Wikinativa/Pataxó

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O povo indígena Pataxó são grandes guerreiros e gostam de muita cultura.

Sua alimentação é pesca, frutos e a colheita de sua tribo é muito importante para cada um de si.

Em 2010 os dados do SIASI registram, para 2010, 11.436 habitantes (sendo 5.839 homens e 5.597 mulheres) distribuídos pelas aldeias: Barra Velha, Aldeia Velha, Boca da Mata, Meio da Mata, Imbiriba, localizadas em Porto Seguro; Pé do Monte, Trevo do Parque, Guaxuma, Corumbauzinho e Aldeia Nova, estabelecidas em Itamaraju, Coroa Vermelha e Mata Medonha, em Santa Cruz de Cabrália, e, por fim, Águas Belas, Craveiro, Tauá, Tibá, Córrego do Ouro, Cahy e Alegria Nova no Prado, totalizando 19 aldeias.

Pataxós
Pataxos.jpg
Representantes da tribo Pataxós
População total

11.436 (sendo 5.839 homens e 5.597 mulheres)

Regiões com população significativa
Porto Seguro; Itamaraju; Santa Cruz de Cabrália; e no Prado
Línguas
Em sua maioria se comunicam pela Língua Portuguesa
Religiões
Xamanismo pataxó e cristianismo
Grupos étnicos relacionados
Pataxós-hã-hã-hães

Localização[editar | editar código-fonte]

Os Pataxó vivem no extremo sul do Estado da Bahia, em 36 aldeias distribuídas em seis Terras Indígenas — Águas Belas, Aldeia Velha, Barra Velha, Imbiriba, Coroa Vermelha e Mata Medonha — situadas nos municípios de Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro, Itamaraju e Prado.

Eles são brancos de nascença e ao envelhecerem ficam pretos.

No estado de Bahia, os Pataxó vivem em sete comunidades, das quais quatro — Sede, Imbiruçu, Retirinho e Alto das Posses — estão localizadas na Terra Indígena Fazenda Guarani, município de Carmésia; Muã Mimatxí, em um imóvel cedido à Funai pelo Serviço de Patrimônio da União, no município de Itapecerica; Jundiba/Cinta Vermelha, no município de Araçuaí e também habitada pelos Pankararu; e Jeru Tukumâ, em Açucena.

Existem outros seis núcleos de povoamento:

  1. Terra Indígena Imbiriba, próximo à foz do Rio dos Frades, a vinte quilômetros ao Norte de Barra Velha. É o território mais antigo;
  2. Terra Indígena Coroa Vermelha, ocupado mais recentemente, estimulado pelo fluxo turístico, onde se desenvolvem atividades artesanais. Este último povoamento está à margem da rodovia que liga Porto Seguro a Santa Cruz de Cabrália.
  3. Terra Indígena Aldeia Velha, no município de Porto Seguro, ao norte do distrito de Arraial da Ajuda.
  4. Terra Indígena Mata Medonha, ao norte do município de Santa Cruz Cabrália.
  5. Terra Indígena Comexatiba, também conhecida como Cahy/Pequi, no município do Prado, imediatamente ao sul da TI Barra Velha do Monte Pascoal.
  6. Terra Indigena Terabitia , desconhecida !!!!!
Localização da tribo Pataxós.

História[editar | editar código-fonte]

A origem da etnia Pataxó e sua cultura encontram-se no interior do Estado de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Há vestígios de que os índios Macro-Jês (antepassados dos Pataxós), já habitavam na região da Costa do Descobrimento em 1000 a.C. Após o ano 420 os Macro-Jês acabaram migrando para o interior, por pressão dos índios Tupi. Migravam em pequenos grupos onde viviam da coleta de alimentos na Mata Atlântica, da pequena agricultura eles cultivavam seu alimento para a sobrevivência.

Em 1805, os índios Pataxós, marcam presença na região próxima ao Monte Pascoal, citado na carta de Pero Vaz de Caminha. Em 1861 nas margens do rio Corumbau, perto do Monte Pascoal, o Governo concentra várias etnias indígenas numa aldeia chamada Barra Velha e que funciona até hoje.

Os Pataxó sofreram muito mas sobreviveram em Barra Velha que era a única aldeia da região. Em 1939, Gago Coutinho, aviador português relatou ao ver a situação dos Pataxós: “É desolador o aspecto de miséria do povoado onde passamos a primeira noite”… “Todo mundo é doente. Uns atacados pelo impaludismo, outros pela verminose…”.

