Wikinativa/Terenas

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Aluna: Julia Venceslau. Edição:Luana Viturino.[editar | editar código-fonte]

Localizada principalmente no Mato Grosso do sul, a tribo Terenas tem 26.065 representantes (siasi,sesai 2014) o idioma falado é o terenas, que faz parte da família de línguas aruaques (aruak).

Menina da etnia terena

Localização[editar | editar código-fonte]

Vivem principalmente no estado de Mato Grosso do Sul (Áreas Indígenas Aldeinha, Buriti, Dourados, Lalima, Limão Verde, Nioaque, Pilade Rebuá, Taunay/Ipegue e Terras Indígenas Água Limpa e Cachoeirinha, a oeste da Reserva Indígena Kadiwéu, na Área Indígena Umutina e a leste do rio Miranda).

Podem ser encontrados também no interior do estado brasileiro de São Paulo (Áreas Indígenas Araribá, Avaí e Icatu). Além disso, situam-se ainda na margem esquerda do alto rio Paraguai, em Mato Grosso do Sul ; e em Mato Grosso também vivem no norte deste estado, entre os municípios de Peixoto de Azevedo, Matupá e Guarantã do Norte, na Terra Indígena Gleba Iriri Novo, às margens do rio Iriri, nas aldeias Kopenoty, Kuxonety Poke'é, Inamaty Poke'é e Turipuku.

Língua[editar | editar código-fonte]

A língua falada é a terena e galego português, que faz parte da família de línguas ameríndias aruaques (aruak). Essas línguas são faladas em grande parte do território da América latina, desde as montanhas centrais da Cordilheira dos Andes no Peru e na Bolívia, atravessando a Planície Amazônica, ao sul em direção ao Paraguai e ao norte, em países da costa norte da América do Sul, como o Suriname, a Guiana e a Venezuela. Os terenas são essencialmente bilíngues, mas a frequência com que o português ou o terenas é utilizado varia de acordo com a aldeia. Em algumas pouquíssimas pessoas utilizam de fato a língua ‘materna’ e em outras os jovens dominam mal o português e o Davi de Januário foi destaque.

Origem[editar | editar código-fonte]

A marcação em verde destaca a região do gran Chaco. O povo Guana, que deu origem aos Terenas, viviam na parte norte, ou boreal do Chaco

O povo Guaná era um povo pacífico que vivia no Chaco Boreal. Seus vizinhos, os Guaikurú são grande guerreiros que comem mandioca seu prato principal, eram nômades e mais agressivos, Ganharam cavalos dos espanhóis e guerrearam contra todos. Iam até as tribos guanás para captura-los para o trabalho manual e atacavam espanhóis e portugueses. Em 1791 iniciaram a paz com os portugueses, mas por medo de vingança dos espanhóis, Guanás e Guaikurús viajaram e pediram ao governador do Mato Grosso permissão para ficar na região entre Albuquerque e Cuiabá. O povo Guaná se dividiu entre os Kinikinao e os Terenas.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Guerra do Paraguai[editar | editar código-fonte]

Após a independência as colônias espanholas passaram por um período de guerras e lutas para definir fronteiras e principalmente pela navegação dos rios Paraguai, Paraná e Prata. Em 1864 o governante paraguaio Solano Lopez invadiu o Brasil e usou como pretexto o fato de que D. Pedro II contribuiu no golpe contra o presidente do Uruguai, aliado do Paraguai. Com esse ataque Solano Lopez pretendia conquistar território no Brasil que continha o rio Paraguai, que faz o acesso do Mato Grosso ao litoral brasileiro. Foi feita, então, a tríplice aliança da Argentina, Uruguai e Brasil contra o Paraguai com a ajuda da Inglaterra, que tinha interesses comerciais na saída de Solano Lopez.O governo brasileiro se utilizou de escravos negros e de índios para a luta na guerra. Os índios participaram e foram prejudicados pela guerra também de outras formas. A partir de sua agricultura produziram alimento para a guerra, seus territórios foram palco para muitas batalhas e as doenças trazidas pela guerra os atingiam com violência.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Durante a guerra os territórios e as tribos dos Terenas foram sendo destruídas ou tomadas. Quando a guerra acabou os Terenas começaram a voltar para onde viviam, mas esses locais estavam completamente destruídos ou tomados por outros ocupantes. Apesar de terem ajudado o governo a ganhar a guerra e a ter defendido o território nacional o governo brasileiro não garantiu o direito dos Terenas a terem suas terras de volta. Começaram a surgir na região diversas fazendas que prejudicavam as plantações das aldeias e dificultava muito a vida nas comunidades indígenas. Os Terenas foram obrigados a trabalhar em fazendas ou a procurar um local mais distante para continuar com sua cultura e costumes, de forma que abria cada vez mais espaço para fazendeiros e diminuía o número de índios.

