Wikinativa/Pankararu

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Pankararu
Maiores etnias.gif
Etnias indígenas mais populosas da região Nordeste do Brasil
População total

4160

Regiões com população significativa
Tacaratu/Petrolândia
Línguas
Português
Religiões
Católica
Estados ou regiões do Brasil
Pernambuco
situação do território
Homologada
Grupos étnicos relacionados
Pancararé
Brinde com lider da tribo Pankararu o Ministro da Cultura no Complexo Cultural da República juntamente com ministros de outras tribos

Os Pankararus formam um grupo indígena brasileiro que vive nas proximidades da margem do rio São Francisco, em uma reserva indígena localizada entre os municípios de Tacaratu e Petrolândia, ambos no estado de Pernambuco. As terras do centro da reserva foram demarcadas em 1942, em Brejo dos Padres (pequeno vale de terras férteis que possui várias fontes de água).

Assim como outros grupos na região Nordeste brasileira, apenas no começo da década de 90 os Pankararu tiveram sua identidade reconhecida pelo Estado, bem como a efetivação de suas terras. A trajetória da tribo foi pontuada por diversos conflitos com grileiros e agricultores, que ainda não foram resolvidos. Além disso, existe um grande histórico de opressão e marginalização pela sociedade aos pankararus. Essa tribo apresenta em comum com os outros grupos indígenas o ritual religioso secreto do "Toré", marca de identidade e resistência cultural da tribo.

História[editar | editar código-fonte]

A tribo possui sua referência histórica mais antiga datada do século XVII, com o surgimento da vila de Tacaratu, que até hoje é conhecida como "Brejo dos Padres" por causa das expedições missionárias que ocuparam a região. Com isso, ocorre a efetiva concentração de índios Pankararu à beiro do São Francisco. Esse ajuntamento de índios que se deslocaram das ilhas de Surubabel, Acará e Várzea ficou conhecido como Cana Brava. Há alguns indícios de que a fundação da aldeia tenha sido efetuada, realmente, no ano de 1802.

No início do século XVII houve o primeiro contato sistemático do povo pankararu. O contato ocorreu com missionários que seguiam para Santo Antônio da Glória na Bahia em busca de mais pessoas para a conversão. Em Pernambuco os missionários estabeleceram um aldeamento em volta do rio São Francisco, dentre as principais tribos presentes, destacava-se a tribo Pankararu. Os missionários se deslocaram da atual região de Tacaratu até a região hoje conhecida como "Brejo dos Padres". Durante esse período as pessoas registraram sobre diversos aspectos da tribo como por exemplo, o território do grupo. Destaca-se no território a cachoeira de Paulo Afonso, local de sepultamento dos mortos que foi rapidamente transformado pelos missionários em cemitério cristão.

Durante o governo de D. Pedro II houve a delimitação de 14.294 ha. para a população da tribo. O territorio contava com a cessão de quatro "léguas-em-quadra" de terra, tal demarcação tomava como centro a igreja do aldeamento e dela se projetava uma cruz em 4 linhas de uma distância de aproximadamente 6600 m. Entretanto em 1937 durante o governo de Getúlio Vargas, ao se implantar pela primeira vez no local um ponto indigena e futuramente em 1941 a demarcação das terras, o SPI não obedeceu a pretensão da tribo as tradicionais quatro léguas quadradas impostas por D.Pedro II, diminuindo o tamanho da área total a 8100 ha.

Em 1949, oito anos após a primeira demarcação, houve um grupo de trabalhadores rurais, já instalados nas terras demarcadas por SPI, contestaram a demarcação do povo indigena.A ação foi perdida, depois de um processo que durou aproximadamente seis anos (1955). Em 1960 um novo processo é aberto, que primeiramente favoreceu os agricultores locais (1964), mas a qual o SPI recorre. Esta primeira vitória e a demora do processo de recurso leva a um acirramento das tensões na área entre posseiros e indígenas.

