Wikinativa/Macuna

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Makuna
Negroamazonrivermap.png
Mapa da Região que a tribo Makuna habita
População total

728

Regiões com população significativa
Flag of Brazil.svgAmazônia e Flag of Colombia.svgColômbia
Línguas
Tuc(k)ano Oriental
Religiões
Yacuna
Estados ou regiões do Brasil
Amazonas
situação do território
Registrada
Grupos étnicos relacionados
Arapaços, Barás, Carapanãs, Cubeos, Desanos, Tucano, Piratapuias, Tuiúcas, Uananos



A Tribo[editar | editar código-fonte]

Os Makuna vivem na região da Colômbia Vaupés, perto das cabeceiras do rio Comena próximo a fronteira do Brasil. Nesta parte da floresta amazônica, a umidade e a temperatura são altas durante todo o ano. Os vizinhos Maku e Tucano falam línguas semelhantes. Outros povos vizinhos são a Banyanin, Tutuyi, Tanimuka, e Yauna. Os dois últimos são os inimigos tradicionais dos Makuna.

Língua[editar | editar código-fonte]

A família linguística Tuc(k)ano Oriental engloba pelo menos 16 línguas, dentre as quais o Tuc(k)ano propriamente dito é a que possui maior número de falantes. Ela é usada não só pelos Tuc(k)ano, mas também pelos outros grupos do Uaupés brasileiro e em seus afluentes Tiquié e Papuri. Desse modo, o Tuc(k)ano passou a ser empregado como língua franca, permitindo a comunicação entre povos com línguas paternas bem diferenciadas e, em muitos casos, não compreensíveis entre si.

Em alguns contextos, o Tuc(k)ano passou a ser mais usado do que as próprias línguas locais. A língua Tuc(k)ano também é dominada pelos Maku, já que precisam dela em suas relações com os índios Tuc(k)ano. Já as línguas classificadas como Tuc(k)ano Ocidentais são faladas por povos que habitam a região fronteiriça entre Colômbia e Equador, como os Siona e os Secoya.

Considerando o significativo número de pessoas da bacia do Uaupés que estão residindo no Rio Negro e nas cidades de São Gabriel e Santa Isabel, estima-se que cerca de 20 mil pessoas falem o Tuc(k)ano. As outras línguas desta família são faladas por populações menores, predominando em regiões mais limitadas. É o caso dos Kotiria e Kubeo no Alto Uaupés, acima de Iauareté; do Pira-tapuya no Médio Papuri; do Tuyuka e Bará no Alto Tiquié; e do Desana em comunidades localizadas no Tiquié, Papuri e afluentes.


História[editar | editar código-fonte]

Antigamente havia um sistema de comércio entre os povos da região do Rio Vaupés. Cada povo era reconhecido como especialista em fabricar certos produtos. Os Maku eram peritos em preparar o veneno, os Tuyuca a cerâmica, os Barasana a cestaria e os povos Aruak os raladores. Os Makuna fabricam e vendem remos leves, muito procurados pelos outros povos.

Os Makuna eram conhecidos pelos outros indígenas da região como “matam gente” (Smothermon 1979). O primeiro contato com europeus aconteceu em 1776 com um português; os missionários católicos tentaram trabalhar entre eles durantes os dois séculos seguintes, mas eram impedidos pela violência indígena. Nessa época, os Makuna guerreavam contra outras tribos, especialmente os Yaúna e Tanimuka (ambos povos antigos dos Tukano Orientais), porque pensavam que os feiticeiros deles estavam os prejudicando.

