Wikinativa/Arapaço

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Arapaço
População total

414 (Siasi/Sesai, 2012)

Regiões com população significativa
Flag of Brazil.svgBrasil
Línguas
Tuc(k)ano
Religiões
Xamanismo
Estados ou regiões do Brasil
Flag of Brazil.svgBrasil Rio Negro - Amazonas
situação do território
Registrada
Grupos étnicos relacionados
Piratapuyo, Wanano, Sirano, Maku

Os Arapaço (também conhecidos como Arapaso) são um grupo indígena de língua da família Tukano que habita o noroeste do estado brasileiro do Amazonas, mais precisamente nas áreas indígenas do Rio Negro e no médio Uaupés, abaixo de Iauareté, em povoados como Loiro, Paraná Jucá e São Francisco. Várias famílias também moram no Rio Negro e em São Gabriel da Cachoeira. [1]

Localização[editar | editar código-fonte]

Coordenadas: 0.607155,-69.186058

Veja no mapa

História[editar | editar código-fonte]

Nenhuma fonte contendo a história do povo Arapaço foi encontrada.

Língua[editar | editar código-fonte]

A família Tuc(k)ano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais, o Tuc(k)ano, propriamente dito, que é o que possui maior número de adeptos. Ela é usada não só por Tuc(k)anos, mas também por outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tuc(k)ano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.

Em alguns contextos, o Tuc(k)ano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua Tuc(k)ano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tuc(k)ano. Já as línguas classificadas como Tuc(k)ano ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.

Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel e no Rio Negro, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tuc(k)ano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.[2]

Cosmologia e Ritualidade[editar | editar código-fonte]

Segundo o grupo Arapaço, quando o mundo ainda não estava pronto já havia Imîkoho-yeki, o Avô do Mundo. Ele andava sozinho pelos lugares pensando em como ordenar o mundo. Sem encontrar solução, ele foi à Casa do Céu. Lá acendeu um cigarro e ficou pensando. Foi então que da fumaça do cigarro surgiu uma mulher. Ela era Ye'pâ-masó, aquela que seria conhecida como a Avó do Mundo e do Surgimento. O Avô do Mundo ficou contente e entregou à mulher os instrumentos de vida e surgimento que possuia: cigarro, cuias, um banco entre outras coisas. A Avó do Mundo, Ye'pâ-masó, desceu até a terra, no igarapé Posâya. Lá surgiram três bancos com os desenhos do banco da vida. Ela sentou-se e começou a fumar seu cigarro. Da primeira baforada surgiram Imîkoho-masí e Ye'pa-masí. Os dois foram os primeiros a viver na terra e deram início a todos os homens que vieram depois.[3].

Personagens[editar | editar código-fonte]

O'â-kô (de o'à osso e kô, contraçâo de maxkô,"filho") é a mais importante das personagens lendárias destas tribos que muitos dos indígenas cristãos do Uapés identificam como Deus[3]

Waxt'î é um ente superior aos homens, filho de O'â-kô. É até seu criador, deu-lhes nonna de vida individual, doméstica e social, ensinou-lhes quanto sabem (musica, enfeites, festas, artefatos etc.), punira as transgressões às suas ordens.[3]

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

O ciclo anual é pontilhado por diversas festas e comemorações divididas em três categorias, caxiris (festas de cerveja), dabukuris ou intercâmbio cerimonial, e os ritos de Yurupari.

Caxiris[editar | editar código-fonte]

São reuniões de divertimento e reforço dos laços sociais, muitas vezes envolvendo outras tribos vizinhas, onde se dança e bebe caxiri. Pode ocorrer de ser uma reunião de agradecimento a tribo vizinha por sua ajuda em algum afazer da tribo (Construção de casas ou roças por exemplo). Entre os Caxiris, também é comum a comemoração de um acontecimento importante, como casamentos e ritos de iniciação. Nos caxiris, os convidados são os principais dançarinos, e em troca de suas danças, os anfitriões lhes oferecem grandes quantidades de caxiri preparado pelas suas mulheres, sendo uma questão de honra que todo o caxiri seja consumido antes dos visitantes partirem pela manhã.[2]

Dabukuris[editar | editar código-fonte]

Situação Territorial[editar | editar código-fonte]

A situação territorial da tribo Arapaço esta regularizada, segundo o plano de etnodesenvolvimento do território "Rio Negro da Cidadania Indígena" do Ministério do Desenvolvimento Agrário[4], tendo uma área de 7.999.391 hectares compartilhados entre os grupos Arapaso, Barasána, Baré, Carapanã, Suriána, Wanana, nessa área também estão localizados os municípios de Japurá e São Gabriel da Cachoeira.

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

Portal de missões


Referências

  1. http://pt.wikipedia.org/wiki/Arapa%C3%A7os Arapaços na Wikipédia
  2. 2,0 2,1 http://pib.socioambiental.org/pt/povo/arapaso
  3. 3,0 3,1 3,2 Alcionilio Brüzzi Alves da Silva, Crenças e Lendas do Uaupés (Cayambe: Abya-Yala, 1994)
  4. http://sit.mda.gov.br/download/ptdrs/ptdrs_qua_territorio136.pdf Plano de Etnodesenvolvimento