Temperaturas Paulistanas/Planejamento/Tatuapé/Turma D

Fonte: Wikiversidade
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Integrantes do grupo:

Caroline Sassatelli, Fernanda Silva, Gabriel Calvino, Giovanna Sutto e Lucas Herrero

PARTE 1

1.Distrito do Tatuapé:

Localizado na Zona Leste da capital paulista, o Tatuapé é um distrito da subprefeitura da Mooca. Sua história caminha junto a do Brasil. Ainda em 1560, quando portugueses saiam do litoral em busca de ouro no interior do país americano. Brás Cubas, fundador de Santos, se instalou na região. Entretanto, apenas no final do XIX que a região começou a se desenvolver, com o início do cultivo de uvas. Esta foi a principal fonte de economia do bairro e atingiu seu apogeu no fim do século XIX.

De acordo com o censo demográfico do IBGE de 2000, a idade média dos responsáveis pelas residências no Tatuapé é 51 anos de idade. Desses, 15,9% são mulheres com até 8 anos de escolaridade. Ainda segundo mesmo censo, 20,1% do total de responsável ganhavam até 3 salários mínimos. O IDH do distrito é o 14º maior da capital paulista, com 0,936. Este valor representa liderança no IDH da Zona Sudeste da cidade de São Paulo.

“As famílias mais idosas estão dispersas por setores censitários localizados ao redor do centro histórico (em distritos como Belém, Pari), especialmente no início da Zona Leste (Tatuapé, Carrão, Agua Rasa, Mooca), em alguns setores da Zona Norte (Santana, Tucuruvi) e em alguns setores do vetor Sudoeste (Lapa, Pinheiros, Moema, Saúde). Essas são regiões mais consolidadas da cidade, de ocupação populacional mais antiga”, explica o texto o mapa de vulnerabilidade da cidade de São Paulo da USP. .

Em uma conversa com um morador da região, Gustavo Martini deixou suas impressões sobre a região em foco. “É um bairro como o centro, pois tem muito comercio, áreas de lazer, como o parque, localizado na Analia Franco, residências, fábricas. Tem tudo perto”, afirma Martini.

O distrito é cercado de edifícios residenciais e comerciais, que estão em expansão, impulsionados pelo mercado imobiliário, então em ascensão. Com o crescimento da especulação imobiliária e grandes espaços para a construção, o processo de verticalização na região de intensificou, e foi um dos motivos para o êxodo rural e a mudança de outros paulistanos para a região, concentrando a população cada vez mais em certos espaços do distrito, fato esse que foi apontado no censo do IBGE. Segundo o Censo de 2010, o distrito do Tatuapé era o 66° mais populoso da cidade de São Paulo.

Esse boom para a região mexeu no preço dos imóveis e fez com que o distrito fosse um dos mais valorizados na capital paulista. De acordo com o levantamento feito pela Folha de São Paulo em 2013, o distrito do Tatuapé é o mais caro da Zona Leste de São Paulo. Segundo a reportagem. “Os empreendimentos residenciais mais elegantes - e caros - da zona leste de São Paulo estão no distrito do Tatuapé, mais precisamente no bairro Jardim Anália Franco, isso principalmente porque, a partir de 1986, o Tatuapé deixou de ser ponto final da linha do metrô, com a retirada de um grande tráfego de ônibus e do expressivo comércio de camelôs da região, proporcionando, assim, o primeiro boom imobiliário na região, por meio de construtoras locais.

Esse fato também aproximou algumas pessoas para a região. De acordo com o índice Fipe-Zap, o preço médio do metro quadrado em julho desse ano na região do Tatuapé é R$ 7,260. Ainda sobre o preço dos imóveis, em abril de 2016, uma pesquisa do portal Imovelweb divulgada pela revista Exame apontou que o preço médio para o aluguel na região é de cerca de R$ 29,00 o metro quadrado, sendo assim, um imóvel de 65m² custa R$ 1852,00. Esse valor coloca a região como a terceira mais valorizada na Zona Leste, ficando atrás apenas das regiões Anália Franco e do Ipiranga, onde o mesmo apartamento custaria R$ 2124,00 e R$2028,00, respectivamente.

2. Escolha justificada dos pontos específicos onde serão aplicados os questionários:

Vamos fazer pesquisa in loco com homens e mulheres, a partir de 18 a 70 anos. Os pontos principais do questionário abordarão os seguintes temas, de forma macro: (i) Transporte, (ii) Lazer, (iii) Saúde, (iv) Educação e (v) Melhorias necessárias para o bairro. Vamos dividir o grupo em 2 subgrupos, que ficarão em espaços com diferentes classes sociais, para tentar contemplar o máximo possível da população do distrito.

Escolhemos concentrar as pesquisas em dois principais locais no bairro: no Parque Piqueri, localizado no bairro, e no trecho da Avenida Celso Garcia e Rua Tuiuti, que passa pela região, a fim de conversar com comerciantes e transeuntes.

