Educação Aberta/Mulheres que inspiram

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Este trabalho foi concebido por quatro mulheres, estudantes de graduação da Universidade de Brasília no decorrer do segundo semestre de 2019. A ideia surgiu através da leitura do texto Eu programo, tu programas, elx hackea: mulheres hackers e perspectivas tecnopolíticas e do interesse em dar visibilidade a mulheres que atuam na área de software livre e educação aberta. Software livre (Software Livre, o código da revolução) são programas de computador que podem ser executados, copiados, modificados e redistribuídos abertamente. Os(as) usuários(as) possuem livre acesso ao código-fonte do software e podem fazer alterações conforme as suas necessidades.

Nas entrevistas, elas nos contam um pouco sobre seu trabalho, sua trajetória e a representatividade das mulheres nesse meio.

Carla Rocha - LAPPIS[editar | editar código-fonte]

Carla Rocha é professora do curso Engenharia de Software da Universidade de Brasília, campus Gama. Formada em engenharia mecatrônica e doutora na área de computação e robótica. Atual coordenadora do laboratório LAPPIS, laboratório de pesquisa e inovação em engenharia de software, que trabalha sempre com software livre.

Vídeo[editar | editar código-fonte]

Mulheres que inspiram - Carla Rocha

Transcrição da entrevista[editar | editar código-fonte]

Oi, eu sou a Carla Rocha sou professora da Universidade de Brasília do curso Engenharia de Software lá do campus da FGA do Gama. A minha formação foi também aqui na Universidade de Brasília, eu sou formada em engenharia mecatrônica aqui na UnB depois fui fazer doutorado na França na área mais de computação e robótica, depois voltei para engenharia de software. Eu coordeno o laboratório LAPPIS que é um laboratório de pesquisa e inovação em engenharia de software lá na FGA, mas a gente trabalha sempre com Software Livre, então qualquer ferramenta que a gente venha desenvolver ou venha utilizar são todas as licenças abertas e licenças livres e eu uso também como instrumento pedagógico em sala de aula para ensinar Projeto de Software, porque a comunidade de software livre é hoje uma das grandes comunidades do mundo de metodologia avançada então é uma forma, por exemplo, do aluno em sala de aula comunicar ou trabalhar de forma parecida do cara da Gol, o cara do Facebook, engenheiros de software do mundo inteiro, aprender como eles se comunicam ou onde eles trabalham. Então a gente acaba utilizando também como ferramenta pedagógica dentro do curso de software.

Na Mecatrônica você está desenvolvendo teoricamente robôs, mas grande parte do tempo você está desenvolvendo software para controlar o comportamento de máquinas então eu sempre tive essa vivência prática de desenvolvimento de software, eu não tenho formação teórica na parte de engenharia de software, mas eu tenho um trabalho prático tanto na  graduação quanto no doutorado que também a grande parte era desenvolver algoritmos e depois eu trabalhei um ano no mercado como engenheira de software, mas na área aeroespacial.

Então, o interessante é que na engenharia de software é que tem muita pouca mulher. Os dados na Universidade de Brasília na engenharia tem a porcentagem de mulher e homem muito discrepante Quando eu fiz das 40 pessoas que entraram 2 eram mulheres. Hoje na FGA que é um Campus considerado um pouco mais diverso em relação a homem e mulher, a proporção é 20% e 80%, então dos alunos que entram, hoje estamos falando no universo de 2500 alunos somente 20% são mulheres e dentro da engenharia de software ainda é pior a nossa estatística é de 10%, então a cada 10 pessoas que entram apenas uma é mulher. No mercado de trabalho já vem essa discussão há bastante tempo falando dessa disparidade que é ruim para o negócio, é ruim para o software, porque o software ele é essencialmente uma atividade criativa, você precisa tomar decisões que vai resolver o problema do usuário e os usuários do mundo 50% deles são  mulheres então tem essa necessidade de ter mulheres na linha de frente do desenvolvimento tomando decisões técnicas da engenharia de software.

