Utilizador:Solstag/Science as an open enterprise: open data for open science

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Evento na FAPESP dia 28 de fevereiro de 2013, com a participação de Martyn Poliakoff (Royal Society's Foreign Secretary) e Philip Campbell (Editor-in-chief of Nature).

Science as an open enterprise, documento da Royal Society cuja disseminação motivou o encontro.

Programa[editar | editar código-fonte]

  • 14h Abertura
  • 14h30 Apresentações
  • 16h Encerramento

Abertura[editar | editar código-fonte]

Celso Lafer (presidente fapesp) Martyn Poliakoff (royal society) Philip Campbell (Nature) José Arana Varella (executivo chefe fapesp) Carlos Henrique Britto Cruz (diretor científico)

Celso[editar | editar código-fonte]

Bem vindos. Questão próxima aos interesses da fapesp. Abrir ao público geral a pesquisa que fazemos. Interessados nas suas reflexões.

Apresentações[editar | editar código-fonte]

Martyn[editar | editar código-fonte]

Royal Society, fundada em 1660, Rei Carlos II, tinha uma esposa portuguesa!

Encorajar o desenvolvimento e uso da ciência para benefício da humanidade.

Objetivos estratégicos.

Meu papel é viajar pelo mundo encorajando cooperação.

Estive na Rio+20 promovendo o relatório "People and the Planet" (Pessoas e o planeta).

Ciência aberta, onde começou: Henry Oldenburg, fundou primeiro periódico científico: Phylosophical Transactions. Fundou a revisão por pares e primazia científica. Toda ciência num só periódico.

Hoje a Royal Society tem uma série de periódicos. Inclui Open Biology, de acesso aberto.

History of Science, baixo fator de impacto mas artigos interessantíssimos. Prova de que fator de impacto e valor dos artigos é completamente desconectado.

Recentemente a Royal Society publicou um relatório sobre ciência aberta.

Inquisição aberta torna-se cada vez mais importante à medida em que a ciência torna-se uma atividade global, espalhada por países, ricos e pobres.

Tecnologias avançam, genomas sequenciados rapidamente, em dez anos de 1 a mais de 100.000 genomas humanos sequenciados.

O público está preocupado com questões de mudanças climáticas.

Há também a ciência cidadã.

E a troca de dados é também importante para colaboração internacional.

Como dados que coletamos hoje serão importantes no futuro?

Museu de história natural. Velhas amostras sendo usadas para estudo genético de espécies que, quando foram descobertas, nada se sabia sobre DNA.

Seus dados no futuro podem ser analisados de forma totalmente inesperada.

Valor para ciência que será feita por cientistas que ainda nem nasceram.

Sou químico da universidade de Notthingham.

Vídeos no youtube sobre elementos da tabela periódica. Alto impacto.

Introduzindo Philip. Editor do periódico Nature por 18 anos. Fez parte do grupo de trabalho que produziu o relatório.

Philip[editar | editar código-fonte]

Publishing challenges for researchers, funders and publishers[editar | editar código-fonte]

Se nós rejeitamos seu paper recentemente... não fui eu! =)

Imrpessos estão decaindo. Mesmo o próprio periódico Nature caiu de 72.000 para 50.000 exemplares.

Nature Communications: somente online, acesso híbrido - aberto se pagar.

PLoS One: só precisa ser válido, não interesante, só acesso aberto. 12000 dólares.

Mesmo assim os editores não gostam de artigos chatos (boring), mas há chatices importantes - replicações, refutações.

Se editoras não acrescentam valor, elas não deviam ser pagas. O movimento de acesso aberto está obrigando as editoras e garantir que estão acrescentando valor.

Nenhum dos periódicos da Nature tem comitês editoriais, os editores são funcionários. Eles fazem uso de uma comunidade de especialistas. Além de editar, visitam laboratórios. Visão criteriosa. Rejeitam 65% imediatamente. mandam 35% para revisão. Aceitam 8%.

Valores para revisão.

Bom revisor não apenas provê uma boa revisão. Gostamos de cientistas jovens na revisão. Aliviar o peso da comunidade de revisores. Cultivar um padrão alto na próxima geração.

Artigos multi-disciplinares. Desafio de encontrar especialistas adequados para os diferentes conceitos e sintetizar suas avaliações.

Editores lidam com opiniões conflitantes dos revisores. Há mesmo situações onde todos os revisores acham desimportante e o editor decide publicar. A decisão é inteiramente do editor.

Como o valor agregado irá mudar no futuro?

Modelo de Jim Gray, todo conhecimento codificado vira um mundo a explorar-se. Livre e sustentável.

Valor agregado pelo editor: selecionando, editando, distribuindo e dando visibilidade, permanência e crédito, apoiando a comunidade científica.