3. Atribuição de responsabilidades entre os membros do grupo e cronograma:

Todos os integrantes do grupo participarão das etapas do trabalho (administração da página no Wikiversidade, elaboração/aplicação do questionário, elaboração da planilha com os resultados, entrevistas e/ou grupo focal e elaboração da reportagem final). Para otimizar a produção da pesquisa/reportagem, designaremos micro-funções para cada um, como o acompanhamento dos dados do site do IBGE sobre a região; compilação das informações para elaboração da reportagem e edição dessas informações para o resultado final do trabalho.

O grupo decidiu dividir-se em dois sub-grupos para a aplicação do questionário: Caroline e Fernanda irão pela manhã do dia 22/8 e Giovanna, Lucas e Gabriel irão no período da tarde, do mesmo dia. A data para uma segunda aplicação do cronograma ainda será definida tendo em vista o resultado da primeira visita.

4. Pré-roteiro dos temas a serem abordados na pesquisa:

Nossa pesquisa abordará temas que envolvam a atual situação e as principais melhorias necessárias para o Distrito do Tatuapé, visando as eleições municipais de 2016, no que tange às questões socioeconômicas da região. Tendo em vista que o distrito possui o maior IDH da região e o 14º da cidade de São Paulo, acreditamos ser necessário focar em dois grupos maiores: os diferenciais positivos da área em relação às políticas públicas ali aplicadas e o que ainda é deficiente na região do ponto de vista dos moradores.

Acreditamos ser indispensável identificar o perfil do morador da região e se há uma grande discrepância entre as famílias, principalmente no que se refere ao poder aquisitivo, atenção às melhorias recebidas pela região nos últimos 4 anos - na atual gestão do Prefeito Fernando Haddad -, em comparação à situação anterior, a necessidade de mudanças no bairro, ao boom imobiliário da região, principalmente no que se refere à verticalização, bem como, as impressões a respeito do transporte público (focando nas estações do metrô mais próximas e linhas de ônibus) e condições das vias na região (ruas e avenidas).

Além disso, focaremos na saúde pública da região, questionando os moradores sobre as condições de atendimento, higiene, internação e tratamentos dos hospitais públicos ali localizados (como o Hospital Dr. Carmino Caricchio, por exemplo). Por último, o grupo irá questionar os entrevistados a respeito das condições educacionais dos colégios públicos da região, se eles acreditam que o poder público dá a devida atenção à essa questão, quais são as melhorias necessárias, quais são os pontos positivo do setor, principalmente nas escolas geridas pelo Município.

Importante também é sabatinar a consciência política do morador. As eleições de 2016 estão próximas e, para diagnosticar o que melhorou e o que se manteve estagnado, é necessário avaliar as escolhas dos candidatos da região. Vereadores foram escolhidos por serem do partido de preferência, por algum fator aleatório ou por consciência de que o político cuidaria do distrito em questão? O voto realmente foi consciente?

5. Referências bibliográficas:

http://www.fflch.usp.br/centrodametropole/upload/arquivos/Mapa_da_Vulnerabilidade_social_da_pop_da_cidade_de_Sao_Paulo_2004.pdf)

http://vejasp.abril.com.br/materia/25-motivos-para-amar-o-tatuape

http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_a_l/cassianoricardo/index.php?p=135

http://fotos.estadao.com.br/galerias/cidades,idh-os-20-melhores-e-os-20-piores-distritos-de-sao-paulo,24925

http://fotos.estadao.com.br/galerias/cidades,idh-os-20-melhores-e-os-20-piores-distritos-de-sao-paulo,24925

http://maps.mootiro.org/community/507/about

http://www.terra.com.br/economia/infograficos/preco-metro-quadrado-sp/

http://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/noticias/quanto-custa-alugar-um-imovel-de-65-m2-em-cada-bairro-de-sp

PARTE 2 - 30/08

Questionário Tatuapé

Nome _________________________                                Profissão _______________________

1.   Quantos anos você tem? _____

2.   Qual gênero você se identifica?

(  ) Homem               (  ) Mulher                (  ) Outros

3.   Como você avalia o distrito do Tatuapé?

(  ) Ótimo      (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim       (  ) Péssimo

4.   Acredita que o distrito do Tatuapé é um bom lugar para morar?

 ( ) Sim         (  ) Não          Por quê?_______________________ 

5.   Como você avalia a segurança no distrito do Tatuapé?

(  ) Ótimo       (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

6.   Como você avalia o transporte na região?

(  ) Ótimo       (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

7.   Como você avalia o trânsito na região?

(  ) Ótimo       (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

8.   Qual é o principal meio de transporte utilizado diariamente?

(  ) Carro      (  ) Ônibus     (  ) Metrô/Trem       (  ) A pé       (  ) Bicicleta       (  ) Outros

9. Quantas horas você fica nele (s) por dia?

(  )  Até 59 min   ( ) De 1h01 a 2h    (  ) De 2h01 a 3h    (  ) De 3h01 a 4h    (  ) Mais de 4h01

10. Como você avalia a estrutura das vias urbanas? (Calçadas, ruas, etc)

( ) Ótimo     (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

11. Como você avalia a acessibilidade para deficientes na região?

(  ) Ótimo       (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

Por quê? ___________________

12.  O Tatuapé oferece alguma opção de lazer?

 ( ) Sim         (  ) Não          Quais?________________

      13. [Em caso afirmativo] Você utiliza?

