Wikinativa/Bororo

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Grupo: Felipe Augusto, Guilherme Hernandes, Gerson Pereira


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Os índios Bororos - termo que significa 'pátio da aldeia' - se autodenominam Boe, habitam o estado do Mato Grosso, e também são conhecidos por Bororós, Bororo, Coxiponé, Araripoconé, Araés, Cuiabá, coroados e Porrudos.

Existem ainda algumas outras denominações, utilizadas por eles para fazer referência às tribos de acordo com sua localidade. Exemplos disso são: Bóku Mógorége - que significa "habitantes do cerrado", e é utilizado para se referir aos índios das aldeias de Merure, Sangradouro e Graças - e Kado Mogorége - que significa "habitantes dos taquarais", e representa os Bororos da aldeia de Perigara.

Eles podem ser divididos entre Bororos ocidentais e orientais, mas essa notação foi estabelecida pelo governo do Mato Grosso e se baseia na posiçãos desses grupos em relação ao rio cuiabá.

Sua população, que fala a língua bororo, é estimada em cerca de 1570 habitantes (2010),e eles são tradicionalmente caçadores e coletores. Devido à necessidade, eles se adaptaram, passado também a praticar a agricultura, o que atualmente lhes garante a sobrevivência. São fortes características desse povo o artesanato e a pintura corporal com argila.

Localização[editar | editar código-fonte]

Antigamente, os bororos viviam em uma região que se estendia em uma área delimitada pela Bolívia, a oeste, o rio Araguaia e o rio das Mortes, ao norte e o rio Taquari, ao sul. Entretanto, atualmente, eles ocupam áreas demarcadas

no planalto central Mato-Grossense. São elas: Jarudore, Meruri(ou Merure Tadarimana, Tereza(ou Teresa) Cristina, Perigara e Sangradouro/Volta Grande. 


Coordenadas -17.224758,-59.153824 (Região Oeste) Veja no mapa

Coordenadas -17.685895,-50.232925 (Região Leste) Veja no mapa

Coordenadas -2.504085,-51.510773 (Região Norte) Veja no mapa

Coordenadas -19.248922,-57.088394 (Região Sul) Veja no mapa

Mapa Interativo[editar | editar código-fonte]

Y° ' S X ' W

História[editar | editar código-fonte]

Uma parte da população dos bororós foi extinta no final do século passado, sendo que em 1990, restaram somente Bororos vivendo no estado do Mato Grosso do Sul, com uma população equivalente a metade da população existente no início do mesmo século. Isso ocorreu devido a guerras e doenças contraídas pelo contato com o povo branco. Vale lembrar que no início, eles eram compostos por aproximadamente 10000 indígenas. Além disso, deve-se notar que enquanto os Bororos orientais não tinham um bom relacionamento com os brancos, os bororos ocidentais se relacionavam bem, inclusive trabalhando em suas fazendas.

Língua[editar | editar código-fonte]

A lingua dos Bororos é chamada por eles de "Boe wadáru" e primeiramente foi considerada isolada, sendo que poderia fazer parte do ramo Otuké. Posteriormente, na década de 1950, ela veio a ser classificada como pertence ao tronco Macro-jê.

Há ainda uma peculiaridade; na maioria das aldeias, uma considerável parte da população fala além do bororo, o português. Isso ocorre devido ao fato de que até o final da década de 70 do século passado, em algumas aldeias, crianças e jovens eram proibido falar a língua nativa. Apesar de conhecido por grande parte das pessoas, o português é pouco usado, sendo que, geralmente,só substitui o bororo em conversar com pessoas de outras etnias.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Ao contrário da sociedade em que vivemos, onde temos noção do tempo como algo linear e sequencial, os bororos vêem o tempo como algo cíclico, tomando por base as fases da Lua e por causa disso, eles não expressam com grande precisão o período decorrido entre um evento e outro.

