Temperaturas Paulistanas/Planejamento/Santana/Turma C

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GRUPO: Aurélio, Ana Elisa, Lucas Cabral e Rafael Rodrigues.

INTRODUÇÃO[editar | editar código-fonte]

Santana é um distrito da cidade de São Paulo, localizado na Zona Norte do município paulista. Considerado uma das áreas mais antigas dessa região, o bairro surgiu no século XVIII e originou-se a partir da fazenda Sant'Ana, propriedade, na época, dos jesuítas.

O distrito evoluiu e hoje é considerado o principal bairro da Zona Norte. Todo seu território é urbanizado e conta com altas taxas demográficas. Fortemente verticalizado em alguns pontos, o bairro oferece boas condições em termos de infraestrutura. Os moradores dessa região, por exemplo, possuem fácil acesso ao transporte. O bairro está localizado na linha azul do metrô de São Paulo, que percorre de Tucuruvi ao Jabaquara. A área passa ainda, devido a essas condições, por uma forte valorização de seu solo. Segundo o site Agente Imóvel, o metro quadrado dessa região sai em média por seis mil reais. Santana atualmente tem um nível muito elevado de IDH.

O bairro destaca-se também por problemas com o trânsito. Os motoristas, que trafegam nessa região, sofrem com o congestionamento pesado nas vias centrais. Entre elas, as que se destacam, por causa desse problema, são a Avenida Voluntários da Pátria, próximo ao Terminal Santana e ao Campo de Marte, e a Avenida Cruzeiro do Sul. Santana conta ainda com alagamentos em algumas áreas que estão principalmente às margens do rio Tietê.

HISTÓRIA[editar | editar código-fonte]

O distrito de Santana, inicialmente chamado de Paz de Santana, teve seu nome proveniente da fazenda que havia na região: a Fazenda de Sant’Ana. Desde a sua fundação, em 1782, até o final do século XIX, o distrito tinha como principal característica a produção e distribuição de produtos agrícolas ao centro da cidade. Além disso, por estar localizado muito próximo a Serra da Cantareira, era muito procurado pelos paulistanos que queriam ficar mais próximos à natureza.

Em 1893, foi construída a linha férrea do Tramway Cantareira, com o objetivo de levar trabalhadores da Companhia Cantareira e Esgotos que trabalhariam para levar água captada, na Cantareira, para abastecer o reservatório da Consolação. A linha foi desativada 72 anos depois para dar espaço ao Metrô.

Durante muitos anos, a área ficou isolada do restante da cidade por conta do Rio Tietê, que formava uma divisão natural, além da própria Serra da Cantareira. No século XX, foi construída a Ponte das Bandeiras que facilitou a interação do bairro com os demais distritos paulistas. Vários clubes esportivos foram construídos próximo à ponte, como o Clube de Regatas Tietê, já que as águas do rio eram utilizadas por remadores e nadadores. A região se tornou um dos principais centros comerciais da zona norte.

DADOS SOCIAIS[editar | editar código-fonte]

Com o maior IDH (0,925) da zona norte de São Paulo, o distrito de Santana está na lista dos 20 maiores índices da cidade, ocupando a 19ª posição dentre os 96 distritos paulistanos.

Com aproximadamente 112.613 habitantes, a maioria da população de Santana é composta por membros da Classe B, representada por cerca de 48% dos habitantes, segundo a pesquisa “DNA Paulistano – Zona Norte”, realizada pelo jornal Folha de S. Paulo em 2008.

De acordo com o Mapa de Vulnerabilidade Social feito pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), o distrito de Santana é composto em sua maior parte pelo grupo de privação muito baixa (grupo 2), seguido pelo grupo de baixa privação e presença de famílias idosas (grupo 3) e, em menor parte, pelo grupo de nenhuma privação (grupo 1), o que caracteriza bairros de classe média-alta majoritariamente.

A idade media dos moradores é de 40,7 anos, já a proporção de crianças de 0 a 4 anos é de aproximadamente 9,8% segundo o CEM. Em relação aos adolescentes de 15 a 19 anos, a proporção é de aproximadamente 10,85%.