(  ) Sempre (  ) Frequentemente (  ) Às Vezes (  ) Raramente (  ) Nunca

   14.  Você usa o sistema de saúde da região?

(  ) Sim         (  ) Não            

   15. [Em caso afirmativo]  ( ) Público    ou     (  ) Privado

16.  Como você avalia a qualidade do serviço prestado?

   (  ) Ótimo    (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

17. Sua família usa o sistema educacional da região?         

 ( ) Sim         (  ) Não

18. [Em caso afirmativo]   (  ) Público    ou     (  ) Privado

     19. Como você avalia a qualidade do sistema educacional?

   (  ) Ótimo    (  ) Bom          (  ) Regular   (  ) Ruim        (  ) Péssimo

     20. Na sua opinião, qual é o maior problema da região? 

(  ) Lazer       (  ) Segurança         (  ) Trânsito   (  ) Transportes        (  ) Infraestrutura                           (  ) Educação           (  ) Saúde      (  ) Outros

21. Você se lembra em quem votou nas eleições de 2012 para vereador?

(  ) Sim        (  ) Não    ( ) Não votei 

22. [Caso a resposta seja sim, continuar, senão finalizar] Você fez sua escolha por quais aspectos?

 (  ) Por indicação de algum conhecido.

 (  ) Apenas por concordar com as ideias do partido.

(  ) Pegou uma cola do candidato na porta do colégio eleitoral.

 (  ) Pelas propostas apresentadas pelo candidato.

  (  ) Outros

  23. Você aceitaria participar da segunda fase da pesquisa?

Contato: __________________________

Respostas obtidas: Os dados que recolhemos foram organizados em tabelas no Excell. Compartilhamos o documento nos e-mails da professora Bianca e do professor Rafael para que possam ter acesso. O link é esse: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1dx655z0wbFBPyEjfuXxz5dtthP5MmZxsPD2b52oGJnw/edit#gid=0

O documento foi compartilhado com os e-mails: biancasantana@gmail.com e rafael-ng@uol.com.br.

1 e 2.

HOMENS MULHERES
56,00% 44,00%
28/50 22/50
Idade Masculino Feminino
0-20 5 5
21-30 11 4
31-40 3 4
41-50 0 1
51-60 3 4
60-80 6 4

3.

Avaliação do distrito do Tatuapé
ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
44,00% 44,00% 12,00% 0,00% 0,00%
22/50 22/50 6/50 0/50 0/50

4.

Bom Lugar?
SIM NÃO
94,00% 6,00%
47/50 3/50

5.

Segurança no Tatupé
ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
8,00% 36,00% 32,00% 16,00% 8,00%
4/50 18/50 16/50 8/50 4/50

6.

Transporte no Tatupé
ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
10,00% 60,00% 24,00% 6,00% 0,00%
5/50 30/50 12/50 3/50 0/50

7.

Trânsito no Tatupé
ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
6,00% 32,00% 20,00% 16,00% 26,00%
3/50 16/50 10/50 8/50 13/50

8.

Transportes no Tatupé - Utiliza mais
Carro Ônibus Metrô/ Trem A pé Bicicleta Outros
26,00% 30,00% 32,00% 10,00% 0,00% 2,00%
13/50 15/50 16/50 5/50 0/50 1/50

9.

Horas no transporte
Até 59 min 1h01 a 2h 2h01 a 3h 3h01 a 4h Mais de 4h01
26,00% 30,00% 32,00% 10,00% 0,00%
13/50 15/50 16/50 5/50 0/50

10.

Infraestrutura urbana
ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
0,00% 24,00% 30,00% 24,00% 22,00%
0/50 12/50 15/50 12/50 11/50

11.

Acessibilidade no Tatupé
ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
0,00% 18,00% 22,00% 32,00% 28,00%
0/50 9/50 11/50 16/50 14/50

12.

SIM NÃO
86,00% 14,00%

13.

SEMPRE FREQUENTEMENTE ÁS VEZES RARAMENTE NUNCA
18,00% 6,00% 42,00% 12,00% 8,00%

14.

SIM NÃO
58,00% 42,00%

15.

PÚBLICO PRIVADO
16,00% 44,00%

16.

ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
4,00% 38,00% 16,00% 2,00% 2,00%

17.

