DC-UFRPE/Licenciatura Plena em Computação/Educação à Distância/Fundamentos da Avaliação Educacional

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Fundamentos da Avaliação Educacional[editar | editar código-fonte]

O ato de avaliar é intrínseco da natureza humana. De modo geral, avaliar significa comparar as características de algo ou alguém com aquilo que é esperado, padronizado, definido. Dessa forma, podem-se avaliar a aprendizagem dos alunos, projetos, programas, instituições, o estado de saúde de um indivíduo, entre outros.

A avaliação é um tema que desperta um imenso debate independentemente da modalidade de educação, seja presencial, semipresencial ou a distância.

Segundo Maia et al. (2005), avaliação em EaD, resumidamente, pode ocorrer de três maneiras distintas:

  1. PRESENCIAL: a avaliação é feita por meio de uma prova, na presença  do formador ou de outra pessoa responsável, para garantir  a legitimidade da mesma. É realizada com hora, data e local determinados;
  2. A DISTÂNCIA, COM APLICAÇÃO DE TESTES ON-LINE: a avaliação é feita  por meio de mecanismos  de testes on-line a serem  respondidos e enviados posteriormente para o formador por e-mail ou formulários de envio. O tempo e o local nesta modalidade são de escolha do aluno, porém com datas limites para entregar os trabalhos e atividades;
  3. AVALIAÇÃO AO LONGO DO CURSO (CONTÍNUA): a avaliação é feita de modo contínuo, baseada em componentes que forneçam subsídios para o formador avaliar seus aprendizes de modo processual, tais como atividades realizadas, comentários postados, participações em grupos de discussão e em chats, mensagens postadas no correio, etc.

A avaliação deve considerar o projeto pedagógico do curso, se há tutoria ou não, se existe tutoria presencial, as tecnologias de informação e comunicação utilizadas, o ambiente virtual de aprendizagem e suas ferramentas avaliativas, entre outras características que podem ser particulares de cada projeto e instituição.

A avaliação também deve levar em conta a assincronicidade e independência de lugar dos cursos. Como foi mostrado, a legislação em vigor no Brasil exige parte das avaliações presenciais para alguns níveis de cursos, mas deve haver criatividade para promover uma avaliação efetiva e contínua da trajetória dos estudantes.

Na educação a distância, o processo de construção de conhecimento pelo aluno ocorre por meio de várias interações: interação do aluno com o material; aluno com o professor/tutor; e aluno com aluno. Assim, os instrumentos de avaliação selecionados devem ser capazes de perceber essa dialogicidade envolvida.

Uma maneira bastante interessante de realizar a avaliação a distância, fugindo das questões de múltipla escolha que são corrigidas automaticamente, é a produção escrita. Nesse caso, o aprendiz é estimulado a fazer uma reflexão crítica acerca daquilo que estudou e pesquisou a respeito de determinado assunto. Não se trata simplesmente de aceitar que os estudantes entreguem cópias de páginas da web, mesmo porque a produção textual vem imbuída de subjetividade, o que faz com que seja possível verificar facilmente sua autenticidade, ou seja, se ela foi copiada de alguma página ou de outro estudante.

É necessário buscar novas formas de avaliação que envolvam as tecnologias de formação e comunicação para que seja possível alcançar um equilíbrio entre a credibilidade do curso e a comodidade para o estudante.

A avaliação educacional não objetiva subsidiar, exclusivamente, à cúpula administrativa; à avaliação deve seguir-se um trabalho bem planejado de difusão dos resultados e das suas análises, a fim de que a sociedade (interna e externa ao sistema) acompanhe o trabalho institucional e possa julgar o seu mérito, inclusive a eficiência transformadora da sua ação. A avaliação, conseqüentemente, não é uma ação isolada, integra toda a comunidade educacional e a própria sociedade.

É preciso considerar que, a par do conhecimento para um futuro desempenho, outras dimensões (sociais, culturais e até mesmo éticas) devem ser necessariamente avaliadas e que o programa envolva aspectos quantitativos e qualitativos, incluindo, se possível, interesses, atitudes e valores.

