Wikinativa/Uaiuai

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Kaio Henrique Pedroza Silva


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Origem e Evolução[editar | editar código-fonte]

Segundo a revista da Fapesp [1] sabe-se que os povos indígenas da América do Sul descendem de dois grupos siberianos, os "kaitis" e os "altais", que migraram através do Estreito de Bering. De acordo com estudos anteriores, nota-se que há mudanças no cromossomo Y quando há, concomitantemente, mudanças geográficas pois os povos do leste e do oeste da América do Sul seguiram padrões opostos de comportamento demográfico, que se refletiram na diferenciação genética.

Localização e População[editar | editar código-fonte]

A tribo Waiwai (uaiuai), de acordo com o livro Índios do Brasil[2] de Julio Cezar Molatti, está localizada na fronteira setentrional do Brasil, mas especificamente nas seguintes localizações: Sudeste de Roraima, fronteira com a Guiana, Nordeste do Amazonas e o Noroeste do Pará. A população da tribo Waiwai é de aproximadamente 2020 pessoas.

Coordenadas: 3.233056, -57.633056

Veja no mapa

Mapa Interativo[editar | editar código-fonte]

3.233056° ' S 57.633056º ' W

Religião[editar | editar código-fonte]

A tribo converteu-se ao cristianismo por meio de dois missionários da Igreja Cristã Evangélica no ano de 1950, sendo esse processo finalizado por missionários da Igreja Presbiteriana do Brasil. É de suma importância ressaltar que foram os próprios indígenas da tribo waiwai que permitiram a instalação UFM UFM (Unenvangelized Field Mission) e da MEVA (Missão Evangélica da Amazônia).[3]

Rituais e Transformações[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada dos missionários os Waiwais praticavam dois grandes eventos: o shodewika (a qual uma aldeia ia visitar a outra) e o ritual yamo (quando espíritos da fertilidade, invocados por dançarinos com máscaras, moravam na aldeia por vários meses). Nas festas sempre havia muitas bebidas fermentadas, brincadeiras e danças. Após a chegada dos missionários, as bebidas fermentadas foram trocadas por bebidas de buriti. Nos dias de hoje os Waiwais comemoram a Festa de Natal ou o Kresmus (sendo uma pronúncia da palavra Christmas) e a Festa de Páscoa, sendo que a Festa de Natal cai na época de seca e a Festa de Páscoa no fim da mesma.

Visto que o shodewika não é mais realizado por visitas de uma aldeia à outra, os caçadores Waiwai fazem a encenação quando voltam de uma caça (provedora da comida para a festa). Este retorno é marcado ritualmente por duas chegadas/entradas: na primeira, os caçadores aparecem como “visitantes” com penas de gavião grande e pequeno (yaimo e wikoko) e ao redor de seus corpos carregam a carne fresca da caça para a grande casa cerimonial, conhecida como umana. Quando estão localizados na umana, atiram flechas em animais (principalmente aves) feitas de madeira e penduradas no alto da mesma para este objetivo. Retornando para suas canoas, os caçadores/visitantes encenam a segunda chegada/entrada na umana tocando flautas e levando agora a carne moqueada em grandes awci (mochila confeccionado com folhas de bananeira). Na umana, as anfitriãs, neste momento são chamadas de donas do suco (yîmîtîn), oferecem aos caçadores/visitantes suco de buriti (you yukun) e beiju, recebendo em troca as carnes frescas e moqueadas que serão servidas para a tribo.

Durante todos os dias de festa as refeições são coletivas e vários cultos são organizados com uma série de canções, muitas delas compostas especialmente para a festa, acompanhadas por danças e por um grande número de jogos e brincadeiras, entre as quais têm referências indígenas mais antigas (as danças dos animais), como também novidades advindas do contato com não-índios (o futebol).

Essas danças, jogos e brincadeiras caracterizam rituais pelos quais os Waiwai explicam forças e recursos exteriores, como por exemplo: sua relação com os animais e seus poderes (diferentes posições cosmológicas) através das danças dos animais; forças celestes através da arte plumária; potências espirituais (indígenas e cristãs) através de músicas e invocações; e, entre outras, também sua relação com outros índios e não-índios através do ritual dos visitantes conhecido por pawana.

Atualmente os Waiwais não se declaram mais xamãs, porém continuam tendo pensamentos e ações xamãnicos. Por exemplo, a morte para eles não é vista como um acontecimento natural, mas um acontecimento de outra ordem.[4]

Parentesco e Organização Política[editar | editar código-fonte]

Em relação à vida de um indivíduo adulto, são as seguintes distinções: epeka komo (vizinhanças constituídas pelos irmãos e suas famílias), woxin komo (as famílias da parentela do esposo/a que constituem os afins) e tooto makî (pessoas com as quais o sujeito não cultiva relações).

Os jovens se casam geralmente entre 16 e 24 anos, sendo a aliança ideal aquela que envolve primos atuais e classificatórios. O genro tem diversos deveres com seu sogro como morar próximo a família, sendo que o genro ganha mais independência com seus deveres quando também vira um sogro. Por conta da influência dos missionários, certos pontos foram instituídos: celibato pré-casamento, monogamia duradoura e ausência de divórcio.

O líder, o kayaritomo ou tuxawa, tem um grande poder de persuasão que possibilita mobilizar os Waiwais a construir casas, preparar a roça entre outros. Nunca é feito o uso de agressão para o controle social e sim por meio da persuasão e da pressão da opinião pública.[5]

Meios de Acesso[editar | editar código-fonte]

Existem dois meios para se chegar nos locais onde os Waiwais habitam: via terreste, por meio dos municípios de São João da Baliza e São Luis do Anauá (ambos em Roraima) e via vicinal, sendo a vicinal 29 (SJB) e vicinal 21 (SLA) as duas.[6]

Linguagem[editar | editar código-fonte]

As tribos Waiwais, em sua maioria, são falantes da família linguística karib. Antes do início dos anos 2000 havia muitas outras línguas, que foram implantas por conta da convivência com outros indivíduos, que eram faladas nas comunidades, tais como línguas da família linguística de Arawk (Mawayana, Wapixana), da própria família lingúistica de Karib (Katuena, Hixkaryana, Xerew, Karapayana), língua quase esquecidas (Parukoto, Taruma, Cikyana) e outras como Makuxi, Tiriyó e Atroari. Por conta da falta de recursos, muitos povos voltaram para suas áreas maternas proporcionando a descentralização das comunidades dos Waiwais, casos como os povos Hixkaryana, Karapayana, Katuena e Xerew.[7]

Missão e Escrita[editar | editar código-fonte]

Por meio do desenvolvimento de uma ortografia os missionários ligados à UFM ensinaram os povos da tribo a ler e a escrever. Por meio de ensinamentos dos missionários, alunos mais interessados tornaram-se monitores o que possibilitou que os mesmos pudessem ensinar a escrita (dos Waiwais e a portuguesa) para as suas próprias comunidades.[8]

Economia e Práticas Sociais[editar | editar código-fonte]

São conhecidos pelo fornecimento de sofisticados raladores de mandioca, papagaios falantes e cães de caça mas principais fontes econômicas da tribo são:

  • Extração da castanha do Pará [voltada para exportação];
  • Cultura de banana [voltada para exportação, sendo Manaus(AM) o destinatário].

O sistema de plantio funciona da seguinte forma:

  • Entre Agosto e Setembro, os Waiwais preparam as roças (abrindo espaço na roça);
  • Entre Janeiro e Março, o plantio é feito de maneira comunitária;
  • As principais plantações são: algodão, abacaxi, banana (diversas espécies), cana-de-açúcar, mamão, tubérculos como cará e batatas (diferentes tipos) e, sobretudo, a mandioca brava, da qual fazem, após extrair a toxina, o beiju, farinha e bebidas de tapioca (goma).

