Wikinativa/Tremembé

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Tremembés
População total

2.971 (Funasa, 2010)

Regiões com população significativa
Ceará
Línguas
Português e o [Nativo (Poromonguetá) quase extinto]
Religiões
Misturada, porém predominantemente Torém
Estados ou regiões do Brasil
Maranhão, Ceará
situação do território
Identificada
Mapa indicando a presença indígena contemporânea no Ceará. Fontes: Fundação Nacional do Índio e Fundação Nacional de Saúde.
Etnias indígenas com mais representantes no Leste-Nordeste do Brasil

Os Tremembé estão cada vez mais aprimorados com sua historia e assegurados de seus diritos pela constituição de 88. Os Tremembés são um grupo étnico indígena que habita os limites do município brasileiro de Itarema, no litoral do estado do Ceará, mais precisamente na Área Indígena Tremembé de Almofala (Itarema), Terras Indígenas São José e Buriti (Itapipoca), Córrego do João Pereira (Itarema e Acaraú) e Tremembé de Queimadas (Acaraú).


Localização[editar | editar código-fonte]

Os Tremembé, nos séculos XVI e XVII, ocupavam uma região que segue onde hoje é do estado do Pará, até o Ceará (Tomás, 1981; Nimuendaju, 1981; Metraux, 1945; Pompeu Sobrinho, 1951). Os tremembé atualmente vivem no estado do Ceará, mais especificamente nos municípios Itarema, Acaraú e Itapipoca. No município de Itararema, os Tremembé vivem numa área já regularizada pela Funai e conhecida como Corrégo do João Pereira, e também na região da "Grande Almofala" que compreende uma vila homônima. [1]

Coordenadas -2.883597,-40.119518

Veja no mapa

História[editar | editar código-fonte]

Os Tremembé, nos séculos XVI e XVII, ocupavam uma região que segue onde hoje é do estado do Pará, até o Ceará (Tomás, 1981; Nimuendaju, 1981; Metraux, 1945; Pompeu Sobrinho, 1951). Na época da colonização portuguêsa foram criados vários aldeamentos missionários, destacando-se o de Tutóia, no Maranhão e controlado pelos jesuítas, e o do Aracati-mirím, no Ceará e controlado por padres seculares. Foram concedidas também algumas sesmarias a padres seculares na região, algumas se referem também às terras da Missam do Tapuya Tramanbe. Ela foi consolidade como um tipo de irmandade após a missão chamada de Nossa Senhora da Conceição dos Tramambés, o que fez com que surgisse uma grande extensão de terras com cabeças de gado. A instituição era de catequese mas também fazia serviços religiosos para a população na região. Eles estao agora em maior parte na cidade de Japeri no Rio de Janeiro .

A missão se tornou uma frequesia de índios e foi renomeada para Almofala em 1766. No fim do século XVIII a irmandade foi perdendo grande parte de seu território e patrimônios. A região de Almofala continuou a ser habitada, só que por população indígena. Neste período vários índios chegaram a ser nomeados para povoação também, permanecendo até 1858, quando a diretoria foi suprimida pela lei provincial que corresponde a política do governo cearense sobre aldeamentos indígenas.

A antiga povoação foi sendo descoberta no fim do século XIX, pouco a pouco por dunas de areia que chegaram até mesmo a soterrar a igreja barroca. O Padre Antonio Tomás, que foi a testemunha de todo o processo, registrou o drama causando pela retirada dos santos da igreja. Do século XIX e ao longo do século XX, os Tremembé também foram considerados `cabocios`, `remanescentes`, ou descendentes de índios. [2]

Língua[editar | editar código-fonte]

Devido as grandes influências portuguêsas decorrentes das missões portuguêsas na região onde viviam e vivem os Tremembé, eles perderam historicamente a sua lingua natíva, sendo agora a predominante o português.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Os tremembé perderam historicamente os seus costumes religiosos, restando poucas características originais. Hoje em sua maioria são altamente influenciados pelo catolicismo.