Pesquisadores também podem acrescentar valor após publicação. Comentários, revisão pós-publicação. Pouco interesse, não dá crédito.

Universidades, com repositórios e ferramentas de informação.

Organizar comunidades ao redor de linhas de pesquisa.

Crédito? Por dados, por ferramentas, por revisão, por educar e comunicar. Tudo o que não é paper.

ORCID (open research and collaboration id), identificador universal de indivíduos.

Nature fornece documento reconhecendo contribuições de revisores.

Nature agora requer que cada autor indique sua contribuição num artigo. Informal. Deveria formalizar? Como sem burocratizar? Envolve universidades.

Impacto: citações, discussão, fama, aplicações técnicas.

Fator de impacto dominado pelos principais artigos do periódico. Mas somos muito orgulhosos de vários dos artigos com pouco fator.

Fraude. Leis de difamação (libel) podem impedir discussões abertas sobre retrações. Nem sempre podemos dizer que um artigo foi retirado por fraude.

Ciências depende da confiança. Casos grandes de más-conduta ressaltam o dever dos co-autores de validar resultados espetaculares.

Não-reproducibilidade: problemas com estudos da indústria farmacêutica. Nature tem publicado artigos e orientações mais rigorosas sobre o que os autores devem prover. Ações de conscientização. Guias para autores e revisores.

Razões para irreproducibilidade: má supervisão, falta de treinamento, pressão para publicar.

Science as an open enterprise[editar | editar código-fonte]

Fácil dizer "a ciência deve ser aberta". Acesso aberto e dados abertos em repositórios centralizados. Nós na Nature nos filiamos a esse princípio. Mas enfrentamos os custos e requisitos de ação na comunidade científica. Ficamos felizes de fazer parte do desenvolvimento do relatório da Royal Society sobre Ciência Aberta.

Por que dados abertos é uma questão urgente?

Manter confiança na ciência. Sustentar reproducibilidade. Combater fraude. Potencial computacional. Apoiar ciência cidadã. Responder a demanda da sociedade por evidência.

Importante fazer os dados úteis. Acessíveis, inteligíveis, reutilizáveis. Importância dos metadados.

Nova área profissional: como fazer os dados úteis?

Questões comerciais, de privacidade, segurança, proteção.

Transição para dados abertos: grandes repositórios internacionais, repositórios nacionais, repositórios institucionais, repositórios individuais.

Custos de 11 milhões por ano para um banco central global.

Mantenedores desses bancos são editoras. Mesmos serviços. Agregação de valor.

UK Data Archive, pesquisa financiada requer publicação dos dados. 64 pessoas gasto de 3 milhões.

O arXiv.org emprega 6 pessoas, gastos anuais de 800 mil, mas seus serviços são mais restritos - não faz revisão, curação etc.

O ePrints Soton, repositório institucional, 3 funcionários, gastos de 60 mil (fiquei em dúvida se escutei corretamente o valor, mas esse valor faz sentido).

Princípios para ação: dados não são recurso privado, critérios para avaliar pesquisa.

Editores devem requerer dados abertos, disponibilizar meios de publicação de dados, dar créditos para os dados.

Acesso aberto para publicação de artigos e dados científicos: Verde, período fechado antes de abrir, i.e. Nature; Ouro, disponibilização imediata, financiado pelos autores através das agências. Híbridos.

Títulos além do Nature Communications poderão adotar modelo híbrido a depender do interesse de financiadores científicos.

No Reino Unido há muita vontade para apoiar acesso aberto Ouro. Previsão de 75% em alguns anos. Nos EUA os passos são mais curtos, mas houve uma declaração recente na direção de acesso Verde.

Cientistas precisam mudar sua cultura. Universidades devem prover repositórios. Financiadores precisam entender que custo de curação é custo de pesquisa. Sociedades precisam influenciar suas comunidaes. Publicadores devem requerer dados abertos, Negócios devem ver o benefício de aprovietamento. Governos devem entender que se trata de uso mais eficiente de recursos.

Carlos[editar | editar código-fonte]

Breves comentários sobre os tópicos apresentados.

FAPESP trabalhando com a Royal Society. Simpósio Fronteiras da Ciência há dois anos.

Temos trabalhado para promover colaboração internacional, muitas chamadas de trabalho conjuntas.

Dados abertos no Brasil.

Banco de dados de imagens do INPE são oferecidos gratuitamente para todo o mundo. Para uso de fazendeiros e outros empreendimentos. Muitos resultados interessantes em publicações. Um deles no controle do deflorestamento na Amazônia.

Nas ciências sociais, plataforma transatlântica nas humanidades digitais. Muitas organizações brasileiras provêem dados públicos, como IBGE. Mapas demográficos, econômicos. Nós até achamos que é norma, mas não é tão assim.