Em 1940 o governo federal determinou que o Monte Pascoal fosse o ponto exato do descobrimento do Brasil, visto pela esquadra de Cabral em 22 de abril de 1500. O Monte Pascoal se tornou importante marco histórico. Por decreto, foi criado o Parque Nacional do Monte Pascoal em 1943, delimitando assim as terras indígenas.

Em 1951, sabendo que haveria um parque dentro de suas terras, os índios Pataxó procuraram o Serviço de Proteção ao índio no Rio de Janeiro, para garantir o direito das suas terras, sem êxito. Logo após apareceram dois homens na aldeia, que se diziam engenheiros, e que demarcariam as terras indígenas. Os pataxós foram conduzidos, pelos homens, à vila de Corumbau, onde saquearam um comerciante local. A comunidade da região revoltou-se contra os índios. Pouco tempo depois, a polícia de Prado e Porto Seguro invadiu a aldeia de Barra Velha pela madrugada. Mataram vários índios a tiro. Espancaram outros. As palhoças foram incendiadas. As mulheres foram abusadas sexualmente. Muitos foram levados para trabalhar como escravos. Os dois homens, responsáveis pelo episódio da vila de Corumbau também morreram no tiroteio. A verdade sobre os dois homens nunca veio à tona. Este episódio é relembrado pelos Pataxós como “O fogo de 1951”. Os Pataxós que sobreviveram, formaram pequenos grupos estabelecendo-se em vários locais da região, constituindo pequenas aldeias como as de Mata Medonha, Águas Belas e Corumbauzinho. No início de 1960 os Pataxós retornam para Barra Velha. Em 1961 é implantado efetivamente o Parque Nacional do monte Pascoal proibindo os índios ao plantio de subsistência. Novamente, os índios se dispersam. Alguns permanecem e plantam em pequenas roças existentes no meio da mata.

Os Pataxós começaram a fabricar peças de artesanato, arcos, flechas, lanças, cocares, pulseiras, colares e outros adornos apreciados pelos turistas, para venda, como forma de subsistência.. Em 1978 a FUNAI inicia a demarcação das Terras Indígenas e os Pataxós começam a se organizar. Em 1992 os índios Pataxós formam a Associação dos Sem-Terra. Em 1999, um agente da Funai faz recomeçar a revisão dos limites das terras indígenas de Barra Velha e do Parque Nacional do Monte Pascoal. Em 2000, nas comemorações dos 500 anos do descobrimento, os Pataxós sofreram repressão da Polícia Militar na manifestação de Santa Cruz Cabrália.

Hoje, os Pataxós se preocupam na preservação do meio ambiente e de sua cultura. Replantam árvores. Resgatam danças e ritos como o Awê, Muká Mukau e o Kamunguerê. Valorizam a língua e os cantos indígenas. Reúnem-se em volta de uma fogueira, principalmente em noites de lua cheia para contar e ouvir suas histórias e lendas. Assim, vão transmitindo suas experiências, mantém suas festas, rituais, danças, jogos, comidas e bebidas típicas, pinturas e cantos indígenas fazem parte da grande festa indígena (realizada dia 09/abril – Dia do Índio).


Língua[editar | editar código-fonte]

O Pataxó é uma língua do tronco Macro-Jê e da família linguística Maxakalí.

A rigor, a língua indígena não é mais falada, a comunicação sendo feita através do português mesclado com vocábulos da língua indígena. Todavia, um grande esforço está sendo desenvolvido para a reconstrução doPatxohã - “Língua de Guerreiro” (Bomfim, 2012) - a partir do vocabulário registrado por cronistas e viajantes. O Grupo de Pesquisadores Pataxó, que desde 1998 se dedica ao estudo da língua, refere ao “processo de retomada da língua pataxó”, do qual têm participado todas as gerações, entendendo-o como o processo dinâmico e coletivo, experimentado por essa língua no decorrer da história e da vida do seu povo (Bomfim, 2012, p. 11). Anteriormente a essa data o vocabulário ainda dominado pelos mais velhos passou a ser compartilhado e ensinado na Escola Indígena Pataxó de Barra Velha pelos primeiros professores de cultura, Arawê e Itajá (Bomfim, 2012, p. 64). Os jovens professores pataxós reconhecem, igualmente, o pioneirismo de Kanatyo, que sempre demonstrou grande interesse pelos conhecimentos dos mais velhos, assim como pela elaboração de cânticos com vocábulos da língua indígena. A primeira escola fundada em Barra Velha, em 1978, pela Funai, contribuiu, fortemente, para estimular o seu interesse (Bomfim, 2012, p. 59). O ensino dePatxohã não se restringe ao léxico da língua, mas compreende um amplo conjunto de informações, tais como danças e canções indígenas; os processos históricos vivenciados pelos povos indígenas, particularmente aqueles estabelecidos no extremo-sul da Bahia; e a identidade indígena no presente.