DADOS GERAIS[editar | editar código-fonte]

Área 13,14 km²
População (37°) 112.613 hab. (2010)
Densidade 89,38 hab/ha
Renda Média R$ 2.507,75
IDH 0,925 - muito elevado (19°)
Subprefeitura Santana/Tucuruvi
Região Administrativa Nordeste
Área Geográfica 2 (Norte)

TEMAS DOS QUESTIONÁRIOS APLICADOS:[editar | editar código-fonte]

Como Santana é um distrito extremamente verticalizado e as pessoas, na sua grande maioria, possuem uma alta capacidade de consumo, optamos por abordar os seguintes temas:

  • Segurança Pública: há uma predominância de condomínios em alguns pontos do distrito. Por isso, gostaríamos de saber a opinião dos moradores sobre esse assunto.
  • Custo De Vida: O distrito possui um alto padrão de consumo, por conseguinte, a pesquisa também foca no custo que os moradores têm para obter uma qualidade de vida elevada.
  • Saúde: analisar a qualidade do atendimento do Conjunto Hospitalar do Mandaqui e a sua importância para região.
  • Mobilidade Urbana: distrito de Santana é conhecido por ter um forte congestionamento. Como já apontado, as pessoas transitam com dificuldades nas principais vias em determinados horários

Além disso, é importante ressaltar que os temas escolhidos surgiram a partir das observações de alguns moradores.

LOCAIS QUE SERÃO APLICADOS OS QUESTIONÁRIOS:[editar | editar código-fonte]

  • Alto de Santana: principais ruas e avenidas do bairro.
  • Nas redondezas das estações de metrô Santana e Carandiru.
  • Próximo ao hospital Conjunto Hospitalar Mandaqui.

RESULTADO DOS QUESTIONÁRIOS[editar | editar código-fonte]

1.      Qual é a sua faixa etária?

Opções Quantidade Porcentagem
Até 18 anos 2 5,71%
19 - 29 anos 21 60%
30 - 39 anos 3 8,57%
40 - 49 anos 2 5,71%
50 - 59 anos 3 8,57%
Mais que 60 anos 4 11,42%

2. Quantas pessoas residem na sua casa incluindo você?

Opções Quantidade Porcentagem
Até 2 pessoas 5 14,70%
3 a 4 pessoas 19 55,8%
5 a 6 pessoas 7 20,58%
7 a 8 pessoas 3 8,82%
9 a 10 pessoas 0 0%
11 ou mais pessoas 0 0%

3.      Em relação a moradia, você:

Opções Quantidade Porcentagem
Mora em casa própria, quitada 17 47,22%
Mora em casa própria, financiada 7 19,44%
Mora na casa de parentes 2 5,55%
Mora de aluguel 10 2,78%
Outros 0 0%

4.      Qual a faixa de renda mensal da sua família?

Soma da renda mensal de todas as pessoas que moram na sua casa, exceto você (um salário mínimo em 2016 equivale a R$ 880,00)

Opções Quantidade Porcentagem
Até R$ 1760,00 (até dois salários mínimos) 2 5,40%
Entre R$ 1760,01 e R$ 2.640,00 (2-3 salários mínimos) 8 21,62%
Entre R$ 2.640,01 e R$ 3.520,00 (3-4 salários mínimos) 0 0%
Entre R$ 3.520,01 e R$ 4.400,00 (4-5 salários mínimos) 9 24,32%
Entre R$ 4.400,01 e R$ 5.280,00 (5-6 salários mínimos) 2 5,40%
Entre R$ 5.280,01 e R$ 6.160,00 (6-7 salários mínimos) 5 13,51%
Entre R$ 6.160,01 e R$ 7.040,00 (7-8 salários mínimos) 1 2,70%
Entre R$ 7.040,01 e R$ 7.920,00 (8-9 salários mínimos) 1 2,70%
Mais de R$ 8.800,00 (mais de 10 salários mínimos) 9 24,32%

5.      Qual a sua situação de trabalho?

Opções Quantidade Porcentagem
Empregador (empresário) 1 2,7%
Empregado 14 37,8%
Autônomo 9 24,3%
Aposentado ou pensionista 2 5,4%
Desempregado 9 24,3%
Outros 2 5,4%

6.      Qual a sua faixa de renda mensal individual? Apenas o que você ganha mensalmente sem levar em consideração a renda do restante da sua família. 