SIM NÃO
54,00% 46,00%

18.

PÚBLICO PRIVADO
32,00% 22,00%

19.

ÓTIMO BOM REGULAR RUIM PÉSSIMO
16,00% 26,00% 6,00% 4,00% 2,00%

20.

LAZER SEGURANÇA TRÂNSITO TRANSPORTES INFRAESTRUTURA EDUCAÇÃO SAÚDE OUTROS
4,00% 46,00% 18,00% 4,00% 4,00% 4,00% 10,00% 10,00%

21.

SIM NÃO NÃO VOTEI
22,00% 48,00% 30,00%

22.

INDICAÇÃO CONCORDÂNCIA PARTIDO COLA ELEITORAL PROPOSTAS OUTROS
4,00% 4,00% 0,00% 14,00% 0,00%

PARTE 3 - 06/09

Análise dos dados do questionário

link: https://docs.google.com/document/d/1GXIYBQtKo3m0jla3M7rOYynoOSOJ9B0N6M6qNIC_tLo/edit

A análise abaixo é baseada nos dados colhidos por meio de pesquisas feitas nos dias 25 e 26 de agosto de 2016, próximo à região dos Shopping Metro Tatuapé e Shopping Boulevard Tatuapé, entre as ruas Tuiuti, Domingos Agostim, Praça Silvio Romero e Parque Piqueri.

Foram feitas 20 perguntas a 50 entrevistados residentes e/ou trabalhadores da região, entre as mais variadas faixa etárias, abordando a identificação destas pessoas para que o grupo pudesse traçar, primeiramente, um perfil de idade/gênero e suas opiniões a respeito da segurança, transporte, trânsito, vias urbanas, acessibilidade, lazer, sistema de saúde, sistema educacional, principais problemas do distrito e memória a respeito da votação para vereador em 2012.

Do total de entrevistados, 56% se identificam como homens e 44% como mulheres, sendo 30% de cada gênero inserido na faixa etária que vai de 21 a 30 anos. Em segundo lugar estão empatadas as faixas etárias até 20 anos e dos 60 a 80 anos, cada uma abrangendo 20% do total de pessoas.

De acordo com os entrevistados, 94% acreditam que o distrito do Tatuapé é um bom lugar para se morar, justificando isso, em alguns casos, em razão das mais variadas opções de lazer e, em outros, devido à facilidade com que os moradores dessa região têm acesso aos serviços de transporte e comércio. Desses entrevistados, 88% acreditam que o lugar é ótimo ou bom para se morar e 12% creem que ainda há melhorias a serem feitas e, por isso, consideram o distrito como sendo regular. Nenhum dos entrevistados considerou a região como sendo péssima ou ruim.

Perguntados sobre quais são os problemas urbanos mais recorrentes, houve, entre as respostas mais citadas, uma constante citação à segurança. De acordo com os entrevistados, 36% classificaram esta categoria como é boa; 32% a consideram regular; 24% ruim ou péssima e apenas 8% acreditam que a segurança no local é ótima. Embora apresente uma avaliação mediana, houve queixas constantes à falta da sensação de segurança por parte dos entrevistados, principalmente, nas proximidades da estação Tatuapé do Metrô.

No que diz respeito à acessibilidade no distrito, este também foi o tópico que o grupo identificou o maior número de reclamações. Dos entrevistados, 60% desaprovam o quesito, sendo que 16 das 50 (32%) pessoas entrevistadas o consideram como ruim e outras 14, ou 28%, péssimo. Analizando tal panorama, 22% dos entrevistados consideram regular a inserção dos deficientes nas vias púbicas do Tatuapé. Uma parte minoritária, 9 de 50, ou 18%, avaliam como bom o quesito e ningúem classifica o  serviço no local como sendo ótimo. Ou seja, pode-se inferir que a acessibilidade é um aspecto que deixa a desejar, excluindo ou dificultando a vida do cadeirante por, por exemplo, pois não haver muitas rampas de acesso e problemas de esburacamento nas calçadas.

Em compensação, a oferta de lazer no distrito é grande, até porque 86% dos entrevistados confirmaram haver opções para

divertimento, como teatros, shoppings (Tatuapé e Boulevard), parques (Ceret e Piqueri), bares, praças, baladas e restaurantes. Apesar de oferecer opções, 42% dos moradores do distrito exploram apenas às vezes os locais disponíveis para lazer. Apenas 9 (18%) dos entrevistados frequentam sempre, 3 (6%) vão frequentemente, 6 (12%)  raramente aproveitam e 4 (8%) pessoas afirmam que nunca utilizam tais opções. Assim, fica claro que os moradores têm alternativas para divertimento na região, mas nem sempre as aproveitam. Talvez o ponto negativo neste quesito seja a falta de utilização e não problemas de oferta no distrito

Quanto à saude local, os moradores ficaram bem divididos, já que 58% faz uso do serviço distrital, enquanto os outros 42% preferem pontos espalhados por outras regiões da cidade de São Paulo. Dentro dos 58% positivos, a maior parte se rende aos cuidados privados, enquanto 16% valem-se do sistema público. Ainda nesses 58%, 38% acham boa a qualidade tanto do privado quanto do público, 16% definem como regular, apenas 4% avaliam como ótima e os outros 2% acreditam que o serviço é ruim e péssimo. Ou seja, muitos dos moradores não se utilizam da saúde do Tatuapé, mas quem usufrui está satisfeito com os serviços prestados, entre locais públicos e privados.

