Temperaturas Paulistanas/Planejamento/Pinheiros/Turma C

Fonte: Wikiversidade
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1. Breve texto que explique a região - pré-apuração:

O bairro de Pinheiros fica localizado na zona oeste de São Paulo. Seus moradores são de grande maioria famílias de renda elevada. O metro quadrado na região do Alto de Pinheiros chega a alcançar o valor de R$ 9.851,00, quase o triplo do valor do metro quadrado na região de Cidade Tiradentes, no extremo leste da cidade. O comércio no local divide-se basicamente em bares e restaurantes - principalmente na região da Vila Madalena, onde o fluxo de jovens aumenta grandemente durante os finais de semana -, e também prédios empresariais.

Devido à grande variedade de áreas de lazer na região, seus moradores não costumam sair do município para se divertir. Isso acaba reunindo e restringindo o fluxo de pessoas no local, além de diminuir a noção de pertencimento desses moradores com outros espaços da cidade. Muitos cresceram no bairro, estudaram nas escolas tradicionais das redondezas, como Colégio Snail, Santa Cruz, Vera Cruz e Winnicott, e frequentam clubes e parques de público de alta renda como o Esporte Clube Pinheiros e o Parque Villa Lobos. Shoppings e ruas comerciais são espaço de lazer aos finais de semana.


2. Escolha justificada dos pontos específicos onde serão aplicados os questionários; (P.S: os questionários devem ser aplicados in loco)

Três ruas principais foram escolhidas para a aplicação do questionário: a Rua dos Pinheiros, próxima à estação de Metrô Fradique Coutinho; a rua Mourato Coelho, onde acontece, aos sábados uma feira livre, e a rua Artur de Azevedo. Os questionários foram realizados, exclusivamente, com moradores do Bairro de Pinheiros, mas também se conversou com comerciantes e trabalhadores do bairro, além de pessoas que passam por ali em seus trajetos do dia-a-dia.

A escolha se deve ao fato de que esses lugares são pontos de encontro e lazer dos moradores e simpatizantes do bairro. Cada rua apresenta características marcantes para o bairro: na Rua dos Pinheiros, o fluxo acelerado do Metrô e seus passantes contrastam com aqueles que buscam no local um ponto de lazer – há um número exacerbado de restaurantes no quarteirão. Na rua Mourato Coelho, aos sábados, uma feira livre que existe do número 877 ao 1139, se torna um ponto de encontro para os moradores que vão às compras. Apesar da grande quantidade de bares e restaurantes presentes na Artur de Azevedo, o que mais chama atenção são as moradias e os moradores que saem de suas casas direto para as mais variadas opções que a rua oferece.

Todas elas são muito movimentadas, tanto durante a semana, quanto nos finais de semana, quando, além dos vários moradores, encontramos também diversos turistas e moradores de outros bairros, que veem Pinheiros como um polo de lazer e cultura. 

3. Atribuição de responsabilidades entre os membros do grupo e cronograma;

Amanda Reis: planejamento, áudio, aplicação questionário, registro de dados (postar resultados dos questionários), análise questionário, reportagem

Isabela Barbosa: planejamento, fotografia, áudio, registro de dados (postar resultados dos questionários), análise questionário, reportagem

Maria Luiza Miserochi: aplicação questionário, planejamento, elaboração questionário, análise questionário, reportagem

Mariana Zonta: aplicação questionário, planejamento, elaboração questionário, análise questionário, reportagem

Tatiana Leonel: aplicação questionário, planejamento, elaboração questionário, análise questionário, reportagem

CRONOGRAMA:

Elaboração Questionário: 18/08

Aplicação Questionário: 20/08 (manhã) e 27/08 (tarde)

Postagem dos resultados - questionário: 30/08

Análise dos resultados obtidos - questionário: -

Elaboração da reportagem: -

Entrega reportagem + áudios + vídeos: 20/09


4. Pré-roteiro dos temas a serem abordados na pesquisa.

- Escolha de candidato: já possui um candidato? Está acompanhando as notícias a respeito? Em que canais?

- Momento político-econômico atual: como a mudança de governo pode influenciar as eleições municipais? Como está a confiança do cidadão no país?

- Mandato atual: quais são os pontos positivos e negativos da atual gestão Haddad?

- Acha que foi dado o devido investimento a elementos culturais da cidade?

