Introdução ao Cálculo/Análise de funções elementares I

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O estudo das funções deste capítulo refere-se às funções não puramente algébricas, relacionadas a números transcendentais, algumas das quais já conhecemos da matemática elementar, porém é necessário um aprofundamento do tema para o ambiente acadêmico, onde temos que lidar com análises mais detalhadas e complexas.

Índice

[editar] Logarítmicas

A integral da função algébrica f(x) = xn traz uma indefinição quando n = − 1:

 \int x^n d x = \frac {x^{n+1}}{n+1} ; n \ne -1

A existência desta indefinição nos leva a uma questão: Qual o procedimento para integrar a função: f(x)=\frac{1}{x} ? A resposta é dada na análise numérica, calculando a integral pelos métodos de análise algébrica podemos chegar a seguinte conclusão:

\int^x_1 \frac{1}{t} d t = \ln |x| 

A função ln é chamada de logaritmo natural, a sua base é chamada de número de Euler, ele é um logarítmo conseqüente do cálculo da área sob a curva da função f(x)=\frac {1}{x}, que pode ser obtido numericamente usando a integral de Riemann e outras técnicas de cálculo numérico.

Todos os teoremas para logaritmos, que estão incluidos nos cursos de nível médio, podem ser obtidos a partir da análise do logaritmo natural, também chamado de logaritmo Neperiano.

[editar] Teoremas

Vejamos os principais teoremas para os logaritmos:

Nas citações abaixo, consideremos f(x) = lnx,

[editar] T36 - Produto

\ln a \cdot b = \ln a\ +\ \ln b

Comprovação:

Da definição:

\int^{ab}_1 \frac{1}{u} d u

\int^a_1 \frac{1}{u} d u + \int^{ab}_a \frac{1}{u} d u

fazendo u = at,du = adt e quando u = a,t = 1:

\int^a_1 \frac{1}{u} d u + \int^b_1 \frac{1}{at} a d t

\int^a_1 \frac{1}{u} d u + \int^b_1 \frac{1}{t} d t

O que comprova o teorema.

[editar] T37 - Razão

\ln \frac{a}{b} = \ln a\ -\ \ln b

Comprovação:

Sendo a = \frac{a}{b} \cdot b:

\ln a = \ln \frac{a}{b} \cdot b

\ln a = \ln \frac{a}{b} + \ln b

logo:

 \ln \frac{a}{b} = \ln a - \ln b

[editar] T38 - Potência

\ln a^b = b \cdot \ln a

Comprovação:

Sendo:

 \ln a^b = \ln (a \cdot a \cdot a \cdot a \cdot a \cdot a \cdot a \cdot a \dots) -> b vezes, que é:

 \ln a^b =  \ln a +\ln  a +\ln  a +\ln  a +\ln a +\ln  a +\ln a +\ln  a \dots) -> b vezes, resultando:

 \ln a^b = b \cdot \ln a

[editar] Derivadas

Da definição do logarítmo natural e a partir do teorema fundamental do cálculo, podemos deduzir a derivada da função logarítmica natural, ou seja, se f(x) = lnx que é a integral definida de  \frac {1}{x} , então a derivada é:

\frac{ d f(x)}{d x} = \frac {1}{x}

[editar] Integrais

Para integração de funções logarítmicas, veja o capítulo de técnicas de integração, para uma completa abordagem do tema.


[editar] Exponenciais

A função f(x) = ax é chamada de função exponencial na base a, todas as funções exponenciais são introduzidas a partir da definição do logaritmo natural ln x como sua função inversa. As funções exponenciais são estas em que a parte variável é o logaritmo, ou seja:

Se logab = x

então:

ax = b

O que implica b = f(x), tornando-o uma função, na qual podemos atribuir valores a x e obter uma imagem. O número a é chamado base, este número é facilmente identificado nos logaritmos convencionalmente abordados na matemática elementar, mas qual é a base da função lnx ?

Esta questão nos leva a um novo conceito abordado na próxima seção, o número de Euler.

[editar] O número de Euler

A base do logarítmo natural é o número de Euler, simbolizado por: e, ele é obtido pela definição do logaritmo natural, esse número corresponde á área sob a curva da função: f(x)= \frac {1}{x}, quando seu valor é unitário, ou seja:

lne = 1,

mais formalmente:

\int^e_{1} \frac {1}{x} d x = 1

O valor deste número pode ser encontrado por aproximação, utilizando-se os métodos de análise de seqûencias e séries, encontrados no livro: Cálculo III.