A expressão “cultura da avaliação” integra, atualmente, a constelação de palavras técnicas no âmbito da comunidade educacional e aos poucos se vai tornando verdadeiro lugar comum, quase que simples figura de retórica; no entanto, é preciso que essa expressão se transforme numa efetiva política de ação. A avaliação não é um valor em si e não deve ficar restrita a um simples rito da burocracia educacional, necessita integrar-se ao processo de transformação do ensino/aprendizagem e contribuir, desse modo, ativamente, para o processo de transformação dos educandos.

A partir do espírito de uma nova cultura da avaliação, além da difusão dos resultados, é necessário que se definam diretrizes sobre como usar, produtivamente, esses resultados na melhoria do processo de uma educação que seja eficiente e conseqüente, evitando-se, desse modo, que os resultados fiquem restritos a uma adjetivação pouco satisfatória.

Os elementos levantados nos vários tipos de avaliação – seja de sala de aula ou de sistemas – devem ser analisados por professores e técnicos, a fim de que sejam incorporados ao planejamento escolar e contribuam para o processo educacional. É fundamental que cada sistema considere a diversidade do seu espaço social, econômico e cultural, a fim de evitar interpretações comprometidas e que comparações intra e entre sistemas não levem a colocações destituídas de valor educacional.

A avaliação educacional não subsiste isoladamente, devendo estar associada a outros programas, destacando-se, inicialmente, o de capacitação docente; em que a área da avaliação deve integrar, necessariamente, o conjunto das atividades que levam à formação de professores em quaisquer dos níveis de ensino; por outro lado, a avaliação precisa estar ligada à pesquisa educacional voltada para a realidade dos problemas educacionais relevantes.

A definição de uma política de avaliação educacional demanda múltiplas considerações, não se restringindo, apenas, ao domínio do conhecimento e ao seu uso na prática.

Uma política de estruturação de programas de avaliação não pode ficar restrita ao âmbito da escola, deve, necessariamente, abranger todos os níveis da hierarquia da administração educacional, a partir das Secretarias de Estado, quando for o caso, passando por outros níveis, inclusive técnicos, até chegar à sala de aula e ao professor.

Um dos problemas a considerar em um programa de avaliação centra-se na capacitação técnica daqueles que se propõem a concretizar o empreendimento. Os “avaliadores” nem sempre dispõem de uma formação específica, abrangente da complexidade dos diferentes procedimentos avaliativos; executando, desse modo, as suas atividades de maneira amadorística e na base de uma possível experiência pessoal. É o fazer por imitação ou o fazer pela reprodução de práticas tradicionais no ambiente escolar.

Ao implementar um programa de avaliação há uma preocupação maior em organizar diferentes equipes para fins diversos: administrar, elaborar manuais, construir instrumentos, elaborar questionários, definir logística, orçar despesas, processar dados, analisar informações, elaborar relatórios; contudo, quase sempre se omite a equipe responsável pela disseminação dos resultados, junto aos órgãos centrais, às escolas, às famílias, criando-se, assim, um vácuo nas comunicações, talvez o responsável maior pela ausência de um efetivo impacto transformador.

A avaliação educacional em uma instituição ou em um sistema não deve resultar de decisões individuais, mas refletir um consenso em que diferentes atores procuram definir os objetivos e finalidades da avaliação, além de outros pontos de relevância, como o tipo de instrumento a utilizar, a definição de responsabilidades dos construtores de questões/itens, a estruturação de procedimentos logísticos para a sua aplicação, a escolha de um tipo de escore ou nota que faça sentido para o grupo avaliado e para a própria sociedade, além, naturalmente, de definir os parâmetros para a análise dos resultados e estabelecer os grupos responsáveis por sua interpretação.

Os padrões para avaliação devem ser pontos de referência para toda a população e refletir as necessidades dessa população, independentemente de etnia, nível social e econômico, evitando-se discriminações que possam criar diferentes níveis de cidadãos e acentuar ainda mais as desigualdades que marginalizam e estigmatizam os indivíduos.

Referências: (Nunes 2012) A Avaliação em EAD é Inovadora – Uma reflexão

VIANNA, Heraldo Marelim. Fundamentos de um programa de avaliação educacional. Estudos em Avaliação Educacional, n. 28, p. 23-38, 2003.