- Qual deve ser o foco da próxima gestão (educação, saúde, cultura, mobilidade, infraestrutura)? - [enumerar prioridades]

5. Referências bibliográficas.

http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/o-que-visitar/atrativos/pontos-turisticos/3835-praca-benedito-calixto; https://www.youtube.com/watch?v=5G93LYLotVg ;

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/comunicacao/noticias/?p=134872

http://pracabeneditocalixto.com.br/

Questionário[editar | editar código-fonte]

1.Sexo

a. Feminino

b. Masculino

2. Idade

a. Menor que 20 anos

b. Entre 21 e 30

c. Entre 31 e 40

d. Entre 41 e 50

e. Mais de 50 anos

3. Qual a sua renda mensal aproximada?

a. Até 1 salário mínimo (R$ 880,00)

b. De 1 até 3 salários mínimos (entre R$ 880 e R$ 2.640)

c. De 3 a 6 salários mínimos (entre R$ 2.640 e R$ 5.280)

d. De 6 a 9 salários mínimos (entre R$ 5.280 e R$ 7.920)

e. De 9 a 12 salários mínimos (entre R$ 7.920 e R$ 10.560)

f.  De 12 a 15 salários mínimos (entre R$ 10.560 e R$ 13.200)

g. Mais de 15 salários mínimos (acima de R$ 13.200,00)

5. Há quanto tempo?

a. Há menos de 1 ano

b. De 1 a 5 anos

c. De 6 a 10 anos

d. De 11 a 20 anos

e. Há mais de 21 anos

6. Qual seu estado civil?

a. Solteiro

b. Casado

c. Viúvo

d. Divorciado

7. Você tem filhos? Se sim, quantos? Se não, deseja ter?  

a. Sim, apenas 1

b. Sim, 2

c. Sim, 3

d. Sim, 4 ou mais

e. Não tenho filhos, mas desejo ter

f. Não tenho filhos e não pretendo ter

8. Qual o tipo de sua residência?

a. Casa

b. Apartamento

9. Você mora:

a, Em moradia própria

b. Em moradia alugada

c. De favor

10. Usa transporte público?

a, Sim, só transporte público

b. Sim, mas também uso outros meios de transporte

c. Não, não sou usuário de transporte público

11. Se sim, com que frequência usa o transporte público?

a. Apenas 1 vez por semana

b. De 2 a 3 vezes por semana

c. De 3 a 5 vezes por semana

d. Mais de 5 vezes por semana

12. Se não, como se locomove pela cidade?

a. Apenas carro

b. Apenas moto

c. Apenas carro e moto

h. Apenas táxi e Uber

i. Apenas bicicleta

j. Apenas transporte privado (carro, táxi, Uber)

13. Qual o tempo total que você leva, em média, para se locomover diariamente? (Trabalho, escola, faculdade, curso etc)

a. Até 15 min.

b. De 15 a 30 min.

c. De 31 a 40 min.

d. De 41 min a 1 hora

e. De 2 a 3 horas

f. De 3 a 4 horas

g. Mais de 4 horas

14. Houve alguma melhora ou piora do tempo de locomoção nos últimos 4 anos?

a. Melhorou

b. Piorou

c. Nada mudou

d. Não sei dizer

15. Considera Pinheiros um distrito de fácil locomoção?

a. Sim, é perfeito

b. Sim, mas precisa de pequenas alterações

c. Sim, mas ainda tem muito a melhorar

d. Não, é péssimo

16. Classificaria Pinheiros como um bairro ótimo para:

a. Morar, apenas

b. Trabalhar, apenas

c. Lazer, apenas

d. Morar e trabalhar

e. Lazer e trabalhar

f. Morar e lazer

g. Nada. Não gosto daqui

h. Tudo. Poderia morar, trabalhar, sair e fazer tudo por aqui

MOTIVO: ______________________________________________________________________

18. Você já conhece todos os candidatos à prefeitura de São Paulo?

a. Sim

b. Não

19. Se sim, você já escolheu em quem vai votar?

a. Sim

b. Não

c. Estou em dúvida

20. Você pesquisa ou pretende pesquisar mais a respeito dos candidatos às eleições?

a. Sim, pesquiso e pretendo me aprofundar

b. Sim, pesquiso e não preciso me aprofundar

c. Não, não pesquiso, mas pretendo pesquisar

d. Não, não pesquiso e não pretendo pesquisar a respeito

21. Em sua opinião, o cenário político do país (impeachment, crise econômica) pode influenciar as eleições municipais?

a. Não, em nada

b. Sim, muito

c. Só um pouco

MOTIVO: ______________________________________________________________________

23. Qual é o seu posicionamento político?

a. Esquerda (socialismo, maior intervenção do Estado, políticas sociais etc)

b. Direita (liberalismo econômico, menor intervenção do Estado)

c. Centro

d. Centro-esquerda (liberalismo social, maior intervenção do Estado, porém, com moderação)

e. Centro-direita (liberalismo econômico, menor intervenção do Estado, porém, com moderação)

f. Não tenho posicionamento político

g. Não sei

Resultados[editar | editar código-fonte]