A equação que fornece o valor do número de Euler é dada a seguir:

e = \lim_{n \to \infty} \left(1+ \frac {1}{n} \right)^n

Nesta equação podemos observar que quanto mais alto o valor de n mais preciso se torna o valor de e.

De maneira simplificada, com base nos conceitos até agora abordados podemos encontrá-la da seguinte maneira:

Se f(x) = lnx então f\ '(x) = \frac {1}{x} , logo: f\ '(1) =1

Por outro lado, pela definição:

f\ '(x) = \lim_{\alpha \to 0} \frac {\ln (x+ \alpha) - \ln x}{\alpha}

Para f\ '(1) = 1:

1 = \lim_{\alpha \to 0} \frac {\ln (1+ \alpha) - \ln 1}{\alpha}

1 = \lim_{\alpha \to 0} \frac {\ln (1+ \alpha)}{\alpha}

1 = \lim_{\alpha \to 0} \frac {1}{\alpha} \ln (1+ \alpha)

1 = \lim_{\alpha \to 0}  \ln (1+ \alpha)^{\frac {1}{\alpha}}

e = \lim_{\alpha \to 0} (1+ \alpha)^{\frac {1}{\alpha}}

Sendo: \alpha = \frac {1}{n} e \lim_{\alpha \to 0} \alpha= \lim_{n \to \infty} \frac {1}{n}

Concluimos que:

e = \lim_{n \to \infty} \left(1+ \frac {1}{n} \right)^n

[editar] Teoremas

A maioria dos teoremas relacionados, têm origem nas conclusões obtidas no estudo do logarítmo natural, dos quais relacionamos os mais usados:

[editar] T39 - Soma

Seja a função f(x,y) = ex + y, pode-se afirmar que:

f(x,y)= e^x \cdot e^y

Comprovação:

Considerando:  x=\ln\ a e y=\ln\ b,

x+y=\ln\ a\ +\ \ln\ b

x+y=\ln\ {ab}

logo:

e^{x+y} = e^{\ln\ {ab}}

ex + y = ab

sendo: a = ex e b = ey,

e^{x+y}= e^x \cdot e^y

O que comprova o teorema.

[editar] T40 - Subtração

De forma similar à análise anterior, sendo a função f(x,y) = exy, pode-se afirmar que:

f(x,y)= \frac{e^x}{e^y}

Comprovação:

Considerando:  x=\ln\ a e y=\ln\ b,

x-y=\ln\ a\ -\ \ln\ b

x-y=\ln\ \frac{a}{b}

logo:

e^{x-y} = e^{\ln \frac{a}{b}}

e^{x-y} = \frac{a}{b}

sendo: a = ex e b = ey,

e^{x-y}= \frac{e^x}{e^y}

O que comprova o teorema.

[editar] T41 - Potência

Seja a função f(x,y)=\left(e^x\right)^y , pode-se afirmar que:

f(x,y) = exy

Comprovação:

f(x,y) = (ex)y

f(x,y)=e^{{\ln(e^x)}^y}

f(x,y)=e^{y \cdot \ln(e^x)}

f(x,y)=e^{y \cdot x}

O que comprova o teorema.

[editar] Derivadas

Consideremos que f(x) = ex, e conseqüentemente: x = lnf(x), se derivarmos implicitamente este expressão:

 d x = \frac {1}{f(x)} d f(x)

Curiosamente, teremos:

 f(x) = \frac{d f(x)}{d x}

 f(x) = f\ '(x)

Ou seja, a função exponencial natural é invariável durante o processo de derivação, o que traz uma série de implicações simplificadoras para estas funções.

Por outro lado se f(x) = ax, temos que:

a = elna

Fazendo u = x \cdot  \ln a e f(x) = eu, teremos:

f\ '(x) = e^u \cdot \frac {d u}{\mbox {d} x}

Se \frac {d u}{\mbox {d} x} = \ln a , concluimos que:

 f\ '(x) = a^x \cdot \ln a

Que é adotada como uma derivada mais genérica, pois pode ser empregada em qualquer exponencial, pois inclui correção para o fator da base.

[editar] Integrais

Como não poderia ser diferente, o valor da integral da função exponencial natural f(x) = ex é a própria função, conforme a regra da reversibilidade entre a derivada e a integral, apenas sendo necessária a devida observação da base, para eventual correção da diferencial e conseqüente introdução de fator de correção, nos casos em que a função torna-se composta.

Desta forma, temos:

\int e^x d x = e^x + C , 

Sendo C constante.