Já no que se refere ao sistema educacional da região, 54% dos 50 entrevistados já tiveram algum membro da família frequentando as escolas da região. A outra parte (46%) utiliza escolas públicas e particulares de outros distritos próximos e  nunca utilizaram a rede de ensino local.

Dentre todos entrevistados, 32% disseram ter algum membro da família que utilizou o sistema educacional público, sendo as principais instituições a E.E. Oswaldo Catalano, E.E. Prof. João Dias da Silveira e a Escola Municipal de Educação Infantil Mary Buarque, todas avaliadas, segundo referencias do Google Maps, com mais de quatro estrelas na qualidade de ensino. Por outro lado, 22% das pessoas que conversamos e utilizam ou tem membro da família frequenta as escolas no distrito, recorrem ao sistema privado de educação.

Considerando ambas instituições públicas e privadas, pode-se dizer, segundo a pesquisa, que o ensino no distrito do Tatuapé é bom (26% das considerações).  Apenas 2% afirmam que a qualidade das escolas é considerada péssima; 16% consideram o ensino bom, enquanto 6% e 4% dizem que o sistema é, respectivamente, regular e ruim.

Já no que diz respeito aos maiores problemas da região, segundo os entrevistados, o tópico referente à segurança é o mas citado. Muitos queixaram-se da falta de policiamento, da grande presença de moradores de rua e dos recorrentes assaltos e furtos no distrito. O dado representa 46% dos votos. Entre os menores problemas, 4 deles estão empatados, com 4% dos votos cada: lazer, transporte, infraestrutura e educação. Saúde e outros problemas vêm logo em seguida, com 10% dos votos. Trânsito também é considerado um dos maiores problemas por muitos: 18% dos entrevistados queixaram-se de problemas com a falta de fluidez na região para o deslocamento com os veículos.

Quando se trata da qualidade de transportes no distrito de Tatuapé, 60% dos entrevistados avaliam as condições gerais como boas, sem grandes reclamações. Apesar das 12 pessoas (24%) que responderam que o transporte é regular, apenas 6% acham ruim e nenhum dos 50 entrevistados acha péssimo. Ou seja, é possível melhorar, mas, para as pessoas que conversamos, este não pode ser considerado como sendo uma deficiência da região. Vale lembrar que 32% das pessoas passam em média de 2h01 a 3h dentro de transportes durante seu dia. Outros 15 entrevistados (30%) gastam em média 1h01 a 2h do dia em trajetos que utilizam meios de transportes, enquanto 26%, ou seja 13 pessoas, passam até 59 min em meios de transportes no dia. Uma minoria de 10% gasta 3h01 a 4h e nenhum dos entrevistados se desloca por mais de 4h01 utilizando-se do transporte da região.

Por outro lado, quando a questão em pauta é o trânsito o panorama muda. Dos entrevistados, 26% avaliam o quesito como péssimo, mesmo que a maioria das pessoas que falamos ainda considere tal quesito como sendo bom (32%). No entanto, a menor porcentagem é encontrada para o grupo de pessoas que avalia o trânsito como ótimo, sendo 6% dos entrevistados. Por outros lado, 20% avaliam o trânsito na região como regular e 16% como ruim. Assim, o trânsito é um assunto que divide opiniões e considerando que a qualidade do transporte foi bem avaliada, encontramos aqui um contraponto interessante e passível de uma interpretação mais aprofundada nas próximas etapas do trabalho que pode ser esclarecida em uma entrevista de maior profundidade que aborde o quesito.

Quanto aos meios de transportes mais utilizados, encontramos outro ponto que chama a atenção: nenhuma das pessoas entrevistadas usa bicicleta no seu dia-a-dia. Por outro lado, as pessoas que utilizam do metrô/trem e ônibus lideram com 32% e 30% respectivamente. Boa parte dos entrevistados, (13 pessoas, equivalente a 26%) usam carro como principal meio de transporte e 10% andam a pé. A opção “outros” conta com 2%. O dado ausente referente ao uso das bicicleta é interessante porque existem ciclofaixas no distrito e o uso de bikes pode potencialmente diminuir o trânsito, que parece ser um problema decorrente desta falta de hábito dos moradores da região. Portanto, pode ser uma de nossas questões-problema mais adiante na avaliação de profundidade que será realizada para este trabalho.