Opções Quantidade Porcentagem
Até R$ 1760,00 (até dois salários mínimos) 17 49,98%
Entre R$ 1760,01 e R$ 2.640,00 (2-3 salários mínimos) 10 29,4%
Entre R$ 2.640,01 e R$ 3.520,00 (3-4 salários mínimos)   1 2,94%
Entre R$ 3.520,01 e R$ 4.400,00 (4-5 salários mínimos) 1 2,94%
Entre R$ 4.400,01 e R$ 5.280,00 (5-6 salários mínimos) 1 2,94%
Entre R$ 5.280,01 e R$ 6.160,00 (6-7 salários mínimos) 2 5,88%
Entre R$ 6.160,01 e R$ 7.040,00 (7-8 salários mínimos) 0 0%
Entre R$ 7.040,01 e R$ 7.920,00 (8-9 salários mínimos) 1 2,94%
Mais de R$ 8.800,00 (mais de 10 salários mínimos) 1 2,94%

7.      Qual meio de transporte você utiliza com mais frequência para se locomover?

Opções Quantidade Porcentagem
Carro 8 21,6%
Moto 0 0%
Ônibus 20 54%
Uber/Táxi 0 0%
Metrô 8 21,6%
Bicicleta 1 2,7%
Outro 0 0%

8.      Como classifica a qualidade do transporte público na sua região?

Opções Quantidade Porcentagem
Muito boa 1 2,85%
Boa 11 31,35%
Razoável 14 39,9%
Ruim 8 22,8%
Muito ruim 1 2,85%

9.      Quantas vezes utiliza transporte público por semana?

Opções Quantidade Porcentagem
Todos os dias 15 42,75%
Apenas durante a semana 10 28,5%
Apenas nos finais de semana 1 2,85%
Esporadicamente 7 19,95%
Não uso transporte público 2 5,7%

10.      Em sua opinião, qual é o principal problema do transporte público na região?

Opções Quantidade Porcentagem
Pouca opção/falta de ônibus 5 8,6%
Falta de segurança 8 13,79%
Intervalo demorado/horário 8 13,79%
Ônibus lotado 12 20,64%
Preço da passagem 11 18,92%
Falta de organização 3 5,16%
Trânsito 4 6,88%
Qualidade ruim dos veículos 5 8,6%
Atendimento ruim dos funcionários 1 1,72%
Não uso transporte público 1 1,72%
Outro 0 0%

11.      Você possui algum plano de saúde?

Opções Quantidade Porcentagem
Sim 26 74,1%
Não 9 25,9%

12.      Você frequenta hospitais particulares?

Opções Quantidade Porcentagem
Sim 27 76,95%
Não 8 23,05%

13.      Você já foi ao Hospital Mandaqui?

Opções Quantidade Porcentagem
Sim 24 68,4%
Não 11 31,6%

14.      Como você avaliaria a importância do Hospital Mandaqui para a região?

Opções Quantidade Porcentagem
Muito importante 17 49,98%
Importante 15 44,1%
Pouco importante 2 5,88%
Não há importância 0 0%

15.      Como você avalia o atendimento nos hospitais públicos da região?

Opções Quantidade Porcentagem
Muito bom 0 0%
Bom 3 8,55%
Regular 19 54,15%
Ruim 7 19,95%
Muito ruim 6 17,1%

16. Qual hospital você costuma frequentar na região?

Mandaqui - 9

São Camilo - 15

San Paolo - 7

AMA - 1

UBS -1

Jardim Peri - 1

Metropolitano - 1

Paulistano - 1

Greenvile - 1

17.      Em média, quanto tempo você espera para ser atendido?

Opções Quantidade Porcentagem
Até 1 hora 19 55,86%
Mais de 1 hora 8 23,52%
Mais de 2 horas 5 14,7%
Mais de 3 horas 2 5,88%
Mais de 4 horas 0 0%

18.      Qual é a maior dificuldade encontrada na hora do atendimento?

Opções Quantidade Porcentagem
Falta de médicos 11 28,94%
Superlotação 12 31,57%
Falta de materiais 2 5,26%
Falta de horário para atendimento 6 15,78%
Outra 7 18,42%

19.      Como você avaliaria o comportamento dos profissionais na hora do atendimento? Porque?

Opções Quantidade Porcentagem
Muito bom 5 14,25%
Bom 11 31,35%
Regular 18 51,3%
Ruim 0 0%
Muito ruim 1 2,85%

20.      O quanto você concordaria ou não com essa frase hipotética: “Os hospitais foram privatizados e toda a população passa a ter acesso a um plano de saúde”. Por quê?

