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Wikinativa/Vivência na aldeia Guarani Rio Silveiras 2019-2/Relatório Técnico 2019-2

Fonte: Wikiversidade


INTRODUÇÃO[editar | editar código-fonte]

O relatório técnico tem como objetivo relatar a experiência geral da disciplina “Seminários de Políticas Públicas Setoriais III”, passando por seu objetivo, resumo das aulas e síntese das viagens de campo no Território Indígena do Jaraguá e na Reserva Indígena Guarani Rio Silveiras.

O presente relatório foi elaborado pelos seguintes alunos:

  • Aline Lima
  • Grasielle Emílio
  • Murillo de Morais
  • Renan Borges de Sousa

PROPÓSITO DA DISCIPLINA[editar | editar código-fonte]

A disciplina “Seminários de Políticas Públicas Setoriais III” ministrada pelo Professor Jorge Machado com apoio de seus monitores, Carlos Henrique Ferreira, Maíra Ataíde e Vinícius Fernandes, foi oferecida na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo no segundo semestre de 2019. Um dos objetivos da disciplina é o de aprofundar os conhecimentos ministrados em aula no semestre anterior na disciplina “Sociedade, multiculturalismo e direitos”. O aprofundamento de conhecimento se dá através do estudo dos povos indígenas, seu modo de vida e seus direitos, o que permite o aprofundamento nos conceitos de diversidade e multiculturalismo.

Porém, ao ler o programa da disciplina pode-se perceber que seu objetivo/propósito é muito maior. Logo de início há uma frase de Benjamin Franklin:

Diga-me e eu esquecerei,

Ensina-me e eu poderei lembrar

Envolva-me e eu aprenderei…


Percebe-se que o propósito da disciplina é muito maior do que passar conteúdos. Ao propor visitas nas aldeias, palestras e seminários, e contar com uma abertura a um convívio mais horizontal e próximo com os alunos, criando laços entre monitores, professores e estudantes, a ponto da turma se sentir envolvida coletivamente a pensar, e andar um passo a mais no sentido, e entendimento dos direitos dos povos originários. Assim, não é uma simples disciplina, pois o conteúdo passado, em verdade, é vivido nas experiências feitas nas visitas às aldeias e nos momentos de troca de conhecimento em sala de aula.

Passando a compreender melhor a construção do movimento específico em torno da causa dos povos originários da terra, permitiu-se uma abordagem pós-colonial e emancipatória, entendendo a necessidade de romper com a ideia de tutela do Estado perante esses povos.

Em muitas aulas, a condução era feita pelos próprios indígenas que explanaram sobre seu modo de vida e sua luta pela garantia dos direitos. Dessa forma, além do conteúdo teórico, a aproximação entre as diferentes culturas, europeia/estadunidense e indígena permite o envolvimento e o engajamento dos alunos com a causa indígena. A seguir apresenta-se uma breve descrição das aulas ministradas durante o semestre.

RESUMO DAS AULAS[editar | editar código-fonte]

A disciplina “Seminários de Políticas Públicas Setoriais III” iniciou no dia 9 de agosto de 2019 com a apresentação da disciplina e introdução à cultura indígena a partir de uma aula expositiva e exibição de vídeos sobre a temática, e encerrou no dia 22 de novembro com uma celebração para o compartilhamento das impressões pessoais dos alunos, dos monitores e do professor, especialmente em se tratando sobre a viagem de campo realizada em novembro à Reserva Indígena Guarani Rio Silveiras, em Bertioga.

No decorrer do semestre, os alunos assistiram a aulas expositivas, seminários e palestras, participaram de rodas de conversa com convidados indígenas e especialistas na área, compareceram à atividades externas à EACH, bem como tiveram oportunidade de vivenciar experiências únicas por meio de imersão na cultura do povo originário Guarani com as viagens de campo.

No início, o curso teve um enfoque de construção de saberes teóricos, a partir de aulas expositivas e seminários apresentados pelo professor, alunos e convidados. Foi discutido sobre etnocentrismo e relativismo cultural, na abordagem de Paulo Meneses, o qual entende etnocentrismo como um “preconceito resistente, difundido por todos os povos e tempos”, de onde derivam “ideologias etnocentristas, que justificam com razões esse preconceito, e as políticas imperialistas e discriminatórias”, ao passo que o relativismo cultural é entendido pelo autor como “o reconhecimento e valorização das diversas culturas”, o qual “dá uma base para a verdadeira compreensão e relações realmente humanas entre os povos”. Em ocasião oportuna também foi apresentada uma introdução ao modo de vida indígena, pela estudante Letícia Men. Trata-se do conceito de “Buen Vivir”, que designa a realização de uma vida plena, um viver bem, onde há harmonia e equilíbrio entre todos os seres. Igualmente importante foram as discussões sobre segurança alimentar e nutricional indígena, apresentadas pela estudante Caroline Barbosa, onde foi abordado, dentre outras coisas, as transformações nas práticas alimentares indígenas e políticas públicas em saúde para esta população. A participação dos convidados arqueólogos Thiago Kater e Rafael Lopes, doutorandos do MAE-USP, e da professora Cristina Adams, com a apresentação sobre Evolução, Ecologia Humana e Etnobiologia, também contribuiu para abrilhantar as discussões sobre a temática dos povos originários da terra como sua alimentação e o percurso do ser humano ao longo do globo e dos anos.

Compondo o ciclo de palestras, tivemos a presença do juiz André Augusto Bezerra, bacharel em Direito e sociólogo, com a discussão sobre os direitos dos povos indígenas e também a presença de Eduardo Góes Neves, graduado em História pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em Arqueologia pela Universidade de Indiana e Livre-Docente pela Universidade de São Paulo, com a apresentação de sua pesquisa acerca da construção social milenar nas paisagens pelos povos indígenas da Amazônia.

Outros encontros incluíram roda de conversa com os indígenas kariri-xocó, ocasião em que foi possível ouvir seus relatos, tirar dúvidas, ouvir canções típicas e até dançar com eles ao som de suas canções; debate com as indígenas Chirley Pankará e Patricia Rodrigues (Pagu) e o indigenista do CIMI Alejandro, tratando do tema das terras indígenas e a luta dos povos nativos no governo atual; participação no Fórum Emergencial USP – Amazônia: Encontro de Saberes dos Povos Originários, com as convidadas Tikuna, Huni Kuin, Kaimbé, Xokleng, na Casa da Cultura Japonesa; e vivência com a professora convidada Maria Elena Malachias, que realizou uma dinâmica prática envolvendo corpo e mente, para preparação espiritual/emocional dos alunos visando a saída de campo em Rio Silveiras.

Fórum Emergencial Amazônia na USP.

“Estamos resistindo há muitos anos!

Dou graças que a Greta está falando, mas nós indígenas estamos falando há mais tempo! Mudar os hábitos de consumo, mudar as políticas públicas.

Estamos aqui pela Amazônia pelo bem de todos.”

(Ana Patté Xokleng)

Por fim, o ponto forte da disciplina, sem dúvida foram as viagens de campo para os territórios indígenas, onde foi possível vivenciar de perto sua cultura, tradições e visões de mundo. As duas viagens realizadas - Território Indígena do Jaraguá (21 de setembro) e Reserva Indígena Guarani Rio Silveiras (15 a 17 de novembro) serão abordadas com mais detalhes no próximo tópico.

VIAGENS DE CAMPO[editar | editar código-fonte]

Território Indígena do Jaraguá[editar | editar código-fonte]

Às 15:00 do dia 21 de setembro de 2019 os alunos, monitores e professor da disciplina de “Seminários de Políticas Públicas Setoriais III”, bem como alguns convidados da comunidade externa à Universidade, se reuniram para a primeira saída de campo tendo como destino o território indígena do Jaraguá, com o objetivo de vivenciar uma primeira experiência em território indígena.

