Educação, Direitos Humanos e Tecnologias/Oficina Baixo Centro

Fonte: Wikiversidade
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Chama-se Baixo Centro a um movimento plural que tem como lema: "as ruas são para dançar", e que propõe a ocupação dos espaços públicos pelas pessoas, de forma criativa, divertida e independente.

Pautado numa política do cotidiano, organiza-se através da agência individual para constituição de ações coletivas, sem dinheiro de instituições, empresas ou governos.

Convocamos os membros do movimento para pensarem uma oficina que provocasse os participantes do curso a repensar sua forma e possibilidades de atuação sobre o território e a população.

Barbara e Mauricio, nosso convidados, realizaram uma oficina bastante interativa, desafiando os participantes a se imaginarem um grupo, coletivo ou o que for, determinado a planejar uma ação num espaço.

Na primeira etapa, os participantes juntos determinaram o tema, o período e o local da ação. Definidos estes, foram apresentados a um conjunto de princípios que regiriam os demais passos do planejamento da atividade, que deveria ocorrer:

  • sem financiamento de editais, governos, empresas ou outras instituições
  • sem a autorização dos órgãos públicos
  • de forma horizontal e livre, com resultados copyleft

E, além disso, coloriu-se o cenário com a presença de uma escola, um posto de saúde, policiais e usuários de drogas, exigindo que o processo de construção e o próprio evento envolvessem de forma significativa todos esses grupos.

A partir daí, os participantes foram levados a concluir a necessidade de dividir-se em grupos, com cada grupo de trabalho tratando uma questão: programação, comunicação, financiamento e articulação.

Nesse momento surgiram repetidos questionamentos sobre a falta de um foco, da dificuldade de pensar os diferentes aspectos sem uma definição do objetivo final. Mas Barbara e Mauricio os estimularam a seguir a despeito disso e confiarem no que estavam fazendo.

Houve, com isso, um momento em que os grupos se reuniram todos para melhorar a sintonia, antes de voltarem a separar-se para concluir suas tarefas.

Por fim, cada grupo apresentou seu plano, suas ideias para atender cada necessidade de sua responsabilidade, aos poucos esclarecendo para todos como as peças encaixavam-se.

Uma das últimas coisas discutidas foi o nome da ação, quando levantou-se que se tratava de um tipo de "meia-virada" para mobilidade.

O ponto crucial que a oficina evidenciou foi o valor de um movimento como esse não ter foco, mas ter um aprofundamento no, e do, processo.

As grandes transformações que a ideia sofreu ao longo do planejamento, tanto para adequar-se aos princípios como às circunstâncias, e também aos interesses dos participantes que evoluiu com o entendimento, deixaram claro que a abertura e indeterminação dos fins era vital para seu sucesso.

Um processo de transformação que produza agência civil precisa reverberar com a natureza do cotidiano, do espontâneo, do não instrumental. Exige negar a mercantilização da atenção e do acesso dos envolvidos. Assim, não pode prescindir da recombinação, da colaboração, da construção livre, sem focos que cerquem possibilidades, ao invés com um processo inclusivo e multiplicador que as represente e potencialize.