Muitos Makuna foram escravizados nos anos 1900 e 1910 para trabalhar como seringueiros e calcula-se que, em geral, mais de 40 mil indígenas faleceram devido às condições e às doenças. O trabalho forçado para extrair a borracha foi repetido durante a Segunda Guerra Mundial. Depois da queda do mercado da borracha, os patrões de plantações exploraram os índios até os anos 70. Uma missão católica permanente estabeleceu-se em Pirá-Paraná, nos anos 1960, e os missionários evangélicos vieram “fingindo traduzir a Bíblia” (Mekler 2001). O comércio de peles de animais existia até ser proibido. Os Makuna plantavam e forneciam coca para o comércio com os brancos, mas essa atividade ilegal também terminou por volta de 1985 e os comerciantes saíram da região. Em 1980, ouro foi descoberto no Rio Taraira, perto do território dos Makuna, e muitas pessoas foram tirá-lo, poluindo os riachos e derrubando a floresta. Alguns Makuna trabalharam em extrair o ouro, para si mesmos ou para patrões e ganharam artigos dos brancos.

Atualmente, há assentamentos de brasileiros pobres na região. “Eles trouxeram a violência e uma exploração não experimentada pelos Makuna desde a época da borracha” (Mekler 2001). Dois territórios indígenas foram designados, o que ajudou os Makuna (Arhem 1981). Existem escolas primárias nas aldeias.

Estilo de vida[editar | editar código-fonte]

Até os anos 1970, os assentamentos consistiam em um grupo de três ou cinco famílias morando em uma maloca. Há dois tipos de maloca: em geral é retangular, 30 a 40 metros de comprimento, 20 metros de largura e 9 metros de altura; no Rio Apaporis é construída um tipo circular com diâmetro de 10 metros. Hoje em dia, as famílias moram em casas separadas e a maloca é usada para as atividades comunais. As famílias extensas de cada aldeia são parentela de irmãos ou cunhados, mas são pequenas, em média 12 ou 13 pessoas. Dois terços das famílias extensas dispersam depois da morte do pai ou chefe de família.

Há uma divisão de responsabilidades entre os homens e as mulheres. Na cosmovisão deles, a terra é associada com a fertilidade, por isso as mulheres cultivam as roças, preparam a comida e fabricam potes de barro. Conforme o mito, a filha da anaconda Hino cortou e plantou seus dedos e assim deu as plantas cultivadas aos Makuna. Plantam mandioca, coca, batata doce, banana, tabaco, pimentas, cana e o cipó para fazer o timbó.

Os homens são associados ao mato; preparam as roças, caçam anta, paca, pecari, macaco e jacaré. Porém, a pesca é mais importante do que a caça e as mulheres e os homens a fazem juntos. Fabricam coisas de matérias tiradas da mata, como canoas, as casas, cestos, tecem as redes e colhem castanhas e frutos. Os homens são responsáveis por cultivar o tabaco e a coca. Têm comércio de farinha com os colombianos e ganham em troca ferramentas de aço e panelas de alumino.

Os homens constroem as malocas em uma roça alqueivada, depois de ganhar a permissão dos espíritos da floresta. O estilo é como entre outros povos Tukano: a porta da frente é dos homens e dá para um trilho, para o “porto” no rio. A fachada é construída em cima de palha e embaixo de tábuas, pintadas com símbolos tirados das visões sob influência de um alucinógeno, yagê. O interior dianteiro é para os ritos, danças e cerimônias. Os postos principais são nomeados com os nomes dos ancestrais. O espaço aos lados é divido em compartimentos por armações de pari para as famílias nucleares; os fundos são para as mulheres e a preparação do alimento. A porta dos fundos é das mulheres e dá para as roças. O telhado de palha é renovado em seis ou oito anos.

Depois de construir a maloca o pajé sopra fumaça de tabaco, água é salpicada no chão, os homens dançam e a maloca é considerada com vida própria. Hoje, os assentamentos usam a maloca como um centro comunal, durante as festas e acomodam até 70 visitantes, mas os habitantes vivem em casas familiares, de irmãos, parentes. Há escolas públicas nas aldeias.


Artesanato[editar | editar código-fonte]

Os Macuna fabricam canoas, remos, zarabatanas e curare (FOIRN).