Pergunta 1 Respostas Porcentagem
Feminino 23 63,89%
Masculino 13 36,11%
Total 36 100,00%
Pergunta 2 Respostas Porcentagem
Menor de 20 5 13,89%
21-30 10 27,78%
31-40 10 27,78%
41-50 4 11,11%
Mais de 50 7 19,44%
Total 36 100,00%
Pergunta 3 Respostas Porcentagem
Até 1 4 11,11%
1-3 6 16,67%
3-6 6 16,67%
6-9 3 8,33%
9-12 5 13,89%
12-15 2 5,56%
Mais de 15 10 27,78%
Total 36 100,00%
Pergunta 5 Respostas Porcentagem
Menos de 1 0 0,00%
1-5 19 52,78%
6-10 8 22,22%
11-20 2 5,56%
Mais de 21 7 19,44%
Total 36 100,00%
Pergunta 6 Respostas Porcentagem
Solteiro 24 66,67%
Casado 10 27,78%
Viúvo 0 0,00%
Divorciado 2 5,56%
Total 36 100,00%
Pergunta 7 Respostas Porcentagem
Apenas 1 3 8,33%
2 6 16,67%
3 0 0,00%
4 ou mais 0 0,00%
não mas quer 16 44,44%
não e não quer 11 30,56%
Total 36 100,00%
Pergunta 8 Respostas Porcentagem
Casa 5 13,89%
Apartamento 31 86,11%
Total 36 100,00%
Pergunta 9 Respostas Porcentagem
Próprio 22 61,11%
Alugado 14 38,89%
De favor 0 0,00%
Total 36 100,00%
Pergunta 10 Respostas Porcentagem
Sim, só TP 11 30,56%
Sim, mas também outros MT 18 50,00%
Não 7 19,44%
Total 36 100,00%
Pergunta 11 Respostas Porcentagem
Apenas 1 4 13,79%
2-3 5 17,24%
3-5 7 24,14%
Mais de 5 13 44,83%
Total 29 100,00%
Pergunta 13 Respostas Porcentagem
Até 15min 5 13,89%
15-30 min 13 36,11%
31-40 min 8 22,22%
41-60 min 8 22,22%
120-180 min 2 5,56%
180-240 min 0 0,00%
Mais de 240 min 0 0,00%
Total 36 100,00%
Pergunta 14 Respostas Porcentagem
Melhorou 20 55,56%
Piorou 9 25,00%
Nada mudou 5 13,89%
Não sei dizer 2 5,56%
Total 36 100,00%
Pergunta 15 Respostas Porcentagem
Sim, perfeito 17 47,22%
Sim, mudanças 16 44,44%
Sim, melhorias 3 8,33%
Não, péssimo 0 0,00%
Total 36 100,00%
Pergunta 16 Respostas Porcentagem
Morar, apenas 1 2,78%
Trabalhar, apenas 0 0,00%
Lazer, apenas 0 0,00%
Morar e trabalhar 6 16,67%
Lazer e trabalhar 1 2,78%
Morar e lazer 2 5,56%
Nada 0 0,00%
Tudo 26 72,22%
Total 36 100,00%
Pergunta 18 Respostas Porcentagem
Sim 23 63,89%
Não 13 36,11%
Total 36 100,00%
Pergunta 19 Respostas Porcentagem
Sim 15 41,67%
Não 13 36,11%
Em dúvida 8 22,22%
Total 36 100,00%
Pergunta 20 Respostas Porcentagem
Sim, pesquiso e quero aprofundar 22 61,11%
Sim, pesquiso e não quero aprofundar 3 8,33%
Não, ñ pesquiso e quero pesquisar 7 19,44%
Não, ñ pesquiso e não quero pesquisar 4 11,11%
Total 36 100,00%
Pergunta 21 Respostas Porcentagem
Não, nada 2 5,56%
Sim, muito 29 80,56%
Só um pouco 5 13,89%
Total 36 100,00%
Pergunta 23 Respostas Porcentagem
Esquerda 9 25,00%
Direita 8 22,22%
Centro 2 5,56%
Centro-esquerda 7 19,44%
Centro-direita 4 11,11%
Não tem 6 16,67%
Não sabe 0 0,00%
Total 36 100,00%

