Introdução ao Jornalismo Científico/Mídias, Linguagens e Prática do Jornalismo Científico/O jornalismo e a Ciência

Fonte: Wikiversidade
Módulo 1: Metodologia e Filosofia da Ciência Módulo 2: História da Ciência e da Tecnologia Módulo 3: Ética da Ciência Módulo 4: Temas Centrais da Ciência Contemporânea Módulo 5: Modos de Organização e Financiamento dos Sistemas de Pesquisa, no Brasil e no Exterior Módulo 6: Mídias, Linguagens e Prática do Jornalismo Científico


O jornalismo e a Ciência

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Roteiro

O seguinte texto é baseado na pesquisa de Daniel Dieb, feita entre 2017 e 2018, como bolsista do CEPID NeuroMat.

Ao revisar pesquisas já realizadas na temática do jornalismo científico, Dieb pode identificar que a literatura corrente avalia a prática deste tipo de jornalismo estando ligada ao chamado modelo de déficit. Ou seja, a comunicação pública da ciência se constituiu partindo do pressuposto que o "público geral" seria uma massa homogênea, a qual se reservaria ao papel passivo de receptora da informação. Caberia, nesse sentido, aos meios de comunicação alfabetizar cientificamente essa audiência. A divulgação de conhecimento científico, assim, ocorre de maneira unilateral, partindo do polo que detém o saber para o polo supostamente ignorante. Em um contexto de remodelação da internet e da participação pública, práticas do jornalismo científico precisam ser repensadas.

Ciência, divulgação e jornalismo[editar | editar código-fonte]

O jornalismo científico é uma das partes da divulgação científica, esta, por sua vez, está inserida no processo do que Carlos Vogt descreveu como espiral científica. Junto com diversos outros elementos, tais como escolas, museus, institutos e universidades, poderia tornar a ciência um assunto amplamente compreendido e discutido.

A respeito do papel do jornalismo científico, Mônica Teixeira e Claudio Bertolli Filho explicam que, para ser executado, compartilha das mesmas etapas que outras especialidades do jornalismo: o tratamento com as diversas versões da realidade, contato com fontes, checagem de informações e adaptação da linguagem para o entendimento do público. Além disso, pode ser produzido em diferentes formatos, de notícias rápidas a entrevistas longas.

"Vogt et al. (2006) escolheram 'estudar a ciência enquanto cultura: um grande ecossistema de símbolos, ideias, histórias, fatos, noções, que circulam e agitam a sociedade e tem, portanto, um fortíssimo reflexo midiático'. Desse modo, a ciência, 'como toda atividade cultural, não tem paredes impermeáveis que a possam separar de um jeito simples, mecânico e inevitável, do resto da produção cultural'"[1]

A formação de tal cultura científica começaria pela produção de conhecimento e difusão entre pares, seguiria pelo ensino de ciência e formação de novos cientistas até à divulgação da ciência para o público geral. No entanto, tal estratégia, considerada diacrônica, pode apresentar desdobramentos negativos como a defasagem do conhecimento divulgado e a prática do segredo.

Na primeira esfera, enquadram-se os modelos de déficit e contexto, que atribui ao cientista o papel de detentor do conhecimento e divulga apenas o aspecto benéfico da ciência respectivamente. Já na segunda esfera, o modelo da experiência leiga aponta que o conhecimento local e o conhecimento científico podem ter o mesmo nível de importância, e, por fim, o modelo de participação pública valoriza a opinião e incentiva o envolvimento do público.

Comunicação pública da ciência: modelos[editar | editar código-fonte]

Segundo a definição de Matos Nobre e Pereira Filho, a comunicação pública:

"ocorre na esfera pública, embora os conceitos não sejam equivalentes. Além disso, ela pode ser realizada pelo Estados, mas não apenas por ele, tendo também como possível protagonista a sociedade civil - cidadãos, movimentos sociais ou ONGs. A nosso ver, seu fundamento assenta-se em seus procedimentos, que precisam estar abertos à participação ativa da sociedade, e em seus objetivos, que têm a ampliação da publicização das questões da sociedade como horizonte."[2]

A comunicação pública da ciência pode ser separada em duas esferas: a primeira seria a que prevê a comunicação como uma via de mão única e coloca o público como receptor e a segunda considera a comunicação como uma via de mão dupla e o público como sujeito participativo.

Scientific literacy: alfabetização ou letramento científico?[editar | editar código-fonte]

A expressão scientific literacy foi apresentada em 1958 pela Fundação Rockefeller, em um relatório sobre o sistema educacional norte-americano e como o ensino poderia preparar as pessoas para viverem e trabalharem em um mundo em constante mutação. O relatório indicava que as pessoas deveriam ser alfabetizadas/letradas em ciência. Mas não exemplificava de que forma isso poderia acontecer.

Além de haver uma discussão sobre a tradução mais adequada para o termo, há também controversas sobre sua definição. Para o pesquisador do tema Rüdiger C Laugksch, essa controvérsia se sustenta na variação do conceito de acordo com o público-alvo e os grupos de interesse envolvidos. No caso da comunidade que ensina ciências, o público considerado são os alunos de ensino básico, os cientistas sociais ligados à ciência, tecnologia e percepção pública da ciência têm como principal público os adultos, já jornalistas e museus podem se comunicar desde crianças até adultos.

Desse modo, por sua indefinição e por não explicitar quais requisitos uma pessoa cientificamente letrada/alfabetizada deveria cumprir, o termo é criticado. Ainda sobre o debate sobre scientific literacy, destaca-se a importância de formar uma base sólida na sociedade para que possa avaliar os riscos e benefícios dos avanços científicos e tecnológicos. A comunicação científica seria um dos instrumentos para o alcance dessa base sólida. Porém, essa comunicação, ao contrário da ideia de transferência do conhecimento, tem como intuito aproximar, compartilhar e estimular.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. DIEB, Daniel, PESCHANSKI, João Alexandre. Jornalismo Científico: Prática e Revisão de Literatura. Intercom, 2017.
  2. MATOS E NOBRE, Heloiza Helena; PEREIRA FILHO, Jorge. A participação da comunicação pública: para além do consenso. Goiânia: Revista Observatório [s.n.], 2016.

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