Opções Quantidade Porcentagem
Concordo totalmente 7 19,95%
Concordo parcialmente 16 45,6%
Discordo parcialmente 4 11,4%
Discordo totalmente 8 22,8%

21.      Você já foi vítima de roubo ou furto aqui na região?

Opções Quantidade Porcentagem
Sim 13 38,22%
Não 21 61,78%

22.      De um a dez, quão seguro você classifica o seu bairro?

Opções 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Quantidade 2 1 0 1 5 8 6 7 3 1
Porcentagem 5,88% 2,94% 0% 2,94% 14,7% 23,52% 17,64% 20,58% 8,82% 2,94%

23.      Quais medidas de segurança você tem instaladas na sua casa?

Opções Quantidade Porcentagem
Câmeras 13 16,66%
Grades de ferro 20 25,64%
Trancas 22 28,20%
Cães de Guarda 7 8,97%
Alarme 6 7,69%
Cerca elétrica/ouriço 6 7,69%
Outro 4 5,12%

24. Você aceitaria conceder uma outra entrevista posteriormente?

Sim - 25

Não - 3

RESPONSABILIDADES:[editar | editar código-fonte]

Todos os integrantes do grupo atuarão em todas as etapas do trabalho, que consistem nas atividades:

- Publicar no site Wikiversidade;

- Elaborar e aplicar o questionário;

- Visitar os locais escolhidos para aplicação dos questionários;

- Elaboração de uma reportagem sobre o distrito.

CRONOGRAMA[editar | editar código-fonte]

14/08 - Entrega do Planejamento

16/08 - Formulação do Questionário

19/08 - Visita aos pontos escolhidos para aplicação dos questionários

21/08 - aplicação dos questionários

22/08 - Tabulação dos resultados dos questionários

30/08 - Entrega dos resultados

ANÁLISE DOS DADOS[editar | editar código-fonte]

A maioria dos entrevistados no questionário do distrito de Santana são pessoas na faixa entre 19 e 29 anos de idade, que vivem em casa própria e quitada. São pessoas majoritariamente empregadas, que recebem até dois salários mínimos por mês. Foram entrevistados moradores e pessoas que trabalham na região de Santana. Eles priorizam o uso do transporte público para o deslocamento diário, sendo o ônibus a modalidade mais utilizada pelos cidadãos, seguido pelo metrô e o carro particular. Os entrevistados avaliaram a qualidade do sistema público de transporte que abastece o distrito como “razoável”, apesar das queixas recorrentes de superlotação e o alto custo das passagens.

Em relação a saúde, a pesquisa revelou que, apesar da maioria dos entrevistados usufruir de algum plano de saúde, os mesmos recorrem ao Hospital Mandaqui, o maior hospital público da região, seguido pelo Hospital São Camilo, da rede privada. A maioria dos entrevistados também classificou o atendimento do Hospital Mandaqui como “razoável”. Os principais problemas destacados pelos moradores foram a superlotação e a falta de médicos na unidade. No entanto, o atendimento prestado pelo hospital acontece de forma rápida, já que a maior parte dos entrevistados afirmou aguardar até 1h pelo serviço.

Os moradores do distrito de Santana, um dos maiores IDH da capital, se sentem relativamente inseguros no bairro, apesar da maioria alegar nunca ter sido vítima de furto ou roubo na região. Para driblar o medo, os entrevistados recorrem a medidas de segurança básicas como o uso de trancas e grades de ferro nas residências.