Reportagem[editar | editar código-fonte]

Pinheiros de sentidos[editar | editar código-fonte]

Repleto de cheiros, cores e sabores, o bairro nobre é o coração de mãe da Zona Oeste de São Paulo

Por Amanda Reis, Isabela Barbosa, Maria Luiza Miserochi, Mariana Zonta e Tatiana Leonel

Feira Livre Mourato Coelho

Eram cinco da tarde quando nos convidou à sua casa. Primeiro andar, prédio baixo, o porteiro espiava pela fresta da guarita. Um cachorro começou a latir, achamos que ia nos morder.  “Ela só quer cheirar”, disse a senhora que atendeu à porta.

De cabelos curtos e louros, estatura mediana e corpo fino, Cleide Marin segurou a cadela no colo e nos abriu um sorriso: “É por aqui”, disse nos conduzindo à sala. Piso de madeira, ambiente espaçoso e uma pequena sacada com vista para o telhado da garagem caracterizavam o ambiente. A televisão, ligada no programa Mulheres, da TV Gazeta, debatia sobre os cuidados com a beleza e ela assistia atentamente, prestando atenção em todos os detalhes.

Cleide tem 74 anos e mora no bairro de Pinheiros desde 1963. Mãe de três filhos, perdeu o marido cedo e hoje, com todos adultos e casados, vive sozinha com a neta de Santos, que está fazendo faculdade em São Paulo. “Esse apartamento é tão grande, tem três quartos”, diz.

Alegre, disposta e com uma ótima memória para endereços, Cleide conta que já trabalhou muito e hoje, além de buscar sua neta na escola de inglês e passear no shopping, faz aula de pilates todas as terças e quintas-feiras. “Dirigir, eu dirijo desde os 28 anos. Falar que eu dirijo mal ninguém pode”, diz rindo.

Quando se mudou da Mooca para Pinheiros, há 53 anos, Cleide foi morar na Rua dos Pinheiros, em um sobrado. Para ficar mais próxima do trabalho do marido, mudou-se para a Rua Tabapuã, no Itaim Bibi, onde não se adaptou: “Aqui [Pinheiros] era tudo mais perto”. Decidiu então, voltar para o antigo bairro, e, por quatros anos, ficou na Rua Henrique Schaumann, por 29 na rua Mateus Grou e “aqui estou há uns 30 anos”, diz entre risos se referindo à Rua Mourato Coelho.

Entre histórias antigas do bairro, Cleide diz sentir falta da convivência que tinha com seus vizinhos, afirmando que, na época, conhecia todos da rua. Como excelente motorista, lembranças das ruas vêm à sua mente e representando na mesa os caminhos e a disposição das avenidas, diz: “Quando eu vim morar a aqui, a Av. Brasil era estreita, só cabia dois carros e a rua era de paralelepípedos”. Entre as conversas, ela cita também a história da criação da Avenida Sumaré que, segundo ela, foi criada por Paulo Maluf, para que ele chegasse mais rápido em sua empresa. “Eu adorei e todo mundo adorou que morava na Henrique Schaumann”, diz rindo.

Apesar de amar o bairro e de afirmar que não sai de lá por nada, reconhece que algumas melhorias são necessárias: “Tem muitas calçadas esburacadas. E a iluminação, que é escuro, sabe por quê? Eles não fazem poda de árvore, então as árvores – e tem muita árvore aqui em Pinheiros – as árvores estão escondendo a iluminação das lâmpadas”, aponta.

Além disso, quando questionada sobre as ciclofaixas, se mostra contra a iniciativa: “Não tem lógica essa ciclofaixa. A maior besteira que alguém pode fazer é isso aí. Meus pêsames para quem inventou. Acho que foi o Haddad né? Meus pêsames pra ele, viu”, diz. “É isso que eu acho”, conclui entre risos.