Religião[editar | editar código-fonte]

Os Terena, sobretudo aqueles residentes nas aldeias mais "tradicionais", como Cachoeirinha e Bananal recorrem a "porangueiros", como dizem, ou curadores (xamãs, em terena: koixomuneti) para tratamento da saúde, interpretadas como "males do espírito" que afetam o corpo do indivíduo , já que não existe separação entre corpo e espírito na visão dos terenas. Também possuem o poder de descobrir feitiço que terceiros podem ter colocado no doente, causando sua morte. Os porangueiros agem por meio de um "espírito companheiro" (koipihapati) que na é quem "descobre" as coisas encobertas e lhe orienta na cura.

Em Cachoeirinha, no mês de maio, quando as plêiades voltam a aparecer no horizonte, realizam uma festa (oheokoti) em que os vários koixomuneti, paramentados e pintados, utilizando seus instrumentos básicos de trabalho (o "porango" ou maracá - itaaká e um tufo de penas de ema - kipahê) passam a noite cantando em invocação dos seus "espíritos guia" para que tragam boas colheitas, abundância e para livrar a aldeia dos "feitiços".

Cultura[editar | editar código-fonte]

Atividades produtivas[editar | editar código-fonte]

Anteriormente à guerra do Paraguai os Terena tinham disponíveis grandes extensões de terra, o que permitia que praticassem agricultura itinerante, na qual a terra era cultivada, depois queimada, tocos ou restos de árvores eram retirados e então a terra não era cultivada novamente durante determinado período de tempo, para que se recuperasse. Atualmente, dentro de reservas, esse método não é mais possível devido ao espaço limitado. Eles possuem campos de cultivo permanentes e a gradagem é feita de forma mecanizada, com tratores. Os cultivos mais presentes são os de feijão, arroz e milho, que exigem alta fertilização. É plantada, de forma secundaria, uma grande variedade de produtos como abóbora, melancia, batata-doce e maxixe. Quando a produtividade da cultura principal começa a diminuir são cultivados tubérculos, pois exigem menos fertilização do solo, até a recuperação da fertilidade do solo. A pesca, coleta e caça tem, ainda hoje, grande importância para subsistência das tribos, mas era mais presente até meados dos anos 1970. Nessa época ficavam próximos a florestas e matas abundantes. Dentro da reserva, no entanto, a prática dessas atividades nem sempre é permitida, e isso diminuiu bastante sua importância. A coleta era feita por mulheres e os itens mais coletados eram mel silvestre, frutas, ovos de ema e tartaruga, palmito e raízes medicinais.[2][3]

Vestimenta[editar | editar código-fonte]

Indio Terena

A peça mais comum é uma saia que vai até os joelhos chamada de Xorgong, em tempos de guerra era utilizada uma versão mais curta e de cor preta. Usam também chinelos de couro e no frio camisas de algodão sem mangas. Muitos adornos coloridos como pulseiras e enfeites para a perna eram utilizados no dia a dia. Eram feitos pela ligação de sementes, contas ou dentes e ossos de animais, com fios de algodão. Nas festas usavam tiaras feitas com penas vermelhas e saiotes de plumas de ema. Os chefes utilizavam penas de papagaio amarelas, pois o papagaio era considerado um "chefe" e o uso dela significava que um inimigo havia sido morto em combate. Na guerra, o chefe de guerra vestia uma capa de pele de onça.[4]

Cerâmica[editar | editar código-fonte]

É atividades praticadas pelo povo terenas. É um trabalho realizado pelas mulheres e aos homens cabe apenas a tarefa de coletar e processar a queima do barro. A técnica utilizada é a de roletes e o trabalho é todo feito à mão. Pode-se utilizar também torno sem motor. As cores utilizadas dependem da região e são basicamente o preto, branco, vermelho e amarelo e os padrões de grafismo são o estilo floral, pontilhados, tracejados, espiralados e ondulados. As peças mais comuns são vasos, bilhas, potes, jarros, animais da região pantaneira (cobras, sapos, jacarés que são chamados de bichinhos do pantanal), além de cachimbos, instrumentos musicais e variados adornos. O preparo do barro é feito a partir da retirada de resíduos como pedras da massa e depois é feita a adição dos chamados “temperos” para regular a plasticidade, como pó de cerâmica amassado e peneirado, conchas trituradas e cinzas de vegetais. [5]

Situação Territorial[editar | editar código-fonte]

Em 15 de maio de 2013, um grupo de centenas de Terena reocuparam uma parcela de terreno, a fazenda Buriti, que está localizada no município Sidrolândia(Mato Grosso do Sul). Agora é propriedade de um político local e rancheiro, a qual eles acreditam ser parte do seu território ancestral indígena. Após duas semanas de ocupação, no dia 30 de Maio de 2013, uma operação realizada pela Polícia Federal com o objetivo de retirar índios Terenas resultou em conflito com a tribo, resultando em a morte de um índio (Oziel Gabriel, 35 anos e pai de dois filhos).[6] A Policia Federal acabou descumprindo regras emitidas pelo próprio governo federal para ações do tipo.[6] A Funai não pode mediar o conflito.[6] O irmão do índio que faleceu afirma que a tribo ainda vai continuar com a ocupação de terras, 23 terras no total, 10 já conquistadas.[7]

Referências