E já que foi mencionado o ORCID, também temos um banco de dados de pesquisadores há mais de dez anos, o Currículo Lattes. Foi iniciado por uma razão específica sem expectativa de que o uso fôsse tão disseminado, e tornou-se um dos maiores bancos de dados de cientistas.

A bilioteca virtual da fapesp, também um banco de dados de projetos e pesquisadores.

Repositório SciELO, um dos maiores repositórios de publicações do mundo. Segundo um ranking (http://repositories.webometrics.info/) é o maior. Periódicos selcionados. Iniciado em 1997, quando pouco se falava de acesso aberto. Crescimento destacado no número de acesso aos artigos.

FAPESP aprovou política de acesso aberto mandatório para todas as publicações sob financiamento da fundação. Ainda em implementação, pois estamos trabalhando junto às universidades para criar repositórios institucionais. Seguirão as regras dos periódicos onde foram originalmente publicados. Anunciaremos no segundo semestre deste ano.

Questões[editar | editar código-fonte]

Tel Amiel (Unicamp)[editar | editar código-fonte]

Fator de impacto?

Philip[editar | editar código-fonte]

Deve ser usado apenas para avaliar periódicos.

Para avaliar indivíduos, só lendo seu trabalho.

Volume de demanda acaba induzindo o uso descuidado de fatores como filtro.

Marin[editar | editar código-fonte]

como todos os números, pesoas não devem levá-los tão a sério.

um periódico de química passou de 2 a 49 em um ano.

podem ser manipulados, por exemplo, publicando artigos de revisão.

Alex ? (?-USP) (Não peguei o sobrenome ou instituto)[editar | editar código-fonte]

Requerimento de acesso aberto do NIH?

Philip[editar | editar código-fonte]

A Nature tem bastante orgulho de ter respondido permitindo o arquivamento público em 6 meses.

Pessoalmente eu preferia que chegássemos ao ponto das agências financiadoras financiarem acesso Ouro, mas isso parece ainda estar alguns anos à frente.

Carlos[editar | editar código-fonte]

Para entender isso bem, deve-se cuidar para observar as diferenças entre o que sai na mídia, e o espírito da lei geral, e as regulamentações específicas que acabam sendo implementadas.

Philip[editar | editar código-fonte]

Uma coisa que influenciou no Reino Unido foi a própria experiência social do oficial do governo, que sofreu ao tentar superar as barreiras para acessar a literatura nos assuntos que lhe interessam.

Roberta (jornalista)[editar | editar código-fonte]

Qual o papel de jovens jornalistas na comunicação científica, diante dessa abertura?

Martyn[editar | editar código-fonte]

Cientistas tem dificuldade de adequar suas descrições, equilibrando compreensibilidade e especificidade.

Eu colaboro com um jornalista e a interação com ele é extremamente valiosa para isso.

Atila Iamarino (ICB-USP, Science Blogs Brasil)[editar | editar código-fonte]

O que levou a Nature a abrir métricas? Que outras métricas?

Philip[editar | editar código-fonte]

Outras podem ser citações de patentes, blogs, downloads.

Eu apóio integralmente cientistas blogando.

Há exemplos excelentes. Claro que há exemplos ruins.

Agências de financiamento poderiam ter blogs para cientistas interagirem com jornalistas e a sociedade.

Marlon Pirchiner (IAG-USP)[editar | editar código-fonte]

Como incentivar dados públicos e como preservá-los?

Carlos[editar | editar código-fonte]

Os dados pertencem aos autores e suas instituições. Eles são os responsáveis.

As agências podem requerer disposições e garantias.

Mas é uma atividade complicada, da sustentabilidade a metadados, ontologias etc.

Não há ações concretas nesse momento.

Philip[editar | editar código-fonte]

Há situações onde até quem detém os dados é complicado. Risco de processos.

Não peguei o nome (Science Blogs Brasil) (Pode ter sido o Atila novamente)[editar | editar código-fonte]

Incentivos parar blogar?

Martyn[editar | editar código-fonte]

Encorajar estudantes para vir ao seu departamento.

Muitos são entusiasmados e querem transmitir esse entusiasmo.

Grande necessidade de envolver jovens na importância e contribuição à ciência.

Perigo dos jovens olharem livros texto e acharam que tudo está resolvido, quando estamos, muito pelo contrário, numa das situações mais críticas de problemas que não temos ideias de como resolver: energia limpa, água mais limpa.

Adiante nesse século, um terço da população mundial viverá na áfrica, necessidade de ciência local, problemas específicos.

Basta uma fração da comunidade científica, que teremos diálogo mais do que suficiente.

Positivamente, a cultura passou de achar que blogar era pouco nobre para ver valor em conversar com o público.

Blogue, você terá mais retorno do público do que jamais teve dos teus colegas! =D