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

Os tremembés conseguiram guardar um pouco da sua arte e cultura. Eles ainda dançam o torém (uma dança ritual) e ainda produzem o mocororó (vinho de caju azedo fermentado).[3] Eles costumam pintar as paredes das suas habitações e cerâmicas com motivos simbólicos do seu habitat, como: o caju, a rolinha, peixes, caranguejos e outros. As mulheres tremembés confeccionam biojoias, como colares e pulseiras com conchas, búzios e sementes.

A tecelagem também é confeccionada por estes.


os Tremembé utilizam as poucas plantas que ainda existe região para fazerem seus proprios remedios,utilizando todas as partes das plantas onde faziam garrafadas, cuzinhados, , chás entre outras curas realizadas com as plantas. Antigamente, a área Tremembé era bem ampla, constituída por plantas e animais de todas as espécies e chamava atenção das pessoas devido à beleza das plantas, o canto dos pássaros e toda a abundância de seres vivos propícios ao espaço, se relacionando de forma peculiar, o que enchia os olhos da população residente e dos que visitavam o local. A vida dos animais nessa área era o que se poderia imaginar e designar de paraíso, pois além dessa imensidão de seres existentes, se podia deparar com as maravilhas que a natureza oferecia. A exuberância dos córregos e lagoas vinha acompanhada de seres que ditavam o ritmo da vida natural e dos nativos que a cercavam. É de se imaginar o vai e vem de pássaros como o socó-boi, o carão, a lavandera, dentre outros, no emaranhado de plantas propiciando uma vida tranquila. Plantas como o juazeiro, milome, catingueira que emitiam cheiros que atraiam cada vez mais as aves e os animais como o tatu, a cutia, a onça, o gato-do-mato; e outra diversidade de animais que buscavam sombras e refúgios das plantas. Eles se alimentavam de sementes, além de utilizarem os locais para tocaias para finalidade própria, como por exemplo, esperar suas presas embaixo das árvores para atacá-las e devorá-las. É de se pensar no sobe e desce dos punarés e soins nas copas das árvores e nos emaranhados dos mufumbeiros, pousando, saltando e soltando ruídos, como se fossem verdadeiras modelos das passarelas da vida. E ainda, é de esse encher a boca d’água ao se lembrar das caçadas por entre as veredas e dos prados com os guaxinins, tejus e camaleões, na tentativa de pegá-los para saborear suas carnes, juntamente com seus familiares. Essa diversidade de animais cantando, andando e saltando dentro da mata fazia a vida ser mais serena e cheia de graça, pois se vivia mais em harmonia com as plantas e se caçava, pescava e se coletava apenas o bastante para as refeições daquele dia. Assim, no outro dia era uma nova batalha pela sobrevivência, sem degradar a vegetação. A complexidade de uma vegetação permeada de outros diferentes recursos naturais propicia a interação da população com o meio de forma que se pode tirar aquilo que se precisa sem destruir aos demais seres vivos. Isso acontecia antigamente de maneira natural, pois o homem enquanto integrante desse meio natural sobrevivia de maneira simples, respeitando o espaço e a vida dos outros seres e tinha fartura ao seu redor, no que diz respeito à quantidade 13 de espécies de animais e plantas que lhe favorecia uma busca do essencial sem agredir a natureza. Segundo a liderança Seu Estevão Henrique dos Santos, da localidade de Tapera, antigamente existia abrigo para os animais. As lagoas eram soltas e tudo era livre, assim os animais podiam viver à vontade, tanto os que viviam na mata como os criados em casa. Porém com a chegada da empresa “Ducoco” tudo mudou e ficou mais difícil, pois as plantas foram desmatadas e as lagoas cercadas, acabando assim com os animais dessa região.

Situação territorial[editar | editar código-fonte]

Foram declarados como não existentes pelo então governador da Província do Ceará , após decreto de 1863. Antes disto, em 1854, os índios perderam o direito da terra pela regulamentação da Lei da Terra. Estes ressurgem no cenário cearense nas décadas de 1980 e 1990, quando são reconhecidos pela Fundação Nacional do Índio. [4]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências