Wikinativa/Jatobá

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A Comunidade Quilombola do Jatobá localiza-se na zona rural do município de Patu, Médio-Oeste do Rio Grande do Norte, onde mais de 80 negros convivem em regime comunitário, dando um verdadeiro exemplo de vida em sociedade.


Localização[editar | editar código-fonte]

A comunidade negra rural do Jatobá está localizada na mesorregião geográfica do Oeste Potiguar, estado do Rio Grande do Norte, a 10 km da sede do município de Patu e a 396 km da capital do estado, Natal.

Coordenadas -6.017222, -37.606944

Veja no mapa

História[editar | editar código-fonte]

Os moradores da comunidade negra do Jatobá são descendentes de Manoel e Raimunda, escravos de Joaquim Teixeira Dantas, proprietário de terras no Patu de Fora, município de Patu (RN). A escravidão faz parte da história dessa família. Manoel era filho da escrava Vicência; Raimunda, índia, fora “pega a dente de cachorro e a casco de cavalo”. Manoel e Raimunda tiveram treze filhos: Maria (1865), Benedicta (1866), Theresa (?), Joanna (1871), Jorge (1872), Joaquina (1874), Domingos (1875), Marcionilla (1876), Anna (?), Rita (?), as gêmeas Juliana e Júlia (1880) e Raymunda (1882).

É provável que, por volta de 1880, Manoel e Raimunda tenham se fixado na região de Atenas, em uma propriedade dos Andrade, uma vez que estes aparecem no registro de batizado como padrinhos das três últimas filhas do casal de escravos.

Será em Atenas que João Luiz de Aquino, neto dos ex-escravos, formará família, dando início a uma nova trajetória na vida dos “negros de Atenas”. João Luiz era filho de Joaquina e Luiz José (conhecido por Luiz Gago). Casou-se com uma prima, Maria Juliana, filha de Juliana, irmã de Joaquina. Isso ocorre depois de sua dispensa da condição de soldado do Exército, pois ele serviu em Natal, no período de 1918-1919. Segundo as lembranças de seus parentes, João Luiz, ao voltar do Exército, passou a se dedicar à criação de animais e à função de marchante, o que lhe propiciou a acumulação de certa quantia, que favoreceu a compra de um pequeno terreno. Adquirir um pedaço de terra em Atenas foi uma estratégia fundamental empreendida por João Luiz para escapar, ele e seus parentes, das armadilhas do sistema formal pós-abolição; aliás, prática não muito comum entre as comunidades negras rurais do estado do Rio Grande do Norte estudadas. A compra da terra possibilita, pela primeira vez, desde o período pós-escravatura, pensar-se na construção de um território, ou seja, de um espaço como refúgio, lugar de viver, de se reconhecer como pertencente a um grupo social, permitindo a elaboração de identidades e, principalmente, viabilizando uma emancipação do grupo. Nesse sentido, o território é um lugar de investimento de projetos, desejos, representações, comportamentos; é o investimento do desejo em um determinado tempo, lugar. E esse investimento, para os negros de Atenas, incluía pensar o grupo, mais especificamente a família, estratégia presente desde a época da escravidão. Para a terra onde vai morar, João Luiz chama seus parentes Chico Bernardo e João Raimundo, juntando, na mesma terra, descendentes das três irmãs – Joaquina, Júlia e Juliana –, filhas dos ex-escravos Manoel e Raimunda.

Impossibilitado de continuar na Atenas, João Luiz resolve vender o pequeno sítio. Como era marchante e fazia a feira na cidade do Patu, começou a procurar terra na região. Isso não seria estranho, uma vez que continuaria no mesmo espaço geográfico e, portanto, próximo dos demais parentes, o que significava contato e circulação entre famílias e parentes. Para a compra que pretendia fazer, da nova terra, João Luiz contava com a venda do sítio Atenas, mas também com as economias que fazia no ofício de marchante.

João Luiz encontra um sítio que o interessa, o sítio São Gonçalo, na localidade Jatobá, município do Patu. O sítio foi adquirido por compra feita por João Luiz de Aquino a Joaquina Maria da Conceição, viúva de Manoel Gonçalo de Lima, em 31/12/1941. É o momento da partida do sítio Atenas; de cortar os elos que o liga e aos seus a um passado escravista. Mas é principalmente o momento de renovar o sonho de “viver tudo junto”: os negros novamente vão estar juntos, uma família – a família dos negros da Atenas.


Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

As famílias de negros que residem em Jatobá seguem a religião católica e têm como santo padroeiro São Benedito. "Temos uma capelinha aqui onde acontecem as missas uma vez por mês com o padre de Patu", revelou Ducília, moradora do quilombo.

Anualmente todas as famílias da comunidade quilombola do Jatobá se reúnem para celebrar o Natal, e neste ano Sandra relatou hoje, para comemorar o Dia da Consciência Negra também haverá uma comemoração. "Vamos fazer uma comemoração mais simples, mas a data não passará em branco", prometeu Sandra.


Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

Desde os primeiros moradores até hoje, vivem da agricultura com cultivo de milho, feijão e mandioca. Também criam animais de pequeno porte e algumas vacas leiteiras.


Conhecimento tradicional[editar | editar código-fonte]

Segundo a presidente da Associação dos Moradores da Comunidade Quilombola do Jatobá, Sandra da Silva, todas as famílias que residem no sítio mantém um relacionamento harmonioso. "Aqui todo mundo se ajuda e se alguém tem uma dificuldade, todos ajudam e o trabalho também é realizado de forma comunitária", explicou. Sandra ressalta que a Comunidade Quilombola do Jatobá recebe incentivo de ONGs, da Prefeitura de Patu e do INCRA.

Trabalho Comunitário[editar | editar código-fonte]

As famílias quilombolas do Jatobá sobrevivem basicamente da agricultura e recentemente foi implantado o projeto Horta Comunitária, onde um grupo trabalha no cultivo de verduras e hortaliças. Parte da produção é destinada ao consumo e a outra parte é comercializada em feiras. Sandra explica que toda semana um grupo de agricultores da comunidade quilombola do Jatobá participa de uma feira de produtos orgânicos, realizada no Centro de Patu. Na lista de produtos cultivados pelos quilombolas estão: tomate, cebolinha, coentro, alface, pimentão, pimenta de cheiro, beterraba, cenoura, entre outros. O projeto da horta da comunidade quilombola de Jatobá recebe apoio técnico de um engenheiro agrônomo da cidade de Messias Targino. Além da horta, a associação da comunidade também desenvolve um programa voltado para a geração de emprego e renda atualmente investindo na produção de polpa de fruta para comércio. Sandra explica que o processo de produção de polpa já possui registro e precisa apenas de uma liberação para ser destinada à merenda escolar nas escolas da região. "Somos bem assistidos aqui e somos todos felizes", acrescentou.


Situação da comunidade[editar | editar código-fonte]

Foi concluída, a solenidade de assinatura de titulo de posse aos moradores da comunidade remanescente de quilombo Jatobá na cidade de Patu. Com a realização desse evento, a Superintendência Regional do Incra no Rio Grande do Norte dá mais um passo para titular o primeiro território remanescente de quilombo no estado. A solenidade aconteceu na sede da comunidade e contou com a presidente do superintendente do Incra no RN, Valmir Alves. “O ato de imissão de posse de Jatobá torna oficialmente o imóvel como propriedade da União (e, consequentemente, do Incra). “Este é o último passo para a entrega do título de reconhecimento de domínio coletivo da terra às 17 famílias moradoras de Jatobá, dentro do processo de regularização fundiária”, destaca Valmir Alves. Além do superintendente do Incra no Estado, participaram da solenidade o procurador federal Adriano Villaça, além de oficiais de justiça, representantes de movimento negro e os moradores da comunidade. A comunidade de Jatobá, que tem 219 hectares, se definiu como comunidade remanescente de quilombo em 2004. Neste ano, o Incra abriu processo com fins de demarcação e titulação das terras ocupadas pelos seus moradores. Ainda dentro do processo, foi feito relatório técnico de identificação e delimitação, documento composto pelo relatório antropológico, cadastro das famílias quilombolas, levantamento fundiário da região, planta e memorial descritivo do território. “O próximo passo agora é enviar o documento para Brasília para que os títulos sejam confeccionados e entregues as 17 famílias”, acrescenta.


Referências