Outro cenário ruim aparece quando a questão é infraestrutura das vias urbanas. A maioria, 30%, avalia como regular, seguido por 22% daqueles que acham péssimo. As opiniões de 24 pessoas se dividem: 12 consideram a infraestrutura como sendo boa e outros 12 acham ruim. Vale ressaltar que, nesse quesito, nenhum dos entrevistados respondeu como sendo ótimas as condições das vias de seu distrito.

Quando o assunto é política, 48% dos entrevistados dizem não se recordar em qual candidato votado a vereador. Apenas 22% dos eleitores da região se lembram quais foram suas escolhas nas últimas eleições. Já 30% afirma ter optado em não votar para vereador no ano de 2012.

Entre todos entrevistados que votaram na eleição aqui citada, 14% escolheram vereadores que tivessem propostas condizentes com as que os eleitores esperavam, fato este sendo o principal motivo para a escolha. Também empatados, com 4% dos votos cada, os entrevistados alegaram votar em seus candidatos por indicação de amigos e familiares e também por concordar com as ideias do partido ao qual o candidato pertencia e nenhum dos entrevistados afirmou ter escolhido seu candidato por influência de panfletos/santinhos/cola na hora da votação.

Pauta da Grande Reportagem

Tema: problemas decorrentes da falta de acessibilidade e infraestrutura das vias urbanas no Distrito do Tatuapé

Após aplicação de questionário, concluímos que, majoritariamente, os entrevistados queixaram-se de dois quesitos em exaustão: a falta de acessibilidade para cadeirantes e deficientes, no geral, e os problemas das vias urbanas na região. Exemplificando: 60% acreditam que a acessibilidade no distrito do Tatuapé é ruim ou péssima, enquanto 54% avaliam como regular ou ruim a qualidade/disposição da infraestrutura das vias urbanas.

Por que isso acontece? Incompetência da gestão local? Falta de consciência política na hora do voto ao escolherem seus candidatos? Ou até mesmo por não darem importância a quem escolhem na hora da votação – caso do Tatuapé, no qual 48% não lembra em quem votou para vereador nas eleições de 2012 e mais 30% não votou. A gestão realmente pensa nas necessidades reais dos moradores daquela região? Quem precisa, pensa na gestão? Há uma consciência popular mais aprofundada que a acessibilidade é um problema real? Qual a percepção das pessoas que são diretamente afetadas pelo problema? Quais são as principais dificuldades que elas enfrentam diariamente por causa desses problemas?

Para isso, entrevistaremos algum integrante da subprefeitura da Mooca responsável pelo distrito do Tatuapé que pode fornecer-nos dados e possíveis justificativas da má qualidade na pavimentação, que prejudica os deficientes. Escolheremos dois personagens um cadeirante e um deficiente visual para sabermos perspectivas do outro lado, daqueles que realmente precisam de uma estrutura de vias de boa qualidade e de acesso facilitado. Também tentaremos conversar com técnicos que possam explicar o que é necessário fazer para melhorar tais quesitos e ter um cenário ideal que atenda os moradores daquele local. Assim, por meio desses depoimentos, problematizaremos a questão de acessibilidade e necessidades das vias urbanas no distrito do Tatuapé.

PARTE 4 - 23/09

TATUAPE - PERTO DE TUDO

Grande reportagem, entrevistas do grupo focal, matéria de radiojornalismo e fotos do Distrito

(a) Matéria de Radiojornalismo - sobre o distrito em si e o problema do trânsito

https://drive.google.com/file/d/0B3LEmrd__muvTG9nX0dzT0hKYVU/view?usp=sharing

(b) Áudios do Grupo Focal a respeito do Distrito do Tatuapé

https://drive.google.com/file/d/0B3LEmrd__muvMW9uNUlDbUoxQW8/view?usp=sharing

(c) Grande reportagem

TATUAPÉ: PERTO DE TUDO, INCLUSIVE DO TRÂNSITO

As controvérsias entre a mobilidade urbana e o crescimento populacional de uma das principais regiões da Zona Leste paulistana

Passando pela rua apertada e abarrotada de gente, às cinco da tarde, é difícil esboçar todos os sentimentos e experiências presenciadas. A rua é a Tuiuti, e a entrada do metrô, fica logo ali, frente à avenida. São dezenas de pessoas. O que é percebido, quase que imediatamente, no entanto, é a grande diversidade de sons ali presentes. Conversas por todo os lado, buzinas de carros, ônibus e motores de motos. Faróis de carros, semáforos que abrem e fecham numa rotação de minutos. Mais carros, ônibus e táxis. Concomitante e indiferente ao movimento, na avenida principal nada de velocidade. Tudo é lento, quase parado.

Praça Silvio Romero, ponto de encontro dos moradores e ainda feira de artesanato.