[editar] Logarítmicas com outras bases

Como foi visto durante o ensino médio, os logaritmos têm uma definição direta e que denota a sua finalidade de expressar o valor do expoente em uma operação exponencial, a definição pura é dada da seguinte forma:

Se  x=a^n \,\! então,

\log_a x = n \,\!

Onde: a é chamada base do logaritmo, x é o logaritmando e n é o expoente.

O logaritmo é, portanto, a operação pela qual se obtém o expoente necessário para que a base seja elevada, numa operação exponencial e se obtenha o número x.

A função logarítmica de base a pode ser expressa da seguinte forma:

f(x)=\log_a x \,\!

O que nos possibilita encontrar um valor para cada x expresso na equação.

[editar] Mudança de base

Analisemos agora a possibilidade de encontrar uma função logarítmica de uma base a e transformá-la em uma função logarítmica de base natural, ou outra base qualquer:

Seja a função y=\log_a x \,\!, podemos dizer que:

x= e^{\ln x} \,\! e que a=e^{\ln a} \,\!,

como: x =  a^y \,\!,

 x = (e^{\ln a})^y \,\!,

 x = e^{y \cdot \ln a} \,\!,

 \ln x = y \cdot \ln a \,\!,

O que nos possibilita afirmar que:

y = \frac{\ln x}{\ln a} ,

ou

\log_a x = \frac{\ln x}{\ln a} .

Note que a analogia serve para funções logarítmicas de qualquer base, visto que podemos substituir \ln x \,\! por \log_z x \,\! sendo z a base que substituirá e na análise anterior.

O que nos possibilita considerar que quando temos duas bases, sejam: a e b, podemos promover a troca das bases, de forma que:

\log_a x = \frac{\log_b x}{\log_b a} 

[editar] Derivadas

A derivada da função logarítmica com base diferente de e pode ser feita por substituição da base. Considerando f(x) = logax, temos que:

\log_a x = \frac{1}{\ln a} \cdot \ln x ,

f(x) = \frac{1}{\ln a} \cdot \ln x ,

logo:

f\ '(x) = \frac {d \left( \frac{1}{\ln a} \cdot \ln x \right)}{d x}

f\ '(x) = \frac{1}{\ln a} \cdot \frac {d (\ln x)}{d x}

f\ '(x) = \frac{1}{\ln a} \cdot \frac {1}{x}

Que nos dá a derivada:

f\ '(x) = \frac{1}{x \cdot \ln a} 

[editar] Trigonométricas I

A trigonometria, tal qual vista na matemática elementar, está relacionada com as relações métricas do triângulo retângulo e do ciclo trigonométrico, agora introduziremos o estudo infinitesimal das funções trigonométricas que são largamente utilizadas nas ciências exatas.

[editar] Conceitos básicos (Radianos)

Em um plano definido pelos eixos x e y podemos estabelecer coordenadas cartesianas para cada ponto, o que nos permite identificar cada um dos pontos em qualquer posição do plano, existe outra maneira de encontrar um ponto neste plano; se quisermos estabelecer uma relação triangular podemos determinar a posição de cada ponto no plano da seguinte forma:

Ficheiro:Ciclotrig.png

Figura 5

Imagine que cada ponto está numa distãncia R do ponto (0,0) em um plano cartesiano definido por pontos  (x,y) \,\!, da mesma forma a reta R, que é definida entre os pontos  (0,0) \to (x,y) \,\!, forma um ângulo com o eixo x, que chamaremos de \alpha \,\!, note que podemos identificar qualquer dos pontos no plano a partir de uma reta R e um ângulo  \alpha \,\!.

Observemos que R, quando fixa, é uma reta que determina um conjunto de pontos em torno do ponto (0,0) \,\!, se fizermos \alpha \,\! variar em todos os valores possiveis teremos uma circunferência. Quando fazemos o valor de R variar teremos diferentes valores de x e y, porém a relação entre eles sempre será a mesma.

Curiosamente, há uma relação entre o perímetro do círculo e o seu diâmetro, ela se apresenta constante qualquer que seja o raio do círculo; o resultado desta relação é um número transcedental chamado PI, representado pela letra grega de mesmo nome: \pi \,\!. Resgatando esta relação para a nossa análise podemos dizer que, se chamarmos o perímetro da circunferência, formada no gráfico, de  l \,\! e admitirmos um diâmetro de  2 R \,\!, então teremos:

\frac {l}{2 R} = \pi

Que resulta em:

l= 2 \pi R \,\!

