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Pedro Cubas
População total

222 pessoas.

Regiões com população significativa
Vale do Ribeira (ao sul do estado de São Paulo).
Línguas
Português
Religiões
Católica (maioria), evangélica.


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O quilombo de Pedro Cubas se formou a partir da reunião de negros que fugiram de fazendas da região do Vale do Ribeira (SP) e a área regularizada na qual está a comunidade conta com 3.806,23 hectares, o que corresponde a 64% do território total. [1] A comunidade quilombola de Pedro Cubas é formada por 222 pessoas divididas em 59 famílias. Analisando a faixa etária da comunidade podemos notar que quase metade da população tem até 15 anos de idade e por volta de 10% tem mais de 60 anos. A roça, realizada de modo tradicional, é a principal atividade de subsistência dessas famílias. Nela se planta de modo consorciado a macaxeira (mandioca mansa) em suas variedades mata-fome (amarela, roxa, branca e de fritura), feijão, milho, abóbora, pepino, taioba, banana, batata roxa, cará, cará de espinho, inhame, mangarito e cana de açúcar. As principais atividades executadas são artesanato, especialmente a produção de colares e pulseiras com sementes nativas, e a criação de frango caipira para a comercialização da carne e de ovos nas feiras da região. Além de ser uma alternativa de geração de renda, ajudará também na fertilização da horta a partir da utilização do esterco. [2]




Localização[editar | editar código-fonte]

Pedro Cubas fica no quilômetro 96 da Estrada Eldorado/Iporanga (SP-163), depois de atravessar de balsa o Rio Ribeira de Iguape, no município de Eldorado (SP).

Coordenadas:

Veja no mapa

Situação Territorial[editar | editar código-fonte]

As terras de Pedro Cubas foram parcialmente tituladas em 2003 pelo governo do Estado de São Paulo. A área regularizada (3.806,23 hectares) corresponde a 64% do território total. Apesar da titulação, ainda permanecem na área ocupantes não-quilombolas. No ano de 2004, o Incra instaurou processo com vistas a regularizar esse território. Em maio de 2007, o relatório de identificação e delimitação da área estava em elaboração. [1]


História[editar | editar código-fonte]

O início da ocupação das terras banhadas pelo Rio Pedro Cubas deve-se a Gregório Marinho, escravo da fazenda Caiacanga, de propriedade de Miguel Antônio Jorge, que era filho de um comprador de escravos, que viveu no século XVIII. Da fazenda de Miguel Antônio Jorge, vários escravos fugiram, um deles foi Gregório Marinho.

A família Marinho aparece como um dos fundadores, tanto de Ivaporunduva, como de Pedro Cubas. Quando Gregório Marinho batizou sua filha Rosa, em 1849, ele se encontrava residente no Córrego Mundéo, em Ivaporunduva. Já no ano de 1856, ele registrava um sítio em Pedro Cubas, cujas divisas encontravam-se com as terras de Manuel Antônio Jorge e com as de Manoel Antunes de Almeida.

Pedro Cubas de Cima foi fundada por Gregório Marinho. Pedro Cubas de Baixo por Chico Marinho. Outros fundadores da comunidade foram negros escravos que trabalhavam na mineração do ouro, onde era usada muita mão de obra. Eram trazidos de outras regiões e vendidos em Iguape, onde eram negociados e depois eram levados para outras localidades rio acima.

Pedro Cubas de Cima teve sua ocupação iniciada no século XVIII, por negros fugidos e outros moradores negros que foram entrando na área. Bem antes da abolição, as famílias negras também cediam parte do território a alguns recém chegados necessitados.

A entrada de fazendeiros na região, principalmente para o cultivo de arroz, banana e criação de gado trouxe também pressão pela saída das famílias quilombolas. Não tendo como resistir, várias famílias deixaram suas terras e foram para outras áreas ou cidades.

A Constituição de 1988, reconhecendo o direito às comunidades remanescentes de quilombos às terras tradicionalmente ocupadas, trouxe esperança para as famílias que permaneceram na terra e também para aquelas que saíram, de ter seu direito garantido.

Os moradores de Pedro Cubas que conseguiram manter-se na terra, acreditando na possibilidade do reconhecimento de seus direitos territoriais e culturais, entraram em contato com os irmãos, filhos e parentes próximos, que tentavam viver enfrentando grandes dificuldades fora da área.

Em meados de 1990, os que resistiram às pressões passaram a receber de volta os parentes que haviam saído, num processo que se avoluma, ensejando a reconstituição de famílias, antes fragmentadas e possibilitando a criação de uma associação da comunidade.