Atualmente empreende-se grande esforço para ampliar o repertório de vocábulos falados e recuperar a sintaxe por meio de pesquisas realizadas por professores e estudantes universitários das diversas comunidades pataxós. Trata-se de um processo complexo de reconstrução, no qual os jovens, sobretudo, têm despendido muito tempo e empenho. O Patxohã (“língua do guerreiro pataxó”) está sendo ensinado na escola indígena de Barra Velha desde a década de 1990. No caso da aldeia de Coroa Vermelha, que possui a maior de todas as escolas pataxó, o Patxohã tornou-se disciplina do ensino fundamental em 2003 e do ensino médio em 2007.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

O Toré e a religiosidade hoje[editar | editar código-fonte]

É importante observar que não obstante afetadas pelo violento contato histórico experimentado pelas várias etnias estabelecidas na reserva Caramuru-Paraguaçu, as concepções cosmológicas, a mitologia e os rituais continuam vivos, e passíveis de serem acionados sob certas circunstâncias, notadamente pelos mais velhos. De todo modo, no âmbito público, é o Toré, hoje, que constitui a sua mais relevante expressão ritual. Trata-se de um ritual de possessão, mediante o qual os encantos – ou encantados, mestres encantados, entidades sobrenaturais consideradas benéficas – se manifestam, e que, em geral, é realizado para introduzir qualquer atividade considerada socialmente significativa. Dele participam homens e mulheres, que fazem uso do fumo, mediante cachimbos, mas não da jurema (Mimosa nigra, Hub.; Acacia hostilis, Mart.) – pequena árvore típica do sertão nordestino, de cuja entrecasca os povos indígenas do contexto etnográfico do Nordeste preparam um vinho, com propriedades levemente alucinógenas –, apenas evocada pelos cânticos entoados.

Há três igrejas instaladas na reserva: católica, testemunha de Jeová e wesleyana. Essa última atua como uma igreja pentecostal convencional, salvo pelo esforço de adaptação à cultura local, através da utilização de símbolos indígenas, como maracás e roupas.

Cosmologia:[editar | editar código-fonte]

O Sol é um gênio mal que se nutre dos homens: foi ele que introduziu a morte no mundo. Ao descer à terra, a cada dia, ele se sacia, no decorrer da noite, daqueles que foram enterrados durante o dia. Por isso, quando eram feitas grandes plantações, os Kamakã só queimavam um pequeno aceiro na floresta, a cada vez. A fumaça incomodava ao Sol e ele se tornava vermelho de cólera quando se fazia fogo. Assim, queimando-se pouco a pouco, faz-se menos fumaça e se o irrita menos (Douville apud Métraux 1930: 270 – 271).

A Lua, ao contrário, é considerada uma divindade benfazeja. É ela que indica aos Kamakã o melhor período para plantar, na lua nova, quando ela surge, a oeste, assim que sol se põe. É a Lua também que lhes informa sobre o início dos tempos chuvosos e tempestades e os guia no decorrer da celebração das festas: a cada cinco anos, eles permanecem ao longo de um ano em festas, quando os casamentos são celebrados (Douville apud Métraux 1930: 271).

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

Festas das Águas[editar | editar código-fonte]

É o ritual realizado para comemorar a chegada das chuvas, aprendemos com nossos antepassados que, quando faziam o plantio de roças e chovia era nossos protetores abençoando a colheita. È um momento em que agradecemos ao nosso protetor das águas Txopai e a Deus (Niamissu) pela fartura da banana. Esse ritual é realizado entre os dias 05 e 12 de outubro de cada ano.

No ritual das águas participam toda a aldeia: crianças, jovens, adultos e até alguns idosos. Somente a busca pelo Pai da Mata é um momento exclusivo da aldeia. Fazemos nossas danças, cantos, brincadeiras, a comida é farta para todos da aldeia e para aqueles que nos visitam. É um período de reunião e principalmente de celebração de fartura. O início das chuvas traz consigo uma plantação rica é também uma maneira de fortalecimento da nossa cultura repassada pelos nossos ancestrais.

