Wikinativa/Maria Rosa

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Maria Rosa
População total

100 pessoas (Aprox.)

Regiões com população significativa
Flag of Brazil.svgSão Paulo
Línguas
Português
Religiões
Catolicismo
Estados ou regiões do Brasil
São Paulo
situação do território
Registrada
Grupos étnicos relacionados
Porto dos Pilões, Pedro Cubas, São Pedro, Ivaporunduva

A comunidade quilombola Maria Rosa fica situada na região do Vale do Ribeira, praticamente em frente à outra comunidade quilombola, a comunidade Porto dos Pilões.
Segundo o "Sistema de informações Sobre Comunidades Remanescentes de Quilombo", estima-se que 100 pessoas vivem no local.

Localização[editar | editar código-fonte]

O quilombo está localizado no município de Iporanga, SP. Sua extensão territorial é de 3.375,66 hectares (Titulada pelo Governo do Estado de São Paulo em 2001).
Localização do município de Iporanga

História[editar | editar código-fonte]

A história de ocupação do quilombo de Maria Rosa coincide com a ocupação em geral da região do Vale do Ribeira. No início do século XVII, esta região começou a ser ocupada por escravos libertos pela fraca exploração mineradora, principal atividade econômica exercida na época.

Ficheiro:Mapa de Quilombos da regiao do Vale do Ribeira.jpg
Mapa de Quilombos da regiao do Vale do Ribeira


Porém, a partir de meados deste século, intensificou-se a atividade agrícola na região, trazendo grandes senhores de fazenda, que traziam escravos consigo. Assim, os escravos que conseguiam fugir de seus senhores se direcionavam para a região dos Quilombos, que se localizavam em matas mais fechadas e mais difíceis de serem encontradas.
Para a comunidade de Maria Rosa, particularmente se dirigiram os negros vindos da Fazenda Santana. Também percebeu-se que não só negros viviam na região, mas também camponeses brancos e pobres. O território da comunidade foi inicialmente constituído de terras doadas e também de terras apossadas da Fazenda Santana. Registros de batismo por volta de 1860 mostram que a partir desta data, começam a viver na região, negros livres.
Pela proximidade de diversas comunidades Quilombolas na região, Maria Rosa passa pelas mesmas dificuldades das suas comunidades mais próximas. Isso faz com que estas briguem juntas pelos seus direitos. Desde a década de 90, iniciaram juntas a luta pelo reconhecimento de suas terras, contando com o apoio da Diocese de Registro, da Comissão Pró-Índio de São Paulo e do Fórum Estadual de Entidades Negras de São Paulo, entre outras organizações, começaram a pleitear a titularidade de suas terras.
Com esta mobilização conjunta, em 1996, o Governo do Estado de São Paulo iniciou conversas com as comunidades para propor maneiras de se aplicar os mais básicos direitos à um cidadão para as comunidades da Região.

Resistência a Fazendeiros[editar | editar código-fonte]

Segundo um documento de 1863,o subdelegado de polícia de Iporanga noticiava à presidência que existia uma resistência de negros escravos na região e pediu providência para destruí-los. Porém, não são encontrados registros de qualquer confronto entre o quilombo e a guarda nacional. Este terreno, mais recentemente, foi de posse de 5 fazendeiros. Porém com batalhas, estas travadas na justiça, a comunidade tem sua terra reconhecida como propriedade quilombola, segundo decreto do Governo do Estado de São Paulo,e atualmente a comunidade é formada por 20 famílias.

Cosmologia e Religiosidade[editar | editar código-fonte]

A comunidade exerce o catolicismo predominantemente.Há algumas festas, como na reza do "terço" para a festa de São Benedito, e a comunidade dos Pilões também participa das festividades.

Aspectos Culturais[editar | editar código-fonte]

Os aspectos culturais do Quilombo sofreram forte influência indígena, como ocorre em todo o Vale do Ribeira. Também como característica comum a outros quilombos, há uma forte identificação dos habitantes, não só com a terra, mas também com o próximo. No Quilombo de Maria Rosa, pratica-se a atividade da "Troca de Dias", onde vizinhos são convidados a trabalhar em conjunto, reforçando os laços entre a comunidade, irrestringindo os laços afetivos apenas aos laços familiares.

Conhecimento Tradicional[editar | editar código-fonte]

Quando os habitantes do Quilombo começaram a se fixar no local, não utilizavam nenhuma técnica ou conhecimento provenientes do "homem branco" das cidades, demonstrando desenvoltura para lidar com os problemas do cotidiano. Nem mesmo remédios dos "homens brancos" eram utilizados pelos habitantes do quilombo, para que se curassem de suas doenças.

Situação Territorial[editar | editar código-fonte]

As terras do Quilombo de Maria Rosa foram tituladas em 16/01/2001 pelo Governo do Estado de São Paulo, segundo documento cedido pelo INCRA. O território possui uma área 3.375,6582 hectares. Este terreno também está sob cláusula suspensiva.

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Recentemente, o Quilombo participou do programa de televisão "Custe o que Custar" (CQC), da TV Bandeirantes, onde fez parte do quadro que faz denúncias sobre condições precárias da população.

Referências[editar | editar código-fonte]