Que é uma relação bastante esclarecedora, visto que nos mostra uma dependência linear entre o raio e o comprimento de um fio imaginário que pudesse ser usado para seguir o contorno da circunferência do gráfico. Se o raio for unitário teremos um valor de referência para l, que poderá ser usado para encontrar qualquer comprimento de circunferência no gráfico, bastando para isto multiplicá-lo pelo raio, este valor de referência está ligado à circunferência fechada. Por outro lado, se fizermos com que R se desloque de um ângulo nulo, ou seja, que saia do eixo x em direção a y, formando um ângulo \alpha \,\!, teremos pedaços de circunferência, que chamamos de arcos, considerando que temos um raio unitário e que percorremos um pedaço da circunferência para cada ângulo " \alpha \,\!" que tomamos, temos uma correspondência entre ângulo e arco, ou seja: podemos nos referir a arcos como unidades de ângulos, esta unidade angular é chamada de Radiano. Qualquer círculo forma 2 \pi \,\! radianos e todas as relações entre os pontos da circunferência que o contorna e os eixos cartesianos podem ser referenciadas como relações entre partes desta medida.

Como o radiano é uma medida real, isto nos leva a outra questão: O que determina o sinal negativo ou positivo neste valor?

Acontece uma variação destes valores quando nos deslocamos de um ponto a outro da circunferência, quando saimos do eixo x em direção ao ponto P_1 \,\! o ângulo cresce, portanto temos que concluir que é positivo, recuando-o de encontro ao eixo x os valores diminuem, portanto se ultrapassarmos o eixo x o valor deve ser menor que zero, nos revelando um ângulo negativo.

[editar] Seno e cosseno

Temos, portanto, uma circunferência dentro do plano cartesiano e seus pontos relacionados ao raio R e ao ângulo \alpha \,\!, são referenciados pelas variáveis x e y no mesmo plano, agora imaginemos funções para que seja possível a partir do raio e do ângulo encontrar as variáveis, estas funções são o seno e o cosseno.

A função seno, simbolizada como:

\ \mbox{sen} (\alpha) \,\!

Nos dá o valor da variável y, ou seja, a altura do ponto em relação ao zero referencial, no encontro dos eixos, conforme espelhada no eixo y, quando o raio R é unitário, caso não seja fazemos y=R \ \mbox{sen} (\alpha) \,\!.

A função cosseno, simbolizada como:

\cos(\alpha) \,\!

Nos dá o valor da variável x, ou seja, a distância do ponto em relação ao zero referencial, no encontro dos eixos, conforme espelhada no eixo xquando o raio R é unitário, caso não seja fazemos x=R \cos(\alpha) \,\!.

As funções seno e cosseno são periódicas, ou seja, pela natureza do ciclo trigonométrico, quando temos um valor em x maior que  2 \pi \,\! temos a representação de um ciclo completo mais um ângulo residual, na verdade o valor representa este ângulo residual, o que nos leva a constatação que sempre será calculado o valor do seno ou cosseno do resto da operação  \frac {x}{2 \pi} quando um ângulo maior que for sugerido para x.

Predefinição:Aviso

Alguns valores de senos e cossenos de certos arcos são perfeitamente dedutíveis através da observação do ciclo, são eles:

Senos e cossenos notáveis
Ângulo 0  \frac {\pi}{2} \,\!  {\pi} \,\!  \frac {3 \pi}{2} \,\!
 \ \mbox{sen} (x) 0 1 0 -1
 \cos(x) \,\! 1 0 -1 0

Observando o gráfico podemos também concluir que o sinal do seno é idêntico ao sinal do ângulo, enquanto que o cosseno não acompanha o sinal do ângulo, de forma que cossenos de ângulos negativos são iguais a cossenos dos valores absolutos dos ângulos, ou seja:

sendo a>0 \,\!,

\ \mbox{sen} (-a)=-\ \mbox{sen} (a) \,\!

enquanto que:

\cos(-a)=\cos(a) \,\!

