Educação Aberta/Netflix

Fonte: Wikiversidade
Infográfico sobre o Netflix

A Netflix é um serviço de transmissão de séries, filmes e documentários que podem ser assistidos (caso estejam no catálogo) após a realização de uma assinatura, através de um dispositivo conectado à internet, o que inclui Smart TVs, celulares, tablets, aparelhos de streaming, videogames, decodificadores e computadores.[1] O acesso ao conteúdo é ilimitado, ou seja, você pode assistir quantas horas de programação quiser.

Introdução[editar | editar código-fonte]

A Netflix oferece um mês gratuito para aqueles que desejam experimentar a plataforma,[2] sendo possível aderir posteriormente a uma das três opções de planos mensais. O plano básico, que custa atualmente R$21,90, permite acesso à transmissão para um usuário por vez, não suporta qualidade HD, somente SD, e permite downloads de determinadas mídias somente em um aparelho.[3][4]

O plano padrão, que custa atualmente R$32,90, suporta qualidade HD, transmite os conteúdos em dois dispositivos simultaneamente (dá para dividir a conta com alguém, se quiser) e permite downloads em dois aparelhos. E o plano premium, que possui o maior custo, de R$45,90 atualmente, têm qualidade HD e Ultra HD, sendo considerado ideal para famílias por permitir quatro transmissões simultâneas, e downloads em quatro dispositivos diferentes.[3][4]

Em abril de 2018, a Netflix contava com 125 milhões de assinantes no mundo todo, 7,41 milhões a mais do que em janeiro do mesmo ano, quando analistas esperavam um crescimento limitado a 6,3 milhões. Desse total, 119 milhões eram pagos e 6 milhões correspondiam a pessoas que estavam em período de teste do serviço, que durante o primeiro mês de uso é gratuito. Dos 125 milhões de assinantes, 68,3 milhões viviam fora dos Estados Unidos, e dos 7,41 milhões novos assinantes, apenas 1,96 milhão viviam no país onde o serviço está baseado.[5]

Cada país tem seu próprio conteúdo. Desta forma, a Netflix possui 247 catálogos (diferentes em grande parte uns dos outros) para atender seus mais de 190 países. Em 2016, por exemplo, o Brasil tinha pouco mais de 3.500 títulos, estando na frente do Canadá e de qualquer país da Europa.[6]

Seus fundadores são: Marc Randolph, cofundador e primeiro CEO da Netflix e Reed Hastings, cofundador e atual CEO da empresa.[7]

O que faz[editar | editar código-fonte]

Segundo o site oficial da marca, “com a Netflix, você tem acesso ilimitado ao conteúdo, sempre sem comerciais. Aqui você sempre encontra novidades. A cada mês, adicionamos novas séries de TV e filmes”.[8] O trecho destacado, gera indícios de como a empresa estrutura seu modelo de negócios. O acesso sem restrições, a disponibilização contínua de conteúdos e a extinção de comerciais durante a reprodução dos materiais audiovisuais, apesar do teor positivo empregado no discurso da companhia, carrega diversas desvantagens ligadas à privacidade e segurança de dados. Mas antes de elencá-las, é preciso contextualizar o funcionamento dos processos adotados.

A Netflix pode ser considerada uma plataforma, por integrar três dimensões, de ordem computacional, arquitetural e figurativa. O que significa que ela possui uma estrutura que a permite operar em diferentes hardwares e softwares, reconhecendo as ações de usuários e operações de sistemas regidos por algoritmos, condicionando ações de comunicação, interação e comercialização. Essas características apresentadas, permitem que através da plataforma, os dados dos usuários sejam gerenciados pela empresa, sendo armazenados, organizados e redistribuídos.[9]

Desta forma, os dados são coletados a partir das contas disponibilizadas, para que a Netflix tenha uma forma de controle de usuários, por meio do estudo do perfil de cada um.

Porque coleta dados[editar | editar código-fonte]

A Netflix conhece os perfis de seus clientes e reconhece os dispositivos que usa para se conectar à internet: modelo e marca de televisão, smartphone ou tablet que usa em cada ocasião, navegador de internet e endereço IP de seu terminal. Também sabe as palavras que escreve no buscador do serviço para acessar as séries e os filmes oferecidos quando aciona a busca (e também quando não aciona). Sabe ainda seu histórico de buscas, os produtos que mais gosta, as notas que dá a cada produção e, claro, como paga pelos serviços. Possui um registro do número de horas de conteúdo audiovisual que viu desde a abertura da conta, quantos programas e séries consumiu e quanto pagou.[10]

Em 2015, a companhia tornou pública uma estatística que mostra o momento exato em que os usuários se "engancham" a alguma série. É o chamado "episódio gancho". Ou seja, a partir de poucos dados pessoais, como nome, e-mail e dados para faturamento, somam-se os metadados gerados pela navegação e a gigante do entretenimento é capaz de construir um perfil comercial que define os usuários em diferentes categorias de hábitos de consumo e interesses.[10]

Com o monitoramento de comportamentos e tendências dos usuários da plataforma, em uma constante coleta de dados pessoais, que contribuem para o deciframento de hábitos e mapeamento das ações dos clientes, a empresa sustenta suas tomadas de decisões.[9][11]

Como funciona[editar | editar código-fonte]

Assinaturas[editar | editar código-fonte]

