Georreferenciamento em Saúde no Wikidata/Georreferenciamento/OpenStreetMap
OpenStreetMap
Criado em 2004 pelo engenheiro britânico Steve Coast, o projeto surgiu como resposta à dificuldade de acesso a dados cartográficos públicos no Reino Unido. Desde então, o OSM cresceu exponencialmente e conta hoje com milhões de colaboradores ativos. A plataforma é utilizada por governos, organizações não governamentais, instituições de pesquisa, empresas e cidadãos, sendo especialmente útil em contextos de resposta a emergências e planejamento urbano. Empresas como Apple e Facebook utilizam dados do OSM em suas aplicações, e iniciativas humanitárias como o Missing Maps e o Humanitarian OpenStreetMap Team (HOT) empregam a plataforma para mapear regiões vulneráveis, apoiar ações de saúde pública e gerenciar crises humanitárias.
A estrutura de dados do OpenStreetMap é baseada em três elementos principais: nós (pontos), vias (linhas ou polígonos formados por nós) e relações (agrupamentos lógicos de elementos). Esses componentes recebem etiquetas (ou tags) que descrevem suas características, como highway=residential para uma rua residencial ou amenity=hospital para um hospital. Os dados podem ser inseridos por meio de editores como o iD (baseado em navegador) ou o JOSM (aplicativo avançado para desktop), e podem ser visualizados e analisados com ferramentas como Overpass Turbo, uMap, QGIS e OSMCha.
A flexibilidade e o caráter aberto do OSM permitem que ele seja usado em diversas áreas, incluindo mobilidade urbana, meio ambiente, planejamento territorial e saúde. Em projetos ligados à saúde, por exemplo, é possível mapear unidades básicas, hospitais e farmácias com atributos como número de leitos, presença de atendimento de emergência e nome da operadora responsável, permitindo a visualização de padrões de distribuição e a identificação de áreas com baixa cobertura, os chamados “desertos sanitários”.
O OSM envolve uma série de questões relacionadas à privacidade, aos direitos autorais e à representatividade geográfica. Um dos desafios observados no projeto é a concentração de dados em determinadas regiões do mundo, como Europa e América do Norte, em contraste com a menor densidade de informações em outras áreas. Para lidar com essas questões, diferentes iniciativas têm sido desenvolvidas visando orientar boas práticas, oferecer capacitações e incentivar a participação de comunidades de diferentes contextos geográficos e sociais.
A participação no OSM é aberta a qualquer pessoa com acesso à internet, sendo possível contribuir com informações geográficas de forma voluntária. Essa possibilidade é explorada em diversas iniciativas voltadas à produção colaborativa de dados e ao fortalecimento do acesso público à informação espacial.