Agora tá um momento super propício  para mulheres que têm interesse na área da tecnológica. Dentro da engenharia de software há interesse de vários perfis desde a gerência de projetos, de programação, de teste, de usabilidade, de experiência de usuário. Então qualquer perfil de mulheres que têm interesse na área tecnológica, a Engenharia de software é um excelente curso. As empresas no mundo e no Brasil tem tido iniciativas ativas para a contratação de mulheres,  existem vários processos seletivos de grandes empresas que estão contratando exclusivamente mulheres para tentar suprir esse guepe, então está um momento de oportunidade enorme muito bom para mulheres. Dentro da área de software está tendo grandes mudanças para o dado, então enquanto a década de 90 estava-se desenvolvendo aplicativos web, hoje a gente está trabalhando com software que são aprendizados de máquinas, então você ensina um comportamento para o software e ele  vai replicar aquele comportamento, que são os algarismos de aprendizado de máquina, e por que é importante ter uma presença feminina? Para não criar vias, uma notícia que saiu essa semana, por exemplo, é o cartão da Apple que foi feito por engenheiros, é um problema técnico, mas ele usa os dados dos usuários para tomar decisões e foi visto que essas decisões eram machistas, o caso era um casal que tem a mesma entrada de dinheiro, eles tinham uma conta conjunta e no final das contas o homem tinha 20 vezes mais crédito que a mulher dentro do mesmo problema, então isso é um problema de software, e é um problema porque não teve uma mulher de base fazendo esse trabalho técnico, então quando o resultado teve vias não foi observado pela empresa e acabou impactando o consumidor, então tem essa demanda  urgente de mulheres, principalmente nessa área de aprendizado de máquina.

Eu já tive que passar várias noites no laboratório, já participei de uma situação onde um robô fazia cirurgia cardíaca em um porco e eu sabia que eu era a pessoa que não podia passar mal vendo a cirurgia com aquele cheiro de pele queimada, porque se eu passasse mal era porque era mulher agora se qualquer outra pessoa passasse mal era porque era uma cena atípica, então existem diversas situações que a mulher é exposta nesse meio que ainda é um pouco opressor como um ambiente de trabalho para a mulher, mas está melhorando.

Na área acadêmica aqui na UnB tem a Flávia Guerra que é professora da Engenharia Mecatrônica, é uma das professoras que ela é extremamente técnica  e geralmente dentro dessa área de engenharia de software historicamente as mulheres trabalham mais na área de atender o requisito, falar com cliente, na área de negócio mas na área realmente técnica tem menos mulheres, eu tive a oportunidade de ter aula com a Flávia no meu quinto semestre, então eu consegui me ver naquela posição, que é aonde estou e que era a posição que ela estava naquele momento, então é importante ter essa representatividade para você conseguir se ver naquela posição. É super importante, para mulheres que têm interesse nas áreas de tecnologias, a colaboração e isso que é legal da comunidade de software livre, de comunidades abertas e inovação aberta, porque é uma área essencialmente colaborativa, o software é uma disciplina coletiva então são pessoas que se unem para resolver um problema de forma criativa usando aparatos  tecnológicos, então para as mulheres quem quiser entrar procure um grupo, tem grupos no Brasil e no mundo inteiro para acolher independente do teu perfil de interesse, a gente tem a Pyladies que é uma comunidade de mulheres que vão desenvolver em Python, tem vários coletivos femininos que são da área da tecnologia e que o interesse delas é se apoiarem é fazer a transferência de tecnologia, então tem workshop orientados só para mulheres, tem mercado de trabalho, igual a gente tá vendo neste momento, que é de contratação em massa feminina então se tiver um homem e uma mulher para ser contratado muitas empresas estão optando para mulher afim de fazer essa igualdade dentro do mercado. Dentro da área de jogos é uma super oportunidade porque precisa de um perfil muito amplo e hoje é a área do mercado que tem menos mulheres, logo eu vejo como oportunidade. Então, entre na universidade procure uma comunidade de apoio, que tem muito hoje, dentro dessa área técnica de mulheres.

A gente sempre tem essa preocupação no laboratório de sempre está tentando equilibrar a relação de homem e mulher, a gente passou por essa dificuldade de ter uma só mulher apesar de eu ser professora a gente chegou um momento de ter só uma aluna e ela não queria trabalhar no laboratório e eu via sempre ela tentando ser do laboratório  mesmo tendo uma professora mulher, então a gente fez um trabalho de tentar equalizar isso dentro do laboratório e dar o exemplo, mostrar como é benéfico para o produto final que está sendo desenvolvido.