REPORTAGEM[editar | editar código-fonte]

Os dois mundos do Hospital Mandaqui

O Hospital do Mandaqui fica localizado em uma importante via de acesso na região Norte do Estado de São Paulo, a Rua Voluntários da Pátria, no bairro de Santana. Marco histórico da região, o Hospital do Mandaqui foi inaugurado em primeiro de dezembro de 1938 pelo decreto número 9566 e se chamava Parque Hospitalar do Mandaqui. A pedra fundamental do complexo foi lançada em pleno estado Novo, por Getúlio Vargas e seu interventor em São Paulo, o médico Adhemar Pereira de Barros.  Foi o primeiro hospital governamental, especializado em tuberculose, instalado no Estado de São Paulo, dando início a toda rede de hospitais de tuberculose do governo estadual. Os cem leitos iniciais logo foram ampliados para 450 e abriram caminho para a instalação do Hospital Infantil de Tuberculose. No início, os pacientes enfrentavam um forte preconceito e, quando recebiam alta, não conseguiam empregos dignos. Às mulheres restava a prostituição e aos homens, a mendicância. Assim, muitos dos ex-pacientes preferiam permanecer no hospital e se tornavam funcionários.

A região foi escolhida em virtude do isolamento e do bom clima. Na época, a internação era obrigatória para que a doença não se propagasse, já que não tinham remédios para o tratamento. Até a década de 1950, não havia medicamentos para a tuberculose e, para promover a cura, eram empregados processos mecânicos como o pneumotórax, uma coluna de água com uma agulha que era introduzida no tórax. O sanatório era famoso por abrigar especialistas nos mais diversos tipos de tuberculose, uma raridade para a época. Os medicamentos para tratamento começaram a chegar na década de 1950 e com isso novos métodos químicos e mecânicos passaram a ser combinados, resultando na falta de obrigatoriedade de internamento para as pessoas infectadas. A mortalidade diminuiu e desde os anos de 1960, a internação passou a ser exigida apenas para os casos mais graves.

Em 1988, deixou de ser especializado e foi transformado em Hospital Geral, tendo o Hospital Infantil Zona Norte anexado a ele. Com o tempo e as ampliações, o hospital se tornou o maior centro cirúrgico especializado e de referência de São Paulo, realizando diversas cirurgias torácicas. Em 10 de janeiro de 1997, o hospital passou a se chamar denominar Conjunto Hospitalar do Mandaqui após incorporar o Hospital Infantil Zona Norte. Acabou virando também uma referência em traumatologia.

Modernização

Em fevereiro de 2004, os prédios do antigo Hospital Infantil Zona Norte, até então imóvel desativado, foram totalmente reformados para o funcionamento do centro de Referência do Idoso e o prédio Leonor Mendes de Barros, onde já funcionava o Ambulatório de Especialidades. Em 2005, o Pronto Socorro Infantil foi inaugurado em novo espaço físico assim como o serviço de emergência do Pronto Socorro de Adultos.

Hoje, ele é referência como Hospital de Ensino, recebendo diversos estudantes que buscam fazer residência (programas de especialização médica em regime de estágio). Mas a área em que o hospital realmente se destaca é a de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, pois é um dos setores mais organizados que conta com equipamentos de qualidade e médicos radiologistas especializados que fazem diversos tipos de imagens como tomografia computadorizada e radiologia contrastada.

Segundo a diretora técnica do hospital, Magali Vicente Proença, são mais de 1.000 pessoas atendidas diariamente no pronto-socorro. Algumas delas são encaminhadas para especialistas de mais de 40 áreas.  Já o centro cirúrgico do hospital realiza operações de médio e pequeno porte.

No dia 16 de setembro, realizamos um grupo focal com moradores da região de Santana. O objetivo era conhecer a percepção dos mesmos em relação ao bairro em diversos assunto, mas, principalmente, na área da saúde.

Primeiramente, pedimos para que eles discutissem um pouco sobre a situação da saúde no bairro de Santana e as experiências deles em hospitais públicos e privados da região. Foi levantada a questão de optar por certos hospitais apenas pela proximidade de casa em situações que eram mais emergenciais pois há uma precariedade de hospitais o que causa uma superlotação nos que existem.