Outros senos e cossenos podem ser obtidos pelas relações métricas no triângulo e são largamente utilizados, são:

Senos e cossenos mais comuns
Ângulo  \frac {\pi}{6}  \frac {\pi}{4}  \frac {\pi}{3}  \frac {2\pi}{3}  \frac {3\pi}{4}  \frac {5\pi}{6}  \frac {7\pi}{6}  \frac {5\pi}{4}  \frac {4\pi}{3}  \frac {5\pi}{3}  \frac {7\pi}{4}  \frac {11\pi}{6}
 \ \mbox{sen} (x) \frac{1}{2} \frac{\sqrt{2}}{2} \frac{\sqrt{3}}{2} \frac{\sqrt{3}}{2} \frac{\sqrt{2}}{2} \frac{1}{2} -\frac{1}{2} -\frac{\sqrt{2}}{2} -\frac{\sqrt{3}}{2} -\frac{\sqrt{3}}{2} -\frac{\sqrt{2}}{2} -\frac{1}{2}
 \cos(x) \,\! \frac{\sqrt{3}}{2} \frac{\sqrt{2}}{2} \frac{1}{2} -\frac{1}{2} -\frac{\sqrt{2}}{2} -\frac{\sqrt{3}}{2} -\frac{\sqrt{3}}{2} -\frac{\sqrt{2}}{2} -\frac{1}{2} \frac{1}{2} \frac{\sqrt{2}}{2} \frac{\sqrt{3}}{2}

[editar] Identidades (1)

As equações desta seção são conseqüência das características dos senos e cossenos, seu comportamento cíclico e sua relação com uma circunferência de raio unitário lhes conferem uma excelente operatividade, possibilitando-nos fácil intercâmbio entre as mesmas.

[editar] I-1 Identidade relacional básica

Seno e cosseno são relacionados pela equação:

sen^2 (a) + cos^2 (a) = 1 \,\!

Comprovação:

Observando o ciclo trigonométrico, temos um triângulo cujos catetos são: \ \mbox{sen} (a) e \cos(a) e sua hipotenusa é 1, portanto a identidade é conseqüente do conhecido teorema de Pitágoras.

[editar] I-2 Cosseno da soma

Sejam os ângulos a e b, o cosseno de sua soma é:

\cos(a+b) = \cos(a)\cos(b) - \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

Comprovação:

Nos pontos A e B do ciclo trigonométrico, temos os arcos para os ângulos a e b:

Ficheiro:Soma sen cos.png

Figura 6

A distância entre os pontos P e (A+B) é igual à distância entre -A e B, o quadrado das duas é:

[\cos(a+b)-1]^2 + sen^2 (a+b) = [\cos(b)-\cos(-a)]^2 + [\ \mbox{sen} (b)-\ \mbox{sen} (-a)]^2 \,\!

Da identidade básica:

cos^2 (a+b) - 2\cos(a+b) +1 + sen^2 (a+b) = cos^2 (b) - 2 \cos(-a)\cos(b) + cos^2 (-a)  + sen^2 (b)-2\ \mbox{sen} (-a)\ \mbox{sen} (b)+ sen^2 (-a) \,\!

cos^2 (a+b) - 2\cos(a+b) +1 + 1 - cos^2 (a+b) = cos^2 (b) - 2 \cos(-a)\cos(b) + cos^2 (-a)  + sen^2 (b)-2\ \mbox{sen} (-a)\ \mbox{sen} (b)+ sen^2 (-a) \,\!

- 2\cos(a+b) +1 + 1 = [cos^2 (b) + sen^2 (b)] - 2 \cos(-a)\cos(b) + [cos^2 (-a) + sen^2 (-a)] -2\ \mbox{sen} (-a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

- 2\cos(a+b) +2 = 1 - 2 \cos(-a)\cos(b) + 1 -2\ \mbox{sen} (-a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

- 2\cos(a+b) = - 2 \cos(-a)\cos(b) - 2\ \mbox{sen} (-a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

\cos(a+b) = \cos(-a)\cos(b) + \ \mbox{sen} (-a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

Como  \ \mbox{sen} (-a) = -\ \mbox{sen} (a) \,\! e \cos(-a)=\cos(a) \,\! :

\cos(a+b) = \cos(a)\cos(b) - \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

O que comprova a identidade.

[editar] I-3 Cosseno da diferença

Sejam os ângulos a e b, o cosseno de sua diferença é:

\cos(a-b)=\cos(a)\cos(b)+\ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

Comprovação:

Do cosseno da soma:

\cos(a+b) = \cos(a)\cos(b) - \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b) \,\!

Substituindo b por -b:

\cos(a+(-b)) = \cos(a)\cos(-b) - \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (-b) \,\!

\cos(a-b) = \cos(a)\cos(b) + \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)

O que comprova a identidade.

[editar] I-4 Equivalência angular

Se o ângulo a é \frac{\pi}{2} \,\! e b é x, então:

\cos \left(\frac{\pi}{2} - x \right) =  \cos \left(\frac{\pi}{2} \right) \cos(x) + \ \mbox{sen} \left(\frac{\pi}{2} \right) \ \mbox{sen} (x) \,\!