Em 1984 um Grupo de Trabalho da FUNAI é enviado à área para realizar um levantamento fundiário e da situação social. Fica novamente evidenciada a continuidade da situação de conflito, e uma estimativa de aproximadamente 540 agricultores, ocupando pequenos lotes de lavoura temporária. Como resultado dos levantamentos, o GT apresenta ao Grupo de Trabalho Interministerial em 1987, a proposta de demarcar a área total de 14294 ha. Neste mesmo ano o agricultores, representados pelo sindicato dos trabalhadores rurais de Petrolândia mobilizam-se novamente, através de uma proposta de negociação segundo a qual em lugar da área Indicada pelo GT da FUNAI, o grupo indígena trocaria as áreas já densamente ocupadas por agricultores por outras, segundo o sindicato, férteis e de baixa densidade populacional. Apesar deste documento indicar o reconhecimento, por parte do sindicato, do direito indígena a terra e abrir um canal de negociação, este momento gerou mais tensões. Simultaneamente a este documento, representantes do sindicato prestaram declarações à Imprensa desconhecendo o conflito, a anterioridade da posse Indígena, e acusando a FUNAI de fomentadora de um “Clima artificial de tensão entre índios e agricultores” Imediatamente foi lançado um documento pela "comunidade Pankararu" que reafirmava a posse do Grupo, dizia que não há como reduzir mais a terra já reduzida tanto pelo SPI quanto pela presença dos agricultores, que até então ocupavam quase metade dos 8100 ha, até as melhores terras agricultáveis, e insistir na legalidade de sua posse de 1879.

Dois meses depois no entanto, contrapondo-se tanto à proposta do sindicato, quanto à do GT/84: do grupo, e à própria legislação, que estabelecia o "desintrusamento" como etapa anterior e necessária à homologação da Área Indígena (Decreto 88.118/83), o governo federal homologa os 8100 ha estabelecidos pelo SPI. Esta decisão sustentava-se no Parecer nº 165/87 resultante de uma reunião entre a FUNAI, lideranças Pankararu e Kariri, em que se reconhecia o direito do grupo às 4 léguas-em quadras mas resolvia pelos 8.100 ha a partir de um acordo com as próprias lideranças, na qual a FUNAI garantia Isto implicar na retirada imediata dos agricultores, o que não aconteceu. Em 1989 era constituída a equipe técnica para o levantamento fundiário e topográfico da área.

A situação apenas agravou-se no final da década de 80 com a subida do lago de Itaparica, que expulsou mais famílias camponesas, novamente sem o devido reassenta­mento por parte da CHESF. Isto elevou a 3000 as ocupações de não-índios, segundo um levantamento da 31 SUER/FUNAI Pernambuco de 198 que ainda estimou para os Pankararu uma população de 3676, distribuídos em 12 aldeias localizadas em 6 regiões de maior concentração.

Língua[editar | editar código-fonte]

Até o ano de 1935, os índios pankararu falavam frequentemente a língua Tupi Guarani. Mas, a partir dos anos seguintes, por conseqüência do envolvimento contínuo com o homem branco, e a opressão que a tribo sofreu, acarretou o esquecimento da língua tradicional dos Pankararu. E por isso, atualmente são poucos os índios Pankararu, que são conhecedores de sua língua materna, até porque os mais velhos com toda opressão vivida não repassaram o dialeto para as gerações futuras, com medo da repreensão dos não indígenas, assim caiu no esquecimento nossa língua materna.

Mas mesmo assim, nos dias de hoje muitas palavras tradicionais Pankararu, são ditas no cotidiano da tribo, formando assim um vocabulário específico e diferenciado. Como: bom dia=ará, sol=saci, nosso Senhor=São Sé, praia=tona-nô do licurí, tosse=uçã, marido=menã, ficar=upitã, meu filho=xemembia-piaba, lua=Jacira, prato de barro=tibungo, pagé=sarapó, feio=liquí, mentira=zôpri, dentre outras. A língua de Pankararu não se perdeu, na verdade, há falta de comunicação, de interação com os indígenas entre si, pelo fato de haver a comunicação entre índios e não índio acarretou que, houve um envolvimento maior entre os índios e os brancos desenvolvendo mais a línguagem dos brancos.

Aconteceu que, através desse envolvimento, os índios Pankararu acabaram que, adotando a língua que eram deles e esquecendo assim, sua própria língua Tupi Guarani.

A língua pankararu encontra-se extinta nos dias atuais. Em 1961 apenas duas pessoas sabiam remanescentes da linguagem pankararu. No século XIX a tribo Pankararu se dividiu em dois grupos: os Pankararus e os Pankararés, sendo que apenas um quarto da tribo Pankararé manteve as antigas tradições religiosas.