RUA MOURATO COELHO[editar | editar código-fonte]
Feira Livre Mourato Coelho 2

Havia muita cor por ali. Foi a primeira coisa que notamos ao nos aproximar daquela rua. Acontece que, uma vez por semana, a Mourato Coelho abre espaço para que 136 feirantes montam suas barracas e construam, todo sábado, religiosamente, a Feira Livre da Mourato. São 661 metros da via ocupados por tendas que guardam flores, temperos, frutas, legumes, vegetais de todos os tipos, pastel, e caldo de cana - muito caldo de cana. Os tons e odores que perfumam e decoram a Mourato servem de convite a moradores e curiosos que passeiam pela região e, como num quadro, parecem ornar perfeitamente com tudo aquilo que acontece por ali.

"Quem leva mais, paga menos", "moça bonita não paga, mas também não leva", "alô, alô, freguesa!", "aqui tá mais docinho, pode provar minha senhora". Foram apenas dois passos dados, mas os sons que ali moravam pareciam conduzir-nos pelas mãos, e por mais que tudo aquilo pudesse parecer conflitante, faziam sentido em ser. Não é possível imaginar aquele cenário sem a pulsante troca de sentidos que ele propõe. Em meio ao passeio, escutamos um apelo "Olha por onde anda!", diz exasperada uma senhora  que passava carregando sua sacola abarrotada de compras. O problema é que a quantidade de sensações vindas daquela rua não permitem vigilância absoluta.

A Mourato fica no coração de Pinheiros. Próxima da rua Fradique Coutinho, Simão Álvares e Cardeal Arcoverde, ela completa o ciclo de endereços mais procurados por jovens ansiosos pelo agito que promete. "Eu já estou acostumado. Por aqui tem de tudo: festas, baladas, bares, museus. À qualquer momento eu sei que vou encontrar um supermercado aberto. A cidade que não dorme, né?", afirma Mario Ikada, que mora na rua há cinco anos e trabalha como cartunista. Nasceu no sul do país. "A principal diferença que eu sinto é no trato com as pessoas. Eu vejo que por mais que não falte nada, - desde metrô até barzinho - as pessoas não tem muito tato". Todo final de semana vai à feira. É amigo de todos os feirantes e garante que pelo menos uma vez por mês costuma comprar uma flor e manda entregar para a vizinha do prédio, uma senhora de 80 anos que mora sozinha. "Eu gosto disso, sabe? De gente! Olha essa feira, repara bem! Quantas vidas!", diz maravilhado.

RUA DOS PINHEIROS[editar | editar código-fonte]

Bares, cantinas, botecos, restaurantes luxuosos, docerias. O movimentado ponto do bairro nobre da zona oeste de São Paulo carrega consigo um histórico cultural que moldou a cidade por anos, e vem cada vez mais sendo procurado por moradores das mais distintas regiões da cidade.

“A gente que mora aqui há um tempo tem reparado essa gourmetização do bairro”. Sem tom pejorativo, Amanda reconhece que, em seus jovens 20 anos vividos pelas calçadas do bairro, a Rua dos Pinheiros têm recebido cada vez mais empreendimentos modernos e refinados, que concentram um público bem jovem e descolado. “Gosto muito que temos por aqui vários restaurantes familiares, não filiais de redes americanas de fast food que vemos em qualquer esquina de São Paulo”. Ao considerar-se amante de viagens, a menina valoriza o que há de mais notório na Rua dos Pinheiros: a gastronomia.

Situado no final da rua, um pequeno estabelecimento se destaca por sua fachada de luzes fluorescentes, iguaizinhas às encontradas em Paris. Paulo Menezes trouxe de suas viagens a essência da culinária francesa diretamente à Rua dos Pinheiros. Sua kebaberia parece ter se adaptado perfeitamente ao público que movimenta a região. O ambiente típico do romantismo francês envolve o restaurante e faz o cliente, por um momento, esquecer da correria que a cidade de São Paulo carrega - ao som de um bom jazz europeu.

As refeições na Rua dos Pinheiros não necessariamente celebram uma data especial. Todo dia é dia por ali, onde um pouquinho se festeja a cada entardecer, e se vê serem celebradas as pequenas coisas da vida. Acompanhado de uma bela cerveja gelada ou uma refinada taça de vinho - a escolha é sempre do cliente!

