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Wikinativa/Padaria (vivencia Guarani 2018)

Fonte: Wikiversidade

INTRODUÇÃO[editar | editar código-fonte]

Grupo:

Aline Oliveira N°USP 10282971

Elisa Lima Villaméa Cotta N°USP 10407513

Katerine Rosa N°USP 8533211

Jéssica Thauane N°USP

Laura Steinert de Freitas N°USP 10725244

Leandro Castro Gonçalves N°USP 9074681

Maria de Fátima N°USP

Rafael Amorim N°USP 10258319

Sidney Smith C. Romero N°USP 10799511

A disciplina ACH3787 - Seminários de Políticas Públicas Setoriais VI, teve como objetivo apresentar a cultura dos povos originários através da prática de um aprendizado adquirido por meio de uma imersão na cultura que se deu através de uma viagem à Reserva indígena Guarani Rio Silveiras, em Bertioga, que gentilmente abriu as portas para nós, apresentando sua cultura, tradições e visões de mundo.

PREPARAÇÃO DAS ATIVIDADES[editar | editar código-fonte]

O grupo foi responsável pela instalação de um forno para à produção de pães dentro da Aldeia Rio Silveira. Anteriormente, durante as aulas ministradas às quinta-feiras pelo Professor Doutor Jorge Machado e seu monitor Carlos Henrique, nos reunimos para à definição das receitas que seriam feitas e quantidade de ingredientes necessários. A ideia a princípio era preparar todos os cafés da manhã e lanches ao longo da vivência. As receitas escolhidas pelo grupo foram:

Pão Francês;

Pão de Leite;

Pão de queijo de tapioca;

Geleia de Abacaxi;

Patê Vegano;

Bolos;

Sucos de limão e laranja;

Cada participante do grupo ficou responsável por uma das receitas acima.

DESENVOLVIMENTO DAS ATIVIDADES NA ALDEIA[editar | editar código-fonte]

Ao chegar à reserva, a primeira atividade que o grupo realizou foi acompanhar a cerimônia na casa de reza e organizar os colchões dentro da mesma para dormirmos lá, tendo em vista que chovia incessantemente naquela noite e não seria possível montar acampamento do lado de fora. No dia seguinte, ao amanhecer, podemos montar nosso acampamento e seguimos para o 5º núcleo de carro, onde deveríamos encontrar o forno, enquanto os outros alunos foram na trilha para a cachoeira. Como ainda não tínhamos certeza sobre onde seria o local da padaria fomos seguindo as instruções que nos deram, depois de darmos muitas voltas pelos núcleos procurando a padaria. Após um tempo encontramos o local, porém, não encontramos o forno. A casa ainda não estava totalmente preparada para fazermos os pães, portanto decidimos que seria melhor acompanhar a trilha para irmos para a cachoeira com o resto do grupo da vivência, e assim aproveitar junto com todos.

Ao entardecer, após conhecermos uma das belíssimas cachoeiras que fazem parte da área demarcada, conseguimos voltar ao local onde foi instalado o forno. As massas dos pães para aquele dia já haviam sido preparadas previamente pelos indígenas que ficariam responsáveis pela padaria e sua manutenção após o fim da vivência. Consistiam em duas massas, uma com farinha branca e outra com farinha integral. Eles pesavam a massa enquanto nós ajudávamos a modelar os pães. Uma parte deles foram enriquecidos com aveia em flocos (uma ideia do grupo) e colocamos para assar, aproximadamente, 80 pães, que foram levados para o primeiro núcleo, onde se encontravam todos que participaram da vivência. Comemos os pães com manteiga, pasta de amendoim e requeijão já que não foi possível fazer a geleia de abacaxi nem o patê vegano. No terceiro dia, após retornarmos da trilha do Rio Silveiras, foi pedido para que fizéssemos os pães para que comêssemos após a reza, então fizemos a massa dos pães no primeiro núcleo. Em seguida nos dividimos em dois sub-grupos, dos quais um ficaria no primeiro núcleo para preparar a mesa e o outro iria até o quinto núcleo para assar alguns pães e bolos. O professor da disciplina, Jorge, levou-nos de carro até a padaria, localizada no quinto núcleo.