O mais discutido dos hospitais privados foi o São Camilo. O estudante Guilherme Brandão contou que existem cinco salas de triagem, mas que apenas três delas são utilizadas, isso resulta em uma espera muito grande nesse primeiro atendimento. Além disso, na visão dele, os médicos estão ali para cumprir metas e, por isso, não dão a atenção necessária para os pacientes e fazem uma análise muito superficial sobre o quadro de cada pessoa. Quanto mais pessoas atendidas, melhor.  “Tem muito medico que parece que tem meta de paciente e eles nem olham na sua cara. Eles te atendem, mas muitas vezes nem olham na sua cara, é tudo muito rápido”, relata Brandão.

As pessoas do grupo que frequentavam hospitais privados apenas, nos relataram que eram sempre hospitais fora de Santana, que eram menos cheios e com uma maior qualidade de médicos e no atendimento.

Sobre essa questão de demora em atendimento, Giovanna relatou uma experiência vivida no Hospital Mandaqui, o principal hospital público da Zona Norte que recebe pacientes de todos os bairros próximos. Ao acompanhar uma amiga que estava com arritmia cardíaca, se deparou com uma fila imensa e um tempo de espera de mais de duas horas, ela se desesperou porque a amiga estava passando muito mal, com tremedeira e ninguém se importava. “Lá é lotado a qualquer hora do dia que você for. Se você não fizer um barraco, não vão resolver o seu problema”, conta a estudante.

As segundas-feiras costumam ser mais cheias e, por isso, o atendimento dos médicos é ainda mais superficial e rápido. Segundo Giovanna: “Existem poucos médicos, poucas salas e poucos recursos”.

Na questão do acesso ao bairro, abordada na discussão, foi unânime o pensamento de que a estação do metrô Santana não comporta todos os usuários que passam por ali diariamente. Pessoas de todos os bairros próximos descem ali, como por exemplo do Tucuruvi e da Vila Nova Cachoeirinha. Para sair da estação de metrô e ir para o Hospital Mandaqui, ainda é necessário pegar um ônibus.

Depois, foi levantada a questão das UBS’s – Unidas Básicas de Saúde. Existem muitas na região, cerca de 75 somente na Zona Norte. Essas unidades foram consideradas muito boas pelo grupo, com o atendimento rápido e médicos preparados.  

O grupo teve opções parecidas em relação a qualidade dos hospitais da região – não estão entre os piores mas precisam melhorar muito ainda - e que é necessário construir mais alguns para atender toda a demanda do bairro.

Maquiagem

Em fevereiro de 2012, o Hospital do Mandaqui passou por uma ampla reforma em suas dependências e deu a unidade uma cara de “hospital particular”, ao menos esteticamente. Em comparação com outras instituições públicas ao redor da cidade, as instalações do Mandaqui se mostram mais organizadas e estruturadas. De acordo com a Secretaria da Saúde, as obras ampliaram em cerca de 70% a capacidade dos atendimentos de urgência e emergência da unidade, aumentando o número de leitos de 300 para 450.

Corredor do hospital reformado em 2012

No entanto, os investimentos na infraestrutura escondem o abandono da manutenção do hospital, que carece com a falta de médicos, enfermeiros, medicamentos, e itens básicos como cobertores. Segundo a médica Eliana (a profissional pediu à reportagem para não ter o seu nome verdadeiro divulgado), que trabalha há 16 anos no Hospital do Mandaqui, a gestão atual é a pior em que ela já trabalhou. “Eu acredito que estamos vivendo a pior fase. As equipes médicas estão incompletas, faltam medicamentos, equipamentos, tudo o que você imaginar. A situação na emergência também está deplorável. Estamos com pacientes na fila de cirurgia em estado gravíssimo à espera de uma operação”, desabafa. De acordo com Eliana, outra grande carência do hospital é a falta de clínicos gerais. “É um absurdo”, lamenta a médica.