Daniela Auriema - Calango Hacker Club[editar | editar código-fonte]

Daniela Auriema é formada em engenharia de computação, com pós graduação em engenharia de Software e atual funcionária do centro de tecnologia do Banco do Brasil. Também é membra do Calango Hacker Club, um espaço aberto para troca de experiências sobre tecnologia, e possui um site pessoal de projetos que desenvolve na área da tecnologia.

Audio[editar | editar código-fonte]

Mulheres que inspiram - Daniela Auriema

Transcrição da entrevista[editar | editar código-fonte]

Qual o seu nome? a sua formação? e onde você trabalha atualmente?

  • Meu nome é Daniela Auriema, sou formada em engenharia de computação, tenho pós graduação em engenharia de Software e atualmente eu trabalho no centro de tecnologia do Banco do Brasil.

E como você acha que seu trabalho pode se envolver com educação aberta?

  • O meu trabalho em si não envolve muito, eu trabalho em uma área muito regulada que é o setor bancário, então é uma área muito fechada, em questão de sigilo. Mas eu participo de iniciativas fora do banco no Calango é o Calango Hacker Club, que é um espaço de compartilhamento de informação, então tanto da área de tecnologia, quanto da área de hardware é o pessoal compartilha bastante. Eu tenho também um site pessoal que eu divulgo alguns projetos que eu desenvolvo de tecnologia. Tipo um blog.

Ah que legal.

  • É...

O Calango, você pode dar um resumo de como é o Calango? Qual o objetivo?

  • O Calango é um Hacker Club, que é um espaço colaborativo, é uma sala que tem alguns equipamentos de uso compartilhado, como ferro de solda, alguns componentes eletrônicos e as pessoas podem ir lá e utilizar esses equipamentos para desenvolver projetos pessoais. Ele é voltado para pessoas que são “ Maker’s” que são pessoas que gostam de fazer, eu participe  dos grupos de arguir que é um circuito eletrônico embarcado, e lá as pessoas compartilham experiências, sobre tipo um ensina o outro a programar o equipamento, como ligar os componentes as interfaces. Ele é um espaço colaborativo de tecnologia, assim tem várias..

Como é a presença feminina no Calango?

  • Ela é bem pequena, assim a maioria dos participantes são homens, eu conheci através de um amigo que a esposa dele também participa, que é a outra Dani, como eu ia mais do arduino que é sobre hardware é a maior parte da participação é masculina, para esse tipo de evento, eles também fazem alguns eventos do PyLadies, voltado para programação em python (Python é uma linguagem de programação de alto nível, de script, imperativa, orientada a objetos, interpretada e amplamente utilizada. Nota das criadoras) que tem uma participação maior feminina, que é um evento mais específico para mulher, mas eu nunca consegui participar desse evento por questão de agenda.

Aham, mas assim você acha que tem alguma diferença no tratamento pra mulheres e pra homens nessa área? ou não?

  • Assim o Calango ele é um espaço bem, acolhedor assim, lá eu não sinto assim, que há diferença entre homens e mulheres é um espaço que é bem democrático. No mercado de trabalho em si eu acho que ainda é um pouco machista, por exemplo onde eu trabalho as pessoas a maioria são homens, que é uma área de tecnologia,  e eu, vim de um curso de engenharia de computação onde a maioria das pessoas são homens, né e eu também sou do interior de São Paulo, então nessa área de engenharia eu sempre senti que tem muito, é um pouco mais difícil pra mulher entrar né. Até tinha uma colega que foi tentar fazer estágio em uma usina de cana de açúcar e aí o rapaz falou assim “ Se você fosse homem eu te contrataria, porque é um lugar que tem muito peão.” Então assim, eu acho que na prática algumas áreas ainda há um pouco de preconceito.

Como você se interessou por essa área? Como ela te atraiu?

  • Olha a minha história é um pouco diferente, assim eu comecei a me interessar através do meu avô que era técnico de eletrônica, ele mexia com a manutenção de rádio na época de válvula, então eu aprendi assim. Eu via ele mexendo nos equipamentos que ele consertava e acabei me interessando, aí logo depois no final do colegial, comecei a fazer um curso técnico de informática, que é da área de programação, mas sempre gostei um pouco da parte do hardware então, acabei fazendo a faculdade de engenharia de computação, que é uma área que mistura bastante o hardware com o software, no meu interesse, através do meu avô basicamente.

