciência Cidadã e Laboratórios Cidadão/ Citizen Science and Citizen Labs (pt/en/es). LIINC EM REVISTA, v. 13, p. 1, 2017. http://revista.ibict.br/liinc/issue/view/244
  • QUIJANO, Paola Ricaurte. Laboratorios ciudadanos y humanidades digitales. Digital Humanities Quartely. Volume 12 Number 1, 2018. http://digitalhumanities.org/dhq/vol/12/1/000352/000352.html
  • KERA,Denisa. Maker Culture Liminality and Open Source (Science) Hardware: instead of making anything great again, keep experimenting! Liinc em Revista, Rio de Janeiro, v.13, n.1, p. 7-28, maio 2017. Disponível em: http://revista.ibict.br/liinc/article/view/3875/3202
  • MARCUS, George (2014) Prototyping and Contemporary Anthropological. Experiments With Ethnographic Method, Journal of Cultural Economy, 7:4, 399-410, DOI: 10.1080/17530350.2013.858061
  • SANGUESA, R. La tecnocultura y su democratización: ruido, límites y oportunidades de los Labs. Technoculture and democratization: noise, limits and opportunities concerning Labs. Revista iberoamericana de ciencia tecnología y sociedad, 8 (23), 259-282, 2014. Recuperado el 9 de enero de 2017, de http://www.revistacts.net/files/Volumen%208%20-%20N%C3%BAmero%2023/FINAL/Sanguesa-FINAL.pdf

Aula 12: 29 de novembro - Apresentação trabalhos finais, avaliação e encerramento[editar | editar código-fonte]