O povo Pankararu não possui nenhuma linguagem relativa portanto permanece indefinida. A língua possui similaridades com a língua Tukano e Tupã. Meader (1976) descobriu que dentre os 80 itens lexicais conhecidos, um terço (26) são cognatas da linguagem tupã, ele então acredita que os últimos falantes da língua Pankararú devem ser bilíngues em Tupi.

Economia[editar | editar código-fonte]

A principal atividade econômica da tribo Pankararu é a agricultura. Dentre as especiarias produzidas pela tribo, destacam-se o feijão, o milho e a mandioca. Os índios também contam com a comercialização de artesanatos e a venda da pinha como principais fontes de renda, sendo que, a pinha é um produto típico da região.

Um pequeno brejo, formado pela vaga aberta em meio aos últimos contrafortes da Serra de Tacaratu (mais conhecida pela população local como Serra Grande), ganha a forma de um anfiteatro, com sua cabeceira à leste abrindo-se no sentido oeste em direção às margens do São Francisco. Este pequeno "oásis verdejante", que serviu para a localização do aldeamento de Brejo dos Padres, é um ponto avançado do agreste em plena área sertaneja, contrastante com a paisagem em torno, marcada por uma pecuária ultra-extensiva e articulada, até meados do século XX, a uma agricultura de subsistência em geral pouco expressiva.

As mudanças de infra-estrutura decorrentes da instalação das UHE de Paulo Afonso e Itaparica na década de 1980 e mesmo antes, quando das frustradas tentativas de irrigação das margens do São Francisco pelo DNOCS na década de 1930, atenuam o contraste entre o Brejo e seus arredores, onde se sucedem cidades e áreas de irrigação.

Na seção central da Terra Indígena encontramos uma terra bastante úmida e escura, alimentada por quatro fontes d'água que nascem na cabeceira dos contrafortes e que, antes das obras de canalização realizadas ao longo da década de 1990, formavam um pequeno rio que escorria até a estreita saída desse anfiteatro, procurando desembocar, quando a seca permitia, no São Francisco. Uma região rica em fruteiras, em especial as mangueiras, goiabeiras e pinhas, que podem complementar a renda familiar de seus moradores em épocas menos secas. Como a qualidade do solo permite plantar de tudo, desde o milho e os diferentes tipos de feijão até a cana, introduzida ali em inícios do século XIX, e que por muito tempo alimentou pequenos engenhos de índios, não-índios e do SPI na fabricação de "mel", garapa e rapadura.

Religião e Medicina[editar | editar código-fonte]

Os índios Pankararu, apesar de possuírem alguns rituais como a Dança dos bichos, Menino do Rancho e "Festa do Umbu" , seguem, em sua maioria, a religião católica, o que ocorreu devido a ação dos missionários, caracterizando, como em muitas outras comunidades indígenas do Brasil, a diluição cultural devido a pressão do homem branco.

A religião Pankararu é passada, de pais para filhos, o povo Pankararu segue, com muita fé seus costumes. Tendo em suas culturas e tradições, fontes de sabedorias, e vida, pois o povo Pankararu, ainda usa como tratamento de cura, de suas doenças, ervas medicinais, e também são curados, em rituais, pelos praiás, que representa toda força encantada Pankararu, e concentra muita fé em seu deus pai Santsé. Os Pankararu eram considerados incapazes, achavam que os Pankararu tinham a mente de uma criança de 7 anos, mas nem uma criança de 7 anos tem mente fechada.

Antigamente os Pankararu foram rebaixados, ficavam reprimidas de ensinar seu idioma hoje muito coisas está perdida. Antigamente o Pankararu era mais tolo, acreditava em tudo, que as autoridades diziam. Eram chamados de feiticeiros, de macumbeiros. De comedores de lagartas de bichos, de coisas pobres. Não tinha a sua cultura respeitada, e quando uma índia da aldeia Tapera adoeceu, foi quando pessoas ligadas ao SPI – Serviço de Proteção ao Índio, que foi um órgão, antecessor a FUNAI. Não deixaram que ela se tratasse, nos métodos Pankararu, e levaram a índia para o hospital, na cidade de Tacaratu, foi quando a mesma índia quase morreu.

Se não fosse a interferência, de curandeiros Pankararu, que foram até o hospital, e pediram aos médicos que estavam tratando da índia doente, para deixar levar ela para ser tratada, em seu povo, a índia tinha morrido.

Situação Territorial[editar | editar código-fonte]

Embora a presença dos Pankararu em sua terra atual seja datada de séculos atrás, esse povo ainda se encontra envolvido em inúmeros conflitos buscando resolver sua situação territorial.