Como as mulheres podem se envolver mais nessa área? Assim como você disse tem uma resistência a figura feminina ainda no meio tecnológico.

  • Acho que o maior problema é assim, desde a primeira infância as mulheres, são dadas a elas um papel de cuidarem de bonecas, dada a elas o papel de cuidar das coisas né, não de construir. Então geralmente os meninos acabam tendo mais estímulo, de brinquedos para montar, um robô por exemplo  você daria pro seu filho, mas muitas pessoas não dariam pra sua filha, porque não é um brinquedo que é voltado para mulheres, então eu acho que o estímulo para essa área de exatas, para área de construção teria que começar mais cedo, primeiro né. Principalmente o lego ele tem bastante coisa interessante que ao meu ver seria tanto para meninos, quanto para meninas. Então tem lego de uma série de robótica que eu acho que é bem interessante o próprio Arduíno só que as pessoas acabam vendo isso como brinquedo de menino.  Então acho que isso daí acaba sendo um pouco de entralhas, na parte do hardware, na área do software tá avançando mais, já tem bastante coisas, bastante mulheres trabalhando na área, mas até acho que o estímulo desde de criança se a menina for estimulada a criar programas, criar jogos, é desde adolescente acho que facilita bastante o egresso depois no mercado de trabalho, na faculdade.

Alguma mulher te inspirou a seguir essa carreira? Você seguiu algum exemplo? alguma amiga? alguma professora?

  • O estímulo inicial foi por parte do meu avô, minha mãe sempre, minha mãe minha vó sempre me apoiou bastante nessa área, em termos de empreendedorismo uma pessoa que eu gosto atualmente é a Bel Pesce que é escritora do livro A menina do vale, que é uma pessoa que trabalhou em empresas multinacionais no Vale do Silício.  Então trabalhou no Google, pras grandes empresas e ela escreveu o livro chamado A menina do vale, então assim eu acho que é possível que as meninas, mulheres tenham cargos em grandes empresas de exemplo assim eu citaria ela.

Por que você acha que essa área de software é tão importante? Seja para educação seja fortalecer a área de tecnologia no Brasil.

  • O cenário do mercado de trabalho, ele tem mudado bastante então assim, sempre dizem que daqui a 10 anos vão ter novas profissões e muitas profissões vão deixar de existir, então por exemplo, caixa de supermercado, gente que trabalha com cobrança de pedágio talvez todos esses serviços possam ser automatizados, e aí as pessoas vão acabar fazendo trabalhos mais intelectuais que são desenvolver, esses sistemas, dá suporte pra esses equipamentos e tanto na área de comércio quanto na própria área de indústria. Então eu acho que todo mundo tem que se capacitar para esse novo mercado de trabalho, e as mulheres acabam ficando assim, um pouco menos inseridas, por essa questão cultural. Desde a primeira infância elas são educadas para cuidar né então elas são criadas para ser, os pais querem que elas sejam professoras, que elas sejam enfermeiras,  que elas sejam dentistas e não tem, eu não vejo, muito esse incentivo para a minha filha vai ser engenheira, quando a criança é pequena não tem muito esse incentivo né. Então eu acho que seria importante porque no futuro a maioria das profissões vão estar ligadas a tecnologia, então é importante incentivar desde o começo isso.

Roteiro de perguntas[editar | editar código-fonte]

  1. Apresentação da entrevistada: seu nome, formação e onde ela trabalha atualmente e como seu trabalho se envolve com educação aberta.
  2. Resumo da atividade que ela realiza.
  3. Como e por que ela se interessou pela área?
  4. Quais as dificuldades que ela enxerga na área por ser mulher?
  5. Como as mulheres podem se envolver mais em áreas como esta?
  6. Qual a importância da mulher nesta área?
  7. Como incentivar jovens mulheres a ingressarem na área?
  8. Alguma mulher te inspirou a seguir essa carreira?
  9. Considerações finais: a importância da educação aberta para a sociedade e a área na qual a entrevistada trabalha.

Criadoras[editar | editar código-fonte]

Amanita

Brenda

Rafaela Santos

Thayná Porto