Foto

Chegando lá, encontramos a mesma fechada. Nos dividimos e, enquanto um grupo tentaria entrar na padaria para fazermos os pães, o outro procuraria os responsáveis pela padaria para pedir as chaves. Entramos na padaria pela janela, previamente trancada, e começamos a fazer os pães e os bolos. Em seguida, uma das integrantes do grupo pediu para irmos para fora, pois o carro do professor havia ficado preso perto da margem do rio. Enquanto o professor foi até o primeiro núcleo a pé para chamar um guincho ficamos na padaria terminando de fazer os pães, esperando o guincho chegar. Após certo tempo, os indígenas responsáveis pela padaria vieram e ficaram conosco aguardando. Depois que os pães e os bolos estavam prontos, mandamos mensagem para o professor e ele propôs trazer dois jeep’s para nos buscar. Algumas horas aguardando e decidimos que era melhor ir andando até o primeiro núcleo, mesmo sendo de noite. Um pouco depois de começarmos a andar os jeep’s nos encontraram, e nos levaram até o primeiro núcleo onde todos se serviram dos pães.

Foto 2
CONSIDERAÇÕES FINAIS[editar | editar código-fonte]

A execução das atividades que eram de responsabilidade do grupo não foram concluídas, só sendo possível fazer o pão francês e dois bolos para o café da tarde. Mas acreditamos que fomos capazes de lidar bem com a situação e contornamos alguns obstáculos. Dentre as dificuldades que encontramos para a execução das nossas tarefas estão: o local do forno, a falta de comunicação com os outros núcleos e a falta de materiais.

O local onde estava o forno não parecia possuir estrutura suficiente para instalação, sendo o acesso à água debilitado e os cabos de energia fracos, pois não suportariam toda a tensão necessária para o uso simultâneo da máquina de panificação e o forno. Também houve a dificuldade de comunicação com os outros núcleos, tendo em vista que o Cacique não havia sido informado da instalação do forno e somente algumas pessoas do último núcleo tinham ciência.

Em relação aos materiais que foram comprados, houve excesso de alguns e falta de outros. No segundo dia conseguiram comprar mais fermento biológico, possibilitando que fizéssemos mais pães. Mas não tínhamos outros ingredientes que seriam essenciais para as receitas, como o fermento químico que acabou sendo substituído por bicarbonato para fazermos os bolos, no qual tivemos que utilizar o que tínhamos, como cacau em pó e laranja, sem ter medidas certas por conta da falta de ingredientes previstos para cumprir com as receitas. Outro contratempo que tivemos foi em relação a equipe não ter tido um preparo antes em conjunto de como fazer fazer os pães e de como mexer no forno, o que levou a queimar alguns pães e bolos. Importante ressaltar também que houve sobra de ingredientes, e estes que sobraram ficaram na aldeia Rio Silveiras para que eles pudessem utilizá-los depois.

Apesar dos indígenas terem preservado sua cultura e tradições, dentro da alimentação deles, hoje em dia fora trazido muitos alimentos industrializados, como refrigerante, suco em pó, bolacha, salgadinho, entre outros; mas eles têm uma cultura também de comer uma massa chamada xipa (se diz tipá), no qual nos ingredientes constam farinha, água e sal, no qual boleiam e fritam. Então quisermos trazer uma alternativa para eles, de algo que pudesse ser assado, no qual foi o nosso pão francês.

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Por fim, em relação ao choque cultural da vivência, podemos dizer que a relação dos indígenas com a natureza é preservado e sobretudo respeitado, ninguém entra numa trilha ou na mata fechada sem que agradeça a Nhanderu, mesmo com todas as transformações ocasionadas pela presença do juruá. Também pudemos observar que eles são atacados culturalmente a todo tempo, seja por meio da política, da religião, ou das doenças, inclusive vindas dessa nova forma deles de se alimentar por meio dos produtos industrializados. Por fim, concluímos que os guaranis sobrevivem a um verdadeiro etnocídio resistindo para manter firme os seus costumes. Um exemplo da diferença cultural é que as crianças são educadas de maneira mais livre, dificilmente são repreendidas ou censuradas. E a reza é um momento em que a espiritualidade é mantida e ainda tem a função de transmitir os conhecimentos aos habitantes da aldeia.