É claro que aquele dinheirinho que pagamos todo mês para a Netflix faz parte da sua receita, mas não banca todas as produções, direitos autorais entre outros gastos, sozinho.[12] A complementação do faturamento, ocorre quando o usuário concorda em se submeter a um ambiente fechado e controlado (visto o cadastro com e-mail e senha), no qual a inscrição implica na inteira concordância dos termos e políticas de uso, impostos pela companhia sem possibilidade de acordo entre usuário e empresa. Caracterizados pela falta de transparência e clareza sobre como, para que e até quando os dados serão utilizados e armazenados, estes termos são frequentemente atualizados, dificultando a compreensão dos clientes e permitindo que a Netflix opere seus lucros através de um banco de dados inesgotável.[9][11]

Hoje, no total, o serviço já tem mais de 104 milhões de assinantes em 190 países, e ainda tem muito para expandir pois ainda não está presente em países como a China. Segundo pesquisas, em 2018, o serviço de streaming lucrava mais do que emissoras nacionais como o SBT.[12]

Marketing indireto[editar | editar código-fonte]

Esse ponto é muito simples, conhecido como product placement. Se você vê a marca de um produto dentro de uma série, filme, novela, game ou até mesmo no post daquele "digital influencer", pode ter certeza que ela não está lá de graça. Na maioria das vezes, quando é feito da maneira certa, você não repara conscientemente que aquela marca está ali, mas ela tem presença no seu dia a dia e isso é muito relevante para o fortalecimento do branding. Com a Netflix é claro, esse tipo de investimento é feito nas suas séries originais. Essa estratégia também é um dos motivos da companhia investir mais em conteúdos originais, pois além de trazer novos assinantes eles também trazem mais dinheiro para a empresa.[12]

Recomendações algorítmicas[editar | editar código-fonte]

Algoritmos são um conjunto de comandos (protocolos) que servem de base para um sistema computacional, como a plataforma da Netflix. Eles auxiliam na resolução de problemas, realização de tarefas, reconhecimento e produção de informações.[9]

Com os algoritmos, os rastros digitais produzidos pelos usuários do serviço são mapeados (o que foi assistido, pesquisado e classificado) e cruzados com as informações coletadas de outros clientes que possuem um gosto semelhante, a fim de gerar recomendações cada vez mais precisas. Eles também destacam, excluem ou tornam pouco visíveis as produções presentes no catálogo, para que os usuários não queiram sair da plataforma.[9][11]

Além de indicar conteúdos cada vez mais parecidos, o que contribui para uma homogeneização de pensamento, contrária ao pluralismo e à diversidade de ideias, a Netflix utiliza essas recomendações algorítmicas para interpretar hábitos culturais e consequentemente produzir conteúdos exclusivos.[9]

Alternativa[editar | editar código-fonte]

Libreflix - https://libreflix.org/

Créditos[editar | editar código-fonte]

Ana Karla de Araújo Costa

Vanessa de Araújo Silva

Yasmin Aparecida da Trindade Pereira

Isabela Ribeiro de Carvalho

Gabriela Cunha Miguel

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Netflix Supported Devices | Watch Netflix on your phone, TV or favorite device. Disponível em: <https://devices.netflix.com/en/>. Acesso em: 30 out. 2020.
  2. Como funciona a Netflix? Conheça mais sobre a plataforma! Disponível em: <https://www.minhaconexao.com.br/blog/como-funciona-a-netflix/>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  3. 3,0 3,1 Netflix: quanto custa e como assinar | Blog Próximo Capítulo. Próximo Capítulo. Disponível em: <https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/netflix-como-assinar/>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  4. 4,0 4,1 Plans and Pricing. Centro de ajuda. Disponível em: <https://help.netflix.com/pt/node/24926>. Acesso em: 30 out. 2020.
  5. MINAS, Estado de; MINAS, Estado de. Netflix tem mais assinantes que o previsto no primeiro trimestre de 2018. Estado de Minas. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2018/04/16/interna_internacional,952119/netflix-tem-mais-assinantes-que-o-previsto-no-primeiro-trimestre-de-20.shtml>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  6. História da Netflix | Umbrella Amino Amino. Umbrella Amino | aminoapps.com. Disponível em: <https://aminoapps.com/c/umbrellaacademybrasilpt/page/blog/historia-da-netflix/g2ND_qmi6uPrBo1G2BLK0Pz3kboveVGq4d>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  7. Netflix. In: Wikipédia, a enciclopédia livre. [s.l.: s.n.], 2020. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Netflix&oldid=59630528>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  8. Netflix: descubra como funciona este serviço. Estudo Prático. Disponível em: <https://www.estudopratico.com.br/netflix-como-funciona/>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  9. 9,0 9,1 9,2 9,3 9,4 9,5 ALZAMORA, Geane Carvalho; SALGADO, Tiago Barcelos Pereira; MIRANDA, Emmanuelle C. Dias. Estranhar os algoritmos: Stranger Things e os públicos de Netflix. Revista GEMInIS, v. 8, n. 1, p. 38–59, 2017. Disponível em: <https://www.revistageminis.ufscar.br/index.php/geminis/article/view/280>. Acesso em: 6 nov. 2020.
  10. 10,0 10,1 Tudo que a Netflix sabe sobre você (e por que quer saber tanto). BBC News Brasil, Disponível em: <https://www.bbc.com/portuguese/geral-39832577>. Acesso em: 15 jun. 2019.
  11. 11,0 11,1 11,2 Big data: mídia e consumo digital - Le Monde Diplomatique. Disponível em: <https://diplomatique.org.br/big-data-midia-e-consumo-digital/>. Acesso em: 6 nov. 2020.
  12. 12,0 12,1 12,2 Curiosidades: Como a Netflix ganha dinheiro? | Cena RTV. Disponível em: <http://www.rtvdigitalfilms.com.br/blog/curiosidades-como-a-netflix-ganha-dinheiro/>. Acesso em: 15 jun. 2019.