Wikinativa/Carapanã

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Carapanãs
Negroamazonrivermap.png
Região onde habita a tribo Carapanã
População total

63 (Dsei/Foirn, 2005)

Regiões com população significativa
Flag of Brazil.svgBrasil Flag of Colombia.svgColombia
Línguas
Tuc(k)ano
Religiões
Xamanismo
Estados ou regiões do Brasil
Flag of Brazil.svgBrasil Rio Negro - Amazonas
situação do território
Registrada
Grupos étnicos relacionados
Piratapuyo, Wanano, Sirano, Maku

Carapanãs[editar | editar código-fonte]

Carapanã (Karapanã, "gente-mosquito") é uma tribo indígena da família Tuc(k)ano. Autodenominam-se Muteamasa, Ukopinõpõna, os Carapanãs vivem no caño Tí (afluente do Alto Uaupés) e Alto Papuri, na Colômbia. No Brasil, se encontram dispersos em alguns povoados do Tiquié e Negro. Tinham cerca de oito subdivisões, mas provavelmente apenas quatro delas deixaram descendentes.

Localização[editar | editar código-fonte]

Os Carapanãs habitam o Noroeste do estado brasileiros do Amazonas, mais precisamente nas Áreas Indígenas Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II, Pari Cachoeira I, Pari Cachoeira II, Pari Cachoeira III, Taracuá, Yauareté I e Reserva Indígena Balaio, além da Colômbia.

Mapa Interativo[editar | editar código-fonte]

Coordenadas -3.00887,-60.472046
Clique aqui para visualizar o mapa interativo.

História[editar | editar código-fonte]

Os Carapanãs são uma tribo que apresenta um modo de vida sedentário, tradicional e baseada na agricultura, que se estabeleceu junto com os outros povos Uaupés, não se tem muitas informações sobre a historia dos Carapanãs, alem do fato de que seus números estão diminuindo rapidamente e que algumas de suas subdivisões estão deixando de existir no Brasil (Na Colombia, eles estão em maior quantidade, cerca de 600, mas no Brasil seu status está classificado como "Nearly extinct", ou seja, quase extintos). No geral dos povos do Uáupes, podemos dizer que a história de contato dos povos do Uaupés com os não indígenas é muita antiga, bem anterior ao grande auge da borracha na virada do século XX, remetendo às incursões maciças dos portugueses em busca de escravos na primeira metade do século XVIII.

Língua[editar | editar código-fonte]

A linguagem desse povo está classificada como "Em desenvolvimento" e é baseada no Latin.[1] Outros povos que falam a mesma língua dos Carapanãs são os Tatuyos e o Waimahas, grupos vizinhos aos Carapanãs. Seus dialetos são similares ao dialeto Barasana-Eduria, dos povos Barasano, também da família Tuc(k)ano. Vale lembrar também que mesmo que a língua Tuc(k)ano seja a mais falada dentre os povos dessa família, existem muitas outras línguas diferentes que podem ser particularidades de algum povo específico.

Regional[editar | editar código-fonte]

O Rio Uaupés tem cerca de 1.375 Km de extensão. De sua foz do Rio Negro até a desembocadura do Rio Papuri, o Uaupés está situado em território brasileiro e percorre cerca de 342 Km. Entre este ponto e a foz do Querari, serve de fronteira entre o Brasil e a Colômbia por mais de 188 Km. A partir daí até as suas cabeceiras se situa em território colombiano e percorre 845 Km. Navegando no Uaupés, H. Rice (1910) contou 30 cachoeiras maiores e 60 menores. Depois do Rio Branco, o Rio Uaupés é o maior tributário do Rio Negro. Atualmente, o nome Uaupés é o mais usado (no Brasil, já que na Colômbia fala-se mais Vaupés), mas também é conhecido como Caiari. Em seu curso, o Uaupés recebe as águas de outros grandes rios, como o Tiquié, o Papuri, o Querari e o Cuduiari. Os principais núcleos de povoamento do Rio Uaupés são a cidade de Mitu, capital do departamento colombiano do Vaupés, e Iaraueté, que é sede de um distrito do município de São Gabriel.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