Reunidos na Serra do Jaraguá, o grupo fez uma caminhada pelos territórios demarcados - a menor área demarcada do mundo, e não demarcados, primeiramente conhecendo algumas áreas guiados pelo monitor e pelo professor da disciplina, e posteriormente recebidos pela liderança de uma das aldeias. A priori recebemos algumas orientações prévias e palavras iniciais para introduzir as reflexões que faríamos durante a visita. Conhecemos, além de uma casa de reza, uma escola instalada dentro da primeira aldeia por onde passamos. A posteriori, tivemos a oportunidade de conhecer outra casa de reza nas aldeias, onde a liderança nos recebeu e conversou um pouco sobre a militância indígena e as dificuldades e desafios no cenário político atual. Também na casa de reza tivemos  a oportunidade de vivenciar seus rituais de reza, seus cantos e danças. Três indígenas da aldeia também contaram um pouco sobre como se dá suas relações com a natureza, seus costumes, crenças e principais críticas sociais e políticas. Ao final, fomos presenteados com um belo jantar feito pela comunidade indígena.

Por fim, os aspectos mais relevantes foi a oportunidade de conhecer in loco o ambiente em que os indígenas guaranis do Jaraguá vivem, poder ouvir de Sônia Ara Mirim e Thiago Karai Jekupe o que pensam sobre diversos assuntos, ter um primeiro contato direto com a natureza com a turma reunida, conhecer um pouco sobre cultura e questões política e avançar um passo para argumentar nas discussões com leigos sobre o assunto.

Reserva indígena Guarani Rio Silveiras[editar | editar código-fonte]

A preparação para a viagem de campo que ocorreu entre os dias 15 e 17 de novembro, iniciou com mais de um mês de antecedência com a apresentação geral sobre a aldeia e separação inicial por tema de grupos de trabalho que realizaram atividades com as pessoas presentes na imersão.

Como preparação da viagem, contamos também com a presença da professora Maria Elena Malachias que guiou a sala de aula em um trabalho energético de relaxamento, como uma meditação ativa pela qual “passamos” por toda a evolução, desde elétrons em torno de um núcleo, corpos celulares mais complexos, primatas ancestrais até a chegar no indivíduo coletivo que somos hoje.

Outras aulas tiveram um tempo reservado para organização das atividades que os grupos realizaram na viagem e também contamos com informação teórica que dizia a respeito de como se portar na aldeia, tanto como visitante e não-indígena, como também pesquisador em observação-participante. Ademais, contextualizamos a questão de tempo também para povos com rotinas e "cosmologia" diferente das nossas.

A aldeia fica localizada na divisa dos municípios de Bertioga e São Sebastião, possui 948 hectares em área demarcada, adjacente ao Parque Estadual da Serra do Mar. São aproximadamente 700 indígenas da etnia tupi-guarani.

O que mais foi relatado a cerca da vivência foi a organicidade que as atividades se (re)organizavam e aconteciam de forma geral, ademais, a relação com outro que a todo momento estava envolvido em um sentido comunitário e uma visão oposta ao etnocentrismo presente na sociedade através do meio acadêmico, midiático e competitivo capitalista.


GRUPOS DE TRABALHO[editar | editar código-fonte]

Cada grupo de trabalho produziu seu relatório que se encontra na sua respectiva wiki:

Relatório do Grupo Alimentação saudável

Relatório do Grupo Arte e Música

Relatório do Grupo Brincadeiras e Esporte

Relatório do Grupo Foto e Vídeo

Relatório do Grupo Infrestrutura

Relatório Técnico (Geral, da turma)

Relatórios individuais

e que se encontram sumarizados abaixo:

Alimentação Saudável[editar | editar código-fonte]

As pessoas que vivem na aldeia têm uma pequena produção de subsistência em modelos agroflorestais, porém os alimentos produzidos na aldeia ainda não são capazes de atender a demanda alimentar da comunidade, e assim por necessidade e praticidade, foram incluídos em suas refeições alimentos pouco nutritivos, com alto teor de açúcar, sal e gorduras que desencadeou doenças que até então não eram comuns, como diabetes, hipertensão e cárie dentária.

Levando alguns fatores em consideração e focando em uma dieta a base de produtos veganos, os alunos responsáveis por pensar a alimentação se dividiram entre si para pensar o cardápio para as refeições, a produção da lista de compras e calcular a quantidade de alimento para satisfazer todos(as) estudantes e convidadas(os) da disciplina, além de manter a organização e limpeza da cozinha, assim como comunicar os horários das refeições.

Foram planejadas 8 refeições, contando almoço, jantar, desjejum, lanches durante a viagem de ônibus - sendo esta, a primeira viagem que este lanche foi disponibilizado - e lanche para trilha. Algumas das receitas pensadas, embora nem todas realizadas por conta de tempo e utensílios, foram caponata de berinjela e abobrinha, moqueca de banana da terra e palmito, farofa de cenoura com cebola, macarrão integral com bolonhesa de lentilha, etc. Foi feita uma lista de alimentos que não deveriam ser utilizados, e outra com ingredientes e temperos recomendados. Essas listas serviram de orientação para a preparação dos cardápios.

Fontes de proteína Carboidratos Lipídeos Outros
Quinoa Arroz integral Óleo de girassol Tapioca
Grão de bico Feijões Azeite de oliva Granola
Lentilha Batata doce Manteiga (?) Leite vegetal (de coco pra moqueca)
Ervilha/ervilha partida Mandioca Semente de girassol/abóbora Açúcar mascavo
Semente de abóbora/girassol Frutas Pasta de amendoim Sal
Feijões Macarrão integral Temperos
Abóbora Vinagre
Milho Limão


Fonte: Elaboração dos alunos do grupo Alimentação saudável

O grupo reuniu pesquisas online sobre valores e parâmetros nutricionais, além de consultar demais pessoas sobre restrição alimentícia, também houve a preocupação para cada refeição, que contou com uma planilha própria onde foram inseridas informações sobre ingredientes, quantidade estimada por pessoa e quantidade total, modo de preparo e valor aproximado para compra. Foi necessário também fazer conversões de medidas para assegurar a precisão das estimativas.

Foi planejado inicialmente uma atividade sobre alimentação e nutrição para os habitantes da aldeia e todos mais que se interessassem pelo tema que pretendia prover informações básicas sobre os temas de alimentação e nutrição aos indígenas, porém, não aconteceu devido a quantidade de trabalho que o grupo teve com as demais tarefas de cozinha e a dificuldade em fazer com que as/os indígenas se reunissem em um mesmo horário.

O grupo identificou uma sobrecarga de atividades para algumas pessoas, a dificuldade em participar de outras atividades que aconteciam ou se alimentar melhor, problemas com espaço e dificuldades na delegação de tarefas entre o grupo. Levantaram um ponto interessante sobre a maior aproximação com as cozinheiras da aldeia o alto nível de complexidade em agregar a alimentação vegana, saudável e adicionar referências de alimentos tradicionais dos povos originários diante todas às limitações existentes na cozinha da Aldeia. Constatou-se a grande importância de uma boa comunicação interna do grupo, de um planejamento detalhado necessário para permitir a execução de todas as atividades na cozinha de forma eficiente, reduzindo possíveis desperdícios e possibilitando a entrega final das refeições conforme o planejado.

Arte e Música[editar | editar código-fonte]

O grupo conseguiu realizar bastante atividades, sendo elas relacionadas a cinema, música e atividade artística. No primeiro dia o grupo expôs dois filmes, o primeiro foi o “Pajerama”, curta de 9 minutos e depois da reza houve a exposição do documentário “Impactos Socioeconômicos do Turismo na Aldeia Rio Silveiras”. Após isso, o último vídeo exibido foi “A Lenda da Vitória Régia”. Os vídeos geraram debates e reflexões aos participantes servindo como espaço de lazer aos jovens indígenas, que eram maioria durante a exibição dos filmes. Para a execução destas atividades, a cooperação foi fundamental. O grupo de “Infraestrutura” ajudou a montar o telão, os indígenas emprestaram o notebook para reproduzir o vídeo e os estudantes da disciplina rotearam a internet móvel de seus celulares para carregar os vídeos.

A segunda atividade do grupo foi a Oficina de Mandala que tinha como objetivo ensinar aos interessados como confeccionar uma. A oficina iniciou no final da tarde com o engajamento dos participantes e se estendeu até 23:00 da noite. Nesse tempo, o grupo fez uma pausa para participar da reza, mas enquanto isso, os indígenas continuaram produzindo suas mandalas.

A última atividade realizada pelo grupo foi uma espécie de “luau”, onde houve interação dos ingídenas e dos estudantes da disciplina em volta da fogueira cantando e tocando músicas.

De maneira geral, o grupo propôs atividades imaginando que teria um público mais velho, porém os jovens se engajaram nas atividades, mesmo não sendo o esperado  isso pôde proporcionar integração entre as duas culturas.

Brincadeiras e Esporte[editar | editar código-fonte]

Sabendo do pouco tempo que teriam e os imprevistos que poderiam ter (como o atraso que efetivamente ocorreu na ida), foram elaboradas brincadeiras e como um segundo plano, levar objetos de uso contínuo e fácil acesso, dentre eles bolas e bambolês (que acabaram tendo um protagonismo não esperado, mas que pode ser explicado pelo modo orgânico e natural com o qual tudo ocorreu na vivência). Além destes, foi pensada cinco atividades principais:

·        Roda de apresentação

·        Fura-dente

·        Rouba bandeira

·        Oficina de bilboquês

·        Caça ao tesouro


Como os outros grupos também tinham atividades para desenvolver, o tempo foi dividido com o grupo de Arte e Música para ter um primeiro contato do ponto de vista lúdico com as crianças da aldeia. A primeira atividade pensada seria uma roda de apresentação para “quebrar o gelo”, mas antes mesmo disso acontecer, já havia pessoas jogando futebol e pulando corda. A roda de apresentação foi realocada para o dia seguinte e consistia basicamente em se apresentar realizando algum movimento, onde todos repetiriam o nome e o movimento da pessoa. Essa atividade atraiu muitas pessoas e até mesmo visitantes não-indígenas.

Após a apresentação, algumas crianças ficaram para brincar com os bambolês, demonstrando muito interesse e habilidade, e outras seguiram para atividade com o pessoal da Arte e Música. Outra atividade realizada foi o Rouba Bandeira, brincadeira tradicional e já conhecida pelas crianças, porém com outras regras: primeiro, não tinha nenhuma demarcação de campos, tudo era um campo só. Segundo, não parecia haver nenhuma separação muito clara de times.  A ideia passada por eles era então que deveríamos apenas pegar a bandeira (qualquer uma das duas) sem ser pego pelo colega (do seu time ou não). Um modo bem mais livre.

A ideia do jogo "Fura Dente" surgiu a partir de uma demanda apresentada pelo professor na qual, ele relatou que na aldeia as crianças apresentam muitos casos de cárie. Desta forma, utilizando-se das regras do jogo “Canibal” e fazendo as devidas adaptações, pensamos no jogo “Fura Dente” para conscientizar as crianças da importância de se fazer uma boa escovação de dentes e consumir alimentos adequados como frutas, legumes e verduras. Porém não foi realizado pois as crianças estavam focadas noutras atividades como o bambolê e acharam melhor não interromper esse fluxo e também por conta de cronograma apertado.

No domingo, logo quando voltamos da praia resolvemos realizar a oficina de bilboquê com as crianças, e ela demandou a utilização de garrafas pet, barbante e tesoura. Ela foi toda orientada para as crianças pelos participantes do grupo de brincadeiras, dando as instruções. A atividade atraiu muitas pessoas, foi usado guache para pintar os brinquedos e também foi realizado de última hora a criação de uma flor com o fundo da garrafa e pendurar como enfeite, assim as crianças pintaram os fundos com a proposta de dar de presente para alguém especial para eles.

O grupo identificou grande curiosidade por parte dos envolvidos da comunidade e o quão importante é saber sentir o que a situação pede além de ter repertório para trabalhar.