\cos \left(\frac{\pi}{2} - x \right) =  0 + 1 \cdot \ \mbox{sen} (x) \,\!

logo:

\cos \left(\frac{\pi}{2} - x \right) =  \ \mbox{sen} (x) \,\!

Por outro lado, se:

y = \left(\frac{\pi}{2} - x \right) \,\! e

x = \left(\frac{\pi}{2} - y \right) \,\!, obtemos:

\ \mbox{sen} \left(\frac{\pi}{2} - y \right) =  \cos(y) \,\!

[editar] I-5 Seno da soma

Sejam os ângulos a e b, o seno de sua soma é:

\ \mbox{sen} (a+b)=\ \mbox{sen} (a)\cos(b)+\ \mbox{sen} (b)\cos(a) \,\!

Comprovação:

Sendo \cos(a+b) = \cos(a)\cos(b) - \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b) e \cos \left[\frac{\pi}{2} - (a+b) \right] =  \ \mbox{sen} (a+b)  , temos:

\ \mbox{sen} (a+b) = \cos \left [\frac{\pi}{2} - (a+b) \right ]

\ \mbox{sen} (a+b) = \cos \left [\left(\frac{\pi}{2}-a \right) -b\right ]

\ \mbox{sen} (a+b) = \cos \left(\frac{\pi}{2}-a \right)\cos(b) + \ \mbox{sen} \left(\frac{\pi}{2}-a \right)\ \mbox{sen} (b)

\ \mbox{sen} (a+b)=\ \mbox{sen} (a)\cos(b)+\ \mbox{sen} (b)\cos(a) \,\!

O que comprova a identidade.

[editar] I-6 Seno da diferença

Sejam os ângulos a e b, o seno de sua diferença é:

\ \mbox{sen} (a-b)=\ \mbox{sen} (a)\cos(b)-\ \mbox{sen} (b)\cos(a) \,\!

Comprovação:

Se \ \mbox{sen} (a+b)=\ \mbox{sen} (a)\cos(b)+\ \mbox{sen} (b)\cos(a) \,\!,

Substituindo b por -b, temos:

\ \mbox{sen} (a-b)=\ \mbox{sen} (a)\cos(-b)+\ \mbox{sen} (-b)\cos(a) \,\!

e \ \mbox{sen} (-b)=-\ \mbox{sen} (b) \,\! enquanto que \cos(-b)=\cos(b) \,\!, logo:

\ \mbox{sen} (a-b)=\ \mbox{sen} (a)\cos(b)-\ \mbox{sen} (b)\cos(a) \,\!

O que comprova a identidade.

[editar] I-7 Múltiplo de dois senos

Sejam os ângulos a e b, o múltiplo de seus senos é:

 \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b) = \frac{1}{2} \cdot [\cos(a-b)+\cos(a+b)] \,\!

Comprovação:

Somando as equações das identidades da soma e diferença dos cossenos:

\frac{ \begin{matrix} \cos(a+b) & = &\ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)-\cos(a)\cos(b)\\
                                     & + & \\
                            \cos(a-b) & = &\ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)+\cos(a)\cos(b)\\ 
\end{matrix} }{ \begin{matrix}
                     \cos(a+b)+\cos(a-b)& = &2 \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)
\end{matrix}}

O que comprova a identidade.

[editar] I-8 Múltiplo de dois cossenos

Sejam os ângulos a e b, o múltiplo de seus cossenos é:

 \cos(a)\cos(b) = \frac{1}{2} \cdot [\cos(a-b)-\cos(a+b)] \,\!

Comprovação:

Subtraindo as equações das identidades da soma e diferença dos cossenos:

\frac{ \begin{matrix} \cos(a+b) & = &\ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)-\cos(a)\cos(b)\\
                                     & - & \\
                            \cos(a-b) & = &\ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)+\cos(a)\cos(b)\\ 
\end{matrix} }{ \begin{matrix}
                    \cos(a+b)-\cos(a-b)& = & -2 \ \mbox{sen} (a)\ \mbox{sen} (b)
\end{matrix}}

O que comprova a identidade.

