Wikinativa/Uaiana

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João Victor Lopes. Os Uaianas ou Wayanas são uma tribo indígena da família linguística karib que habitam territórios dos seguintes países da América latina: Brasil, Suriname e Guiana Francesa. Segundo informações da Funasa, em 2010, os Uaianas totalizam 304 indivíduos.

Localização[editar | editar código-fonte]

Os Uaianas como um todo se distribuem em três grupos delimitados pelo curso dos rios Paru de Leste (Brasil), Marouni (Guiana Francesa) e Tapanahoni (Suriname). Essa divisão é fruto de migrações, fusão com outras tribos e contato com não-índios. No Brasil as aldeias desses índios estão no Parque Indígena do Tumucumaque e da Terra Indígena Rio Paru D'Este, onde se encontram também outras tribos.

Língua[editar | editar código-fonte]

O multilinguismo é predominante em toda a área do rio Paru de Leste. As línguas notáveis são português, aparai, wayana e tiriyó sendo que a maioria dos indivíduos sabe de duas a três línguas gerando a possibilidade de comunicação com outras tribos e outros segmentos mais distantes da própria tribo. Na língua da família karib, há muitos pronomes e tempos verbais, junção de palavras complexas e pronomes de tratamento rigorosos.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

São os mais velhos que detêm o saber tradicional, embora seu número seja proporcionalmente cada vez menor dentro do quadro populacional. Entre eles os mais renomados e, ao mesmo tempo temidos, são os xamãs, os quais desenvolvem um saber especializado e esotérico que lhes permite a comunicação entre o mundo social e o mundo espiritual. Para os Uaianas (e também os Aparais) a terra e o céu encontravam-se ligados por uma montanha e o principio ou entidade criadora seria um herói-criador chamado Ikujuri ou Kujuli. Os índios mencionam a existência de dois céus: um superior (morada de Ikujuri e outras entidades sobrenaturais, onde estão as estrelas, o Sol e a Lua) e um inferior (onde moram os Jorokós e os Kurumus (urubus)). Kujuli seria responsável pela criação dos seres e elementos da natureza e pela atual configuração do Cosmos. Uma vez concluída a criação das coisas e cansados da desobediência dos seres por eles criados, este herói vai para o céu superior, perdendo definitivamente contato com os homens.

O princípio que dá a vida é o uzenu, que se desprende do corpo com a morte, durante o sono, com um susto ou por agressões de entidades como um Jorokó.

Os animais da mata e dos rios, "imaginários" ou não, compartilham o mesmo espaço. Os mais perigosos nessa crença seriam onças de duas cabeças, cobras e lagartas. Os animais aquáticos que habitam o fundo dos rios são considerados os mais perigosos e que podem atacar os humanos. Por isso a navegação é evitada nesses locais assim como os banhos. O aspecto físico e o tamanho desses seres são muito variados, pois eles podem assumir a aparência animal, humana ou lembrar a forma de um objeto.

O oposto ao principio criador Ikujuri é a entidade Jorokó, capaz de se materializar em animais e de se apropriar de outras formas orgânicas, agindo por conta própria ou sendo manipulado pelo homem. É o que mais causa temor nos homens, superando os animais de mata ou dos rios.

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

Rituais e Festas[editar | editar código-fonte]

Os Uaianas possuem uma série de rituais de cunho social que visam a divulgação do saber. As festas podem misturar pessoas de várias aldeias ou ser específica de apenas uma e duram geralmente de três a quatro dias. O período mais festivo é o entre-safras, época destinada ao lazer. A convivência com pessoas de fora da aldeia (funcionários do governo e missionários) fez com que algumas das festas passassem a ser celebradas no natal.

Referências