Wikinativa/Xocó

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Xocós
Aldeiaxoco.jpg
Aldeia Xocó
250px
Índio da tribo Xocó
População total

310 (aproximadamente)

Regiões com população significativa
Sergipe
Línguas
Português
Religiões
Indeterminado(em recuperação)
Etnia
Indeterminado(em recuperação)

Os Xocós são um povo indígena que se utilizam da língua portuguesa originalmente, sendo atualmente a única tribo indígena existente em Sergipe.

Na verdade a comunidade foi identificada pelos jesuítas no século XVI, mas acabou sendo expulsa de lá. A comunidade voltou e fundou sua aldeia retomando a ilha de São Pedro em 1979, mas apenas meado dos anos 90, a FUNAI homologou a Caiçara, anexando a Ilha de São Pedro, constituindo assim a terra indígena da etnia Xocó.

O tipo físico dos índios Xocós é semelhante a raça negra, um dos motivos que nos leva a acreditar que eles estão mais para uma comunidade quilombola que para uma comunidade indígena.

São remanescentes de vários outros grupos indígenas, que devido a fatores como a escravidão e a crescente miscigenação ocorridas nos séculos passados, foram aos poucos perdendo as características culturais e fenotípicas de seus grupos de origem.

Localização[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a 220 km de Aracaju, com uma população aproximada de 320 indígenas e 91 famílias .

Coordenadas -9.716333 S,-37.471975 W

História[editar | editar código-fonte]

Na época do descobrimento do Brasil as terras de Sergipe eram habitadas por várias tribos indígenas. Além dos Tupinambás e Caetés nas terras sergipanas existiam cerca de 30 aldeias, pertencentes ao grupo Tupi.

Atualmente a única tribo existente é a Xocó, que vive na ilha de São Pedro, no município de Porto da Folha.

O desaparecimento das demais tribos sergipanas se deu no século XIX, devido à política indianista do Império do Brasil que publicou a Lei das Terras em 1850, declarando as Terras como de Domínio Público. Nesta fase foram extintos muitos aldeamentos nas províncias de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e outras regiões, por critérios raciais e discriminatórios, só para se apossarem das terras indígenas.

Na verdade a comunidade Xocó foi identificada na Ilha de São Pedro pelos jesuítas lá no sec XVI, mas acabou sendo expulsa de lá. A comunidade voltou e fundou sua aldeia retomando a Ilha de São Pedro em 1979, mas apenas meado dos anos 90, a FUNAI homologou a Caiçara, anexando a Ilha de São Pedro, constituindo assim a terra indígena da etnia Xocó.


Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Esta comunidade (assim como as outras comunidades indígenas) foi submetida desde a colonização a severas agressões culturais e tomada de suas posses (esbulhos). Sofrendo destas atrocidades desde a época do império, a tribo Xocó terminou experimentando um grave colapso cultural, tendo sua religiosidade ancestral submetida a um grave esvaziamento, encontrando aí o catolicismo terreno fértil para a imposição da nova doutrina (as famosas Missões Católicas).

O Ritual do Ouricurí, como o vivenciado por outras etnias, quase desapareceu, apesar de atualmente estar passando por um processo de revitalização.

http://www.youtube.com/watch?v=2TVLsQX83Js

A prática da Toré, dança ritual associada à prática do Ouricurí que além da sua ritualidade representa o aspecto social e lúdico caracterizado por seus trajes típicos e pinturas corporais especificas de cada etnia, conseguiu ser preservada, muito embora a comunidade tenha incorporado outros folguedos afros (principalmente o samba de coco), devido à conivência com escravos (convivência esta que causou sua miscigenação natural).

Os Xocós escolhem por meio do Ouricurí o pajé que conduz os rituais sagrados e detém conhecimentos de cura. O Conselho Tribal, composto por algumas das famílias da comunidade ajudam o Cacique na tomada de decisões importantes para a comunidade.