[editar] I-9 Múltiplo de seno e cosseno

Sejam os ângulos a e b, o múltiplo do seno de a pelo cosseno de b é:

 \ \mbox{sen} (a)\cos(b) = \frac{1}{2} \cdot [\ \mbox{sen} (a+b)+\ \mbox{sen} (a-b)] 

Comprovação:

Somando as equações das identidades da soma e diferença dos senos:

\frac{ \begin{matrix} \ \mbox{sen} (a+b) & = & \ \mbox{sen} (a)\cos(b)+\cos(a)\ \mbox{sen} (b)\\
                                     & + & \\
                            \ \mbox{sen} (a-b) & = & \ \mbox{sen} (a)\cos(b)-\cos(a)\ \mbox{sen} (b)\\ 
\end{matrix} }{ \begin{matrix}
                    \ \mbox{sen} (a+b)+\ \mbox{sen} (a-b)& = &2 \ \mbox{sen} (a)\cos(b)
\end{matrix}}

O que comprova a identidade.

[editar] I-10 Soma de dois senos

Sejam os ângulos p e q, a soma dos senos de p e de q é:

 \ \mbox{sen} (p)+\ \mbox{sen} (q) = 2\ \mbox{sen} \left(\frac{p+q}{2} \right)\cos \left(\frac{p-q}{2} \right) 

Comprovação:

Podemos dizer que:

\frac{\left \{ \begin{matrix} a+b & = & p\\
                                      & + &  \\
                                  a-b & = & q 
\end{matrix}\right. }{ \begin{matrix} 
                           & & & 2a  & = & p+q\\
                                                \\
                                   a  & = & \frac{p+q}{2} &;& b  & = & \frac{p-q}{2}
\end{matrix}}

substituindo na identidade:


\begin{matrix}
\ \mbox{sen} (a+b)+\ \mbox{sen} (a-b)& = &2 \ \mbox{sen} (a)\cos(b)\\
\ \mbox{sen} (p) + \ \mbox{sen} (q)  & = &2 \ \mbox{sen} \left(\frac{p+q}{2} \right) \cos \left(\frac{p-q}{2}\right)
\end{matrix}

O que comprova a identidade.

[editar] I-11 Soma de dois cossenos

Sejam os ângulos p e q, a soma dos cossenos de p e de q é:

 \cos(p)+\cos(q) = 2\cos \left(\frac{p+q}{2} \right)\cos \left(\frac{p-q}{2}\right) 

Comprovação:

Seguindo a analogia anterior:


\begin{matrix}
\cos(a+b)+\cos(a-b)& = &2 \cos(a)\cos(b)\\
\cos(p) + \cos(q)  & = &2 \cos \left(\frac{p+q}{2} \right) \cos \left(\frac{p-q}{2}\right)
\end{matrix}

O que comprova a identidade.

[editar] I-12 Diferença de dois senos

Sejam os ângulos p e q, a diferença dos senos de p e de q é:

 \ \mbox{sen} (p)-\ \mbox{sen} (q) = 2\cos \left(\frac{p+q}{2}\right)\ \mbox{sen} \left(\frac{p-q}{2}\right) 

Comprovação:

substituindo q por -q em:


\begin{matrix}
\ \mbox{sen} (p) + \ \mbox{sen} (q)  & = &2 \ \mbox{sen} \left(\frac{p+q}{2} \right) \cos \left(\frac{p-q}{2}\right)\\
\ \mbox{sen} (p) + \ \mbox{sen} (-q)  & = &2 \ \mbox{sen} \left(\frac{p-q}{2} \right) \cos \left(\frac{p+q}{2}\right)
\end{matrix}

O que comprova a identidade.

[editar] I-13 Diferença de dois cossenos

Sejam os ângulos p e q, a diferença dos cossenos de p e de q é:

 \cos(p)-\cos(q) = -2\cos \left(\frac{p+q}{2}\right)\cos \left(\frac{p-q}{2} \right) 

Comprovação:

substituimos q e q, por \frac{p+q}{2} e \frac{p-q}{2} em:


\begin{matrix}
\cos(a-b)-\cos(a+b) & = &2\cos(a)\cos(b)\\
\cos(q) - \cos(p)  & = &2 \cos \left(\frac{p+q}{2} \right) \cos \left(\frac{p-q}{2}\right)\\
\cos(p) - \cos(q)  & = &-2 \cos \left(\frac{p+q}{2} \right) \cos \left(\frac{p-q}{2}\right)
\end{matrix}

O que comprova a identidade.