O horário é de pico, as pessoas na transição pendular diária trabalho-casa, e, apesar dos inúmeros barulhos típicos da cidade, não se vê o movimento esperado por onde os transportes passam. Da esquina é um pouco angustiante. Tantas pessoas e momentos simultâneos acontecendo e onde mais se vê locomoção é na calçada, além dos passos das pessoas se deslocando para o metrô que, com seu som abafado ao fundo, lembra a todos que chegou sua vez de aparecer também. A rua, sobrecarregada e imutável. O farol abre e o carro vermelho anda poucos metros, uma distância insignificante em uma imensidão tão concreta. E então, um problema se sobressaiu perante alguns outros não menos importantes: a mobilidade urbana - ou melhor, a falta dela no distrito do Tatuapé.

Mas o que seria, enfim, a tal da mobilidade urbana? De acordo com o dicionário Michaelis, este termo se remete à Característica do que é móvel ou do que obedece às leis do movimento; a possibilidade de mover(-se); a facilidade em se movimentar, andar, dançar. Assim, o conceito aqui tratado é o referente à fluidez de deslocamento dos cidadãos nas cidades em que vivem. Em um local com problemas de mobilidade urbana, não há facilidades quando se trata de ir de um local ao outro - mesmo que a distância não seja assim tão considerável.

O excesso de trânsito nas ruas deixa tudo parado, no entanto o caos de pessoas que por ali circulam, monta um ambiente contraditório. Um fluxo de pessoas gigantesco versus uma mobilidade urbana precária. Ainda que você opte por meios de transportes alternativos, não há escapatória. A quantidade de pessoas é alta, nas calçadas, nos ônibus, trens e metrôs. A justificativa? O distrito do Tatuapé tem um dos maiores fluxos populacionais da cidade, já que é cercado de uma das maiores infraestruturas urbanísticas da grande metrópole, de acordo com a subprefeitura da região.

Há alguns anos, o número de linhas que circulam pela região não aumentou, mas a quantidade de pessoas que utilizam o sistema público de transporte, por outro lado, teve um acréscimo considerável. Trânsito e população crescem, assim, proporcionalmente e em um ritmo bastante acelerado. Em decorrência disso, a mobilidade urbana apesar de estar evoluindo está longe de ser boa. Pelo menos essa é a impressão em consenso de Cairã Fabiano, José Petrini, Fábio Gonçalves e Rafael Candura, moradores do Tatuapé, que participaram de um estudo na forma de grupo focal conduzido pelos estudantes do segundo ano do curso de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero sobre mobilidade urbana, na última sexta-feira (16).

Embarcar nos coletivos nunca foi uma missão fácil em horários de pico, o que não acontece apenas na região aqui citada, mas em muitas regiões de São Paulo. No Tatuapé, não é diferente. Inclusive, desembarcar deles tem se tornado cada dia pior. Segundo outra pesquisa realizada pelos estudantes de jornalismo, a maioria dos moradores do distrito gastam entre duas a três horas em transportes, valor bem acima da média nacional de 1h20 ao dia, de acordo com a pesquisa mais recente da Proteste - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor.

Baseado nesse dado, é possível conectá-lo a outra informação adquirida na pesquisa acerca do trânsito na região: 42% dos entrevistados consideram o trânsito como sendo ruim ou péssimo. Considerando que o congestionamento é o reflexo natural de uma mobilidade urbana precária, comprova-se a partir daí que o problema é uma necessidade real do distrito. Fábio Gonçalves, 44 anos e hoje panfleteiro, conta que aos finais de semana, para sair à noite de carro, é preciso se programar no mínimo com uma hora de antecedência do horário marcado. Já Rafael Candura,  de 21 anos, estudante de Relações Internacionais, confirma. “O trânsito é absurdo, fica tudo parado”.

Praça Silvio Romero: feira de artesanato e alimentação.

Outro retrato da qualidade ruim da mobilidade urbana do local é o aumento da verticalização na região nos últimos anos. “Qualquer lugar é passível de derrubar três casinhas para construir um prédio, esse é o problema, já que mais pessoas e a estrutura [da cidade] não aguenta. Sem contar que o trânsito de uns anos para cá está pior do que nunca”, afirma José Rodrigues, advogado de 55 anos que mora no Tatuapé desde que nasceu. Com esta declaração, podemos perceber a influência direta da verticalização no processo problemático. “O fluxo de pessoas aumentou, aqui virou um ponto de conexão da Zona Leste”, afirma Fábio Gonçalves, morador do distrito há 40 anos.