RUA FRADIQUE COUTINHO[editar | editar código-fonte]

Daquelas que podemos chamar de "solução completa", a Rua Fradique Coutinho favorece a todos os tipos de gostos e preferências. Em cada esquina, uma nova emoção. Não é atoa que Iara Monteiro, 20, escolheu morar em Pinheiros quando decidiu se mudar para a cidade de São Paulo, em 2014. "Moro há dois anos na Rua Fradique Coutinho. O que eu mais gosto por aqui é de caminhar pelo bairro, observar a movimentação e andar de bicicleta. Acho um lugar tranquilo", diz.

Recentemente construída na região, a ciclovia tem sido alvo de grande debate entre moradores e frequentadores do local. A presença da estação de metrô Fradique Coutinho acentua o fluxo intenso de pessoas que passam diariamente pela região, sobretudo, moradores que voltam para suas casas após uma jornada exaustiva de trabalho.

Sendo assim, é possível intuir a essencialidade do transporte público na vida dos habitantes do bairro, visto que 50% dos 35 entrevistados utilizam transporte público, além de outros meios — como transporte privado, por exemplo. Iara encontra-se dentro dessa porcentagem, e pondera que o transporte público é uma excelente alternativa para quem deseja evitar os picos de trânsito fixados na sua rua e nas demais.

Ao contrário de outras ruas do bairro, na Fradique não se é possível notar a presença de muitos edifícios comerciais, destacando-se somente aos que buscam lazer e entretenimento. Seja no Doce Café, na Livraria da Vila ou no ClickSushi, a diversão por aqui é garantida e é possível desfrutar de ótimos momentos, tanto com amigos quanto familiares, para quebrar (um pouco) da rotina.

Para Iara "não tem o que melhorar nem na Fradique e nem em Pinheiros. Esse lugar é incrível". Assim como 31% dos entrevistados para a matéria, Iara mora em apartamento, é solteira e não tem filhos.

Com diversas cores, sabores e soluções, a Rua Fradique Coutinho é um local singular, pautado pela sutileza de moradores. Durante o dia, o único som possível é proveniente dos carros, motos e, com menos frequência durante a semana, das bicicletas.

No entanto, é importante destacar que a localidade possui uma vida noturna — bem — ativa, gerando ainda mais atrativos para aqueles que vivem distante do distrito e apenas desejam desfrutar de alguns momentos de curtição. O Bar Oca (Rua Fradique Coutinho, 1502) é o estabelecimento que mais atrai o público dos jovens e, por coincidência, o lugar preferido de Iara para sair com os amigos. Deste modo, não há motivo para não dar uma passadinha por uma das ruas pioneiras de um dos bairros mais queridinhos da Zona Oeste.

PINHEIROS PARA QUEM?[editar | editar código-fonte]

De classe média alta, uma exceção, Pinheiros certamente é um bairro para todos, ainda que feito por muitos. Custos mais salgados podem ser encontrados, assim como produtos diferenciados e baratos também. Sr. Nivaldo, por exemplo, de 42 anos, é zelador de um dos vários charmosos e antigos prédios de uma travessa da Rua dos Pinheiros há 21. “Nunca fui destratado. Nunca mesmo! Já vi gente nascer e morrer nesse prédio e fui até convidado para a ceia de Natal na casa da Dona Sônia”, conta.

No trajeto para casa leva 15 minutos. Nivaldo deixou de ser pedreiro ao ser convidado por um dos engenheiros da obra em que prestava serviço a trabalhar como porteiro. Hoje, seu salário é o único que sustenta a casa em que mora com mulher e dois filhos jovens. “Nos dias de folga, às vezes a gente até vem passear e comer bem”, diz sem deixar o sorriso escapar do rosto. Assim como 72% dos pesquisados, ele também julga Pinheiros um bairro bom para se morar, trabalhar e aproveitar o tempo livre. “Mas lá [na Vila Yara] eu tenho casa própria. Aqui é bem mais caro para realizar esse sonho”, explica Nivaldo.

Pinheiros é bom para quem? Além da sensação de liberdade capaz de proporcionar, não só as ruas esburacadas detalhadas por Cleide são defeitos, mas também o trânsito relatado por Iara ou a falta de tato que Mario diz sentir. O bairro que acalenta parece ser também capaz de expulsar e excluir. Nivaldo tem carinho que nem todos os que por ali passam tiveram oportunidade de sentir.  Há quem se apaixone, há quem apenas desgoste. Não encontramos ainda quem odeie.

Materiais brutos da reportagem[editar | editar código-fonte]

https://soundcloud.com/user-778052931/sets/pinheiros-de-sentidos