[editar] Limíte trigonométrico fundamental

Precisaremos de um limite fundamental nas próximas seções, se trata de um limite que é utilizado na dedução das derivadas do seno e do cosseno, faremos sua dedução nesta seção. Considere o ciclo trigonométrico representado a seguir:

Ficheiro:Limite sen.png

Figura 7

A figura 7 mostra a representação de um ângulo  \alpha \,\! no ciclo trigonométrico, o nosso propósito é deduzir o seguinte limite:

 \lim_{\alpha \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (\alpha)}{\alpha} 

Para isto, imagine o triângulo inscrito na circunferência, podemos dizer que o segmento de reta n é uma aproximação grosseira do arco \alpha \,\!, porém observe que quando o ângulo se aproxima de zero o segmento se torna mais parecido com o respectivo ângulo, algébricamente podemos expressar que:

\lim_{\alpha \to 0} \frac{1}{\alpha} =\lim_{n \to 0} \frac {1}{n}

Por outro lado façamos o cálculo do valor do n; observando o triângulo podemos dizer que:

n^2 = sen^2 (\alpha) + [1-\cos(\alpha)]^2 \,\!

n^2 = 2[1-\cos(\alpha)] \,\!

Logo:

 cos (\alpha) = \left (1-\frac{n^2}{2}\right)

 1 - sen^2 (\alpha) = \left (1-\frac{n^2}{2}\right)^2

Simplificando temos:

\ \mbox{sen} (\alpha) = n \left [1 - \frac{n^2}{4} \right]^{\frac{1}{2}}

Voltando para o nosso limite, temos que usar as nossas equações anteriores desta forma:

\left[\lim_{\alpha \to 0} \frac{1}{\alpha} =\lim_{n \to 0} \frac {1}{n} \right] \cdot \ \mbox{sen} (\alpha) \,\!

\lim_{\alpha \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (\alpha)}{\alpha} =\lim_{n \to 0} \frac {\ \mbox{sen} (\alpha)}{n}

Substituindo o valor do seno no lado da equação relaciondado ao n, teremos:

\lim_{\alpha \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (\alpha)}{\alpha} =\lim_{n \to 0} \left[1-\frac {n^2}{4}\right]^{\frac{1}{2}}

O que nos leva ao resultado:

\lim_{\alpha \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (\alpha)}{\alpha} = 1 

A interpretação desse limite é a seguinte:

Uma vez que o ângulo diminui até valores próximos de zero e o arco tende a se assemelhar a uma reta em regiões próximas do zero, o valor do seno é igual ao valor do arco no limite, quando o seu valor se aproxima de ser nulo.

[editar] Derivada do seno

Agora podemos verificar qual a variação da função seno em relação ao seu ângulo, aplicando a definição da derivada ao seno, temos:

f(x)=\ \mbox{sen} (x) \,\!

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (x+h)-\ \mbox{sen} (x)}{h}

Aplicando o seno da soma:

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (x)\cos(h)+\ \mbox{sen} (h)\cos(x)-\ \mbox{sen} (x)}{h}

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (x)\cos(h)}{h}+\lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (h)\cos(x)}{h}-\lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (x)}{h}

Aplicando os limites:

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (h)}{h}\cos(x)

Temos, então, o limite fundamental que é igual a 1, logo:

f\ '(x) = \cos(x) \,\!

[editar] Derivada do cosseno

Também podemos verificar qual a variação da função cosseno em relação ao seu ângulo, aplicando a definição da derivada ao cosseno, temos:

f(x)=\cos(x) \,\!

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\cos(x+h)-\cos(x)}{h}

Aplicando o seno da soma:

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\cos(x)\cos(h)-\ \mbox{sen} (x)\ \mbox{sen} (h)-\cos(x)}{h}

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} \frac{\cos(x)\cos(h)}{h}-\lim_{h \to 0} \frac{\ \mbox{sen} (x)\ \mbox{sen} (h)}{h}-\lim_{h \to 0} \frac{\cos(x)}{h}

Aplicando os limites:

f\ '(x) = \lim_{h \to 0} -\frac{\ \mbox{sen} (h)}{h}\ \mbox{sen} (x)

Novamente temos o limite fundamental, logo:

f\ '(x) = -\ \mbox{sen} (x) \,\!

[editar] Integral do seno

Como conseqüência do resultado da derivada do seno, podemos deduzir que a sua integral, como operação inversa é:

\int \ \mbox{sen} (x) dx = -\cos(x) + C 

Cuja constante C é a constante devido a indefinição no processo de antidiferenciação, conforme já estudamos anteriormente.

[editar] Integral do cosseno

Segundo o mesmo princípio colocado no caso da integral do seno, podemos afirmar que a operação de integração do cosseno é definida por:

\int \cos(x) dx = \ \mbox{sen} (x) + C 

Cuja constante C é a constante devido a indefinição no processo de antidiferenciação