Além disso, eles dão uma considerável importancia à morte dos indivíduos. Quando um dos membros da tribo morre, toda a rotina dos demais é alterada para que possa ser realizado o funeral. Nesse contexto, o morto recebe 3 representantes: um pai e uma mãe rituais, e um substituto social na Terra. Nesse contexto, o pai e a mãe, serão responsáveis por cuidar do falecido e de sua alma, já seu substituto social, é designado para diversas tarefas durante o funeral e torna-se parte da família e portanto obtem o direito à comida e às suas providências

Vale lembrar que o funeral é um dos mais importantes rituais realizados pelos Boe e que ele pode estender por muito tempo após a morte de um índio. Um fato interessante, é que a partir do momento em que foi morto, ele passa a ser visto como um animal - qualquer animal que possa ser predado por uma onça - e por esse motivo o seu substituto vivo - também conhecido como aroemaiwu - tem a tarefa de caçar uma onça, para recuperar o companheiro morto, por meio da vingança contra aquele felino que o matou (figurativamente). As partes (carner) do animal são então distribuídas à família do morto, e o couro da onça é dado ao membro mais velho, o qual compartilha-o com o restante dos parentes para que cada um durma uma noite sobre o mesmo. Ao final, este é devolvido ao ancião.

O ritual funciona da mesma maneira para todos os indivíduos que morrem, porém, existe uma exceção que não permite a realização desses procedimentos, no caso em que o morto não tem nome, pois nesse caso, ele ainda não é considerado uma parte da tribo e então é simplesmente enterrado.

Por fim, durante o tempo de execução do ritual, são feitas diversas comemorações como pescarias, caçadas e encontros. Entretanto, alguns procedimentos são postergados devido à morte, e entre ele pode-se citar o ritual de nomeação dos recém nascidos.

Ainda em relação à pessoa morta, deve-se destacar dois pontos:

  • Os pertences daquela pessoa são queimados - leia-se tudo que ele possuia, inclusive sua casa e plantações.
  • O seu nome se torna um taboo, não devendo ser mencionado.

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

Os rituais são uma constante na vida dos Bororo. Os principais ritos de passagem (em que as pessoas passam de uma categoria social a outra) são o de nominação, iniciação e funeral. De acordo com Novaes, "No ritual de nominação a criança é formalmente introduzida na sociedade Bororo de seu iedaga (o nominador é o irmão da mãe) e das mulheres do clã de seu pai, que a ornamentam para o ritual.

Essas pessoas sintetizam de forma clara os atributos que formam a personalidade do homem Bororo e que integra de modo consistente aspectos jurídicos (transmitidos pelo iedada e associados à matrilinearidade) e aspectos de um caráter mais místico (associado à patrilinearidade) . Pelo nome, a criança passa a estar associada a uma categoria social - a linhagem de um clã - vinculada a um herói cultural da sociedade bororo, que, em tempos míticos, estabeleceu os fundamentos da vida social, a qual deve ser continuada por homens concretos. O funeral é o mais longo de todos os rituais bororo

Medicina tradicional[editar | editar código-fonte]

Os Bororo reconhecem um ampla série de "zonas e sub zonas ecológicas" no seu ambiente de exploração, sendo que as principais são: Bokú (cerrados), Boe Éna Jaka (transição) e Itúra (mata). Cada zona ecológica está associada a plantas, solos e animais específicos, representando um sistema integrado desses elementos e o Homem. Cada zona também apresenta subdivisões menores.

Situação territorial[editar | editar código-fonte]

O tamanho do território ocupado hoje pelos Bororos, ou seja, as 6 áreas mencionadas no item Localização, equivale a 1/300 do território original. Dessas seis, quatro terras indígenas já estão registradas e homologadas - Sangradouro, Tadarimana, Perigara e Meruri - uma está reservada pelo Serviço de Proteção ao Índio, mas foi invadida, sendo que hoje está ocupada por uma cidade - Jarudore - e a quinta que foi declarada terra indígena, mas está em revisão, pois sua demarcação foi derrubada por um decreto presidencial - Tereza(ou Teresa) Cristina.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Wikipedia - Bororos
Terras Indígenas
Povos Indígenas no Brasil - Bororos
Cultura e mito: Índios Bororos (Boe)


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikipedia - Bororos
Terras Indígenas
Povos Indígenas no Brasil - Bororos
Cultura e mito: Índios Bororos (Boe)