A crescente auto organização das outras comunidades negras do Vale do Ribeira e o sucesso na luta pelo reconhecimento de suas terras, tiveram o mérito de fazer renascer a esperança na Comunidade Pedro Cubas. Havendo uma fazenda entre os dois núcleos, foram criadas associações distintas e o processo de reconhecimento feito separadamente.

Em 1998 foram fundadas as associações de Remanescentes de Quilombo de Pedro Cubas de Baixo e Pedro Cubas de Cima, para organizar as famílias e negociar a titulação de suas terras junto aos órgãos competentes. [2]


Cultura e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Recomendações das Almas[editar | editar código-fonte]

Uma das principais tradições culturais mantidas na comunidade é a Recomendação das Almas, realizada a partir da meia-noite da Sexta-feira Santa. Antecipadamente são preparadas comidas típicas como paçoca de amendoim, bolo de banana, coruja (doce típico feito de mandioca azeda, ovos, enrolada em folha de bananeira para ser assada), cará, mandioca, café de garapa e chá de erva cidreira para ser comido depois da Recomendação das Almas.

Os participantes se reúnem em uma das residências, em Pedro Cubas de Baixo. De onde caminham por volta de 10 km até o Cemitério de Batatal. Antes de saírem é tocada a matraca para avisar os participantes, que estão reunidos dentro de uma casa, que vai começar a ida ao cemitério. Fazem uma reza cantada para cada “tipo de alma” (perdidos, afogados, aflitos, etc.). Chegando ao cemitério, ficam do lado de fora e fazem as mesmas rezas cantadas para as almas. Na volta vêm parando em algumas taperas (lugares onde antepassados morreram e foram enterrados) para rezar por aquelas almas até chegarem à casa onde se reuniram para iniciar a Recomendação. Quando o grupo chega em uma tapera, os moradores da casa têm que estar acordados, abrir a janela e colocar nela uma vela acesa. Só voltam a dormir quando o grupo vai embora e a janela é fechada.

Esse percurso termina por volta das 5 da manhã. Quando chegam à casa inicial, tocam novamente a matraca para avisar que estão chegando, rezam e entram em casa cantando e fazem as últimas orações diante de uma imagem de N. Sra. Aparecida, “entregando a procissão à Santa” e pedindo que ilumine as almas. Terminam comendo o que foi preparado anteriormente. [2]


Festa do Divino[editar | editar código-fonte]

A Festa do Divino, realizada em julho na cidade de Eldorado, é feita em homenagem ao Divino Espírito Santo. No mês de junho, o festeiro manda a Bandeira do Divino para a comunidade, para que sejam pedidas as oferendas para a festa. Em um sábado e um domingo, se reúnem na Igreja da vila. São cantadas músicas específicas, acompanhadas com violão, zabumba e triângulo. Caminham cantando e tocando até a residência de Joaquim Brás, que é a última casa de família católica em direção a Pedro Cubas de Cima. Pela tradição, deve começar pela casa mais acima para depois passarem pelas casas na direção oposta. Pedem oferenda para o dono da casa para realizar a festa, cantam agradecendo e o dono da casa, se quiser pode fazer uma promessa diante da bandeira e dar um nó em uma das fitas penduradas nela. Assim vão passando por cada casa da comunidade. Se anoitecer antes que tenham terminado, a Bandeira dorme na última casa e é retomado no domingo. Depois de passar por todas as casas, a Bandeira e as oferendas são levadas em lombo de burro para a Igreja de Batatal, que é a comunidade mais próxima. [2]


Festa de Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

Santa Catarina é a padroeira da comunidade. A festa em sua homenagem é realizada no mês de novembro. À tarde é celebrada missa e procissão. Após a missa é feita uma festa com barracas de comidas e bebidas, baile com aparelho de som e forró começando no início da noite do sábado e indo até o amanhecer do domingo. [2]


Referências

  1. 1,0 1,1 Comunidades Quilombolas no estado de São Paulo
  2. 2,0 2,1 2,2 2,3 2,4 Quilombos do Ribeira
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  • TODAS AS IMAGENS FORAM RETIRADAS DO DOCUMENTO "Agenda Socioambiental de Comunidades Quilombolas do Vale do Ribeira" ELABORADO PELO INSTITUTO SÓCIO AMBIENTAL E SÃO DE AUTORIA DE CLÁUDIO TAVARES/ISA.