O fluxo de pessoas no distrito é alto em todos os períodos do dia, ainda mais tendo em vista que o Tatuapé oferece uma série de opções de lazer, é transitório, já que muitas pessoas circulam diariamente por lá, além do fluxo gerado pelos trabalhadores, apresentando o distrito uma considerável intersecção entre várias linhas de ônibus e metrô. Por isso, hoje, há uma nova mentalidade para os modais coletivos. “Quem não via no transporte público uma opção, depois que as faixas de ônibus foram instaladas, vê o setor com outros olhos. Está longe de ser perfeito, mas ajuda, porque com o carro você perde muito tempo. Em horário de pico, você ouve uma playlist inteira, chega a desligar o carro, e não chega no destino desejado”, contou Rafael Candura. A inclusão das faixas de ônibus ajudou, mas não resolveu. Cairã, de 21 anos, estudante de História, conta que o trecho de sua casa até a faculdade, na Cidade Universitária ficou menos demorado. “Ajudou, mas em determinados horários, não tem o que fazer”, diz.

De fato, a região por volta de 18h fica repleta de pessoas passando por todos os lados ainda mais nos arredores da rua Tuiuti que comporta a estação de metrô na sua esquina. “Às 18h da tarde é caótico, ainda mais porque aqui tem uma estação de trem, dois terminais de ônibus e uma estação de metrô tudo no mesmo complexo”, continua Candura.

Considerando os meios de transportes mais utilizados, 62% dos entrevistados usam mais ônibus ou carros, o que contribui diretamente para o trânsito nas ruas, e por consequência, a qualidade da mobilidade urbana cai ou, ao menos, não melhora. A quantidade de meios de transportes nas ruas é imensa e o uso do transporte particular (26%) aumenta o trânsito. O grupo de entrevistados chegou a outro consenso, quando essa afirmação foi emitida pelo grupo de estudantes: “a não utilização de transporte público por opção é egoísmo”. Todos disseram que sim durante o debate do grupo focal. Claro que há controvérsias, mas o transporte público de fato poderia ajudar na melhora da mobilidade no distrito. “O problema é que a qualidade do transporte precisaria melhorar, porque um dos argumentos de quem usa carro é o conforto”, afirma Candura, que prefere não tirar a carta de motorista porque diz que tem “disposição e saúde para enfrentar o transporte público”.

Avenida Tuiuti, além de acesso ao metro e shoppings da região, o local ainda conta com diversos comerciantes.

Hoje a cidade de São Paulo conta com 432,9 km de ciclovias, sendo que o número de ciclistas cresceu 66%, de acordo com dados do site do prefeito de São Paulo. Os números não se refletem no distrito aqui analisado, visto que, de acordo com a pesquisa realizada no Tatuapé pelos estudantes, nenhum dos entrevistados usa bicicleta e ainda, de acordo com os moradores durante a discussão do grupo focal, a instalação das ciclovias foi falha em muitos pontos. “Não faz sentido a ciclovia em alguns pontos da cidade, ficam umas subidas muito íngremes ou em locais de pouco movimento. Em muitos locais estão localizadas em frente a moradias. A ideia é boa, mas não é funcional, nem prática”, afirma Cairã Fabiano, apesar de não usar o modal. “Como a ciclovia foi projetada deixou muito a desejar, apesar da ideia ser muito boa e hipoteticamente melhorar a mobilidade”, afirma Candura.

A partir disso, encontramos uma outra problemática acerca da mobilidade urbana: a bicicleta e as ciclovias, que em tese poderiam melhorar consideravelmente a adversidade aqui discutida. Porém, os entrevistados avaliam que o atual prefeito quis mostrar trabalho com grandes quilometragens. Foi mais aparência do que eficiência. Logo, a mobilidade não melhora devido a má introdução do projeto nas ruas do Tatuapé. Isso pode ser um dos motivos por qual tal região apresenta um déficit no uso de bicicletas.

Os entrevistados abordaram um outro ponto muito relevante, o fato de que para o sistema de bicicletas ser implantado e realmente funcionar no distrito é importante que tenham possibilidades e incentivos de uso. Candura citou como exemplo uma empresa da Av. Paulista. “Lá tem uma empresa que disponibilizou chuveiro e vestiário para que quem for de bicicleta possa se trocar antes de entrar para trabalhar. Medidas como essas são incentivos. Acho que aqui no Tatuapé deveria ter algo assim, em outras circunstâncias, mas com a mesma ideia”, diz.

O Tatuapé tem uma qualidade: “é perto de tudo”. E isso agrada muitos os moradores da região. Dos 50 entrevistados, 88% avaliaram o distrito como um ótimo ou um bom lugar para se viver. E a razão foi justamente o fácil acesso a outros lugares. No entanto, esse ponto positivo é também o que causa um dos seus maiores problemas, a mobilidade. Ocorre assim, uma relação simbiótica entre o acesso fácil e o trânsito, e por consequência, a ampliação do problema que permeia esta reportagem. Impossível dissociar o som das buzinas irritadas com congestionamento,do caótico vai e vem da “minhoca de metal que entorta as ruas” do distrito.

O Tatuapé apresenta um dilema: o gene da sua destruição está imbutido no que fundamenta o seu sucesso.