Wikinativa/Boa Vista do Itá

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Boa Vista do Itá é uma comunidade remanescente de Quilombolas situada na mesorregião de Belém - PA, composta por 30 famílias. Em 1988, essa comunidade quilombola obteve o reconhecimento de Comunidade remanescente de Quilombos, pois anteriormente, era reconhecida apenas como uma irmandade. Em 2003, a comunidade obteve o registro como Comunidade Quilombola através do Programa Raízes do Governo Federal, passando a ter benefícios do governo. Ainda que tenha sido reconhecida como comunidade remanescente, seguem sofrendo com a falta de saneamento básico, acesso à saúde e educação.

Localização[editar | editar código-fonte]

A Comunidade Boa Vista do Itá, localiza-se no município de Santa Isabel do Pará, na região norte do Brasil, Estado do Pará.

Veja no mapa a localização

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Belém do Pará é considerado como o centro econômico e político do Pará. Na sua formação, instalaram-se inúmeros sítios e fazendas de cana-de-açúcar, algodão, mandioca, tabaco, nas proximidades dos rios da região: rio Guamá, Acará, Moju, rio Capim e rio Bujaru e de onde surgiram muitas comunidades remanescentes de Quilombos.


De acordo com a Comissão Pró-Índio de São Paulo, nas proximidades de Belém que se localizou um dos maiores mocambos paraenses: o Caxiú. No tempo da revolta conhecida como Cabanagem, os negros desse quilombo aderiram em massa à revolta, liderados por negro Félix. Houve outros quilombos de grande importância como, por exemplo, o Caraparu, que abrigou principalmente os escravos fugidos de Belém no século XIX. Situado às margens do Rio Caraparu, o quilombo cresceu e tornando-se, após a abolição, um povoamento. Hoje, pertence ao município de Santa Isabel do Pará e dele descendem as famílias das comunidades de Macapazinho, Boa Vista do Itá, Conceição do Itá e São Francisco do Itá.

Na mesorregião metropolitana apenas a comunidade de Abacatal já tem as suas terras tituladas.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Sem informações disponíveis até o momento.

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

A principal fonte de renda desta comunidade é a roça de mandioca e seus derivados como a farinha e o tucupi. Coletam a pupunha e cultivam a banana, coco e cupuaçu que são vendidas nas feiras das cidades cercanas. No período de entressafra da agricultura, algumas famílias trabalham na extração de pedra. Também praticam a capoeira e possuem festas como o Festejo de São João Batista.

Conhecimento Tradicional[editar | editar código-fonte]

Sem informações disponíveis até o momento.

Situação Territorial[editar | editar código-fonte]

A reivindicação dos quilombolas de Boa Vista do Itá, hoje, é a titulação de suas terras. Cercada por fazendas de todos os lados, a comunidade vive na insegurança. Seus moradores têm medo, como mostra o relato do morador:

"Nós estamos aqui, mas ninguém está seguro. A qualquer instante, podemos sair com a rede nas costas, porque a gente sabe que quem tem dinheiro tem tudo e nós não temos. Ocorre exatamente como aconteceu quando perderam essas terras porque não tinham o documento. Isso ainda pode nos acontecer com o resto, por isso é que nós temos que documentá-la"
(Abílio dos Santos. Apud Quilombos do Pará, CD-ROM, NAEA-UFPA).

O "resto", ao qual se refere o quilombola nesta fala, corresponde ao que sobrou dos 16 hectares de terra originais de seu território. Anteriormente, contavam com mais de dois mil hectares que foram doados à comunidade por um antigo fazendeiro da região, conhecido por Major Santos. Ele era proprietário de fazendas de cacau e de banana e utilizava mão-de-obra escrava. Ainda existem vestígios das construções da antiga fazenda na comunidade e são preservados pelos moradores. Guardam ainda como lembrança desta época, a imagem do padroeiro da comunidade, São João Batista, herdada do Major Santos e guardada na igreja pelos moradores da comunidade. Ainda hoje, seu sobrenome é utilizado pelas famílias de Boa Vista do Itá.


Diversos fatores levaram à perda de seu território. Nos primeiros anos da década de 1960, o INCRA loteou e doou as terras da comunidade para agricultores vindos de outros Estados. Esses lotes acabaram virando moeda de troca, sendo comercializados diversas vezes.


A especulação imobiliária, presente também na região norte do país, intensificou-se após a construção da rodovia PA-140, que facilitou o acesso à região. Antigamente para alcançar a região tinha-se que navegar nos rios e igarapés.

"Nossa terra era muito grande. Compraram as terras baratas. Tem uma área de mais de 400 hectares que foi vendida. Nós estamos lutando para que o governo nos ajude a reaver as terras, senão a gente não vai mais poder produzir nada, plantar. Nós estamos ilhados. A terra está fraca!"
(Abílio dos Santos. Apud Terra de Negro 2 , p. 14).


O processo de regularização fundiária está sendo tramitado no Instituto de Terras do Pará (ITERPA) desde 2000. Dos 16 hectares ocupados atualmente pelos quilombolas, apenas 10 são próprios para o cultivo, ou seja, não existe terra suficiente para garantir o sustento das 30 famílias de Boa Vista do Itá.

Referências[editar | editar código-fonte]


Ligações Externas[editar | editar código-fonte]