Sociedade[editar | editar código-fonte]

Os Makuna são do grupo de povos Tuc(k)ano orientais: Tuc(k)ano, Desana, Tuyuka, Wanano, Makuna, Bará, Pira-Tupuya e Mirití-Tupuya, Arapaso, Karapanã, Tatuyo, Yurutí, Taiwano, Barasana, Kubeo, Siriano, e Yurutí. (Acrescentados Letuana, Pisá-mira, e Tanimuka por Hugh-Jones, Goldman 2004.406). Esses povos usam o Tuc(k)ano como língua franca e praticam uma exogamia linguística, assim, têm uma unidade regional, mas mantêm suas identidades étnicas por suas distintas tradições religiosas praticadas pelos homens. Porém, os Kubeo e os Makuna são a exceção em praticar endogamia linguística entre suas fratrias (Cabalzar 2000, Goldman 2004.15, 57, Lasmar 2005.53).

Os Makuna se dividem em duas fratrias, o Povo d’água (Ide masa) e o Povo da terra (Yiba Masa); São descendentes dos irmãos Ide Hino e Yeba Hino, filhos de Hino, a Anaconda mitológica. As fratrias são grupos exogâmicos de clãs. Então, numa família os irmãos são de uma fratria do clã e os cunhados da outra. As fratrias e o tabu de se casar entre os clãs da mesma fratria são explicadas por serem “irmãos” do mesmo ancestral mitológico, classificados de acordo com seus “habitats cósmicos”, no caso dos Makuna: “terra” e “água” (La?mar 2005.58). Há, em geral, uma “regra de exogamia linguística” no grupo de povos Tuc(k)ano, pois a ideia de serem “irmãos” é reconhecida nas diferenças de língua ou dialeto. Do ponto de vista indígena, qualquer diferença é suficiente para manter o conceito de serem descendentes nos irmãos ancestrais (Hugh-Jones em Goldman 2004.410).

As fratrias estão divididas em cerca de 12 clãs. Cada clã é reconhecido em uma hierarquia conforme uma função tradicional, como chefe, dançarino e cantor, guerreiro, xamã, servo e conforme a idade do ancestral, além disso, referem-se como “irmão” etc. Os mitos antropogônicos indicam os territórios dos clãs e os direitos a roçar e caçar dos indivíduos. Hoje, essa ordem social é apenas considerada o ideal (Arhem: 1981). Não existe uma liderança central do povo. A sociedade vive ao redor das malocas, com chefes (übü) que mantém sua influência pelo conhecimento, habilidade e por ser o anfitrião das festas. Cada aldeia tem um administrador chamado capitán.

O casamento é exógamo entre os clãs da outra fratria ou entre primos cruzados e é negociado pelos anciões; não há uma cerimônia de casamento propriamente dita. De três a nove grupos residenciais de famílias extensas são, assim, ligados pelos casamentos entre eles (Cabalzar 2000 citando Arhem). O casal mora com os pais do homem. Quando uma criança nasce ela recebe o espírito de um dos avôs e o nome do avô ou avó conforme o seu sexo, além disso, as gerações alternadas podem ter o mesmo nome. Cada clã guarda um “depósito” de nomes a serem usados.



Iniciação[editar | editar código-fonte]

Os jovens são separados antes da cerimônia para aprender a fazer a cestaria, fabricação de objetos ou utensílios, obtido através de objetos trançados, e fabricar as ferramentas; depois eles entregam as cestas às mulheres que, por sua vez, pintam os rapazes.




Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Instituto Socioambiental (ISA) http://pib.socioambiental.org/pt/povo/makuna/1438;
  • Cultural Survival http://www.culturalsurvival.org/publications/cultural-survival-quarterly/colombia/makuna;
  • Instituto Antropos : http://instituto.antropos.com.br/v3/index.php?option=com_content&view=article&id=593:makuna-perfil-sociocultural&catid=47:perfis-socioculturais&Itemid=62.