Wikinativa/Tucano

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Tucano
Negroamazonrivermap.png
Mapa da Região que a tribo Tuc(k)ano habita
População total

5.500

Regiões com população significativa
Flag of Brazil.svgAmazônia e Flag of Colombia.svgColômbia
Línguas
Tuc(k)ano
Religiões
Xamanismo
Estados ou regiões do Brasil
Alto Rio Negro
situação do território
Registrada
Grupos étnicos relacionados
Arapaços, Barás, Carapanãs, Cubeos, Desanos, Macuna, Piratapuias, Tuiúcas, Uananos

Tuc(k)ano[editar | editar código-fonte]

O termo Tucano (também utilizado como "Tukano"), além de designar os grupos indígenas cujas línguas pertencem à família linguística tucano, remete ainda a uma etnia indígena específica.[1]

Localização[editar | editar código-fonte]

O Noroeste do estado brasileiro do Amazonas, mais precisamente as Terras Indígenas Alto Rio Negro, Médio Rio Negro I, Médio Rio Negro II e Balaio, bem como a Colômbia.

História[editar | editar código-fonte]

Os petróglifos nas pedras de muitas cachoeiras é evidência da ocupação humana da região do Alto Rio Negro 1200 anos aC. Uma história dos Tariana, que moram na região há séculos, conta que tiveram que guerrear contra os Tukano e Wanana quando vindo do rio Arai chegaram à região, em Iauareté, provavelmente no século XIV. Então os Tukano já estava na região antes de 1500 e a invasão dos europeus (Cabalzar 2006.57). Os Tukano no Tiquié dizem que seu antigo território era no rio Papuri.

O primeiro contato do alto rio Negro com os brancos eram objetos, como ferramentas, comerciados por outros indígenas, seguidos pelas expedições portuguesas à busca de escravos, acompanhadas de jesuítas acerca 1650 (Cabalzar 2006.73). Escravos tukano entre outros foram levados para Belém entre 1739-1755 e epidemias de varíola e sarampo arrasaram a região entre 1740 e 1763, e com a derrota dos Manao pelos portugueses o alto rio Negro ficou despovoado. Os índios se dividiram entre os que cooperavam com os branco e serviram os carmelitas com a coleta de produto do mato e os outros que continuaram a resistir. Pombal terminou o trabalho dos missionários e quis trocar a escravidão pela assimilação dos índios, mas os coloniais continuaram explorá-los (Cabalzar 2006.80).

No século XIX os missionários católicos participaram na repressão dos índios, aumentada pelos regatões na exploração do extrativismo (Cabalzar 2006.84). Alguns Tukano podem ter participado dos movimentos dos profetas indígenas, Kamiko e Alexandre, vistos como perigosos pelos brasileiros, que provocou mais conflito por 'pegar' crianças tukano e levá-las para Manaus. Os Tukano enxergaram estes movimentos proféticos como uma vitória indígena sobre os brancos. Os Tukano tiveram cinco profetas próprios também no final do século XIX (Wright 2005.140ss, 153, 158).

Com a estabelecimento da Província do Amazonas em 1850 índios foram enviados a Manaus para a construção das casas. 60.000 indígenas eram compelidos trabalhar na extração da borracha. Os franciscanos estabeleceram missões entre 1880-1888 e provocaram uma revolta por ridiculizar as crenças tucano, da festa de Jurupi, mas foram expulsos, deixando os índios sofrerem patronagem por um sistema de escravidão de dívidas no começo do século XX (Cabalzar 2006.90).

A época dos salesianos começou em 1914 e durou até 1952, instalando missões em São Gabriel, Taracuá, Iauareté, Pari-Cachoeira, Santa Isabel e Assunção do Içana. Reduziram a exploração dos patrões, mas destruíram a cultura e as línguas indígenas por levar as crianças para serem educados nos seus internatos, nos quais reinava só a fala portuguesa e uma disciplina rigorosa. Mandaram a destruição das malocas para substituí-las com casas de famílias nucleares e abandonar o ritual do Jurupari (Cabalzar 2006.95). Os salesianos só tinha influência no rio Içana depois 1950 e na época muitos Baniwa se converteram ao protestantismo, mas isso tinham pouco contato com os Tukano. Em 1979 o governo cortou os verbos e os salesianos terminaram o regime dos internatos.

O Plano de Integração Nacional (1970) incluiu a tentativa de construir a estrada BR-307 do Acre, lingando Benjamim Constante e São Gabriel da Cachoeira com Cucuí, na fronteira com a Venezuela. Só este último trecho foi construído. Em 1988 a nova Constituição deu direitos aos indígenas, mas levou uma década de luta, com a formação das Associações indígenas do rios para conseguir a demarcação e homologação das Terras Indígenas do Médio rio Negro, Téa e Apapóris em abril 1998. A Escola Indígena Tukano Yupuri em São José II foi estabelecida em 2009 com ensino médio e forma segunda turma do ensino fundamental. Oficinas em astronomia eram realizadas em 2006 (Cardoso 2007). O ensino inclui atividades relacionadas a técnicas alternativas de produção e sustentabilidade como piscicultura e manejo agroflorestal e por meio delas são abordados de outras matérias tradicionais.