Ao final do ritual acontece um banho de lama e água para purificação do corpo e da mente. É um também um momento de alegria e descontração entre todos, celebrando e lembrando sobre como surgiu o povo Pataxó, uma vez que, somos os filhos da água.

Casamento e namoro[editar | editar código-fonte]

O namoro pataxó era um namoro discreto, quando uma moça e um rapaz Pataxó começavam a se gostar,um dos interessados jogava uma pedrinha em direção ao outro e trocavam olhares. Começavam então a jogar pedrinhas um no outro, com isso já estavam namorando. Quando o sentimento fica forte e existia a vontade de se casar, o rapaz entregava uma flor à moça, se ela aceitasse a flor, significava que ela queria se casar com ele, se recusasse, é porque não queria se casar com ele.

Acontecido essas etapas do namoro o neia. No dia do casamento o noivo carrega uma pedra que equivale ao peso da noiva por uma distância determinada pelos pais da noiva juntamente com o cacique. O noivo carrega a pedra* até o local da cerimônia, chegando lá ele põe a pedra no chão e é realizada a troca de corares entre os noivos. A troca de cocares é o que simboliza a união entre os noivos pataxós. Depois da cerimônia, todos da aldeia vão para a casa dos noivos festejarem e beberem cauim.

  • Rapaz carrega a pedra simbolizando a sua força e resistência para manter uma família, caso ele não consiga carregar a pedra o casamento não acontece, será provado que ele não esta preparado para suprir uma família.

Batizado[editar | editar código-fonte]

O batizado é uma forma dos pataxós apresentarem suas crianças a sua cultura,apresentá-las a aldeia. Nesse dia acontece um grande almoço, cozinhado, com danças, brincadeiras e agradecimento a Niamissun. A criança pataxó é apresentada a Niamissun e o cacique e toda a comunidade pedem proteção para essa criança, e é a primeira participação da criança no ritual da cultura pataxó.

Medicina tradicional[editar | editar código-fonte]

Algumas ervas medicinais são muito utilizadas pelo povo Pataxó de modo geral. São elas:

Amesca: uma árvore muito importante para os Pataxó. A sua seiva é usada nos rituais sagrados do povo Pataxó em forma de incenso, para espantar os maus espíritos e fortalecer os espíritos dos guerreiros. Também tem importante uso medicinal: a seiva serve para combater dores de cabeça, dor de dente, sinusite, dor de barriga e outros. Seu aroma é bastante agradável.

Babosa:a folha da babosa batida no liquidificador junto com leite é usada para combater o câncer. É também eficaz no combate à diabete, fazendo o comprimido do seu líquido com a farinha de trigo.

Santa Maria:o sumo de sua folha serve para combater micoses e impigem, passando no local. O banho com suas folhas serve para combater a sinusite e a goma de suas folhas serve para curar infecções na pele.

Cardo Santo:a folha batida no liquidificador junto com leite é anti-inflamatório; o chá com as folhas serve para dores no corpo; o sumo da folha junto com óleo de rícino serve para combater a pneumonia.

Tioiô:o banho com suas folhas serve para o fortalecimento espiritual, “olho gordo” e combate à sinusite; o chá das suas folhas serve para combater verme.

Confrei: o chá com as suas folhas é anti-inflamatório; o sumo junto com leite serve para tirar pustema; o chá junto com coentro-maranhão é anti-inflamatório fortalecido, serve para curar inflamação de garganta.

Hortelã:o chá com as suas folhas serve para combater febre e gripe; as suas folhas amassadas espantam r

atos de casa, colocando no local onde eles costumam aparecer.

Boldo:o chá com as suas folhas serve para congestão e dor no estômago.

Coentro-Maranhão:o chá com as suas folhas é estimulante sexual; o sumo da raiz pisada serve para escorbuto.
Imagem do coentro do Maranhão.

Chapéu-de-couro: o chá com as suas folhas serve para combater dores no corpo; a raiz e as folhas colocadas na cachaça servem para reumatismo.

Cana-de-macaco: o sumo de seu caule e olho serve para combater hemorragia, dor de estômago e problema nos rins; o chá das folhas serve para dores no corpo.

Artimijo:a massagem com as suas folhas aquecidas serve para acelerar o processo de parto.

Mastruz:o chá e o sumo de suas folhas é anti-inflamatório e também serve para combater dores e febre. Também combate vermes. As suas folhas pisadas e amarradas num local servem para curar inchaços e dores nos ossos; o sumo do mastruz com leite serve para retirar pustema e combater pneumonia.

Imagem do mastruz.

