Utilizador:Solstag/Comentário/Participação e saúde pública

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Participação e saúde pública, palestra de Nicolas Lechopier no IEA-USP em 21 de nov de 2012.

Introdução[editar | editar código-fonte]

O que trabalhou e o estado do q está fazendo; começo do trajeto em ética da pesquisa em saúde, pesquisa participativa, valores, epistemologia da participação; levou à questão mais geral sobre o papel da participação na saúde pública.

Participação como palavra chave, espírito da época[editar | editar código-fonte]

  • Social: interatividade, modo de socialização
  • Político: aprofundamento da democracia
  • Ético: responsabilidade ompartilhada

Obras críticas[editar | editar código-fonte]

  • mathieu triclot, philosophie des jeux video: engajamento da consciência dentro do videogame, vetor de mentalidade neoliberal, engajamento como novo espírito do capitalismo (colonização pelo projeto)
  • jean-pierre garnier, une violence éminemment contemporaine: falsa democracia, maior submissão sem aprofundamento da democracia, afastamento das classes populares (eufemização do conflito)
  • jean-baptiste fressoz, l'apocalypse joyeuse: responsabilidade com relação às técnicas, pq pensamos q podemos fazer 'geoengeneering' mas não transformar a sociedade? (impotência moderna)

Participação e saúde[editar | editar código-fonte]

parte integral do conceito da saúde: doença corresponde em parte à diminuição da capacidade de participação também como determinante socialda saúde: quanto mais participação, mais saúde participação negativa, recusa controle popular sobre o sistema de saúde

  • finalidades
  • legitimidade
  • abordagens
  • poderes

Reconhecimento[editar | editar código-fonte]

Do debate sobre a participação política no Brasil e fora, com respeito a conselhos de saúde, das contradições em seu uso personalista etc.

Conceito[editar | editar código-fonte]

Platão: relação entre modelo e caso particular; Aristóteles: relação pouco clara, não pode ser estática.

Simondon/Bernard Stieger: processo de individuação, relação do indivíduo com o meio em que se individua a consciência psíquica - meios participativos, de outra forma não há individuação; Televisão não é meio participativo.

Marx: prática transformadora

Joëlle Zask (Participer: Essai sur les formes démocratiques de la participation), participação como experiência:

  • ter parte com: formação de um coletivo; questões: inclusivo? heterogêneo?
  • tomar parte em: trazer contribuições, gerar mudanças; para além da figuração
  • tirar proveito: empoderamento, expandir seu poder de atuação; percurso de reconhecimento (Honneth)

Conjunto dessas três experiências, democracia como percurso constante entre essas três experiências.

Pesquisas participativas[editar | editar código-fonte]

Muitas propostas em muitas áreas.

  • PRAM - Participatory Research at McGill
  • Repensando a pesquisa participante - Carlos Rodrigue Brandão (org.)
  • Repensando la investigacioón Acción-participativa Ezequiel Ander Egg
  • Marta Anadón La recherge participative
Duas tradições
  1. Pesquisa-ação-participativa, referencial na psicologia social Kurt Lewin, desenvolvimento nas práticas do trabalhador
  2. Movimentos de educação popular, Paulo Freire, investigação emancipadora, conferência de Cartagena (1977).
Definição
  1. Associação entre pesquisadores e pessoas envolvidas para investigação (coletivo)
  2. Participantes no desenvolvimento da pesquisa, da definição do problema, métodos, coleta de dados, avaliação do processo de pesquisa e dos resultados. (em diferentes graus)
  3. Processo deve trazer esclarecimento, propostas de soluções, empoderamento; retorno

Biopedagogias[editar | editar código-fonte]

Abordagem crítica da prevenção em saúde. Ausência de participação autêntica.

Termo surge nos anos 1990, mas com sentido distintos.

Nos anos 2000, assume um sentido específico, ligado às análises de Foucault sobre o Biopoder (rede de relações, disciplina para o indivíduo, regulação para a população).

Biopoder e obesidade (Jan Wright et Valerie Harwood). Construção política como epidemia. Identificação, vigilância, tratamento, punição moral. Subjetivação a partir de saberes.

  • manipulação, distorção, alienação
  • informação, socialização de saberes, normatização
  • princípio organizador das formações institucionais das ciências da saúde

Biopedagogia nos indivíduos expostos e múltiplas formas de "pedagogizar", dispositivos para compreender e modificar.