Situação atual[editar | editar código-fonte]

Território[editar | editar código-fonte]

Desde os tempos remotos foram dominados por diferentes missões religiosas o que afetou na manutenção da cultura Tucana.
Há um grande número de ataques ao grupo. Outro fator importante é a Malária, que assola a tribo Tucana.

Transporte[editar | editar código-fonte]

Devido ao local que habitam ser muito chuvoso, há muito alagamento, o que normalmente impede o transporte terrestre, logo, utilizam-se principalmente de meios aquáticos. Ainda mais, o terreno é bastante montanhoso, e em certos pontos é preciso a movimentação terrestre, que normalmente acontece dentro de matas bem fechadas.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

São principalmente pescadores e agricultores, plantam mandioca brava como principal alimento, mas também possuem abóbora, melão, batata doce, entre alguns outros. Os Tuc(k)anos também são caçadores.

Costumes[editar | editar código-fonte]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura dos Tuc(k)anos é uma mistura de todas as outras sub nações indígenas, uma vez que, os homens da tribo escolhem suas esposas de outros grupos vizinhos. A mulher irá continuar falando sua própria língua e o filho terá que aprender cinco ou mais línguas vivendo em uma comunidade misturada. Os Tuc(k)anos vem sendo afetados severamente pela sua exposição a sociedade "branca". Eles são muito envolvidos com a defesa de seu território e a sua autonomia.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

A cerâmica é bastante desenvolvida pelos Tuc(k)anos, que possuem duas categorias de design, a abstrata (pontos, linhas, círculos, espirais) e a representação de animais. Muitas vezes eles unem as duas categorias produzindo uma arte distinta que é representativa e sofisticada.

Dialeto[editar | editar código-fonte]

Possuem sua própria língua, porém utilizam-se de mais dois dialetos para troca de mercadorias e contato com outras tribos, que são Yohoraa (Curaua) e Wasona (Uasona).

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião Xamanista acredita que existe uma multidão de espíritos e almas. A vida entre os seres chamados Criadores é um paralelo com a sociedade Tuc(k)ano, que é dominada pelos homens. As divindades fêmeas parecem ser iguais em status que as masculinas. Ye’pá é a Mãe, em contraste com o método de ganhar esposas por raptar as moças de outras malocas. A terra é considerada o corpo de Ye’pá, as árvores são os cabelos, os animais e os humanos são os piolhos hospedados no corpo dela.

  • Maloca: é um mundo simbólico construído para os pajés curarem os doentes e entrarem em contato com os antepassados e com os Criadores.

  • O Pajé: Ele pode curar, aconselhar, dirigir os ritos de passagem de casamento e de morte. Ele convive e conversa com os Criadores e até pode tornar-se “marido” de uma das deusas. Planta as ervas medicinais para cura, para que elas façam amizade com as "Gentes Doenças" ou os espíritos das enfermidades. Cada doença tem seu remédio específico ministrado por feitiçarias e cerimônias que protegem contra o ciúme da "Gente Doença".

  • Práticas Religiosas: Os tuc(k)anos são conhecidos pelo uso de coca, tabaco e alucinógenos que são relacionados as práticas mágicas-religiosas do passado. Além da cura, Xamãs praticam feitiçaria e envenenamento.

  • Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Nas tribos Kubeo e Tucano (Amazônia) o início da vida sexual do menino é marcado pela relação sexual com a própria mãe, sob supervisão do pai.
  • Entre os índios Tucanos, no Brasil, quando a mulher está grávida, não deve manter relações sexuais , pois segundo a tradição outros fetos são originados, o que poderia explodir seu abdômen.
  • Fontes[editar | editar código-fonte]

  • http://pt.wikipedia.org/wiki/Tucanos
  • http://www.indian-cultures.com/cultures/tucano-tukano-indians/
  • http://lucy.ukc.ac.uk/EthnoAtlas/Hmar/Cult_dir/Culture.7879
  • http://nadaqueseaproveite.blogspot.com.br/2007/05/os-estranhos-costumes-e-rituais-de.html
  • http://instituto.antropos.com.br/v3/index.php?option=com_content&view=article&id=597:tukano-perfil-sociocultural&catid=47:perfis-socioculturais&Itemid=62
  • https://brasil.antropos.org.uk/ethnic-profiles/profiles-t/175-282-tukano.html

    Referências[editar | editar código-fonte]

    1. Tucano, em Ethnologue disponível em: http://www.ethnologue.com/language/tuo