A atividade de subsistência baseia-se na caça (desde macaco até araras), na pesca (desde trairão até piranha) e na coleta de produtos silvestres (desde caju até nozes).

A produção de artesanato apresenta uma divisão sexual do trabalho:

  • As mulheres fazem cerâmica, raladores de mandioca, tangas e colares de sementes, entre outros;
  • Os homens fazem cestos, pentes, adornos de plumária, arcos e flechas etc.[9]

Contato com os Não-Índios[editar | editar código-fonte]

  • Os Waiwais expandem seu contato com o ser humano em geral graças a criação da escrita, que possibilita uma interação por meio de um formato acessível;
  • Em Roraima, os Waiwais tem parcerias com o CIR (Conselho Indígena de Roraima), OPIR (Organização de Professores Indígenas de Roraima) e com a OMIR (Organização das Mulheres Indígenas de Roraima);
  • No estado de Roraima o CIR atua conjuntamente com a Funasa na área de saúde, possibilitando também cursos e especializações para capacitar agentes de saúde Waiwai.[10]

Algumas Histórias/Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Um relato encontrado no site (www.clebersa.com.br) no qual o autor ao passar 15 dias numa aldeia no meio da floresta amazônica da tribo dos wai-wais, narra que conheceu frutas exóticas, fez amizade com muitos indígenas, costumava ler e praticar o arco e flecha. Um fato que o marcou foi ter conhecido um garoto de 9 anos, chamado Guilherme. Cleber estava praticando o arco e flecha e o garoto indicou para que mirasse alguns centímetros acima da fruta. Respondendo a tal dica, o escritor ficou maravilhado com o êxito da ação. Após 7 acertos de Cleber, Guilherme pegou o arco e flecha e acerto o alvo também. Esperando que o garoto contabilizasse UM acerto, Cleber ficou extasiado com o espírito de companheirismo do menino quando o mesmo gritou "OITO!" com muito orgulho.
  • São conhecidos por suas famosas expedições em busca de novos povos, povos que ainda não foram vistos ("povos não vistos"), permitindo uma importante troca com outros povos.
  • A palavra "Waiwai" pode remeter tanto a própria tribo (referir-se ao coletivo como um todo) quanto a língua karib que é falada.


Referências

  1. Pesquisa feita pela equipe da UFMG, disponível em: http://www.icb.ufmg.br/labs/lbem/reportagens/revistafapesp/jb.html
  2. Melatti, Julio Cezar. Índios do Brasil. Páginas 52 e 67. Disponível em: http://books.google.com.br/books?hl=en&lr=&id=6MZRNldDlnoC&oi=fnd&pg=PA13&dq=tribo+uaiuai+da+fam%C3%ADlia+caribe&ots=q3YNarQQG9&sig=wPTmn66lF749aM7zBSMfIj73x7o#v=onepage&q=uaiuai&f=false
  3. De Oliveira, Leonor Valentino. O Cristianismo Evangélico Entre os Waiwai: Alteridade e Transformações Entre as Décadas de 1950 e 1980. Página 5. Disponível em: http://teses2.ufrj.br/Teses/PPGAS_M/LeonorValentinodeOliveira.pdf
  4. Povos Indígenas no Brasil. Dados extraídos da página: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waiwai/1142
  5. Povos Indígenas no Brasil. Dados extraídos da página: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waiwai/1141
  6. Wikipedia. Dados extraídos da página: http://pt.wikipedia.org/wiki/Uaiuais
  7. Povos Indígenas no Brasil. Dados extraídos da página: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waiwai/1136
  8. Povos Indígenas no Brasil. Dados extraídos na página: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waiwai/1136
  9. Povos Indígenas no Brasil. Dados extraídos da página: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waiwai/1140
  10. Povos Indígenas no Brasil. Dados extraídos da página: http://pib.socioambiental.org/pt/povo/waiwai/1139