Aspectos Socioculturais e Econômicos[editar | editar código-fonte]

Em sua estrutura social, os Xocós substituíram o tipo de liderança em que estavam estruturados, escolhendo por eleição anual o cacique e o pajé. Sua estrutura social própria é representada pelo Cacique, que tem a responsabilidade da condução dos assuntos materiais, administrativos e sociais da comunidade e o Pajé, que conduz os rituais sagrados e detém conhecimentos de cura. Além destas personalidades o Conselho Tribal, composto por algumas das famílias da comunidade ajudam o cacique e o pajé na tomada de decisões importantes para a comunidade.

Culturalmente, a característica mais marcante do desse povo é o artesanato. A cerâmica sempre foi o forte da aldeia e uma das poucas atividades que o grupo conseguiu recuperar depois da volta à região de origem.

Antes esta atividade era predominantemente feminina, repassada de mãe para filha; o conhecimento da arte era usado para confecção de potes, panelas e frigideiras de uso próprio. Coletar a matéria prima utilizada era tarefa masculina, por ser um trabalho mais pesado. Os homens eram encarregados de ir até o barreiro, coletar, peneirar e transformar o barro em pó para o preparo da cerâmica; esse conhecimento de extraçao era repassado paras os filhos (meninos).

Atualmente, esta arte não é mais só feminina, e não é mais apenas para uso próprio, ou seja, ficou importante economicamente. O foco do artesanato Xocó está nas biojoias. Dentre os artesãos do lugar destaca-se o jovem Uirã ou Braúna, como é conhecido na aldeia. Ele se utiliza de diversos materiais retirados da natureza para a produção das peças que são ricamente preparadas. Dentre os materiais utilizados estão o bambu, penas de diversos pássaros e algumas espécies de madeira encontradas na região, como a pereira e o pinheiro vermelho. Ele também se utiliza de ossos e dentes de animais que morrem na mata. Alguns dos materiais obtidos são de outras regiões como o capim dourado e a semente do açaí.

A pesca artesanal é uma das suas mais impotentes fontes de renda. Exploram a agropecuária bovina e pequenos animais como caprinos e ovinos além da cultura de subsistência, onde se destaca o cultivo do milho, feijão, algodão, macaxeira, coco. A pesca artesanal, utilizando artifícios como tarrafas e redes de espera, é praticada nas lagoas marginais e no Rio São Francisco. Nas lagoas marginais são desenvolvidas atividades como a piscicultura extensiva.

Medicina tradicional[editar | editar código-fonte]

Uma forte tradição que se mantém ainda ativa nos tempos atuais é a existência da figura do Pajé que conduz rituais sagrados e é detentor do conhecimento da cura (por meio da medicina tradicional e utilização de ervas medicinais e ritualísticas).

O povo Xocó tem tentado retomar sua cultura de medicina tradicional desde que conseguiu voltar para sua terra, após anos de sua expulsão.

Situação territorial[editar | editar código-fonte]

No século XVI os jesuítas identificaram e existência de índios na Ilha de São Pedro. A tomada da terra e a imposição da cultura católica faz com que os Xocós se dispersassem. Um processo de reconquista de suas terras, ocorre em meados 1979, retomando a Ilha de São Pedro e ali instalando a sua aldeia, e sempre lutando por suas terras e pela Caiçara (gleba que se situa às margens do São Francisco no estado de Sergipe).

Finalmente nos meado dos anos 90, a FUNAI homologou a Caiçara, anexando a Ilha de São Pedro, constituindo assim a terra indígena da etnia Xocó. O decreto Nº 401/91 de 23.12.91, autorizou a demarcação da Caiçara em 3.600 ha. que somadas as terras já indenizadas, junto as da Ilha de São Pedro totalizam 4.316 ha. Não havendo na atualidade pendências fundiária.

Infelizmente, pelo fato de concentrarem suas produções agrícolas em 10% das terras, já que o local é uma caatinga, existem invasores que realizam caça e pesca predatória, colocando espécimes em risco de extinção.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Documentos em pdf da FUNAI

Enciclopédia Barsa Universal.

Referências