Educação na Web/ Pyriproxyfen como causa do surto de microcefalia

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O que o boato afirma?[editar | editar código-fonte]

Que o larvicida pyriproxyfen usado em água potável para evitar o crescimento de mosquitos, apesar de seguro em baixas quantidades, teria se acumulado no corpo das pessoas após alguns anos de uso em água potável. Esse nível atualmente estaria alto o bastante para causar microcefalia nos fetos.[1]

O que está errado?[editar | editar código-fonte]

Sobre a toxicidade do pyriproxyfen[editar | editar código-fonte]

Nos testes com rigor científico o pyriproxyfen se mostrou seguro para uso. Sua toxicidade em humanos é baixa demais[2] perto da quantidade utilizada em reservatórios de água[3]. Mesmo que as pesquisas tivessem falhado em detectar o acúmulo da substância no corpo, os sintomas de intoxicação são diversos e seguem uma progressão antes de atingir níveis agudos. E entre eles não se encontra a má formação fetal[4]. Ou seja, caso a substância estivesse causando males à população, o problema teria sido identificado por um surto nos vários outros sintomas e mesmo assim não seria considerado que este é um causador provável para o surto de microcefalia.

Sobre a correlação com a microcefalia[editar | editar código-fonte]

Mesmo supor que as pesquisas não sejam de todo confiáveis em prever os efeitos do pyriproxyfen em humanos não seria o bastante para colocá-lo como principal suspeito dos casos de microcefalia.

O larvicida é utilizado a mais tempo em outros países, como a Austrália[5] e Colômbia[6] e não foram reportados surtos de microcefalia nesses países no passado. Dessa forma, não existe nem mesmo uma correlação entre locais que usam pyriproxyfen e locais onde houve surtos de microcefalia. Além disso caso o pyriproxyfen fosse causador do suto de micocefalia seria correlação alta entre uso do larvicida e microcefalia, mas a correlação de dados é muito fraca.[1]

Outras Considerações[editar | editar código-fonte]

A fonte original do boato cita como formas de corroborar suas afirmações que o vírus é conhecido há muito tempo e ainda não havia sido ligado a casos de microcefalia (discutido aqui) e que a ABRASCO é abertamente contra o uso do pesticida (desmitificado pela reportagem da BBC).

A fonte também faz afirmações sobre uma conspiração do governo e/ou de grandes empresas para que a população fique doente (discutido aqui) e sobre o uso de mosquitos transgênicos ser inútil (discutido aqui).

Esse boato é muito semelhante em natureza e tipos de afirmações a outros boatos que procuram causas alternativas para o surto de microcefalia, como o boato sobre agrotóxicos e o boato sobre vacinas vencidas.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://paranaportal.uol.com.br/wp-content/uploads/2016/02/Relat%C3%B3rio-da-Organiza%C3%A7%C3%A3o-dos-M%C3%A9dicos-Argentinos.pdf
  2. http://www.who.int/water_sanitation_health/dwq/chemicals/pyriproxyfen.pdf
  3. http://u.saude.gov.br/images/pdf/2014/julho/15/Instru----es-para-uso-de-pyriproxifen-maio-2014.pdf
  4. http://www.inchem.org/documents/jmpr/jmpmono/v99pr12.htm
  5. https://www.daf.qld.gov.au/plants/weeds-pest-animals-ants/invasive-ants/fire-ants/national-red-imported-eradication-program/fire-ant-eradication
  6. https://www.minambiente.gov.co/images/normativa/Otros/Autos/2010/auto_2914_2010.pdf