Vale destacar que o conhecimento que os pajés possuem sobre a flora local e a manipulação das ervas é digno de reconhecimento e que não consiste numa forma paliativa ou atrasada de lidar com problemas de saúde. Ele resulta de anos de observação e prática e depende da transmissão de conhecimentos por meio da oralidade.

A parteira[editar | editar código-fonte]

Na comunidade, normalmente a parteira é uma anciã que tem muitos conhecimentos tradicionais, em especial, das plantas e ervas. Na hora de realizar um parto, ela conhece as técnicas de acompanhamento e preparação dessas ervas medicinais para que seu trabalho ocorra conforme o planejado.

Uma mulher Pataxó torna-se parteira vivenciando, praticando e, geralmente, seguindo uma tradição familiar. O trabalho da parteira é um trabalho árduo e que exige muita dedicação: ela está presente não só no momento do parto, mas sobretudo nas horas que o antecedem, preparando os banhos com artimijo, mentrasto, folha de jenipapo, tioiô e outras ervas que auxiliam o trabalho.

Usualmente, ela começa a participar dos partos por volta dos 20-25 anos de idade, acompanhando uma parteira mais experiente. É a partir daí que começa a pôr em prática e exercer a atividade, ganhando o respeito, primeiramente, dos familiares e, em seguida, da comunidade.

As anciãs que atualmente desempenham essa atividade nas aldeias são: em Barra Velha, Dona Roxa, Bia, Dona Maria Coruja, entre outras; em Coroa Vermelha, Dona Rosa (Rosa Neves do Espírito Santo) de 67 anos, parteira há 47 anos; e em Aldeia Velha, a Pajé Jaçanã.

Assim como no caso do trabalho desempenhado pelos pajés, cabe destacar que o trabalho das parteiras não é um paliativo das comunidades indígenas para suprir a carência de uma rede médico-hospitalar. Pelo contrário, elas são alternativas eficientes e qualificadas a essa rede que, de modo geral, atende às necessidades da população indígena tanto quanto às a não indígena, operando por meios não invasivos e não farmacológicos, utilizando massagens e técnicas de relaxamento.

Situação territorial[editar | editar código-fonte]

Os Pataxós vivem no extremo sul do Estado da Bahia, em 36 aldeias distribuídas em seis Terras Indígenas - Águas Belas, Aldeia Velha, Barra Velha, Imbiriba, Coroa Vermelha e Mata Medonha -- situadas nos municípios de Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro, Itamaraju e Prado.

No estado de Minas Gerais, os Pataxó vivem em sete comunidades, das quais quatro -- Sede, Imbiruçu, Retirinho e Alto das Posses – estão localizadas na Terra Indígena Fazenda Guarani, município de Carmésia; Muã Mimatxí, em um imóvel cedido à Funai pelo Serviço de Patrimônio da União, no município de Itapecerica; Jundiba/Cinta Vermelha, no município de Araçuaí e também habitada pelos Pankararu; e Jeru Tukumâ, em Açucena.

As comunidades de Minas Gerais se formaram, indiretamente, a partir dos episódios do “Fogo de 51” e da criação do Parque Nacional do Monte Pascoal (PNMP), assim como, posteriormente, do “reconhecimento” dos Pataxó pela Funai, em 1971, o que os teria atraído para este estado, onde já havia uma representação do órgão que poderia lhes prestar assistência (informações cedidas por José Augusto Laranjeiras Sampaio).

Em julho de 2010, grupos pataxó da TI Fazenda Guarani ocuparam áreas de duas Unidades de Conservação: o Parque Estadual do Rio Corrente, no município de Açucena, e o Parque Estadual Serra da Candonga, no município de Dores de Guanhães. Segundo líderes indígenas, o pleito pela criação de novas terras indígenas visa amenizar as situações de insuficiência territorial e escassez de recursos naturais às quais as populações indígenas estão submetidas.

Na Bahia, o número de aldeias aqui apresentado foi obtido junto às comunidades locais e a alguns de seus líderes ao longo de sucessivos trabalhos de campo realizados por diferentes pesquisadores. Essa estimativa, contudo, difere da apresentada pelos órgãos oficiais devido à própria dinâmica de ocupação territorial pataxó.

Além disso, esses dados podem variar entre os próprios informantes nativos, uma vez que a caracterização de uma determinada área como aldeia, e não como “retomada”[termo utilizado para caracterizar a ocupação de terras não identificadas como indígenas, mas que a tradição pataxó reconhece e reivindica como tal] é variável.

Fontes[editar | editar código-fonte]

Referências