Biopedagogia na construção do sujeito na autodisciplina.

Participação à vista da biopedagogia[editar | editar código-fonte]

Coletivo biopedagógico é desenhado para hegemonia de um certo sentido, uma certa significação. Padronização, não heterogeneidade.

Indivíduos ativos, mas ativações geridas pelo próprio poder biopedagógico.

Repercussões na subjetividade, mas somente em reconhecimento aos parâmetros.

Se aceitamos essa crítica, ela mostra os limites que atravessam a questão da participação. Ela poderia ser interpretada como um modo contemporâneo de participação, mas entendida com esses três limites.

Nudge[editar | editar código-fonte]

Mudanças comportamentais. Economia comportamental. Novo paradigma para a prevenção? Gerou polêmica, não tão novo, levanta questões éticas.

Popularizado por Richard H. Thaler e Cass R. Sunstein. Livro Nudge: Improving Decisions About Health, Wealth, and Happiness. Traduzido para o português com uma arte de capa péssima, já esgotado.

Conceito
Pequenas motivações, às vezes até dissociadas do fim, inseridas no ambiente. Lúdico, não intrusivo, mas presente. Sinais imediatos no local da ação.

Escadas musicais ou coloridas, espelhos gordo e magro, levando às alternativas. Mosca pintada no mictório, votação com chiclete. Posição das escadas num edifício ou dos pratos num restaurante.

Arquitetura da escolha. Toda escolha tomada num contexto que favorece alguns resultados. Não há arquitetura neutra.

Saúde pública vista como manipulação dos comportamentos individuais. Ruptura com o modelo racional, incentivos baseados na espontaneidade da ação baseada em emoções, normas, representações.

Base na psicologia experimental:

  • preferência pelo status quo, padrão
  • percepção de perda maior que ganho
  • preferências diferem entre análise fria ou no imersos no momento
  • conformidade aos sinais sociais, preferências dos outros

Atenção a:

  • forma de colocar o problema (refletindo as bases)
  • formulação das normas (positiva/injuntiva > negativa)
  • cuidado com estímulos contraditórios
  • ajudar associações, redução do número de escolhas

Legitimidade[editar | editar código-fonte]

Como não há arquitetura neutra, melhor escolher qual comportamento incentivar.

Paternalismo justifica-se em certo grau ao que produz escolhas melhores no julgamento das próprias pessoas.

Incitação sem proibição ou obrigação. Compatível com liberdade individual.

Justificação pública da manipulação. Manipulação legitima-se se pode ser justificada publicamente num fórum democrático.

Crítica[editar | editar código-fonte]

Transformação dos comportamentos, sem necessariamente afetar as estruturas e relações de poder.

Sobre participação no nudge, a abordagem é limitada por não acessar mudanças na relação com o outro e na socialização. Ele não contempla o aspecto da representação no seu modelo, voltando-se diretamente ao comportamento, de forma mais superficial. Não se interessa pela subjetivação, afeta o comportamento e não o sujeito. Reduz-se a uma performance, sem autoria.

Comentários[editar | editar código-fonte]

Biopedagogia[editar | editar código-fonte]

O quanto a biopedagogia não está em constante cheque ao passar pelas relações humanas, em suas outras dimensões inescapáveis, até mais que o biopoder em geral pela vivência mais direta da saúde e suas consequências?

A crítica da biopedagogia chega ao ponto de refletir sobre a reação/retaliação à biopedagogia e os limites que a própria cultura biopedagógica impõe a essa reação? Especialmente no papel da reação na produção de síntese para evolução da norma?

--Solstag (discussão) 13h21min de 21 de Novembro de 2012 (UTC)

Resposta
Exemplos de retaliação imprevisível, potencialmente danosa (ex. crianças que deixam de comer merenda após instrução sobre riscos à saúde), mas a biopedagogia é uma ferramenta de crítica, não exatamente um modelo, complicando uma análise dessa natureza; "tudo são relações de poder". Porém há abertura para isso, requer mais reflexão.

Nudge[editar | editar código-fonte]

Qual a diferença entre nudge e gamaficação? Alguns exemplos confundem-se. "Gamesforhealth".

--Solstag (discussão) 14h41min de 21 de Novembro de 2012 (UTC)