Foto e Vídeo[editar | editar código-fonte]

O grupo fez um documentário sobre a vivência na Aldeia Rio Silveiras a partir de entrevistas com estudantes da disciplina e indígenas da aldeia. A intenção era captar as impressões pessoais de quem participou da vivência.

Albúm de fotos

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

O grupo aproveitou os períodos destinados a alinhamentos na própria aula para organizar como poderiam apoiar os outros grupos, citados acima. Nestes períodos o grupo também se preocupou em criar uma dinâmica para ser executada durante a vivência, a principal atividade elaborada foi o “Mutirão caça-lixo” que tinha como objetivo incentivar o recolhimento de resíduos não-orgânicos na aldeia. Após o recolhimento, haveria uma oficina de conscientização sobre os malefícios deste tipo de lixo e como é seu descarte correto.

Além da construção da dinâmica, no período de planejamento da viagem o grupo elaborou o cronograma de atividades.

Durante a viagem, o grupo de infraestrutura apoiou todas as atividades ocorridas na vivência. Apoiaram a preparação do almoço e janta, na passagem de som e vídeo, na separação dos lixos, além de apoiar nas dinâmicas, como a oficina de bilboquê e na construção das tendas. Logo no primeiro dia o grupo orientou a todos a divisão de lixos orgânicos e não-orgânicos, possibilitando o menor impacto ambiental possível causado pela visita na aldeia.

O grupo considera que se colocou a serviço da comunidade, principalmente em relação ao trabalho comunitário e a contribuição ao bem-viver desta.

CONSIDERAÇÕES FINAIS[editar | editar código-fonte]

Grupo de 2019

Em uma perspectiva positiva da sociedade moderna, somos levados a pensar que com tecnologia de ponta e desenvolvimento do capitalismo teríamos maior qualidade de vida, nos níveis de sociabilidade, diversidade alimentícia, acesso a recursos e conhecimentos específicos, mas hoje, temos o ser humano como inimigo do meio ambiente, como se preservação e atuação humana não pudessem ser compatíveis. Uma das maiores tecnologias que os povos que aqui se encontravam antes da chegada de colonizadores, talvez fosse seu modo de vida, sua relação com o tempo e cumplicidade com a natureza.

O ser humano foi responsável por domesticar alimentos que compõem a mesa diária de muitos cidadãos, como a pupunha, o milho e a pimenta, já realizara agrofloresta em outra escala, noutros tempos. Entretanto, o conhecimento produzido ao longo de séculos não são traduzidos, por exemplo, em maior diversidade de alimentos na mesa das pessoas. Sabe-se que existem 85 gêneros e aproximadamente 3.000 espécies batata em todo o mundo, 150 espécies de milho variando em cor e tamanho (ainda que nem todos são para plantio de subsistência). Damos preferência para o consumo em massa, de “prateleira”, acesso rápido e desrespeito a sazonalidade.

A relação que um determinado povo tem com o seu entorno qualifica sua moral e seus valores, sua língua, forma de comunicação e compreensão do outro. No ocidente, temos a prática e tendência de mensurar modos de vida que não os nossos - não tradicionais no molde europeu, urbano ou estado de bem estar social - como mais ou menos evoluídos, bom ou ruim. Falamos de autodeterminação dos povos, mas impomos um tempo social fixo como correto, atribuímos um sobre os outros papéis e expectativas, valores previamente atribuídos que não condizem com a história e significados de vida dos indivíduos, e assim extrapolamos essa forma para a produção científica e políticas públicas. Talvez, uma forma de lidar com isso seja realizar o caminho inverso: produzir políticas públicas e conteúdo acadêmico que permita envolver as pessoas em um propósito mais inclusivo, realizar abertura para outras orientações do pensar e viver. Terra não é sinônimo de sujeira, e sim um elemento natural de onde são colhidos os alimentos e obtida a energia essencial para sobrevivência humana.

A disciplina de Seminários de Políticas Públicas Setoriais III, pelo exposto, ofereceu aos alunos especialmente, a oportunidade de refletir sobre essas questões e, mais que isso, reconsiderar diversos pontos de vistas e até mesmo repensar muitos de nossos comportamentos dentro da sociedade.