Rituais[editar | editar código-fonte]

A maioria dos rituais e da vida religiosa tuc(k)ano está centrada em objetos (como ornamentos plumários e as flautas Yurupari) e substâncias sagradas - como a pintura vermelha carayuru, cera de abelha, cera de breu (resina vegetal), epadu (feito com variedades de coca), tabaco e ayahuasca -, assim como em bens menos tangíveis, na forma de nomes, cerimoniais, encantações e cantos. Tais itens são propriedade do grupo e constituem expressões de seus poderes espirituais. Em um nível coletivo e estrutural, os rituais que envolvem tais itens podem ser vistos como expressões formais da identidade do grupo e das relações inter-grupais. Ao mesmo tempo, esses rituais constituem expressões das relações políticas em dada conjuntura. Assim, malocas vizinhas são interligadas por intermédio de líderes carismáticos, que comandam a organização de festas e coordenam o trabalho coletivo para a construção de casas maiores que funcionam como centros cerimoniais. Esses líderes são indivíduos que possuem um grande conhecimento esotérico e se mobilizam para manter e aumentar os bens sagrados de sua maloca, podendo disponibilizar os recursos necessários para patrocinar os rituais. Tais capacidades rituais prestam-se a fortalecer sua posição política.

Família[editar | editar código-fonte]

As etnias que estão na região do Rio Uaupés são, além dos Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity-tapuya, Pira-tapuya, Siriano, Tariana, Tuc(k)ano, Tuyuca, Kotiria, Tatuyo, Taiwano, Yuruti (as três últimas habitam só na Colômbia). Estão no noroeste da Amazônia, às margens do Rio Uaupés e seus afluentes O total populacional é de 11.130 no Brasil (em 2001) e 18.705 na Colômbia (em 2000).

Organização Social[editar | editar código-fonte]

Os grupos Tuc(k)ano são patrilineares e exogâmicos, isto é, os indivíduos pertencem ao grupo de seu pai e falam a sua língua, mas devem se casar com membros de outros grupos, idealmente falantes de outras línguas. Externamente, os grupos são equivalentes mas distintos; internamente, cada um consiste em um número de clãs hierarquicamente ordenados. Os ancestrais desses clãs eram os filhos do primeiro ancestral Anaconda e a sua ordem de nascimento, que corresponde à ordem de emergência do corpo de seu pai, determina a sua classificação: os clãs de posição mais alta são coletivamente considerados "irmãos maiores" para aqueles de posição mais baixa. A posição do clã é associada a uma hierarquia, sendo ainda frouxamente correlacionada a residência: os clãs de mais alto grau tendem a viver em lugares mais favoráveis nas partes mais baixas dos rios, enquanto os clãs de menor grau freqüentemente vivem nas áreas de cabeceiras ou as partes mais altas dos rios. A classificação do clã também tem os seus correlatos rituais: os clãs de posição mais alta, as "cabeças da Anaconda", são "chefes" que patrocinam os principais rituais e controlam os ornamentos de dança do grupo e os Yurupari; os clãs de posição mediana são especialistas de danças e cânticos; abaixo deles são os xamãs; e o grau mais baixo é ocupado pelos clãs servos, a "cauda da Anaconda", que por vezes são identificados com os semi-nômades Maku que vivem nas zonas interfluviais.

Medicina tradicional[editar | editar código-fonte]

Não há registros específicos sobre a medicina tradicional da tribo Carapanã.

Fontes[editar | editar código-fonte]

http://pib.socioambiental.org/pt/povo/karapana/1416
http://enc.tfode.com/Barasana-Eduria_language

  1. Carapanã, em Ethnologue, disponível em http://www.ethnologue.com/language/cbc


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