Sociedade e Tecnologias Digitais/2014/fichamentos

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Insira aqui o fichamento do seu texto. Utilize a seguinte formatação (veja o exemplo):

==Nome do Autor: Armand Mattelard. Sociedade do conhecimento e controle da informação e da Comunicação.

==Nome do autor: Richard Barbrook. A Ideologia Californiana.

GORZ, André. Cap.1. O Imaterial: Conhecimento, Valor e Capital.[editar | editar código-fonte]

Daniel P. S Benigni - Noturno


Seu Nome: Adalberto Diré Adão Turno: Noturno

Resumo dos textos: aula 01/10/2014

1- Sociedade do conhecimento e controle da informação e da Comunicação.

2- A Ideologia Californiana.


1-Sociedade do conhecimento e controle da informação e da Comunicação.


MATTELARD, Armand. Sociedade do Conhecimento e Controle da Informação e da Comunicação. Conferência proferida na sessão de aberta do V Encontro Latino de Economia Política da Informação, Comunicação e Cultura, realizada em Salvador, Bahia, Brasil, de 9 a 11 de novembro de 2005. Disponível: http://www.gepicc.ufba.br/enlepicc/ArmandMattelartPortugues.pdf


Este trabalho consiste em uma síntese das ideias apresentadas por Armand Mattelard, na referida conferência, acerca da gênese sócio-política das noções de “sociedade da informação” e de “sociedade global da informação”. O autor inicialmente apresenta um breve histórico de como se desenvolveu a ideia de uma sociedade mundial, embasada no compartilhamento do conhecimento e no acesso universal ao saber, elencando a iniciativa de dois advogados belgas Henri de La Fontaine e Paul Otlet, que tinham como principal objetivo a reunião de todos os conhecimentos humanos, em um compendio que se instituiria como base de uma cidade mundial com a finalidade de promoção da paz. Em seguida analisa em como o conceito de rede surge durante a Conferência internacional de bibliografia e de documentação, organizada em Bruxelas em 1908. Na qual se apregoa que os resultados das cooperações universais devem estar disponíveis a todos. No entanto aponta as diversas implicações que tal ideal trouxe aos Estados e aos mais diversos setores econômicos, dentre os quais podemos evidenciar o interesse pelo controle do fluxo de informações. É comentado o caso da empresa Google que digitalizou um grande acervo na língua anglo saxã e disponibilizou-os de forma gratuita na internet. O autor ao mesmo tempo em que enaltece tal atitude tece uma critica a tal prática, apontando no que implica disponibilizar um determinado conteúdo sob a perspectiva de universaliza-lo, em uma única língua e contextualizado a uma realidade localizada. Ao tratar da designação ambígua do termo sociedade da informação ressalta em como este veio a ser utilizado pelo G7 em 1995, transformado em sociedade global da informação e em como os países integrantes deste grupo a entendem frente aos seus interesses, impondo tal como uma nova ordem mundial e em como a UNESCO deixou de utilizar o termo sociedade do conhecimento e passou a usar sociedade da informação frente às pressões dos EUA. Ainda analisando as ações da UNESCO critica em como tal temática é tratada sob uma perspectiva de mercado, apontando como a diretoria deste organismo internacional voltado a tal tema se fez instável no inicio e a nomeação de uma advogada especialista em direito de negócios internacionais como ocupante de tal posição, tecendo assim um questionamento quanto às finalidades que se presta tal divisão da UNESCO. O autor nos chama a atenção quanto ao tratamento dos saberes e das informações como bens imateriais passiveis de expropriação e de especulação, neste espectro se posiciona quanto aos acordos firmados entre governos de diferentes países visando troca e utilização de tecnologias comentando em como os países desenvolvidos de certa forma usam tais contratos de forma exploratória e colonizadora frente aos que buscam se desenvolver. Por fim na obra são apresentados como um desafio global, a difusão e acesso à informação de forma democrática, assim como a instituição de uma rede de informações que esteja acima de interesses mercadológicos com a finalidade de universalizar os conhecimentos.




2- BARBROOK, Richard & CAMERON, Andy. A Ideologia Californiana, 1998. Disponível em: http://cibercultura.fortunecity.ws/vol2/idcal.html


A Ideologia Californiana.


Nesta obra os autores inicialmente descrevem o que vem a ser a ideologia californiana como um conjunto de ideias que surgiu de uma combinação promiscua da cultura desgarrada hippie e do empreendedorismo Yuppie, ressaltando em como diversos setores da sociedade da costa oeste dos EUA convergiram para tal ideal definindo este como uma ortodoxia heterogênea da era da informação. Aos atores sociais envolvidos na implantação desta ideologia o autor os nomeia como os Artesãos da alta tecnologia, uma vez que, estes estabelecem novas relações contratuais, que ao mesmo tempo em que geram grandes lucros se estabelecem de forma bastante tênue e que dependem da capacidade criativa que se renova constantemente. A ambiguidade da ideologia californiana primeiramente se remete ao investimento do Estado, que propiciou o desenvolvimento dos elementos que deram base para o desenvolvimento da ideologia e em como tais ideias apregoam um livre mercado, pondo em contrapartida em como esta ideologia não reconhece, assim como refuta tal realidade. O autor relaciona como que algo que adveio de uma intervenção estatal, tenta se desvencilhar do controle do Estado. Frente a um ideal que promove duas correntes uma de esquerda que critica o governo pelo financiamento da indústria tecnológica militar e uma direita que critica o estado pela intervenção e direcionamento das novas tecnologias, muito embora ambas se alinhem quanto a uma remoção dos freios que limitam a iniciativa privada. Ficando assim caracterizado o movimento ambíguo dos ideais californianos. A Hipermídia pode ser entendida como uma convergência da mídia, computação e telecomunicações e que esta poderá vir a substituir o capitalismo corporativo, por uma economia de dádivas hi-tech. Uma critica a democracia Jeffersoniana, icônica na ideologia californiana, o autor tece uma critica a esse tipo de democracia mostrando a ambiguidade do que pregava Thomas Jefferson e a realidade e ideais que este vivia. Era da informação para quem? Questiona o autor, uma vez que, uma parcela expressiva da população esta fora de tal contexto, aumentando assim o abismo social entre os que estão inseridos em tal movimento e os que tentam integra-lo ou o fazem de forma marginal. Ao analisar os fins da ideologia californiana percebemos que as tecnologias da liberdade, na realidade vêm a ser utilizadas como instrumentos de dominação, resultando assim em uma deturpação do potencial emancipador das novas tecnologias. Uma fantasia utópica se faz presente nesta ideologia, apesar de suas características e preceitos, esta ainda se vê presa a mão de obra humana expropriada para manter o padrão de vida das classes dominantes afastadas da realidade da maioria da sociedade. Por fim o autor esclarece que a ideologia californiana surgiu em um contexto especifico em um país com características distintas e que por todo o mundo citando os exemplos Francês e de Cingapura a intervenção do Estado se dá de formas diferentes dependendo do meio social ao qual este se desenvolve. Ainda cita o horizonte europeu como possuidor de elementos para uma ideologia diversa da elitista californiana, mais propenso a construção de um ciberespaço inclusivo e universal elencando os artesãos digitais como pioneiros do novo.