Pouco depois da fundação do aldeamento, a população da aldeia foi reduzida drasticamente. Nesse mesmo período, foi registrada a presença de posseiros brancos no local. Contudo, a demarcação das terras, ao que parece, nunca foi definida, e também não se tem conhecimento da extensão do território.

Somente no ano de 1942 foi realizada uma demarcação efetiva, e recentemente também foi feita a demarcação total da área. Porém, os posseiros permanecem no local, aguardando indenizações do governo federal. A presença dos posseiros tem sido o principal motivo de conflitos com os índios.

Os desentendimentos entre índios e brancos são marcados por atos de violência, nos quais estão envolvidos os antigos posseiros e também as novas famílias que perderam suas terras devido à construção da hidroelétrica de Itaparica e se viram forçadas a migrar para outras regiões, grande parte se instalando na reserva indígena.

Interculturalidade[editar | editar código-fonte]

A migração vivida por esse grupo foi definida como uma diáspora. Etimologicamente a definição de diáspora remonta ao termo em grego "διασπορά"–"dispersão", que se define como o deslocamento, normalmente forçado ou incentivado, pormotivos religiosos ou políticos, de comunidades ou populações originárias de uma região para outras. A diáspora Pankararu para São Paulo começou nos anos 1940 e se intensificou nas duas décadas seguintes. Em São Paulo os primeiros Pankararu que chegaram não tinham instrução formal e tornaram se trabalhadores braçais. A maioria trabalhava nas equipes de desmatamento da Cia. De Luz do Estado para onde eram agenciados por “gatos” que iam buscá-los na própria aldeia, para entregá-los em lotes, ao “empreiteiro” das obras(Arruti 1999: 267).

Uma boa parte dos Pankararu trabalhou na construção do estádio de futebol Cícero Pompeu de Toledo(o Estádio do Morumbi). Próximo ao local dos alojamentos, alguns trabalhadores começaram a se apossar de partes do terreno às margens do rio Pinheiros que eram de utilidade publica, “sobras” do loteamento do bairro e destinadas a construção de benfeitorias públicas que nunca chegaram a termo, formando assim uma “favela”,inicialmente chamada de “favela da mandioca” e posteriormente com o nome do bairro,“favela do Real Parque”. Foi nesse contexto que grande número de Pankararu acabou construindo um endereço fixo em São Paulo o que possibilitou a vinda de parentes formando assim uma migração constante para São Paulo, normalmente intercalada entre grandes períodos de trabalho em São Paulo e breves retornos a aldeia em Pernambuco. O número de Pankararu em São Paulo gira em torno de 2000 pessoas e na favela do Real Parque estão pelo menos um quarto da população Pankararu da cidade.

O núcleo Pankararu que se formou na “favela do Real Parque” começou a ganhar visibilidade social a partir do incremento da política de auto gestão e associativismo que caracterizou os movimentos sociais pós Constituição de 1988. Como não existe um mecanismo jurídico específico de reconhecimento dos indígenas migrantes, os Pankararu do Real Parque, inseridos numa gama de entidades de assistência eclesial, de ONGs e de associações auto gestionadas, lançaram mão da experiência com o associativismo vindo do cotidiano da favela e também do contato com outros povos indígenas.Assim, em 1992,formaram sua primeira associação, a SOS Índios Favelados, depois, em 1994, renomeada de Associação Indígena Comunidade Indígena Pankararu, a SOS-CIP, entidade que formalmente representa os Pankararu em São Paulo junto a FUNAI, FUNASA e outros órgão públicos e entidades da sociedade civil.

Ao se inserirem em campos de atuação política e ganharem alguma visibilidade social, os Pankararu passaram a se inserir em circuitos conexos aos espaços de mobilização social e demandas simbólicas começaram a surgir, no caso, demandas por sinais diacríticos capazes de “provar” a legitimar das demandas políticas e étnicas dos Pankararu. Solicitados a exibir traços culturais que os qualificasse como uma população diferenciada, mesmo que em contexto urbano, os Pankararu constituíram a performance “dança dos praiás”.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

CLIP TRIBO PANKARARU

Portal Pankararu

Índios online

O esquecimento da língua pankararu

Nossa Tribo

Projeto Mais Saúde e Nutrição para o Povo Pankararu

O povo Pankararu

A intenção Pankararu

Ambiente e economia

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]