Pelos corredores, não é difícil encontrar pacientes descontentes com o serviço prestado. O descaso com a vida humana se repete a cada ala do Hospital. A estudante Camila Reis relata o sufoco que sofreu com o seu avô. “Ele precisou ser internado para ficar em observação, só que não havia mais quartos disponíveis. Então ele teve que ficar no corredor, sem acompanhante, sem nenhum atendimento”, afirma. Na sua visão, o hospital parece viver duas realidades distintas. “A infraestrutura é bem distinta. Há algumas alas do hospital que são realmente ótimas, com equipamentos novos, tudo certinho... Mas tem outras que são bem precárias, faltam equipamentos e materiais”.

Mas nem só de reclamações vive o hospital. A vendedora Ariel Gomes acompanhava a sua mãe, que sofre com um tumor cerebral, e se surpreendeu ao recorrer ao centro hospitalar mais concorrido da zona norte de São Paulo. “Eles deram prioridade no caso da minha mãe porque ela foi diagnosticada com um tumor no cérebro. O atendimento foi rápido. O diagnóstico foi feito nesta semana e semana que vem ela já deve operar”, comemora.

Esta foi sua primeira experiência com o Hospital do Mandaqui. E assim como muitos, a primeira impressão de Ariel ao chegar na unidade era a de que se tratava de um hospital particular. Os corredores limpos e os ambientes bem iluminados lhe chamaram a atenção. “Lá em cima, na área de internação, parece [um hospital] particular. Minha mãe teve toda a assistência necessária. Confesso que fiquei surpresa, porque foi a primeira vez que vim aqui. O atendimento e a infraestrutura me surpreenderam bastante”.

No entanto, a vendedora reconhece alguns pontos frágeis e conta que ficou abismada com uma história que ouviu de uma enfermeira. “Vejo que materiais básicos como agulhas, luvas e seringas estão em falta, sim. Até cobertores para o quarto eles recomendam trazer de casa. A enfermeira que cuida da minha mãe disse que os cobertores começaram a sumir de uns tempos para cá. Tem pacientes que levam para casa”, conta.

Enquanto a mãe dormia na sala de internação, Ariel tomava um ar na área externa do hospital. A sala branca, claustrofóbica, dá lugar a um jardim florido e aconchegante. É neste cenário de esperança que ela relembra a angústia de Dona Sônia, pega de surpresa por um grave tumor no cérebro.

“Na verdade, minha mãe veio aqui para fazer uns exames. Ela reclamava muito que estava com dores de cabeça, passava mal, então ela achou melhor vir e ver o que era. Suspeitaram que fosse algum problema de tireoide, mas não identificaram nada de anormal. Depois ela passou em um neurologista e diagnosticaram ela com o tumor. Agora ela está lá na emergência”, diz. E é por isso que a filha desce durante meia hora, todos os dias, para o jardim. “A situação lá é realmente bem triste. Muitos pacientes ficam no corredor mesmo, porque não tem vaga. Nós vemos o sofrimento de todos, não gosto de ficar muito tempo lá em cima”.

Se mesmo depois da “revolução” na estrutura do Hospital Mandaqui os problemas ainda são inúmeros, a situação era bem pior há 13 anos. A ex-funcionária Sheila Fumayama trabalhou como enfermeira no local durante seis meses, o máximo que conseguiu suportar. “As condições de trabalho eram horríveis. A equipe de profissionais era bem mais reduzida do que hoje e a falta de material básico para o atendimento sempre foi o maior problema. Era impossível prestar uma assistência digna”, relembra.

ÁUDIOS:

https://soundcloud.com/user40639433rafa/audio-grupo-focal

https://soundcloud.com/user40639433rafa/entrevista-ariel-gomes

https://soundcloud.com/user40639433rafa/entrevista-ariel-gomes-2

https://soundcloud.com/user40639433rafa/entrevista-eliana

https://soundcloud.com/user40639433rafa/entrevista-sheila-fumayama

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:[editar | editar código-fonte]

https://pt.wikipedia.org/wiki/Santana_(bairro_de_S%C3%A3o_Paulo)

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_m_z/narbalfontes/index.php?p=183

http://www9.prefeitura.sp.gov.br/sempla/mm/mapas/indice5_1.pdf

http://www.nossasaopaulo.org.br/observatorio/biblioteca/DnaPaulistanoNorte.pdf

https://www.youtube.com/watch?v=nhB50URkf94

https://www.youtube.com/watch?v=FRzlfjpgEiU